O fenómeno da globalização colocou na ordem do dia a discussão sobre as decisões de internacionalização das empresas. De facto, encontram-se na literatura uma série de contributos que mostram a complexidade associada a este tema.
Para Caves (1971), o investimento direto estrangeiro (IDE) ocorre principalmente em indústrias caracterizadas por certas estruturas de mercado, tanto no país de origem como no país estrangeiro. O oligopólio com diferenciação de produto normalmente prevalece onde empresas fazem investimentos "horizontais" para produzir no exterior a mesma linha de produtos que produzem no mercado doméstico. Oligopólio, não necessariamente diferenciado, no mercado doméstico é típico em indústrias que realizam investimentos diretos "verticais" para produzir no exterior matéria-prima ou outros inputs para seu processo de produção nacional.
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No entanto, mais recentemente tem-se verificado que as decisões de internacionalização não dependem apenas da estrutura de mercado mas outros tais como a performance, a eficácia e o risco.
Tallman e Li (1996) examinaram os relacionamentos entre a diversidade internacional e de produto e a performance da firma em empresas multinacionais americanas. De forma consistente foi possível demonstrar uma relação quadrática entre a diversificação do produto e a performance o que já não se verificou quando a relação foi estudada com outras medidas da diversidade internacional. Assim, os autores apresentam evidências sólidas de qua a performance está relacionada com a diversidade do produto de uma forma não linear. Foi ainda possível fornecer algumas evidências de que a performance está positivamente relacionada com o âmbito de operações internacionais mas não com a medida mais utilizada para a intensidade internacional, as vendas por subsidiárias estrangeiras.
A sugestão da teoria de que a performance da empresa é inicialmente positiva mas que acaba por estagnar e se torna negativa à medida que a diversificação internacional aumenta é demonstrada pelos resultados (Hitt et al., 1997). Efetivamente, a diversificação de produtos é moderadora da relação entre a diversificação internacional e a performance. Assim, a diversificação internacional relaciona-se negativamente com a performance em empresas não diversificadas, positivamente em empresas com alta diversificação de produtos e de forma curvilínea em empresas de diversificação moderada de produtos. Por outro lado, os autores mostram que a diversificação internacional relaciona-se positivamente com a intensidade de investigação e desenvolvimento, mas que os efeitos da sua interação com a diversificação de produtos é negativa. Os resultados do estudo destes autores fornecem ainda evidências da importância da diversificação internacional para atingir uma vantagem competitiva mas também sugere que as complexidades da sua implementação para estas vantagens em empresas com produtos diversificados. Apesar da existência de múltiplos benefícios potenciais a implementação efetiva e a gestão adequada da diversificação internacional e de produto são fundamentais para se atingirem estes benefícios. Concluem então os autores que as empresas que
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desenvolvem capacidades internacionais podem alcançar vantagens que não sendo facilmente imitáveis pelos concorrentes torna o desenvolvimento desta capacidade como um fator decisivo e de especial relevância.
Mas, segundo Hsu e Boggs (2003), embora tenha havido um desenvolvimento significativo na teoria do comércio internacional e na literatura empírica sobre as causas e os resultados do IDE, ainda parece subsistir uma compreensão limitada de como o grau de internacionalização afeta o desempenho da empresa.
É por isso mesmo que os autores decompõem medidas tradicionais de desempenho financeiro, aplicando duas medidas diferentes de grau de internacionalização, country scope e as vendas externas em percentagem das vendas totais, para medir os efeitos sobre desempenho financeiro dos diferentes graus de internacionalização. A evidência sugere que as vantagens da internacionalização são maiores do que as desvantagens nos níveis mais baixos de internacionalização, enquanto a multinacional pode gerir com eficiência seus recursos. Para um maior grau de internacionalização, no entanto, as vantagens são compensadas pelas desvantagens de restrições administrativas e limitação de recursos, ou os problemas de gestão eficiente dos recursos.
Katsikea e Skarmeas (2003) identificam na literatura alguns elementos organizacionais e de gestão, que permitem, potencialmente distinguir entre unidades exportadoras mais ou menos eficazes e procuram identificar o perfil, ou seja, as características, das unidades mais eficazes e averiguar como estas se diferenciam de outras unidades de exportação, no que diz respeito a sistemas de controlo de gestão do comportamento das exportações, design organizacional e características e comportamentos dos gestores.
Os resultados obtidos pelos autores indicam que, quando comparadas com unidades exportadoras com uma performance inferior, as unidades exportadoras mais eficazes apresentam níveis elevados de controlo de gestão das exportações e design das organizações. Para além disso, apresentam gestores de exportações com atributos comportamentais superiores, sobretudo ao nível do planeamento das vendas, apresentação, adaptação as vendas, suporte das vendas e conhecimentos técnicos; e,
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ainda, algumas características específicas como a competência profissional e a orientação para o consumidor.
Lages e Montgomery (2004) analisam empiricamente dados obtidos de mais de 400 gestores responsáveis pelas principais ventures de exportação das PME’s portuguesas. Estes concluem que a performance ao nível das exportações é um antecedente do compromisso no que respeita às mesmas e, ao mesmo tempo, afeta a forma como os gestores definem as suas estratégias. Especificamente, afeta o grau de adaptação do produto (efeitos indiretos significativos), o preço (efeitos diretos e totais significativos) e a distribuição (efeitos diretos, indiretos e totais significativos).
Zaheer (1995) discute as consequências da decisão de internacionalizar e dos riscos associados. No seu estudo, este autor, procurou analisar se as empresas integradas em ambientes globais e competitivos assumem os riscos de internacionalização e se fatores como os países de destino, as especificidades das firmas, as práticas organizacionais ou a cópia de práticas utilizadas por outras empresas podem auxiliar a suplantar estes riscos. Estas preposições foram testadas em 24 dependências bancárias americanas e japonesas, uma vez que se trata de um setor global, extremamente competitivo e com produtos semelhantes o que sugere que os resultados possam ser aplicados em outros setores. Os resultados mostram a existência do risco de internacionalizar e o papel da cultura administrativa de empresa na vantagem competitiva das unidades internacionais. Os resultados, apresentados pelo autor, destacam ainda a dificuldade das empresas em adotar práticas organizacionais de outras empresas pelo que a utilização de práticas intrínsecas à empresa se afigura como a melhor opção para ultrapassar o risco de internacionalização.
Um estudo organizacional semelhante do risco de internacionalização sugere que, para além de ser mutável em função do tempo decorrido, as suas consequências são uma performance inferior e um aumento das taxas de insucesso (Zaheer e Mosakowski, 1997). Por outro lado, este risco decresce à medida que a empresa permanece no mesmo local e com o aumento da desregulação e da globalização. Os autores identificaram ainda ambientes que, fruto da elevada proporção de firmas
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estrangeiras, tendem a ser menos competitivos quer para as empresas nativas quer para as estrangeiras.