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Como técnica de colecta de dados, utilizamos a pesquisa bibliográfica que fundamentou todo o embasamento teórico, o inquérito por questionário e a observação não-participante.

2.3.1 Pesquisa bibliográfica e documental

O levantamento bibliográfico foi direccionado no sentido de identificar documentos relevantes que pudessem dar a fundamentação teórica para o objecto da pesquisa. Dentre estes documentos podemos citar artigos de periódicos, teses, dissertações e livros. Devido à agilidade em localizar documentos electrónicos, assim como à facilidade de acesso ao documento em tempo real, demos prioridade a informação disponibilizada na Internet.

Como recurso para a pesquisa bibliográfica, foi realizada revisão de literatura por meio da utilização de bases de dados como Library, Information Science & Technology Abstracts with Full Text, disponível nos recursos electrónicos da Biblioteca da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, bem como aos periódicos electrónicos, além da pesquisa no catálogo da própria Biblioteca. Recorremos ainda aos catálogos da Biblioteca Municipal Almeida Garrett e Biblioteca Municipal do Porto. O levantamento na internet foi realizado através do Google e Google Académico que possibilitou o acesso a documentos relevantes em todo o percurso da pesquisa.

Foram priorizadas as fontes primárias, em situações em que foi inexequível o acesso ao documento primário, utilizamos o recurso das fontes secundárias. Outro formato de levantamento utilizado e que possibilitou o conhecimento de publicações pertinentes foi através da consulta as Referências Bibliográficas apresentadas nos documentos primários.

2.3.2 Inquéritos por questionário

Foram elaborados dois tipos de inquéritos: um específico para as Bibliotecas Públicas (ANEXO - 8.1) e um outro direccionado aos idosos (ANEXO - 8.2) que frequentam a Biblioteca Municipal Almeida Garrett. Para a elaboração dos inquéritos, foram observados os objectivos geral e específicos da pesquisa, conforme foram apresentados na Introdução, de modo que, pudesse fornecer dados que permitissem validar as hipóteses da pesquisa, também apresentadas na Introdução.

Embora tenhamos encontrado indicações bibliográficas, como a de Ghiglione e Matalon (1992) que asseguram que a aplicação ideal do inquérito se dá quando o mesmo é feito de forma presencial e de preferência na casa do inquirido, optamos por enviar o inquérito às Bibliotecas Públicas, utilizando o recurso do correio electrónico, levando-se em conta a distância geográfica das Bibliotecas a pesquisar e a impossibilidade da aplicação dos inquéritos de forma presencial. Para o envio dos inquéritos, utilizamos o recurso do “Cco” (com cópia oculta), por tratar-se de uma prática comum quando do envio de email para uma lista longa de destinatários.

Nesse sentido, o inquérito foi respondido pelo responsável da Biblioteca, ou outra pessoa por ele indicada. No inquérito dos idosos, foi feita a abordagem de forma presencial, porém deixando-os livres para responderem, havendo no entanto intervenção à medida que surgiram dúvidas ou solicitação de esclarecimento pelos mesmos.

A preferência por este instrumento de colecta de dados foi baseada na teoria de Gil (1999), sobre as vantagens de se adoptar o inquérito numa pesquisa:

a) Possibilita atingir grande número de pessoas, mesmo que sejam dispersas numa área geográfica muito extensa, já que o questionário25 pode

ser enviado pelo correio;

b) Implica menores gastos com pessoal, posto que o questionário não exige o treinamento dos pesquisadores;

c) Garante o anonimato das pessoas;

d) Permite que as pessoas o respondam no momento em que julguem mais conveniente;

e) Não expõe os pesquisados à influência das opiniões e do aspecto pessoal do entrevistado.

O inquérito foi composto por questões abertas, fechadas e de múltipla escolha. Na sua elaboração, seguimos as sugestões apresentadas por Young e Lundberger, através da citação de Silva e Menezes (2001): “o questionário deverá ser construído em blocos temáticos obedecendo a uma lógica na elaboração das perguntas”.

Basicamente, o inquérito das bibliotecas foi dividido em três blocos: o primeiro deles identificava a Biblioteca Pública por nome e por concelho; no segundo bloco tratou-se de averiguar a existência de utilizadores idosos na biblioteca pesquisada e, no terceiro bloco, foram levantadas as questões do problema pesquisado. O inquérito dos idosos procurou-se no primeiro bloco identificá-los por faixa etária, escolaridade e sexo; no segundo bloco procurou-se identificar qual a relação existente entre o idoso e a biblioteca e no terceiro bloco abordaram-se questões directamente relacionadas com o assunto principal da pesquisa.

a) Inquéritos às bibliotecas públicas

Inicialmente, foi enviado o inquérito por e-mail para as 316 Bibliotecas pertencentes ao Directório das Bibliotecas Públicas. No entanto, como foi possível identificar cada Biblioteca individualmente por nome e por e-mail, criou-se uma

25 No Brasil é utilizado a palavra QUESTIONÁRIO no lugar de INQUÉRITO, como a citação acima é textual e

tabela de controlo de envio e recebimento de inquéritos. Como ocorreu uma certa quebra de frequência de respostas recebidas, optou-se por dividir o envio dos inquéritos por momentos distintos.

O envio do inquérito foi realizado em 4 momentos, tendo início no mês de Maio de 2009, seguindo nos meses de Junho, Julho e Setembro. O motivo do envio em diferentes momentos foi utilizado com o objectivo de obter um resultado maior de respostas. Para o primeiro envio, foi feita uma breve apresentação da pesquisa e utilizamos como assunto do e-mail “inquérito doutoramento”; obtivemos 23 respostas.

Do envio da primeira remessa foram identificados os e-mails que voltaram pois apresentavam o erro no endereço electrónico. Foi feita uma consulta individual no site de cada Biblioteca que apresentou o referido erro, com o objectivo de localizar um outro endereço de e-mail. As Bibliotecas que apresentavam no site um endereço de e-mail diferente do que tínhamos obtido através do Directório, foi feito um novo envio já com a devida correcção. Nestes casos, na grande maioria, obteve- se resposta para o inquérito. Uma outra alternativa utilizada, para esses e-mail que voltaram foi o envio individual por Biblioteca, levando-se em conta que muitos servidores bloqueiam nas caixas de correios o recebimento de e-mail com grandes quantidades de endereços, pois consideram como spam. Depois de utilizar esses recursos, e observando que mesmo assim, alguns e-mails ainda voltaram, optou-se por descartar do universo da pesquisa estas Bibliotecas, o que totalizou 24 Bibliotecas, sendo elas a saber:

1. Biblioteca Municipal de Espinho

2. Biblioteca Municipal do Sever do Vouga 3. Biblioteca Municipal Luís de Camões – Alvito 4. Biblioteca Municipal de Amares

5. Biblioteca Municipal Dr. António Teixeira de Carvalho – Cabeceiras de Basto 6. Biblioteca Municipal de Vieira do Minho

7. Biblioteca Municipal Norberto Lopes – Vimioso 8. Biblioteca Municipal de Évora

9. Biblioteca Municipal de Reguengos de Monsaraz 10. Biblioteca Municipal Maria Natércia Ruivo – Almeida 11. Biblioteca Municipal de Celorico da Beira

13. Biblioteca Municipal de Mêda 14. Biblioteca Municipal de Arronches 15. Biblioteca Municipal de Fronteira 16. Biblioteca Municipal de Gavião 17. Biblioteca Municipal de Benavente 18. Biblioteca Municipal de Coruche 19. Biblioteca Municipal de Entroncamento 20. Biblioteca Municipal de Valpaços 21. Biblioteca Municipal de Carregal do Sal 22. Biblioteca Municipal de São Pedro do Sul 23. Biblioteca Municipal do Porto Moniz 24. Biblioteca Municipal de Ourém

No segundo envio, foi elaborada uma justificativa mais detalhada sobre o inquérito e uma breve explicação para o encaminhamento do mesmo por e-mail. Para essa segunda etapa, utilizamos como assunto do e-mail “ a biblioteca pública e o utilizador idoso” e obtivemos 27 respostas. Na terceira etapa de envio, utilizámos como assunto o mesmo da etapa anterior, porém, no conteúdo do texto foi feita uma cobrança com referência aos envios anteriores; desta vez, foram obtidas 30 respostas. No mês de Agosto, por motivo das férias, optou-se por não efectuar nenhuma remessa. Em Setembro foi efectuada a quarta etapa de envio dos inquéritos, utilizando-se como assunto “Mapeamento Biblioteca Pública”, onde foi feita referência aos inquéritos anteriores bem como foi dito que entendíamos o volume de trabalho existente nas Bibliotecas Públicas, mas solicitávamos a colaboração para o envio do mesmo; desta vez, o resultado de respostas obtidas foi apenas de 9 inquéritos. Ao final da quarta etapa, entendemos que não deveríamos mais fazer uma nova remessa, uma vez que já se tornava cansativa a nossa insistência junto às bibliotecas.

No Quadro 2 é possível visualizar o controlo dos inquéritos enviados às Bibliotecas; no directório, as Bibliotecas estão distribuídas por Distritos e por isso, para uma melhor compreensão desse estudo, as Bibliotecas inquiridas serão também apresentadas por Distritos, embora, na análise dos inquéritos, não será seguida essa divisão.

QUADRO 2 – Controlo de envio de inquéritos às Bibliotecas por Distrito