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Ulike aspekter ved helsefremmede arbeidsplasser

6. Helsefremmende arbeidsplasser

6.3. Ulike aspekter ved helsefremmede arbeidsplasser

O nyungwe, como todas as línguas bantu moçambicanas, é língua oral e ao mesmo tempo língua não oficial. Por causa destes dois factores, acaba na prática por ser uma língua marginalizada e, com isso, correr o risco de extinção. É minha convicção de que todas as línguas não oficiais de Moçambique são línguas tendencialmente condenadas a desaparecer, quer através de um decreto (cenário improvável), quer pela contínua limitação dos papéis sociais oficiais que desempenham, quer pela conjugação destes dois factores. Aliás, o que é oral, não fixado em letra de forma, voa. Portanto, a sua descrição, como forma de fixar e salvaguardar o que ainda existe, afigura-se ser uma urgência nacional e internacional.

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Como a língua é estruturada e é determinada pelos usos que os seres humanos dela fazem, e como o texto é tudo o que é dito ou escrito em algum contexto de uso, descrever e caracterizar uma língua é, em última instância, descrever os textos em uso por uma determinada comunidade. Isto porque o texto é a unidade fundamental de comunicação em qualquer evento discursivo. Por isso, para quem elege a LSF como constructo teórico- metodológico de descrição da língua, o texto deve ser a base indiscutível do trabalho. Como afirma Gouveia (2010: 7), é com textos que a LSF trabalha em termos de descrição e análise, procurando entender o que os textos nos revelam sobre o sistema que é a língua. Neste caso, o texto é visto na perspectiva de espécime, dado que o propósito é conhecer a gramática do nyungwe.

Além do que se afirmou no primeiro parágrafo, acresce-se que o nyungwe ainda continua a (sobre)viver na esfera familiar, principalmente das zonas rurais, onde é transmitido de geração em geração por via oral. Fora deste âmbito, continua a ser marginalizado ou ignorado, ou, quanto muito, encarado com indiferença e/ou desconsideração (nas zonas urbanas), a começar pelo cidadão comum, indo até aos actores políticos e os governantes.

Ao descrever em termos sistémico-funcionais a gramática do nyungwe há que estabelecer e definir com rigor critérios, prioridades e metas. Um dos critérios (já aflorado no item anterior) é o de não se partir com nenhumas assunções descritivas baseadas no inglês ou numa outra língua qualquer; o outro critério (também apresentado no item acima aludido), pelo contrário, vem-nos dizer que (sobretudo quando se rema contra o tempo) é conveniente ter por base uma língua já descrita, se possível, em termos sistémico-funcionais ou funcionais, ou até descrita nos moldes tradicionais. O inglês leva a vantagem de ser usado como modelo já que é uma língua muito descrita em qualquer dos modelos. Mas, em vez do inglês, o mais vantajoso para o nyungwe seria trabalhar com as línguas LOTE da família nyungwe pelas semelhanças que podem evidenciar.

Apesar de apontarem para sentidos não convergentes, as duas posições podem-se aproximar. Aliás, diz o ditado popular, no meio estará a virtude. Pelo que, sempre que as necessidades o exigirem, lançar-se-á mão a um ou outro critério, até porque, em última instância, nenhuma das línguas LOTE já descritas (total ou parcialmente) em termos sistémico-funcionais pertence ao grupo bantu de que o nyungwe faz parte.

O modelo de descrição e a forma como se começa têm muita influência na forma como a investigação se desenvolve bem como nos resultados daí obtidos. Por exemplo, começar pelo comum, pelo geral a todas as línguas afigura-se ser um método eficaz na descrição dos fenómenos linguísticos. Afirmar, perguntar ou ordenar acontece em todas as

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línguas. Por outras palavras, em todas as línguas se fazem declarações, se fazem interrogações ou imperativas. É na adequação a cada uma destas funções discursivas que se revela a verdadeira alma, o âmago de uma língua; é aqui que se surpreende a língua na sua função natural, na sua função primordial de significar. Assim sendo, começar pelos domínios comuns a todas as línguas oferece mais vantagens aos iniciados nestas lides e para os estudos pioneiros como este.

Ora, se, por um lado, se deve começar do geral para o particular, do comum para o individual, da unidade maior para a unidade menor, por outro lado, uma descrição de base semântica, privilegiará o texto (um instante da língua) em detrimento do morfema ou da palavra. Na verdade, o texto constitui uma unidade de análise e de descrição da GSF.

A quantidade e a qualidade dos dados também têm uma grande influência no resultado final da descrição. As recolhas e gravações dos textos para a constituição do corpus para esta dissertação foram feitas pelo candidato num trabalho de campo realizado em Tete, entre os dias 01 e 14 de Maio de 2009. As localidades abrangidas foram nomeadamente Tete-cidade (local onde me estabeleci e realizei a maior parte das recolhas), Misawa e Marara-Kacembe (gravações de aulas), estas duas últimas distam 60km uma da outra. No local, também se tomaram algumas notas das circunstâncias envolvidas em cada um dos textos. Posteriormente, já em Lisboa, Portugal, esses textos foram transcritos ortograficamente, usando o sistema ELAN, coligidos e arquivados em suporte informático.

Os dados foram recolhidos discretamente por mim, sem o conhecimento dos visados, cidadãos anónimos entretidos nas suas labutas para garantir autenticidade e eliminar artificialismos. Visava-se surpreender a língua no seu estado e produção naturais, onde as influências fossem mínimas, a tender para o zero. O aparelho usado na recolha dos dados foi um telemóvel Nokia N95 8GB, tendo-se revelado bastante discreto, eficaz, de fácil transporte e manuseamento, grava som de alta qualidade e imagem fotográfica e vídeo aceitáveis. Apenas se registou um percalço quando ficou sem bateria numa zona rural sem electricidade pública.

As gravações que foram realizadas na Emissora Provincial da Rádio Moçambique (RM), em Tete, careciam da autorização da Directora, necessidade que não se colocou nas que eu próprio realizei a partir do rádio. No primeiro caso, não houve envolvimento directo da minha parte. Eles gravaram-me sobretudo a programação em nyungwe – noticiários, reportagens, etc. No segundo, eu interferi, escolhendo o que gravar e quanto tempo. As outras gravações foram feitas por mim quer nas ruas da cidade de Tete quer em sala de aula. Nas duas salas de aula onde gravei, a minha presença teve influência negativa na de Misawa, onde

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foi notória a inibição da professora que, apesar dos esclarecimentos prévios, agiu como se estivesse a ser avaliada, tendo alterado a sua programação normal, gerindo o tempo de aula com silêncios longos. Na outra sala de aula, em Kacembe, aconteceu exactamente o contrário, alunos e professor sentiram-se galvanizados com a minha presença, não se tendo registado tempos mortos como na outra. A aula foi muito dinâmica e bastante participada. Estas gravações foram feitas com a devida autorização das respectivas direcções das escolas que foram bastante colaborantes e sensíveis às minhas solicitações. A contrastar com isto, esteve a Directora Provincial de Educação que depois de dois dias à espera de uma audiência para falar com ela, quando me recebeu, recusou-se a ceder-me uma credencial para levar às escolas porque exigia credencial da minha universidade. As gravações nas ruas foram prejudicadas principalmente com os ruídos do meio ambiente e devido à distância imposta para se manter a discrição do acto.

Em função da apreciação e definição dos contextos críticos do quotidiano das pessoas (Caffarel, 2000: 18), foram recolhidos textos o mais variados possível e na maior quantidade possível que constam de: conversas de vendedores ambulantes, de mulheres vendedeiras do Mercado OUA, de rapazes puxadores de trotinetas de carga, de grevistas da Empresa Águas de Tete; uma sessão de missa católica; uma entrevista informal de emprego doméstico; conversas de um grupo de crianças na feitura de deveres de casa; gravações directamente do rádio e na emissora de programas emitidos em nyungwe, etc.

O corpus é portanto constituído por textos de fala espontânea e textos escritos de falantes nativos nyungwes. A recolha foi feita de forma directa e indirecta através de: (i) gravações feitas pelo próprio investigador (em alguns casos como mero observador e noutros como observador-participante) e (ii) recolha de programas radiofónicos emitidos em nyungwe.

Eleito o texto como o ponto de partida, a descrição segue o padrão de descrição topo- base. A Figura 3.1 procura ilustrar que na base da análise descritiva assumida neste trabalho está o texto, mas o centro nevrálgico dessa análise e descrição é a oração. Tudo se processa à volta da oração: acima de, abaixo de, para além de. A oração é a unidade principal de processamento da lexicogramática. Esta realiza-se em função de uma escala de níveis que, estruturada de topo para a base, apresenta a oração no centro à volta do qual tudo gravita e o morfema no fim, passando pelo sintagma/grupo e pela palavra. Interessa aqui saber como a oração significa o que significa e porquê. Isto remete-nos para os fraseados, realizáveis em orações, organizadas em funções gramaticais estruturadas de uma determinada maneira. No

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caso do nyungwe, as principais funções gramaticais do Modo Oracional acabam sendo, Sujeito, Predicador, Complemento, Adjunto. São estas as principais funções a descrever.

A Figura 3.1 representa a caracterização da descrição em movimento do topo (texto) para a base (morfema) que temos vindo a descrever.

Figura 3.1: Diagrama de representação do movimento descritivo na gramática

de topo-base (do texto para o morfema) e da escala de níveis. Gouveia (2009: 8)

Os textos que foram referidos atrás não são mais do que as actividades de cada um no dia-a-dia. Todos os dias, nós pedimos e damos informações ou bens & serviços. As pessoas quando querem saber (sobre) uma língua perguntam como é que se diz isto, como é que se diz aquilo e aqueloutro; como se faz uma pergunta x, y ou z, como se responde a esta ou aquela pergunta. Isto é, querem saber como é que se dão e pedem informações ou bens-&-serviços. Perguntar é pedir algo e quem pede espera receber; por sua vez, receber implica alguém dar. Para cada uma destas funções discursivas de dar informações, pedir informações; dar bens-&- serviços, pedir bens-&-serviços, há recursos gramaticais típicos que realizam determinadas funções gramaticais.

No pedir e dar informações, as trocas são verbais e a língua aparece simultaneamente como meio e fim da troca; enquanto no pedir e dar bens & serviços, as trocas são não-verbais e a língua surge apenas como meio, mas não fim. Da conjugação destas quatro variáveis, dar e pedir, quer informação, quer bens & serviços, resultam quatro funções discursivas primárias que podem existir em todas as gramáticas das línguas naturais do mundo. Esquematicamente, o que acima é dito pode ser representado como no Quadro 3.2.

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O que é trocado Função no discurso

Informação Proposição

Afirmação (Declarativa) Pergunta (Interrogativa)

Bens & Serviços Proposta Ordem (Imperativa) Oferta (Interrogativa Modelada)

Quadro 3.2: Principais funções discursivas. Adaptado de Gouveia (2009:22)

A forma congruente de dar informações é através de uma afirmação, de uma declaração; o pedido de informações faz-se normalmente por meio de perguntas; para pedir bens-&-serviços usa-se em geral a ordem. É destas três funções de interacção social que surgem as três designações genéricas de orações declarativa, interrogativa e imperativa.

Como atrás já foi assumido, o objecto deste estudo é a oração. Esta pode ser analisada sob vários ângulos de visão, ideacional (experiencial e lógica), interpessoal e textual. Neste estudo, priorizou-se a metafunção interpessoal. A interpessoalidade está munida de vários recursos ou sistemas: o sistema central do Modo Oracional (MOOD), o da Polaridade, o da Modalidade, etc. O Modo Oracional absorverá grande parte da atenção desta dissertação, por um lado, por causa sua potencialidade de desencadear outros sistemas e, por outro, pela sua capacidade de gramaticalizar as funções discursivas, proporcionando ao falante uma série de escolhas que lhe permitem assumir um papel discursivo relevante, atribuindo ao mesmo tempo um papel complementar ao seu ouvinte. A opção pelo Modo Oracional também resulta da vontade de explorar uma área menos estudada até mesmo em GSF (Caffarel, Martin e Matthiessen 2004: 59).

Mas o argumento mais forte ainda para esta escolha reside no facto de ser um bom ponto de partida para quem trabalha com textos que natural e efectivamente ocorre(ra)m. Isto mesmo afiançam-nos Caffarel, Martin e Matthiessen (2004: 60).

If one approaches the description of the grammar of a language through naturally occurring texts, both the interpersonal and the textual need to be part of the picture from the start. In fact, either of these metafunctions may prove to be a better way into the language than the ideational one.

Do ponto de vista interpessoal, a oração representa um quantum de interacção num diálogo como uma troca de uma proposição (onde o bem trocado é informação) ou de uma proposta (onde o bem trocado é bens-&-serviços). As funções gramaticais a descrever são aquelas com relevância na negociação – Sujeito, Predicador, Complemento, Adjunto – já assumidas antes como matéria de descrição.

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De seguida, apresenta-se esquematicamente o Modo Oracional nyungwe e alguns dos sistemas que o integram que serve como roteiro imprescindível por onde passa a descrição da presente dissertação. Com isto, fica assim traçado aquilo que é possível descrever neste quadro de descrição em função da realidade oral do nyungwe e daquilo que se conseguiu recolher. oração Indicativa Imperativa Declarativa Interrogativa Exclusiva Inclusiva informativa confirmativa sim / não -ni informal formal não exort exortativa singular plural singular plural

Figura 3.2: Diagrama de rede do sistema do Modo Oracional em

nyungwe. Adaptado de Gouveia (2009)

A Figura 3.2 mostra uma rede de sistemas do sistema oração e as escolhas disponíveis. No caso do nyungwe, tem-se o seguinte: se a condição de entrada for a oração, abrem-se duas possibilidades, ou ela é (i) indicativa ou (ii) imperativa. Se for indicativa, a oração pode ser (i) declarativa ou (ii) interrogativa e esta, por sua vez, ramifica-se em (i) interrogativa polar (Sim/Não) ou (ii) interrogativa de conteúdo (-ni). Quando a opção é pela imperativa, as escolhas são duas, ou (i) imperativa exclusiva ou (ii) imperativa inclusiva. A exclusiva exibe um grau de (i) informalidade ou (ii) formalidade que em ambos os casos levam a marca de singular ou plural e, finalmente, a inclusiva subdivide-se em, por um lado, (i) exortativa e, por outro, (ii) não-exortativa.

Depois destes preliminares todos e depois de tomadas as decisões de carácter metodológico, são seleccionadas orações de textos do corpus previamente constituído no âmbito desta dissertação. Com base nessas orações, descrevem-se os significados e as funções das mesmas e a forma da realização gramatical desses significados. A sua apresentação

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esquemática é feita em quadros com um máximo de três camadas de significados, a primeira é a da oração (1) e as duas restantes as dos seus significados. De fora do quadro, mas fazendo parte da apresentação esquemática, ficam a segmentação morfemática (2), seguida da tradução literal (3) e, em último lugar, a tradução pragmática da oração (7). Os passos (4) e (5) foram, no entanto, (como veremos no Capítulo 5) excluídos da presente descrição, por se considerarem irrelevantes já que a língua nyungwe parece ter aí menor produção de significados. O Quadro 3.2 esquematiza tal descrição.

n.º Descrição de tarefas de cada linha

1 oração nyungwe

2 segmentação da oração em morfemas

3 tradução literal da oração

4 divisão da oração em grupo/sintagma

5 identificação das funções32 de cada grupo/sintagma

6 identificação das funções⃰ dos blocos de significados

7 tradução pragmática

Quadro 3.3: Etapas de descrição de uma oração

Já se fez alusão de que em nyungwe o maior número de construções de significados se desenrolavam ao nível do morfema. Acresce-se agora que o nível do grupo/sintagma parece ser pouco dinâmico em termos de produção de significados, sendo poucas vezes activado para esse efeito. Os significados jogam-se assim ou ao nível do morfema (já mencionado), ou da palavra, ou da oração.

Como ponto de partida para a descrição de uma língua, a teoria sistémico-funcional põe em primeiro plano o sistema (relações paradigmáticas) acima da estrutura (relações sintagmáticas). Mas como as estruturas são um meio de realização das escolhas, de realização dos fraseados, o linguista tem de estar atento a estas duas realidades que se interpenetram e se tocam. Afinal, sistema e estrutura formam um continuum do mesmo fenómeno linguístico. Ou seja, o fenómeno linguístico deve ser analisado sob dois eixos: (i) o eixo sistémico ou paradigmático e (ii) o eixo estrutural ou sintagmático. E, uma vez mais, é no primeiro eixo onde as línguas mais convergem, para divergirem no segundo. Ou seja, os sistemas (Modo Oracional, Transitividade, Tema, etc.) até podem ser comuns, mas a maneira como esses sistemas são realizados ou organizados ao longo do eixo estrutural geralmente não é a mesma.

32 ⃰ Funções interpessoais

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