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Ulik betydning av sosial bakgrunn blant minoritets- og majoritetselever

5 Analyser av prestasjonsforskjeller

5.2 Forskjeller mellom majoritet og minoritet etter ulike bakgrunnsforhold

5.2.1 Ulik betydning av sosial bakgrunn blant minoritets- og majoritetselever

Os motivos pelos quais as crianças entram em conflito com a professora são, geralmente, o descumprimento das supostas regras da sala e a desobediência a suas ordens. Nessas ocasiões, Renata costuma ficar alterada e falar de forma ríspida com as crianças, como demonstram as situações abaixo:

Antes de irem para o refeitório Mateus bate em um colega. Renata, então, diz para Carla levar todas as crianças mas que Mateus ficará com ela na sala.

Após todos saírem, ela pergunta: “Por que você bateu no colega?” Mateus fica em silêncio. Renata continua: “Não é pra bater! Você não vai mais bater?” Mateus continua em silêncio. Renata insiste: “Se você não disser, vai ficar aqui sozinho! Diga que não vai mais bater!” Mateus, enfim, diz o que Renata manda. Ela, então, fala: “Ah sim, rapaz! Bater dói! Não pode bater! Promete que não vai mais bater?” Mateus volta atrás em sua decisão e responde que não. Renata, aparentemente irritada, diz: “Pois vamos ficar

aqui! Não vamos para o lanche hoje!” Mateus continua firme. Renata, então,

pergunta: “Sua mãe bate em você, né?” Mateus responde: “Bate!” Renata: “E não dói quando ela bate?” Mateus responde que dói. Renata continua: “Então! Não pode bater nos colegas porque dói, entendeu?” Mateus, com ar

meio impaciente e olhando pros lados, diz que entendeu o que ela falou.

Renata prossegue: “Pois promete que não vai mais bater?” Mateus diz que

sim com a cabeça e ambos seguem para o refeitório.

(NOTAS DE CAMPO, 5/5/2009) Na hora de lavar as mãos, Guilherme entra em conflito com um colega. Renata percebe o desentendimento e pede que Carla siga com o restante da turma para a sala enquanto ela fica conversando com o menino no banheiro. Apesar de me sentir um pouco constrangida, também permaneço no banh eiro para presenciar o desenrolar da situação. Renata abaixa-se à altura de Guilherme e pergunta de forma ríspida por que ele bateu no colega. Diante do

silêncio do menino, a professora questiona: “Você sabe o que vai acontecer

se eu disser o que aconteceu para sua mãe?” Guilherme permanece calado

olhando para ela. Renata continua: “Ela vai lhe bater! É isso o que você quer?” Guilherme responde que não com a cabeça. A professora prossegue: “Pois eu não conto pra ela não, mas você tem que prometer que não vai mais fazer isso.” O menino promete e ambos seguem para a sala.

(NOTAS DE CAMPO, 19/5/2009) Algumas crianças correm pela sala e Renata pede que sentem no chão para conversarem com ela. Todas obedecem, menos Antônio. Renata, então, lhe

pergunta: “Você quer que eu vá até aí pra te fazer sentar? Olha que vai ser pior!” O menino, então, vai sentando devagar.

(NOTAS DE CAMPO, 21/5/2009)

A preocupação de Renata em manter sua autoridade parece ser muito forte. Dessa forma, interpreta qualquer atitude de resistência das crianças às suas ordens como uma afronta pessoal, que coloca em risco o seu poder. Diante desse temor, a professora não costuma voltar atrás em suas decisões e exige que suas ordens sejam fielmente cumpridas, o que provoca um clima de constante tensão na sala, especialmente se as crianças desobedecem ao que foi estipulado por ela.

Por outro lado, algumas crianças parecem ter percebido que a insubordinação às ordens é uma forma eficaz de chamar a atenção da professora, e é justamente com as três crianças mais “indisciplinadas” que Renata costuma interagir com maior frequência

e, algumas vezes, conversar individualmente, provavelmente como forma de evitar essa atitude diferenciada.

Segundo Dahlberg, Moss e Pence (2003, p.80), “a questão de levar a sério a diferença, tratando-a mais como uma oportunidade do que como uma ameaça e encontrando maneiras de relacioná-la aos outros, sem torná-los iguais, assume grande

importância.” Nesse sentido, a pouca receptividade com que a professora acolhe os

conflitos infantis é preocupante, tendo em vista a sua importância para a constituição da subjetividade das crianças, conforme é ressaltado por Wallon (1981).

Para Galvão (2008), se o professor estiver ciente do papel desempenhado pelo conflito eu-outro na construção da personalidade, pode receber com mais distanciamento as atitudes de oposição. Contudo, segundo a autora, isso não é suficiente. É preciso, ainda, descobrir procedimentos práticos que lhe permitam lidar melhor com a situação, o que só pode ser encontrado por cada um dos docentes, de acordo com seus contextos específicos. Segundo a autora, todavia algumas condutas de oposição podem ser interpretadas como indícios da necessidade de autonomia da turma, o que leva à necessidade de se pensar em medidas concretas que visem possibilitar maior responsabilidade às crianças e a consequente diminuição dos conflitos, facilitando a convivência nos momentos críticos. Além disso, tais medidas poderiam contribuir para o desenvolvimento de condutas sociais importantes, como a solidariedade e a cooperação.

Por outro lado, é necessário reforçar a ideia de que não é qualquer conflito que pode ser considerado como sendo dinamogênico, isto é, promotor do desenvolvimento (GALVÃO, 2008). A avaliação do professor no sentido de distinguir entre os conflitos que possuem, de fato, um caráter positivo, e aqueles que, ao contrário, indicam equívocos e inadequação das instituições em atender às necessidades e possibilidades das crianças (número insuficiente de brinquedos, exigências posturais levianas, exagerada contenção motora etc.), deve ser uma constante se o objetivo é um trabalho de qualidade com as crianças de até cinco anos.

Também é importante ressaltar, como lembra Schramm (2009), a necessidade do desenvolvimento no professor de Educação Infantil de competências para “lidar de

forma racional em situações de conflito e explosões emotivas em sala de aula” (p.119).

Para a autora, essa competência deve fazer parte da especificidade do papel do professor de Educação Infantil, como propõe Oliveira-Formosinho (2002).