• No results found

É frequentemente assumido que a localização em clusters ajuda as empresas a trocar, adquirir e gerar novo conhecimento. No entanto, Malmberg e Power (2005), reconhecem que existem reduzidas evidências de que a cooperação e as transações entre empresas na mesma localização sejam características de empresas de sucesso. Porém, ao mesmo tempo, os autores destacam o papel das dinâmicas do mercado de trabalho e da interação social, ao nível individual, como facilitadoras do processo de criação de conhecimento nas empresas e nos clusters.

Os clusters afetam a competição em três vertentes que em conjunto refletem e amplificam as partes do diamante (Porter, 2000). Em primeiro lugar através do aumento da produtividade das empresas que os constituem através do acesso a inputs e recursos humanos especializados, das complementaridades de produtos, de marketing e de atividades de suporte, do acesso a instituições e a bens públicos e através de incentivos e medidas de performance; em segundo lugar através da crescente capacidade das empresas para a inovação e crescimento da produtividade como resultado de uma perceção mais rápida e mais clara das necessidades dos clientes, das tecnologias, das operações e das ações dos concorrentes; e por fim através do surgimento de novos negócios que suportam a inovação e contribuem para expansão do cluster.

17

Navickas e Malakauskaite (2009) investigaram o impacto da atividade dos

clusters no desenvolvimento do conjunto de PME’s. De acordo com os autores as

empresas tendem a cooperar com o intuito de recolher benefícios das sinergias em várias áreas de operação e melhorar a sua performance no ambiente competitivo. As formas de cooperação vão desde parcerias informais e alianças para o estabelecimento de redes, clusters, associações bem como plataformas tecnológicas complexas. Efetivamente, os autores, destacam o papel dos clusters como ferramentas de melhoria da produtividade e inovação uma vez que quer a produtividade quer a inovação estão fortemente associadas ao aumento da competitividade nos mercados nacionais e globais. Por outro lado, os autores entendem que as PME’s que participam em clusters podem beneficiar de infraestruturas especializadas, maiores possibilidades de penetrar em novos mercados, recursos humanos mais qualificados, capacidade de resposta às necessidades dos seus clientes e redução dos custos de operação. No contexto macroeconómico as políticas de cluster e o podem conduzir ao desenvolvimento económico e social, criando novos empregos e aumentando o nível de vida das pessoas.

Para Bititci et al. (2004) uma rede pode ser definida como um modo distinto de organização em que as organizações participantes trabalham conjuntamente em equidade, compromisso e confiança na troca de informações, partilha de atividades e recursos favorecendo desta forma o aumento mútuo das suas capacidades geradoras de benefícios mútuos e os seus objetivos comuns através da partilha de riscos, responsabilidades e recompensas. Estes autores demonstram ainda que redes de empresas colaborativas podem criar uma proposta de valor única complementando, integrando e alavancando as competências e capacidades de cada uma das empresas.

A definição de estratégias ao nível de uma rede implica que a heterogeneidade de recursos e a interdependência entre as atividades externas à empresa bem como a colaboração entre as empresas envolvidas devem ser consideradas simultaneamente (Gadde et al., 2003). Os autores advogam que uma empresa deve analisar a sua situação em termos dos seus relacionamentos e conexões. É por isso crucial que a empresa relacione as suas atividades com as atividades das outras empresas por forma

18

a favorecer a sua performance uma vez que é através da contínua combinação e recombinação dos relacionamentos de negócios que são identificadas novas dimensões de recursos. Para estes autores os gestores necessitam de compreender os mecanismos e as contingências que os afetam particularmente em lugar de aplicar regras de forma indiscriminada ou seguir outras firmas cuja situação pode ser substancialmente diferente.

Brunetto e Farr-Wharton (2007) através de questionários realizados em 231 empresas australianas mostram que, apesar de os gestores procurarem novas oportunidades de negócio quando aderem a redes, o seu nível de confiança é moderador das suas interações na rede e afeta a sua predisposição para partilhar conhecimento relevante e reconhecer novas oportunidades de negócio.

Johanson e Vahlne (2003) apontam para o facto de relacionamentos próximos e duradouros entre as empresas que desenvolvem negócios entre si são vistos por estas como cruciais. Para os autores, a construção destes relacionamentos depende de fatores como o tempo e os recursos. Os autores destacam ainda a necessidade de existir um nível de compromisso adequado com as empresas clientes, fornecedoras, intermediárias e cooperantes. Assim, a primeira preocupação deverá residir no desenvolvimento gradual dos relacionamentos em que as empresas já estão inseridas.

A cooperação entre as firmas e a experiência destas na manutenção destes relacionamentos traduz-se em empresas com maior sucesso (Fink e Kessler, 2010). Ainda de acordo com estes autores o carater internacional dos relacionamentos contribui para a performance da empresa. Porém, o número de relacionamentos de cooperação não é, por si só, um fator decisivo para a performance da empresa.

A constituição de redes representam por outro lado um conjunto de oportunidades para as pequenas e médias alcançarem uma internacionalização de sucesso (Torkkeli et al., 2012). Os autores procuraram examinar a influência das competências existentes nas PME’s para o estabelecimento de redes na sua propensão para internacionalizar e subsequentemente na sua performance internacional. O estudo, que contemplou um inquérito realizado a 298 empresas finlandesas de cinco setores diferentes, indica que a existência de maiores competências para trabalhar em

19

rede tem um efeito positivo na propensão para internacionalizar e na performance internacional. Assim, as empresas onde se verifica este pressuposto estão mais aptas a internacionalizar e a atingir níveis de performance mais elevados.

Fink et al. (2008) analisaram a contribuição do compromisso para a performance de PME’s em contexto de internacionalização cooperativa. Os autores através de uma análise empírica realizada para uma amostra de 146 PME’s austríacas, checas e eslovenas concluíram que a internacionalização com base na confiança é uma alternativa interessante às outras formas de internacionalização, e, particular para as PME’s. A análise revela ainda uma contribuição significativa e positiva para a performance resultante do compromisso entre empresas que cooperam.

Che Senik et al. (2011), através da análise de opiniões de especialistas e empreendedores da Malásia, procuraram responder às questões relativas às fontes e de forma as redes apoiam as PME’s a ganhar exposição internacional. Assim, as três fontes principais de relacionamentos são as instituições, os parceiros e as relações públicas, as quais permitem uma distribuição e acesso eficiente à informação sobre oportunidades internacionais.