7. Gjennomføring og resultater QPSNordic+
7.5. Råd til prosjektledelsen
Sempre que se usa a língua, estabelece-se uma relação com o outro. Nessa interacção, pode-se estar a dar ou a pedir. Dá-se ou pede-se informação ou bens-&-serviços. O cruzamento destas quatro dimensões – dar, pedir, informação, bens-&-serviços – torna o diálogo operacional e resulta nas quatro funções discursivas – afirmação, pergunta, ordem e oferta. Excepto a oferta, estas funções são realizadas tipicamente por estruturas gramaticais como declarativa, interrogativa e imperativa, respectivamente (Eggins, 2004: 144-7).
Como vimos no ponto anterior, no seu aspecto de oração como troca, a oração é organizada como um evento interactivo, envolvendo dois tipos de intervenientes: um falante e um ouvinte. Os dois entram numa interacção verbal em que cada um assume um papel particular. Assim, o falante pode estar a dar ou pode estar a pedir informação, mas, também, em vez disso, pode estar a dar ou pode estar a pedir bens-&-serviços. Ao agir assim, o falante espera que o ouvinte coopere, sem o que, a troca não se concretiza. Portanto, falante e ouvinte complementam-se. Os dois precisam um do outro para comunicarem: o falante assume um
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papel e responsabiliza o ouvinte a agir conformemente, até porque num diálogo os papéis falante/ouvinte invertem-se constantemente, a tal ponto que o falante passa a ouvinte e este passa a falante, e assim sucessivamente. Ao perguntar, o falante assume o papel de quem procura informação, o que requer que o ouvinte assuma o papel de provedor dessa informação solicitada. Portanto, a troca em si mesma resume-se em dar e receber mas não se esgota apenas nisto como veremos já de seguida.
Do exposto acima, decorre que os papéis discursivos fundamentais são, (i) dar e (ii) pedir. No nosso dia-a-dia, cada vez que falamos, ou damos ou pedimos algo a alguém. Ou damos e pedimos bens & serviços, ou damos e pedimos informações. Mas dar implica receber, bem como pedir implica dar. Ou seja, é a troca por excelência, troca por troca. Comunicar é isso mesmo: negociar, trocar. Tudo o que fazemos na comunicação é trocar, é negociar. Estamos num mundo de negociação e em permanente negociação.
Também daqui decorrente, temos que os produtos transaccionados são principalmente (i) bens & serviços e (ii) informações. Na troca de bens & serviços, o que é pretendido é um objecto ou uma acção. Aqui, a linguagem verbal aparece para ajudar, mas não é essencial, é dispensável. A pessoa que vai providenciar as coisas é parca em palavras, ou simplesmente pode não as proferir sequer. A linguagem dominante é não-verbal. Bem pelo contrário, na negociação de informação, a língua é crucial para o sucesso do evento e apenas a reacção verbal é espectável, i.e., a língua é o fim e o meio da troca.
Cruzando os dois eixos em que assenta uma troca, por um lado, dar e pedir, com a natureza dos bens trocados, por outro, informação e bens & serviços, resultam quatro funções discursivas principais: oferta, ordem, afirmação e pergunta. Ao reagirem, as pessoas podem aceitar, cumprir, corroborar e responder (reacção esperada) ou rejeitar, recusar, contradizer e não responder (reacção não desejável). Fruto desta interrelação, podem surgir funções discursivas de gama variada, como indica Halliday (1985: 68-69):
These two variables, when taken together, define the four primary speech functions of OFFER, COMMAND, STATEMENT and QUESTION. These, in turn, are matched by a set of desired responses: accepting an offer, carrying out a command, acknowledging a statement and answering a question. (…) Of these, only the last is essentially a verbal response; the others can all be non-verbal. But typically in real-life situations all four responses are verbalized, with or without some accompanying non-verbal action.
Um olhar sobre os papéis dos dois intervenientes na negociação, falante e ouvinte, mostra que o ouvinte tem um leque enorme de opções ao seu dispor: pode recusar responder; pode responder logo ou protelar a resposta; e, se decidir responder logo, também aqui se
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abrem possibilidades várias, sendo as mais comuns o sim, o nem sim nem não (ni), e o não. O falante, quanto muito, pode blindar a sua proposição ou proposta através de uma tag, procurando, desta forma, condicionar a resposta, induzindo o ouvinte a responder de acordo com os anseios do falante.
Conforme se fez menção em cima, na troca de bens & serviços, a linguagem é escassa e, como consequência, as escolhas abertas ao ouvinte são relativamente limitadas, cingindo-se a aceitar ou rejeitar a oferta, obedecer ou recusar a ordem, não obstante poder esquivar-se, o que só adia a escolha.
Prosseguindo acerca da troca ou negociação, Halliday (1985: 70) assevera que a troca de informação ou de bens-&-serviços tem implicações directas na função semântica da oração. Assim, quando a linguagem é usada para a troca de informação, a função semântica de uma oração é a de uma proposição. A proposição tem uma gramática cujos contornos são bem definidos. Daí que seja algo que pode ser questionável, algo que pode ser afirmado, negado, duvidado, contradito, insistido, aceite com reserva, qualificado, atenuado, lamentado, etc. Portanto, interpretando a proposição com as suas estruturas de afirmações e perguntas pode-se ter uma visão geral da oração como troca. Por sua vez, quando a linguagem é usada para a troca de bens-&-serviços, a função semântica de uma oração é a de uma proposta. Regra geral, as línguas não desenvolvem recursos específicos para realizar ofertas e ordens35 porque, como foi salientado acima, a língua funciona apenas como um meio para atingir finalidades essencialmente não linguísticas.
Saliente-se que analisando as relações entre as categorias semânticas de afirmações, perguntas, ofertas e ordens, por um lado, e as categorias gramaticais do sistema do Modo Oracional, por outro lado, se verifica que para afirmações e perguntas há padrões claros de congruências36 gramaticais: tipicamente, uma afirmação é realizada como declarativa e uma
pergunta como interrogativa. Mas também há realizações alternativas, não congruentes; para ofertas e ordens, a imagem é difusa. Uma ordem é normalmente referida, em exemplos gramaticais, como imperativa, mas também pode ser uma interrogativa ou uma declarativa modulada; para oferta, definitivamente, não há uma categoria modal distinta, socorrendo-se o falante para o efeito de várias realizações possíveis (Halliday, 1994: 95). É de realçar que, como característica geral, as línguas revelam grande tendência para realizações congruentes
35 Ofertas e ordens podem ser realizadas através de afirmações e perguntas que servem para uma grande gama de
diferentes funções retóricos.
36 Uma realização congruente é aquela que pode ser vista como típica e que é seleccionada na ausência de uma
boa razão para que se escolha uma outra realização. Caracteriza-se por ser uma oração maior, na ordem básica, em termos de o que segue a o quê e de como cada elemento é realizado.
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na troca de informação, o que não acontece tanto na troca de bens-&-serviços (Halliday 1984: 19-20).
Partindo da constatação de que a língua tem uma função interpessoal, Butt et al. (2000: 86) chegam à conclusão lógica de que ela também tem significados interpessoais, na medida em que nós usamos a língua para codificar as nossas interacções.