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3. METODER OG DATA

3.2 U TGANGSPUNKT

A pesquisa de campo que originou esta publicação aconteceu no ano de 2009 em quatro escolas de ensino fundamental do município de São Paulo. Ela foi planejada e realizada por meio de uma dinâmi- ca de coleta de dados com grupos de crianças do Ensino Fundamen- tal I e teve como objetivo identificar como as crianças de diferentes escolas e realidades veem o museu, qual seu contato com ele e quem proporciona esse contato.

Para realização da atividade foram contatadas quatro escolas de Ensino Fundamental de São Paulo, sendo duas da rede pública (uma estadual e outra municipal) e duas particulares (uma de pedagogia tra- dicional e outra de pedagogia Waldorf). Centrei a pesquisa em apenas uma das séries, envolvendo cerca de uma classe de cada uma das esco- las, todas pertencentes ao atual 4º ano do ensino fundamental.

Ao final a pesquisa foi realizada com 95 crianças, com idade mé- dia de 9 anos, divididas em quatro escolas da seguinte maneira:

• Escola Estadual Artur Sabóia com 22 crianças da então ter- ceira série, provenientes de duas classes, em dois grupos de trabalho, um de 9 e outro de 13 crianças;

• Escola Municipal Eurico Gaspar Dutra com 28 crianças da então terceira série, provenientes de uma única classe, em dois gru- pos de trabalho, com 14 crianças em cada um;

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• Instituto de Educação Beatíssima Virgem Maria com 28 crianças do quarto ano (Ensino Fundamental de nove anos), pro- venientes de duas classes, em dois grupos de trabalho, um de 10 e outro de 18 crianças;

• Colégio Waldorf Micael de São Paulo com 17 crianças da então terceira série, provenientes de uma única sala em um único grupo de trabalho.

A dinâmica empregada na pesquisa levou em conta a faixa etária dos participantes e procurou ser instigante, objetiva e compreensível para esses. Ela consistiu em três atividades das quais todos os gru- pos participaram: Jogo de Perguntas, Roda de Conversa e Desenho. No dia da realização das atividades, trabalhei com grupos que con- tinham, em média, quinze alunos cada, em espaço à parte da sala de aula das crianças. Apenas o desenho foi realizado na sala.

O Jogo de Perguntas

O Jogo de Perguntas consistiu em uma atividade lúdica, na qual cada uma das crianças tornava-se um entrevistador e um en- trevistado e assim respondia, individualmente, a onze perguntas essenciais sobre os museus, trazendo suas opiniões e experiências a respeito.

As onze perguntas essenciais feitas às crianças foram: 1. Você já foi a um museu?

2. Se você já foi a um museu, quem te levou?

3. Você lembra do nome de um museu? Você já foi a esse museu? 4. Quantas vezes você já visitou museus?

5. Você pode descrever como é um museu? Se você ainda não foi, como imagina que seja?

6. Para que serve um museu?

7. Você gosta (ou gostaria) de ir a museus? Por quê? 8. O que encontramos dentro do museu?

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9. Será que todas as pessoas podem ir aos museus? Por quê? 10. As pessoas vão ao museu para quê? O que você acha? 11. Para entrar nos museus é necessário pagar alguma coisa? Foram criadas estratégias de adequação para contemplar gru- pos de diferentes tamanhos e crianças com dificuldade de leitura/ escrita. Em alguns grupos trabalhei com perguntas extras, por con- ta do número maior de crianças, mas essas perguntas não foram consideradas no resultado final por não terem sido respondidas por todas as turmas.

Conforme explicado anteriormente, essas perguntas seriam fei- tas por crianças a crianças, em ordem aleatória e uma por vez. Des- sa forma, era importante que os enunciados fossem independentes, ainda que isso desse a impressão, algumas vezes, de haver repetição nos assuntos abordados.

As perguntas de 1 a 4 tiveram a intenção de responder ao obje- tivo 1: “Investigar se a criança tem acesso aos museus. Como esse acesso se dá e por meio de quem”. A pergunta 2 pretendeu respon- der também, e de forma mais específica, ao objetivo 3: “Levantar quem são os principais responsáveis por intermediar hoje esse con- tato entre as crianças e o museu”, embora esse também possa ser respondido de forma indireta, por outras questões, pelos desenhos e pelas rodas de conversa.

As perguntas de 5 a 11 procuraram abarcar, por meio de vários pon- tos de vista, o objetivo 2, “Investigar qual é o papel que o museu assume hoje na vida e no imaginário infantil”. Dessa forma, a pesquisa de cam- po pôde englobar três dos quatro objetivos específicos desta pesquisa.

Cada pergunta era colocada no alto de uma folha de papel com uma tabela de linhas vazias, além de duas colunas: a primeira cor- respondia ao nome de cada criança e, a segunda, a resposta dada por cada uma delas (ver Anexos). No início da dinâmica, cada criança recebeu uma pergunta pela qual ficou responsável. Era sua incum- bência entrevistar todos os colegas e registrar a resposta de cada um deles para aquela única pergunta. Antes de começar, cada criança respondia na primeira linha a pergunta que recebeu.

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Para tornar a atividade mais dinâmica e atrativa, propus um jogo: no chão havia círculos, e em cada um deles somente duas crian- ças podiam permanecer de cada vez. Era dentro dos círculos que eles faziam as perguntas aos colegas, respondiam e anotavam respostas. Os que ficavam de fora (uma ou duas crianças no máximo) perma- neciam uma rodada sem entrevistar ninguém. A cada sinal meu (que só acontecia quando eu percebia que eles haviam terminado), eles deveriam trocar de círculo e de dupla, já que não poderiam entre- vistar duas vezes o mesmo colega. O jogo deu certo, e as crianças mostraram-se não só animadas, como tamém, responsáveis pela pergunta que tinham em mãos.

Rodas de conversa

Essas onze perguntas procuravam abarcar todos os questiona- mentos do projeto; porém, para complementar sua eficácia, foram utilizados ainda outros meios. A roda de conversa era realizada com cada grupo após o jogo das perguntas. A partir de respostas dadas pelas crianças em algumas perguntas (após o primeiro grupo já per- cebi quais as questões que geravam maior discussão) eu fazia no- vos questionamentos, ou pedia uma explicação mais detalhada de algo. A partir das primeiras falas, a conversa ia se desenvolvendo livremente e, embora eu procurasse pontuar algumas questões para garantir que fossem respondidas, em cada grupo o desenrolar desse bate-papo tomava um caminho novo, revelando os interesses e ca- racterísticas de cada grupo.

Desenho

Para completar, ainda foi usado o recurso do desenho. Cada turma foi convidada, antes ou após a dinâmica, a fazer um desenho

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com o tema “Como é o museu”.1 Esses desenhos ajudam bastante

na compreensão de como essas crianças veem a instituição e foram utilizados de forma a complementar os resultados obtidos no jogo e nas rodas de conversa, principalmente quando falamos de apa- rência e conteúdo do museu.

A principal qualidade dessa dinâmica foi unir a escrita com a fala, pois uma expressão complementa a outra. As respostas das perguntas, que foram registradas por escrito pelas próprias crian- ças, dão-nos uma visão geral, abarcam todos os assuntos e, como são objetivas, permitem a tabulação. Já no momento de expor os resultados e discutir a respeito com o grupo é que surgiram as falas mais ricas, ilustrando e explicando o que foi escrito. Além disso, os três momentos juntos (entrevista, conversa e desenho) deram oportunidades diferenciadas à expressão de cada criança. Isso é importante, já que temos crianças que se colocam melhor indivi- dualmente, outras que têm mais naturalidade para falar no grupo e algumas que se expressam melhor por meio de outros recursos, como o desenho.