1.3 Metal-organic frameworks in chromatography
1.3.2 UiO-66-NH 2 in chromatography
Conforme visto anteriormente, o grupo pentecostal que chegou e se instalou no Brasil, é de origem norte-americana. A formação doutrinaria dos primeiros pastores pentecostais eram de base metodista e batista. Estudos teológicos demonstram que os batistas possuem uma teologia muito próxima à dos calvinistas. Por isso desfrutam da mesma ideologia fundamentalista. Sendo assim, a formação ideológica dos pentecostais brasileiros possui tendências da formação ideológica fundamentalista, ou pelo menos traços do conservadorismo pentecostal norte- americano.
O pentecostalismo moderno surgiu e se desenvolveu ao lado do fundamentalismo norte-americano. Ambos vingaram em terreno semelhante, um ao lado do outro, sem, contudo, se misturarem. O primeiro atrai pelo aspecto “irracional” da mística religiosa. O segundo pelas suas capacidades de oferecer certezas. No entanto, a fé despertada era avessa ao intelectualismo, à teologia e às instituições teológicas formadoras de um clero esclarecido. Com isso a religião cristã tornava-se prática, colada aos problemas da vida cotidiana, aos quais procurava apresentar soluções espirituais. O pentecostalismo herdaria esses e outros traços culturais norte- americanos. (Campos, 2005, pp. 106,107)
Mas esse processo não é tão simples. A sociedade brasileira é multicultural, possui várias adaptações sociais e econômicas e está aberta a globalização. Logo, o conservadorismo e o fundamentalismo instituídos no Brasil enfrentam dificuldades em se manter hegemonicamente. Perdem espaço em várias situações e em políticas públicas devido as ações dos grupos de ativismos sociais feministas, homossexuais, grupos de pressão de outras religiões e do forte
ativismo dos grupos políticos de esquerda. Quando sentem que estão perdendo espaço, reagem promovendo discursos e ações cada vez mais violentos.
Neste estudo não vamos abordar a atuação massiva da Igreja Católica, por entendermos que é uma religião que faz parte da identidade religiosa brasileira. Está enraizada tanto na elite como na população menos privilegiada economicamente, e há tempos passados chegou a ser constituída como religião oficial do Brasil. Além disso, já analisamos anteriormente a influência da Igreja Católica nas Constituições brasileiras. A igreja católica já mostrou o seu poder e seu carisma, conquistando a população através de um sincretismo religioso com as religiões indígenas e africanas, e desta forma, se expandiu por todo território brasileiro.
Embora o país seja considerado laico, podemos considerar que elite brasileira é fundamentalmente católica. Portanto, compõe o quadro de empresas que gere a economia e compõe o quadro político, sem precisar nomear declaradamente um representante no Congresso. Por ordens do Vaticano, os padres não poderiam se candidatar a cargos políticos. Mas no Brasil, como o catolicismo é popular, algumas alterações foram se moldam no caminhar da história.
Para o historiador Luis Mir, a hierarquia católica brasileira não aceitou a Rerum Novarum34,
como seu manual de ação para tratar da questão operária na sociedade brasileira. Consideravam a Rerum Novarum lesiva aos direitos dos patrões e de suas liberdades como empreendedores cristãos. A formação dos padres e bispos era diferente e estava mais centrada na religiosidade popular e devocional. As novas realidades promissoras assustavam a hierarquia: a nova maneira de ser católico numa sociedade de testemunho e debate que eles não estavam dispostos a receber e atuar. Defendiam com intensidade o cristianismo e a eclesialidade como vivencias especificamente religiosas. Com o avanço do laicidade da sociedade brasileira, admitindo-se o papel emancipador da ciência e de sua superioridade diante da fé. Como o auge da política deve ser a administração das riquezas e da sociedade, a autoridade política e a ciência devem ser socializadas. E nesse contexto a Rerum Novarum se adequou a realidade católica brasileira, nos propósitos de enfrentar o republicanismo e o laicismo que surgiu com a Republica. (Mir, 2007, p. 97)
Mais próximo da população menos privilegiada, o catolicismo popular brasileiro emaranhou-se em associações de classes, diretórios estudantis, ONG´S. Formou grupos de pressão para apoio e pedido de políticas públicas que contemplassem os indivíduos mais carentes, minorias e políticas públicas em defesas das mulheres. Sempre esteve presente também em sindicatos, escolas e universidade.
34 Rerum Novarum: sobre a condição dos operários (em português, "Das Coisas Novas") é uma encíclica escrita pelo Papa Leão XIII em 15 de maio de 1891. Era uma carta aberta a todos os bispos, sobre as condições das classes trabalhadoras.
A face mais visível dessa batalha social pós- recepção da Rerum Novarum é a popularização dos círculos católicos operários, pretendidos como a comprovação de um sindicalismo cristão brasileiro.
Tais círculos funcionaram como células cooperativas e associações de educação e auxílio aos operários, de confraternização entre os trabalhadores e patrões, a vanguarda para recristianizar a partir de um programa reformista e de justiça social.
A doutrina social católica foi para os trabalhadores brasileiros a nascente se sua identidade anticomunista. A doutrina do movimento evangelizador preconizava uma nova visão do papel do Estado: era imperioso programar instituições sociais capazes de harmonizar os conflitos entre patrões e operários, para que fosse possível não só reduzir, mas abolir a agitação e subversão comunista.
Isso se deu através da plataforma teológica-ideológica social-cristã sob o manto da fé inspirada na Ação Católica – AC como movimento evangelizador sindical liderada por Amoroso Lima (1893-1983). (Mir, 2007, p. 98)
Estando mais próximo da realidade de vida difícil da maior parte do povo brasileiro, o catolicismo popular tomou frente progressista e atua deliberadamente na defesa dos direitos humanos, direitos trabalhistas, direitos dos índios por terras, entre outros. Assume uma postura mais aberta sobre a relação de gênero, defende a educação para todos. Enfim, melhores condições de vidas para todos os brasileiros, e não somente à uma pequena faixa da elite. Neste contexto, alguns padres, se aventuram a entrar na política, por entenderem que suas participações, ajudariam a população.
Foi através da Ação Católica criada em 1948 - (AC), que o catolicismo popular brasileiro tomou viés político-religioso social reformista. Essa política progressista é considerada de atuação levemente secularizada. Juntaram-se a AC a Juventude Agraria Católica (JAC), a Juventude Estudantil Católica (JEC), Juventude Independente Católica (JIC), a Juventude Operaria Católica (JOC), a Juventude Universitária Católica (JUC) – berço do que seria nos anos 1959 e 1969 a esquerda católica.
Entrosada em todos esses meios de comunicação direta com o povo, principalmente em sindicatos, o catolicismo popular de ala progressista estava envolvido com a Central Única dos Trabalhadores – CUT, com sede em São Bernardo do Campo (Estado de São Paulo).
A Central Única dos Trabalhadores35 foi o berço do Partido dos Trabalhadores (PT), que tem
como represente na sua figura máxima, o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, que exerceu dois mandatos consecutivos como presidente da República (2003-2006 e 2007-2011).
Podemos considerar Lula, como a construção de um «messias», dentro do imaginário político- religioso? Lula é um homem que saiu do meio do povo, pobre, trabalhador humilde que conquistou o poder e estabeleceu políticas públicas e ações sociais que visavam ajudar os pobres, os trabalhadores, as minorias consideradas de gênero, deu atenção as políticas públicas
relacionadas à mulher, aos negros, aos índios, aos empresários e países vizinhos. Esteve privado de liberdade, em condição de preso político. Acusado por delações premiadas, convicções e sem provas. Dentro desse imaginário religioso, podemos considerar que ele estava sendo martirizado? Dentro do espectro religioso, há essa possiblidade.
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, quando das eleições que disputava a presidência com Lula, tecia fortes comentários sobre o operário que se sobressaia junto ao povo. Ele foi foco de reportagens de diversas revistas brasileira sobre este assunto. Ressaltamos:
Está para ser lançado o último volume dos “Diários da Presidência” do ex- presidente Fernando Henrique Cardoso. De acordo com a coluna de Bernardo Mello Franco, publicada no Globo desta quinta-feira (10), o livro trata da eleição de 2002 e a transição para a posse do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Durante a campanha, FHC disparou contra o adversário: “O Lula é realmente um despreparado, além de ser grosseiro”, desabafou, em outubro de 2001. “Ele é um clown. Foi um líder e hoje é uma réplica de si mesmo, e de quinta categoria. É patético”, esbravejou, seis meses antes.
Pouco antes disso, ele levantava dúvidas sobre o favoritismo do oposicionista. “O Lula é boa pessoa, é intuitivo, mas não é preparado. Quando começar a falar, vai assustar todo mundo”, apostou, em agosto de 2001. Ele parecia convencido de que o rival não conseguiria pilotar o governo. “Eu acho, e lamento dizer isso, que o Lula não está preparado para ser presidente”, sentenciou. “Não estudou nada, não trabalhou, não se aperfeiçoou”. A desconfiança passou a dar lugar à ironia. “O Lula fez ontem um discurso
beijando a cruz”, disse, em junho, quando o petista prometeu respeitar os
contratos. “Estão muito bonzinhos”, debochou.
Sobre o último debate, FHC achou Lula “demagógico”, mas reconheceu que sua vitória era irreversível. Depois da abertura das urnas, ele zombou do primeiro discurso do eleito. “Mais parecia eu falando. Só que eu falaria com mais ênfase e talvez com mais graça, sem um documento nas mãos para ler”. No fim do diário, o presidente registrou seu incômodo com a festa em torno do sucessor. “Curioso, não sei se fizeram uma entronização tão sacra assim quando fui eleito. Menos ainda quando fui reeleito”, reclamou. (FÓRUM, 2002)
Fato é que, em algumas igrejas católicas, após o culto se entoava a mensagem de «Lula Livre». E onde os braços do pentecostalismo e neopentecostalismo ainda não se estenderam, como é o caso do Nordeste brasileiro, o voto dos cidadãos é do ex-presidente Lula, ou a quem, ele der o seu apoio. Como foi o caso, nas eleições de 2018, com o candidato Fernando Haddad, também do PT, apoiado por Lula, chegou ao segundo turno.
Mesmo que ele esteja envolvido em um antro de corrupção, que a operação «Lava Jato» só provou com convicções e delações premiadas, é possível notar que existe um apelo para o retorno deste homem a presidência novamente. «Lula livre» virou uma espécie de grito de guerra de milhões de brasileiros. Parece grito aclamando pela democracia, pelo estado de
direito e pela igualdade. Hoje Lula está livre, o STF36 precisou impor sobre as atitudes jurídicas
do juiz Sérgio Moro as Leis Constitucionais do Brasil. Derrubando a sentença de prisão em segunda instância que desobedece a Constituição, afirmando assim o estado de direito. Sabemos que a palavra «messias« tem um forte poder no imaginário religioso do povo, é o salvador que já veio e tirou o pecado do mundo, ou é o salvador que ainda virá. Atualmente podemos citar outro »messias» na vida política brasileira, Jair «Messias» Bolsonaro.
Bolsonaro contou com o apoio das maiores igrejas pentecostais e neopentecostais. Além do apoio do militarismo e de grande parte da população que é movida por essas instituições. Por se denominar cristão católico, acreditamos que haja também um apoio da igreja católica em sua campanha. Mas, o que realmente chamou a atenção da população, foi seu discurso mais reservado aos preceitos cristãos, tendo como foco a conservação da família nos moldes patriarcais e o combate a homossexualidade. Por ser militar reformado, parte da população acreditava que seria útil, colocar a disciplina dos militares para conter a corrupção e a violência. O que infelizmente, não é verdade, e podemos fazer este acompanhamento na atualidade dos acontecimentos do seu mandato.