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6. GJENNOMGANG AV DE ENKELTE OBJEKTTYPENE

6.7 U LYKKER / HENDELSER

A aula aconteceu num 1º ano do Ensino Médio, integrado ao Técnico em Química. Havia dez alunos presentes somente. A professora iniciou a aula, retomando os trabalhos do bimestre, expostos no quadro. Em seguida, solicitou a entrega do trabalho sobre ritmo africano a ser entregue naquele dia. Aos alunos que não entregaram, marcou o último prazo para a entrega.

Na sequência combinou o próximo trabalho a ser realizado nos dias seguintes: pesquisar a origem dos gêneros musicais: rap, embolada, trova gaúcha, caxixi, no sentido de obter as seguintes informações: como surgiu?; quem são os principais representantes deste ritmo?. O trabalho deveria ser feito em grupo de três alunos e apresentado em

PowerPoint aos colegas da sala nas próximas aulas. Depois os alunos, em grupo, iriam

produzir uma composição musical (letra e melodia) no ritmo sorteado para o grupo. A professora explicou como fazer a pesquisa e pediu para escolherem 2 vídeos representativos do ritmo para apresentar aos colegas. Os alunos foram realizar a pesquisa no laboratório de informática e, no final da aula, comprometeram-se a terminar em casa.

Excerto 20

Diva: Vocês entenderam, gente, o que é pra fazer? (pergunta de esclarecimento) Aluno: Vamos começar hoje? (réplica com pergunta de esclarecimento)

Diva: É hoje ... oh, se vocês aproveitarem o tempo dá pra fazer até os slides, não precisa fazer nada em casa, a gente faz o trabalho todo aqui dentro de sala, pra não ter que fazer muita coisa. Aí o dia 13 né, fica pra recuperação se alguém ficar, certo? O importante é que vocês não faltem às aulas, porque não vai ter prova, mas o trabalho vale 5 pontos. (concordância com réplica elaborada, esclarecimento e justificativa). Então, nós vamos lá pro laboratório e vocês vão fazer a pesquisa do gênero, certo? (pergunta retórica) e montar os slides já.

Aluna L (cantando): O que é uma embolaadaaa? Onde surgiu?

((Os alunos vão para o laboratório de informática e se organizam em grupos com os computadores))

Diva: Pessoal, vou colocar no quadro onde vocês poderiam procurar os dados da pesquisa. ((coloca no quadro a indicação do google acadêmico onde e como procurar. Depois acompanha a pesquisa dos alunos atendendo))

Aluno X: Professora, é isso aqui? (pergunta fechada de esclarecimento)

Diva: Olha lá, o estilo gaúcho na música brasileira, olha que interessante! (réplica elaborada com esclarecimento e modalização apreciativa) ((na sequência ajuda o aluno a produzir o tom do ritmo no violão)). (mecanismo paraverbal, como exemplificação)

Aluno A: Professora, vem cá por favor?

Diva: Vocês estão conseguindo achar, gente? (pergunta fechada de esclarecimento) Aluno Y: Professora, a gente já sabe qual o vídeo que vai fazer e quem quiser tipo, entrega

o vídeo...? (pergunta de esclarecimento)

Diva: Não, vocês têm que montar os slides com a parte teórica pra apresentar no dia, junto com vídeo. (discordância, seguida de justificativa)

Aluno A: Como montar o slide? O que a gente tem que colocar? (perguntas fechadas que pedem esclarecimento e de conteúdo)

Diva: O que é o rap? Primeiro origem, o que significa o rap? O nome, entendeu? O que é MC, vocês sabem o que significa MC? Esses nomes todos têm significado. Então vocês têm que explicar (...) (réplica elaborada por meio de perguntas de conteúdo)

Diva: Ah sabe aonde vocês vão encontrar o áudio? (pergunta fechada retórica). Tem um

site, o kaboing, vocês conhecem? (pergunta fechada) Aluno A: Ham, ham. (concordância sem réplica)

((Diva põe no quadro o nome dos principais representantes de cada ritmo. Depois reproduz no seu notebook o áudio com a música de cada ritmo para exemplificar.))

Diva: Ah! lembra de pesquisar a biografia deles, é muito importante. No site deles vocês acham quase tudo.

((Depois a aula continua com os alunos fazendo a pesquisa na web e a professora orientando como e onde achar as informações. Às vezes, chama atenção dos alunos que estão parados.))

Na primeira aula observada da professora Diva (Excerto 11), ela apresentava a teoria em slides, não fornecia o texto na íntegra aos alunos, às vezes os mandava pelo e-

mail e não “obrigava” a leitura, nem aferia se tinham lido. Ela realizava a leitura em voz alta, ou pedia para algum aluno fazer, perguntava e respondia as próprias perguntas. Nessa visão, o significado cristalizado de Diva era de que o sentido do texto está no próprio texto e o dizer pertence, apenas, ao autor do texto (MAGALHÃES, 2011); além disso, a aula se centrava na ação do professor e os alunos eram sujeitos passivos no processo.

No excerto 20, porém, revela-se que houve ressignificação na organização metodológica e redimensionamento das ações discursivas entre professores e alunos na segunda aula de Diva, mostrando-se mais colaborativa (MAGALHÃES, 2011). Primeiramente, pela divisão de trabalho na sala de aula: a professora organizou as tarefas a serem produzidas na sala, repertoriou os alunos e fez intervenções nos modos como alunos estavam realizando as tarefas, mas quem realizou as pesquisas, produziu os slides, foram os alunos (ENGESTRÖM, 2011). Diva criou agência relacional transformativa e expansiva, pois a sua postura agentiva estava em compreender os sentidos das práticas didáticas, nas relações com os alunos, de modo a alinhar seus pensamentos e ações à formação e à prática de outros docentes na busca de expansão dos significados que pudessem avançar o desenvolvimento de um contexto mais colaborativo nas aulas. Diferentemente da primeira aula, nos turnos que seguem o exemplo, Diva interage com os alunos por meio de

perguntas, muitas delas de esclarecimento e não responde ela mesma como, quando o aluno A pede esclarecimento “como montar o slide?” “O que a gente tem que colocar?”, sua réplica foi realizada por meio de perguntas de conteúdo, redimensionando a ação para o aluno, não para a professora. Neste caso, alunos e professora estão constituindo nova relação, construindo ZPDs mútuas, tornando-se o que é permitido tornar-se (NEWMAN & HOLZMAN, 2002).

No que se refere à leitura, o uso da tecnologia pôde possibilitar a construção de multiletramentos (ROJO, 2012); no entanto, esta foi compreendida pela professora como instrumento-para-resultado, em abordagem monológica. Ou seja, as atividades de leitura solicitavam que os alunos depreendessem as ideias principais dos textos pesquisados, com localização de conteúdos, levantamento de conhecimento prévios e inferências, e conseguissem reproduzi-las com suas próprias palavras, de modo que é uma prática somente escolar, não uma prática social efetiva. Mesmo que os alunos tivessem a proposta de produção de músicas de determinadas regiões, não ficou claro quem seria a audiência, ou ainda, que práticas não escolarizadas estariam envolvidas nessa atividade.

A seguir discuto a aula do professor Moésio.