PART 3: BACKGROUND INFORMATION FOR THE PETRO-HRA METHOD
14. BACKGROUND TO STEP 2: QUALITATIVE DATA COLLECTION
14.3. G UIDANCE ON C ONDUCTING AN I NTERVIEW
Se as escolas têm como desafio integrar as novas tecnologias no trabalho pedagógico, torna-se necessário discutir de que forma serão consideradas nos currículos.
Na literatura, é possível encontrar diferentes conceitos para o termo ―Currículo‖. Neste trabalho, o conceito assumido é de que currículo escolar seja uma atividade intencional de
construção permanente, coletiva e compartilhada de conhecimento – e valorização dos diferentes conhecimentos, – com finalidades que requerem compromisso. Nesta perspectiva, entende-se que currículo não é neutro, pois veicula valores e constrói identidades. Não existe neutralidade na vida coletiva.
Moreira e Silva (2002) defendem que
o currículo não é um elemento inocente e neutro de transmissão desinteressada do conhecimento social. O currículo está implicado em relações de poder, o currículo transmite visões sociais particulares e interessadas, o currículo produz identidades individuais e sociais particulares. O currículo não é um elemento transcendente e atemporal – ele tem uma história, vinculada a formas específicas e contingentes de organização da sociedade e da educação. (p. 8).
Nas escolas, a organização curricular numa perspectiva crítica precisa considerar a realidade social e histórica e prever a participação ativa e plena, num diálogo democrático. Por esse aspecto, o currículo não é estático, é um planejamento flexível que considera o contexto e as mudanças no decorrer do processo em que ele é trabalhado. Portanto, requer um processo contínuo de ação-reflexão-ação, necessitando de pesquisas e fundamentos teóricos que embasem a prática, para que seja possível recriá-lo e ressignificá-lo.
Saul (2008) afirma que ―currículo é, na acepção freireana, a política, a teoria e a prática do que-fazer na educação, no espaço escolar e nas ações que acontecem fora desse espaço, numa perspectiva crítico-transformadora.‖ (p. 120). O currículo está presente nos diferentes espaços sociais, em casa, na mídia, nos livros, nas obras de arte. É escolha da escola reproduzir determinados conceitos, ou promover reflexão e criticidade sobre eles. Isto é currículo.
Ao longo da história da educação, muitas foram as concepções e modelos referentes ao currículo. Numa perspectiva críticade construção curricular, espera-se que ele seja pensado e elaborado pelas pessoas que vão desenvolvê-lo e articulá-lo, tendo como base reflexões sobre questões: ―Currículo para quê? Currículo para quem? Currículo a favor de quem?‖ (Saul, p. 120). E ainda: Currículo contra quem ou contra quê? Currículo é escolha, é seleção, é tempo, é política. O conceito polissêmico do currículo prevê construção social, política e histórica.
As diversas mudanças de concepções curriculares no decorrer do tempo aconteceram juntamente com as transformações das concepções de educação, de sujeito, de ensino e de aprendizagem. Nas últimas décadas contou ainda com a chegada das tecnologias nas sociedades e, consequentemente, na escola, trazendo novidades às políticas educacionais e a todas essas instâncias pertencentes às estruturas escolares.
A introdução da tecnologia no currículo escolar nos últimos tempos levantou indagações como a colocada por Almeida (2007) ―como introduzir o caráter político num projeto de informatização nos conteúdos e metodologias educacionais?‖ E ele responde que
em primeiro lugar, ter um projeto educacional e curricular claro e democratizante, com visão de homem, de organização de sociedade, justa, participativa para todos e verdadeiramente inovadora. Em segundo lugar, saber qual homem se quer formar, antes mesmo do uso da tecnologia. Cidadão capaz de utopia, construtor de projetos, curioso cientificamente e dominador de suas metodologias e tecnologias, capaz de criar parcerias e de trabalhar em cooperação. (p. 73).
Frente a este panorama, as tecnologias adentram o currículo escolar, mas tanto o conceito de tecnologia como o seu papel no currículo ainda necessitam de mais clareza.
A tecnologia é fruto de um longo processo histórico da humanidade. Lucena (2000) defende que é um equívoco pensar que a tecnologia está ligada ao moderno, ao novo, às máquinas eletrônicas e à informática, pois a tecnologia existe em qualquer atividade humana. Kenski (2007) considera que ―o conceito de tecnologias engloba a totalidade de coisas que a engenhosidade do cérebro humano conseguiu criar em todas as épocas, suas formas de uso, suas aplicações.‖ (p. 22-23). Tecnologias não são neutras, elas estruturam o modo de pensar e de organizar o currículo escolar.
É fundamental que a concepção do uso da tecnologia esteja voltada para a aprendizagem do aluno, pois não basta adquirir a máquina, é preciso aprender a utilizá-la e aprender a fazê-la ser útil para determinada atividade.
Há necessidade de se saber o que a tecnologia pode e o que ela realmente faz. Conhecer suas potencialidades e seus impactos é fundamental.
Para Kenski (2007)
a maioria das tecnologias é utilizada como auxiliar no processo educativo. Não são nem o objeto, nem a sua substância, nem a sua finalidade. Elas estão presentes em todos os momentos do processo pedagógico, desde o planejamento das disciplinas, a elaboração da proposta curricular até a certificação dos alunos que concluíram um curso. A presença de uma tecnologia pode induzir profundas mudanças na maneira de organizar o ensino. (p. 44).
A inserção da tecnologia no currículo tem a finalidade de promover a capacidade de integração da tecnologia à realidade social e à vida cotidiana e promover reflexões sobre suas consequências sociais, políticas, culturais e econômicas, além de se posicionar, criticamente, frente aos avanços tecnológicos. Desta forma, os sujeitos podem correr riscos menores de se tornarem vítimas do próprio desenvolvimento tecnológico.
Amante (2008) defende que
uma utilização adequada das novas tecnologias é aquela que permite expandir, enriquecer, diferenciar, individualizar e implementar a globalidade dos objetivos curriculares. Portanto, as atividades desenvolvidas em redor da tecnologia devem ser perspectivadas como novas oportunidades educativas, mas integradas num todo que lhes atribuirá e reforçará o seu sentido. (p. 114).
A escola deve cuidar para que a tecnologia não adentre seu espaço de forma vazia, sem fundamento, cumprindo apenas às exigências da modernidade, tentando apresentar propostas curriculares inovadoras. Se o computador adentra as escolas como mais uma disciplina, reforça as práticas tradicionais, não tendo relação ao uso social. No entanto, as práticas progressistas procuram empregar o computador como instrumento de transformação.
A introdução da tecnologia na educação não garante inovação, nem os mais sofisticados aparelhos conseguem promover inovação se seu uso for convencional (fazer mais do mesmo). A inovação é passível de um benefício social e deve ter como consequência a emancipação e a promoção do bem comum.
Kenski (2007) defende que
educar para a inovação e a mudança significa planejar e implantar propostas dinâmicas de aprendizagem, em que se possam exercer e desenvolver concepções sócio-históricas da educação – nos aspectos cognitivo, ético, político, científico, cultural, lúdico e estético – em toda a sua plenitude e, assim, garantir a formação de pessoas para o exercício da cidadania e do trabalho com liberdade e criatividade. (p. 67).
Há necessidade de identificar as potencialidades de inovações educativas das tecnologias digitais, das linguagens e dos sistemas de signos configurados por elas. As tecnologias no currículo precisam expressar a vida dos participantes da ação (experiências e contextos, valores, crenças, conhecimentos e afetos) e não só os saberes formalizados.
A concepção de sujeito entendida nesta pesquisa é a de um ser inacabado e em formação permanente com múltiplas dimensões: cognitiva, afetiva, social, ética, estética, política e cultural.
Ser humano é saber se perguntar sobre o sentido da vida. A sabedoria da teoria – ou método, ou política – de Paulo Freire está em criar uma situação pedagógico-existencial de fazer perguntas sobre o sentido da vida e como construí-lo ao longo do tempo. Esta não é tarefa apenas individual, nem só coletiva, e não é apenas dos sábios. O sentido da vida se constrói coletivamente, mas mediado pela realidade histórica. A leitura, a escrita, as práticas pedagógicas escolares são um espaço de mediação desta busca de significado, no redemunho da vida. (Almeida, 2009, p. 48).
Quando se trata do ―sujeito‖ há uma série de considerações que requerem cuidados. O contexto em que vive e as questões sociais, econômicas e culturais são fundamentais, pois ―sujeito‖ refere-se a um ser com muitas complexidades que faz parte do mundo e vive com o mundo, que transforma, interfere, produz, relaciona-se com outros e consigo mesmo.
Almeida (2000) considera que ―o homem concreto deve instrumentar-se com os recursos da ciência e da tecnologia para melhor lutar pela causa de sua humanização e de sua libertação‖ (p. 54).
No que diz respeito aos sujeitos na interação com as tecnologias, Kenski (2007) afirma que
as novas tecnologias de comunicação (TIC), sobretudo a televisão e o computador, movimentaram a educação e provocaram novas mediações entre a abordagem do professor, a compreensão do aluno e o conteúdo veiculado. (p. 45).
Torna-se então importante que os sujeitos usem o computador para ―pensar‖, interpretando, contestando e discutindo os conteúdos veiculados, desenvolvendo formas de compreender e ler, criticamente, os meios eletronicamente produzidos.
Para os propósitos desta pesquisa, tornou-se relevante a abordagem sobre os conceitos relacionados à tecnologia na sociedade, conhecimento e currículo. No próximo capitulo será abordado o contexto em que surge o trabalho com os computadores nas escolas do município de São Bernardo do Campo.
CAPÍTULO II
CONTEXTUALIZANDO A PESQUISA
Jamais renuncie à capacidade de se surpreender diante do mundo ou com ele. Paulo Freire.
Considerando que a pesquisa ocorreu em duas escolas da rede municipal de São Bernardo do Campo, apresento neste capítulo um panorama geral do município como sua localização e alguns dados estatísticos, além de explicitar seu sistema de ensino público.
Foram abordados alguns elementos relacionados à educação tecnológica nas escolas municipais, bem como dados sobre os documentos oficiais como a Proposta Curricular de Tecnologia, Informação e Comunicação e dados relevantes dos Projetos Político-Pedagógicos das escolas pesquisadas.
Outras informações sobre a caracterização dessas escolas também serão apresentadas com o propósito de organizar um panorama do contexto em que a pesquisa foi realizada.