4. Arbeidet i den nasjonale samordningsgruppen
4.2. Aktiviteter i 2018
A Sociologia e Antropologia têm cultivado a esperança de que a fotografia (e também o filme e o vídeo) possa ser utilizada como fonte e registro factual de informações de trato sociológico (e antropológico) sobre a realidade social. Uma fonte que documentasse o que os instrumentos usuais e já tradicionais de pesquisa
não documentam ou documentam insuficientemente, uma novidade mágica na revelação de dimensões novas e inesperadas da realidade social. (MARTINS, 2009, p. 9).
A Antropologia teve um amadurecimento desde que acolheu a imagem como uma escrita única para traduzir códigos sociais que somente instrumentos como a fotografia podem comunicar, posto que ela ocupa um espaço próprio é chamado de documental, conquistando o campo da Sociologia e Antropologia, ganhando a identidade de “Fotografia Etnográfica” ou ainda “Antropologia Visual”, cujos conceitos mantém certa similaridade. Sendo assim, nesse trabalho, ao nos referirmos à fotografia etnográfica e antropologia visual estão tratando de assuntos que compartilham dos mesmos princípios epistemológicos e metodológicos.
Assim, é perceptível que a construção da imagem está imbricada do caráter imaginário do pesquisador, configurando desta maneira a imagem como representativa do real e corpus do imaginário.
A fotografia suscita uma realidade fictícia em que o imaginário torna-se verdade admitindo os caminhos de ilusão. A presença da fantasia e do ficcioso na circunstância verdadeira dos fatos torna a imagem uma realidade de dimensão mais extensa, onde perco de vista o que pode ou não ser palpável. Desta forma apreendo aquilo que é exposto numa fotografia à maneira como os olhos “podem” ver.
Mas nem por isto os pesquisadores deixam, dentro deste universo complexo, de revelar conhecimento rico em informações que nesta linguagem só a fotografia pode oferecer. Cabendo a ela uma função importante nas ciências humanas.
Admitindo que ela em si mesma nunca será suficiente. Mas qual instrumento de pesquisa é suficiente no campo investigativo, se todos se complementam? Aderir a imagem como documento sociológico é, sem dúvida, um desafio por adentrar no mundo em que não dominamos por completo.
O etnógrafo quando aceita investigar e usar a fotografia como instrumento de pesquisa impõe-se a escrita de um caráter rico, mas assim como todos os outros, limitado, pois ao eleger tal linguagem como forma de expressão maior, o pesquisador poderá ter ganhos, mas também terá de aceitar as perdas. Em muitos casos, a depender do objeto de estudo, a fotografia apresenta um universo que somente ela pode escrever e muitas vezes traduzir. Não ocupa o lugar do texto, nem da fala, mas apenas o seu lugar. A imagem fotográfica é uma grande aliada na atividade da observação ainda que não domine os códigos de visualidade por ser um terreno extremamente fecundo.
A fotografia de ações sociais leva a um universo que transborda de informações não verbais (COOLIER, 1973). As estruturas complexas de interação social, símbolos culturais, identidades sociocultural e estrutura psicossocial podem e são representadas através da fotografia. O seu uso elabora códigos extremamente relevantes para a leitura dos fenômenos os quais observa um antropólogo. A sensibilidade, característica ímpar do pesquisador, é deflagrada nas imagens que são produzidas dentro do universo de pesquisa.
A fotografia etnográfica apresenta uma função descritiva ao registrar aspectos que identificam comportamentos e ações dos indivíduos dentro das comunidades existentes. Por meio dela uma simples observação capta um momento específico que representa a vida cultural do homem dentro da sociedade naquele instante. Imagens que são transformados em dados estatísticos. O que é imagem agora é uma rica fonte de informações para a realização do trabalho do antropólogo.
Dentro da atividade de campo o pesquisador observa fenômenos que podem ser espontâneos e momentâneos ou comportamentos que são incidentes na comunidade. Logo na edição das fotografias ele saberá pesar quais podem realmente ser utilizadas como dados qualitativos e quantitativos e quais são descartáveis por não serem parte do comportamento sociocultural da localidade.
O processo de edição no trabalho de um etnógrafo é uma das ferramentas mais importantes na hora de definir o viés da pesquisa, sendo cuidadoso com o ato manipulador de mostrar os fatos pela sua lente apenas. Certamente não há dúvidas do envolvimento e da subjetividade do pesquisador imbricadas na produção da pesquisa, mas deve-se tentar acima de tudo prezar pela qualidade e veracidade das informações ora expostas na apresentação da investigação e seus métodos.
É de responsabilidade do autor assumir um cuidado com a percepção dos fatos sociológicos e sua tradução. Na escrita escolhida é necessário fazer uma investigação de cunho visual sem que esta sirva apenas de ilustração para o desejo frívolo de pesquisadores que não buscam a construção de um verdadeiro “fazer etnográfico”.
Observar a vida social do sujeito através da fotografia tem sido uma tarefa importante e desafiadora para os antropólogos que estão preocupados com o que é feito com os materiais visuais, sobre como a produção científica tem se apropriado da ferramenta fotográfica como método na ciência descritiva sociológica. As imagens podem provocar leituras e resultados dos quais os próprios pesquisadores não têm conhecimento e entendimento. Para isto serve a descoberta etnográfica. Mas a esta linguagem visual busca-se um espaço merecedor de sua escrita rica e informativa. A provocação feita pela fotografia é
antes de tudo um ato de entrega do pesquisador que se predispõe a interpretar e interagir com outras culturas ou ainda de forma mais profunda com a sua própria cultura.