O áudio-livro (livro falado, audiobook, roman lu) é um livro gravado em áudio, no formato de fita cassete, CD, mp3 ou outro. Em março de 1931 a Biblioteca do Congresso norte-americano recebeu autorização legal para o projeto Books for the Adult Blind. No mesmo ano, em julho, alguns já estavam disponíveis. 34
Em 1952, o programa foi ampliado para aumentar seu alcance junto ao público, incluindo as crianças. No início, a verba disponível para o projeto era de 75 mil dólares. Em 1998, o fundo contava com 47 milhões de dólares. Hoje, o projeto se chama National Library Service for the Blind and Physically Handicapped (NLS) que, em conjunto com a Biblioteca do Congresso, seleciona e produz livros e revistas em braile e em CDs e cassetes, com um orçamento de 140 milhões de dólares anuais. O acervo compreende 163 mil títulos diferentes, em um total de 16 milhões de cópias. Atualmente, as equipes da Biblioteca do Congresso e da NLS desenvolvem um projeto de estudo sobre novas tecnologias e formatos digitais, já que toda mudança tecnológica implica em adaptação também para os mais de 700 mil usuários das fitas cassetes e CDs.
No Brasil, os primeiros áudio-livros surgiram na década de 60, com poesia e contos infantis em vinil. Não há dados precisos sobre essa produção no país, mas destaca-se o primeiro sucesso em literatura com o Chatô, de Fernando Morais, em fita cassete, lançado em 1996. Foram vendidas 20 mil cópias.
No ano de 2006, foram abertas duas editoras especializadas na produção e edição de áudio-livros, a Universidade Falada e a Livro Falante.
A primeira, fundada pelo médico Cláudio Wulkan, de São Paulo, tem mais de 500 livros gravados no catálogo, abrangendo literatura, filosofia e livros técnicos utilizados em universidades. No website35 da Editora Universidade Falada também há aulas, congressos e palestras disponíveis sobre diversos assuntos. Na apresentação da empresa, no mesmo website, o coordenador do projeto explica seus objetivos:
34 Fonte: texto técnico da Biblioteca do Congresso, disponível em
http://www.loc.gov/nls/technical/dtbprologue.html . Acesso realizado em 15 de jul. 2009 35http://www.universidadefalada.com.br Acesso em 15 de jul. de 2009
67 Nossos preços permitem que qualquer brasileiro com acesso a internet possa adquirir nossos produtos. Sem exceção... Nos próximos anos devemos produzir centenas de áudio-livros, sempre pensando em levar cultura, informação e formação para você, seja onde estiver.Os preços, como você verá, são muito baixos. Mas essa entrada de capital que deve sustentar o projeto. Acreditamos que a quantidade vendida seja tanta que ajude o projeto a crescer. Assim ninguém precisa copiar ou piratear. Ninguém pode falar que não aprendeu filosofia porque não tinha condições, por exemplo.Lembre-se que sem essa venda, o projeto não se mantém. Alguns cursos tradicionais que chegam a custar de R$ 200 a R$ 700, podem aqui ser adquiridos por valores simbólicos de R$ 15 a R$ 70. Esperamos que você aproveite e, acima de tudo, adquira o gosto da boa “leitura de ouvido”.
E sobre o que é um áudio-livro, o site reforça “o áudio-livro não substitui o livro, é apenas uma alternativa, mais um meio de acesso à cultura”.
A editora Livro Falante36, fundada pela jornalista Sandra Silvério, disponibiliza seus áudio-livros em CDs ou para download em mp3. O preço do download costuma ser a metade do formato CD e a editora tem investido em clássicos como Machado de Assis, mas também em obras espíritas.
Em 2008, foi a vez de a Ediouro entrar no mercado com seu selo Plug me, lançando em áudio-livro suas obras mais vendidas. A gravação é feita pelos próprios autores ou atores consagrados. Até julho de 2009, constavam 84 áudio-livros no catálogo. Em 2009, surge mais uma, a Editora Audiolivro, e também em julho do mesmo ano, já contava com mais de 200 livros em catálogo, no formato CD ou mp3. Entre eles, alguns best sellers, como 1808, de Laurentino Gomes e O Monge e o Executivo, de James C. Hunter. O objetivo desta editora, conforme manifesto no website37, é
Produzir com a melhor qualidade, com profissionalismo e dedicação, livros de fato relevantes no mercado editorial. Assim, permitindo com que a tecnologia audível atinja as pessoas que saibam o idioma português, mas não tenham tanto tempo para ler (quanto gostariam) ou apresentem alguma dificuldade visual (ou mesmo de alfabetização), porém que almejam sempre estar aprimorando seus conhecimentos e sua cultura.
36http://www.livrofalante.com.br/ . Acesso em 15 de jul de 2009 37
http://www.audiolivro.com.br/sistema/custom.asp?IDLoja=6491&arq=quem.htm&1ST=1&Y=7387748308277#
68 Aos poucos, o interesse pelo áudio-livro parece se manifestar no país. De acordo com a segunda edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil38, realizada em 2008, sob encomenda do Instituto Pró-Livro e realizada pelo Ibope Inteligência, 2% dos entrevistados, o equivalente 2,9 milhões da mostra, “leram” áudio-livros em algum momento no período máximo de três meses anteriores à pesquisa.
Os livros eletrônicos ou digitais (ou ainda e-books) são outra tendência. A primeira biblioteca virtual do mundo foi o Projeto Gutenberg39, ligado, no início, à Universidade de Illinois, Estados Unidos. Atualmente são mais de 30 mil livros de livre acesso no catálogo, número que sobe para 100 mil ao juntar-se com parceiros que também disponibilizam obras digitais. Seu fundador, Michael Hart, começou o trabalho em 1971 junto a outros voluntários.
Desde então, o número de livros disponíveis na internet tem crescido, embora no Brasil o acervo ainda seja composto em sua maior parte por obras em domínio público. No entanto, sites como a Amazon40 já vendem obras digitais para serem lidas em um leitor de livros eletrônicos, à venda também no próprio website. O modelo disponível tem capacidade para armazenar até 200 livros, mas existem outros dispositivos no mercado com diferentes capacidades de armazenamento. O fabricante tem mais de 90 mil títulos de livro a venda e a Amazon também tem opções a preços mais baixos do que os livros impressos.
No Brasil, o acesso ao livro ainda é restrito, porque parte da população tem baixa renda e não pode comprá-lo e porque o país não tem tradição de cultura escrita tanto como de oral. Junte-se a isso o fato de que ler livros na tela do computador está longe de ser unanimidade e um costume. Mesmo assim, a leitura de livros eletrônicos já aparece na pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, de 2008, do Instituto Pró-Livro, à frente da “leitura” de áudio-livros, tendo sido citada por 3% dos pesquisados, o que representa um total de 4,6 milhões de pessoas.
Algumas editoras no país já têm realizado vendas em arquivo digital PDF, especialmente de obras que estão esgotadas na edição impressa. Há, no ano de 2009, no Brasil, propostas de editoras em lançar livros inéditos e gratuitos no formato digital 41. O livro digital, no entanto, ainda segue a mesma diagramação das páginas do livro impresso.
38 A pesquisa na íntegra pode ser consultada no endereço
http://www.prolivro.org.br/ipl/publier4.0/dados/anexos/48.pdf . Ali também se encontra explicitada a metodologia de pesquisa. Acesso em 15 jul. de 2009
39http://www.gutenberg.org Acesso em 15 de jul de 2009 40http://www.amazon.com/ Acesso em 15 de jul de 2009 41http://editoraplus.org/ Acesso em 15 de jul. de 2009
69 Nos Estados Unidos, o comércio de livros digitais está mais desenvolvido e as editoras têm lançado simultaneamente a versão impressa e a eletrônica de seus livros.