Segundo Mendonça (2005), o cerramento é o material ou os materiais que, como o nome indica, servem para cobrir e impermeabilizar a obra, incluindo o material isolante e o eventual revestimento exterior (caso não cumpra também esse papel). Referem-se, separadamente, os painéis de cerramento das paredes e os acabamentos, já que estes poderão eventualmente ser em materiais distintos ou forrados com diferentes materiais, que não a madeira ou derivados desta, constituindo assim soluções híbridas. O acabamento exterior poderá ser em contraplacados especiais (marítimo), em reguados de madeira tratada, mas também em chapas metálicas, em painéis plásticos, etc., revestindo ou não os derivados de madeira.
Nas aplicações exteriores, deverão ser sempre previstas juntas de dilatação com um mínimo de 2 a 3 mm. Os painéis são, geralmente, colocados verticalmente, de forma a facilitar a colocação. No caso de colocação na horizontal, as juntas verticais deverão ser contrafiadas (Sánchez 1995).
Acerca deste tipo de paredes exteriores compostas, abordar-se-ão algumas soluções construtivas e algumas das suas caraterísticas:
Painéis aglomerados;
Painéis de aparas de madeira (OSB);
Painéis de densidade média (MDF);
Placas de elevada densidade (Platex);
Painéis de partículas de madeira aglutinadas com cimento;
Reguados de madeira.
Os Painéis contraplacados são formados por camadas de madeira contrafiadas, com fibras que formam, usualmente, ângulos de 90º entre as distintas camadas.
O painel fica definido em função de:
Espécie ou grupo de espécies de madeiras utilizadas;
Qualidade das chapas de madeira das duas superfícies, ainda que para algumas
aplicações também se defina a das madeiras interiores;
Tipo de colagem.
Existem várias classificações, nomeadamente as Americanas e as Europeias. A classificação mais comum em Portugal tem como base a americana e define cinco tipos de contraplacado: o marítimo (colado com resinas sintéticas próprio para exteriores), decorativos (para interiores), de cofragem (revestido a filme fenólico), antiderrapantes (revestido a filme fenólico antiderrapante) e suportes de solos.
Além destes, a classificação americana refere ainda os estruturais, os interiores colados com colas para exteriores e os exteriores especiais ou recobertos. A classificação que se utiliza com mais frequência na Europa é a que se baseia na Norma EN 314.2, relativa ao lugar para os quais é apropriada a sua aplicação:
Ambiente exterior não coberto (WBP e BR);
Ambiente exterior coberto (semi-exterior, MR);
Ambiente interior seco (INT).
Nas faces exteriores podem ser utilizados diversos acabamentos, sendo, geralmente, utilizadas folhas de madeira envernizadas. No que concerne aos contraplacados nacionais, as espécies de madeira mais utilizadas nas faces exteriores, com função de acabamento,
Capítulo 2 – Considerações bibliográficas
são as seguintes: mogno, tola, pinho, castanho, carvalho, eucalipto e okoumé (Mendonça, 2005).
Painéis aglomerados: os aglomerados, tal como os contraplacados, podem ser de várias qualidades e ter, por isso, várias aplicações, entre as quais (Sánchez 1995):
Aglomerados para usos gerais;
Aglomerados para utilização em ambientes secos interiores (incluindo mobiliário);
Aglomerados para construção: a) em ambiente seco; b) em ambiente húmido
(hidrófugos de cor verde);
Aglomerados especiais: a) estruturais de elevado desempenho; b) resistência
melhorada a ataques biológicos (insetos, xilófagos, fungos, térmitas, etc.); c) ignífugos (M1, M2 ou M3: de cor vermelha); d) para isolamento acústico; e) outros.
Os aglomerados podem ser apresentados com as superfícies em bruto ou ter acabamentos superficiais, em uma ou nas duas faces, tais como:
Bruto ou lixado;
Folheados de madeira;
Laminados decorativos de poliéster, PVC ou melamina;
Papéis decorativos impregnados: papéis de densidades ligeiras e médias
impregnados com melaminas;
Lacas;
Vernizes;
Folhas de aço, cobre ou alumínio.
Os materiais utilizados no fabrico dos aglomerados são:
Partículas de madeira, (maioritariamente de pinho, choupo ou eucalipto, com uma
relação entre o comprimento e a espessura da fibra entre 60/1 e 120/1);
Colas (Urea-formol; Urea-melamina-formol; Fenolformaldeído);
Aditivos (ceras ou resinas, produtos ignífugos, inseticidas, fungicidas,
Os Painéis de aparas de madeira (OSB) são formados por aparas de madeira aglomeradas através de uma cola a determinada pressão e temperatura. As aparas, colocadas sempre na horizontal do painel, podem ser orientadas aleatoriamente ou predominantemente numa direção, neste último caso, o mais comum chama-se painel de aparas de madeira orientadas e tem o nome de OSB (oriented strand board). No OSB, as aparas têm um comprimento de 80 mm e uma espessura inferior a 1mm. No painel normal têm um comprimento de 30 mm e uma espessura de 1 mm (Mendonça, 2005).
A norma EN 300 considera quatro tipos de painéis OSB (Mendonça, 2005):
OSB/1: Painel de uso decorativo para ambientes secos (inclui mobiliário);
OSB/2: Painel portante para ambientes secos (interiores);
OSB/3: Painel portante para ambientes húmidos (semiexterior);
OSB/4: Painel altamente portante para ambientes húmidos (semi-exterior).
O acabamento pode ser pintado, tingido ou envernizado.
Painéis de densidade média (MDF): os painéis de fibras de madeira de densidade média, mais conhecidos por MDF (Medium Density Fibre), podem ser classificados segundo a sua aplicação nos seguintes tipos (Mendonça, 2005):
Painéis para utilização em ambientes secos (incluindo mobiliário): MDF normal;
Painéis para utilização em ambiente húmido: MDF-H (hidrófugos que apresentam
coloração verde);
Painéis estruturais para utilização em construção: a) MDFLA; b) MDF-HLS.
Os painéis de MDF podem ser apresentados com as superfícies em bruto ou ter acabamentos superficiais, em uma ou nas duas faces, tais como:
Folheados de madeira;
Laminados decorativos de poliéster, PVC ou melamina;
Papéis decorativos impregnados: papéis de densidades ligeiras e médias
impregnadas com melaminas;
Lacas;
Vernizes;
Capítulo 2 – Considerações bibliográficas
Os painéis de MDF podem também ser aditivados com produtos químicos que lhe conferem resistência melhorada a ataques biológicos (insetos, xilófagos, fungos, térmitas, etc.), ignífugos (M1, M2 ou M3: de cor vermelha) e maior resistência (endurecedores). Placas de elevada densidade (Platex): o Platex é caraterizado por ter uma densidade entre
800 e 1000 kg/m3. As fibras podem ser aglutinadas com uma cola a seco ou apenas
prensadas num processo húmido. As fibras mais utilizadas são as de madeira de pinho, de eucalipto, de choupo e, frequentemente, utilizam-se também vários resíduos de outros materiais.
Os painéis de Platex podem também ser aditivados com produtos químicos que lhe conferem repelência à humidade (ceras); resistência melhorada a ataques biológicos (insetos, xilófagos, fungos, térmitas, etc.) e maior resistência (endurecedores) (Mendonça, 2005).
Painéis de partículas de madeira aglutinadas com cimento: estes painéis de cor cinzenta são fabricados com uma mistura de partículas de madeira e cimento Portland submetidos a
uma elevada pressão. A densidade é de 1100 a 1400 kg/m3 (Mendonça, 2005).
Reguados de madeira: estes são uma solução tradicional de cerramento exterior e interior em madeira. No caso em que estes tipos de cerramentos sejam utilizados para uma aplicação posterior a um revestimento impermeabilizante independente de acabamento, como chapas metálicas, telas, etc., as exigências quanto à espécie de madeira e sistema de
aplicação são relativamente reduzidas. Neste caso, terá apenas de se ter em atenção as
dilatações normais da madeira, bem como a forma de aplicação e espessura mínima. A utilização de reguados de madeira em exteriores perderam implantação em Portugal e na maior parte dos países do Sul da Europa, devido aos problemas de durabilidade que tornam necessária uma grande manutenção periódica, especialmente em climas alternadamente chuvosos e com muita exposição solar. No entanto, a sua utilização continua a ser feita, especialmente, em soluções pré-fabricadas. Este sistema é caraterístico de países como os Estados Unidos, o Canadá e o Norte da Europa, ou seja, em zonas de pouca pluviosidade. As madeiras mais utilizadas em exteriores são as coníferas: Pinho, Cedro, Abeto, etc. A disposição mais usual de colocação dos reguados, como função de revestimento é na horizontal, com uma inclinação de modo a que a face inferior fique sempre sobreposta à face superior da régua situada abaixo, com o objetivo de criar uma melhor
impermeabilização. Também é possível colocar os reguados verticalmente, no entanto, para que permitam absorver as dilatações é sempre necessário criar alguma sobreposição de junta, a não ser que as tábuas fiquem afastadas. Neste último caso, tem-se uma câmara- de-ar totalmente exposta, pelo que a solução de impermeabilização terá de ser feita no pano de parede interior (Mendonça, 2005).
Os Painéis madeira-cimento são painéis compostos de miolo de madeira maciça, laminada ou sarrafeada, contraplacados em ambas as faces por lâminas de madeira e externamente por chapas lisas em CRFS (Cimento Reforçado com Fio Sintético). O painel é produzido por um processo especial de prensagem dos componentes a alta temperatura, de que resulta um produto com caraterísticas técnicas de comprovada qualidade e resistência. O aspeto exterior final é de cimento aparente com uma superfície lisa e homogénea, pelo que aceita qualquer tipo de acabamento. O miolo poderá ser fornecido já furado para permitir a passagem da cablagem de instalações elétricas (www.ico.pt).