6. GJENNOMGANG AV DE ENKELTE OBJEKTTYPENE
6.2 D RENERING
Iniciaram-se no final de junho (dia 27.06.2013) e se desenvolveram durante toda a formação, terminando em abril de 2014. A segunda quinzena do mês de agosto, quando iniciou o segundo semestre, e a primeira de setembro não foram muito produtivas em encontros com os professores porque esta formadora participava do SIGET em Fortaleza no início de setembro e os professores do instituto também tiveram muitas atividades fora da cidade nesse período: o Festival de Artes em Goiás Velho e os jogos olímpicos.
As sessões reflexivas aconteciam no horário de 13:30h às 14:30h17. Tinham como objetivo criar um espaço de ZPD, ou seja, propiciar aos professores pesquisadores um espaço e momento para o ver-se e o refletir sobre a própria prática, compreendê-la e levá-la ao plano da consciência (SMYTH, 1993) com a colaboração dos colegas. Nesse espaço de ZPD, pretendia-se analisar e discutir o processo de ensino-aprendizagem e a utilização da leitura nas práticas videogravadas, conforme Roteiro da Sessão reflexiva – Apêndice B – fundamentado em Magalhães (2011), Liberali (2009) e Smyth (1993).
17 No final do processo, em novembro e dezembro, fizemos encontros de maior duração por discutir teorias de leitura em paralelo e, na última, por analisar recortes das aulas dos professores focais juntos.
O fato de as sessões serem coletivas propiciou que o ‘ver-se’ se constituísse numa ação contínua nas sessões dos colegas, com a reflexão sobre a prática dos outros professores pesquisadores, permitindo assim, a concomitância do processo crítico-reflexivo sobre a sua própria prática. Ou seja, mesmo o professor não tendo feito a sessão coletiva sobre a sua aula videogravada, já podia rever suas ações com a colaboração na análise da prática de seus pares.
Uma cópia da videogravação da aula foi disponibilizada ao professor para o ver-se e para a sua própria análise antes dos encontros coletivos. As sessões tinham como objeto de reflexão excertos das entrevistas e da aula videogravada que representavam os sentidos e significados presentes na prática didática do professor em foco, que caracterizavam sua visão de processo de ensino-aprendizagem e utilização da leitura.
Como preparação para a sessão reflexiva coletiva, esta professora formadora pedia ao professor, cuja prática seria o foco da sessão, que analisasse sua aula e recortasse os momentos significativos para a análise em colaboração, entendendo como significativos aqueles relevantes, considerados bons exemplos de prática educativa e também os momentos não tão bons na visão do professor, passíveis de reflexão com o grupo. Essa ação permite ao professor o olhar para a sua própria prática de forma individual para levá-la ao plano da consciência e se preparar para o descrever, o informar, o confrontar e o
reconstruir (SMYTH, 1993) nas sessões reflexivas.
Como formadora, também selecionei excertos da aula e da entrevista para serem discutidos de forma crítico-colaborativa, fundamentada em Smyth (1993) e Liberali (2008, com base em Smyth), conforme o Roteiro da Sessão reflexiva – Apêndice B, já informado. Esse roteiro foi entregue aos professores pesquisadores e orientava o processo crítico- reflexivo durante as sessões.
O papel de cada um dos participantes foi muito importante: o do professor, cuja aula seria enfocada, na preparação prévia para compartilhar sua visão de prática educativa e a exposição de seus motivos; o da pesquisadora, ao planejar e conduzir toda a sessão para que se tornasse crítico-colaborativa; o dos colegas, participando na análise crítica da prática. Essa distribuição de papéis é fundamental para o resultado de todo esse planejamento e do processo crítico-reflexivo, que era o foco das sessões e da formação.
As 1ªs sessões foram feitas após a 1ª aula videogravada de todos os professores e, no final, após a 2ª aula, as 2ªs sessões foram feitas somente com os professores focais, como apresentadas individualmente a seguir pela sua ordem cronológica.
1ªs sessões reflexivas de todos os professores participantes:
27.06.2013 – Sessão reflexiva da professora de Química – Kate
Estavam presentes seis professores: Kate, Glória, Moabe, Diva, Moésio e Mário e a esta pesquisadora formadora18.
A sessão reflexiva focou algumas questões levantadas por mim, como formadora: a professora criou um espaço amigável com os alunos durante as explicações, mas o foco da aula estava no professor, na exposição do conteúdo no quadro. Procurei promover reflexões sobre o papel da leitura no livro didático e sobre como criar possibilidades para a participação dos alunos.
Como formadora, preocupei-me em criar uma relação confortável; no entanto, destacava os pontos questionáveis relativos à prática da professora, como papel de professor e de aluno, a prática da leitura e o uso do livro didático.
04.07.2013 – Sessão reflexiva da professora de Português – Maria
Estavam presentes 7 professores: Kate, Glória, Moabe, Diva, Moésio, Mário e Maria.
A sessão reflexiva focou o papel do professor e a organização da aula de leitura centralizada na exposição de slides sobre os gêneros literários. A leitura e a explicação foram desenvolvidas pela professora numa abordagem predominantemente monológica.
Em uma postura crítico-reflexiva, provoquei confrontos sobre papel de professor e de aluno e a forma transmissiva de apresentar o conteúdo, mas os professores pares desviaram, justificando as ações de Maria como determinadas pelo conteúdo.
20.09.2013 – Sessão reflexiva da professora de Matemática – Glória Estavam presentes 4 professores: Diva, Mário, Moésio e Mona.
A sessão reflexiva focou o papel do professor e a utilização da leitura na prática videogravada, cujo conteúdo era ‘Funções’. A reflexão centrou-se nos seguintes tópicos: o papel de professor e aluno; o fato de a professora explorar mais a compreensão do aluno;
18 Como esta pesquisadora era quem organizava as sessões, minha presença constante não será citada entre os professores nos encontros seguintes.
não perguntar e ela mesma responder, fazer o aluno interagir mais na aula expondo sua compreensão.
A professora reconheceu alguns momentos em que respondeu pelo aluno e afirmou que poderia esperar pela sua resposta. No geral, procurava justificar todas as suas ações. No entanto, esta professora foi a primeira a afirmar, logo após a primeira sessão, que já estava olhando de forma diferente para as suas aulas.
10.10.2013 – Sessão reflexiva do professor de Filosofia – Moésio Estavam presentes 3 professores: Moésio, Diva e Mário.
A aula videogravada era mais dialética: o professor pedia a leitura dos alunos, direcionava-lhes perguntas visando à compreensão do conteúdo: “aforismos de Bacon”. Portanto, a sessão foi sem muitos confrontos, com questionamentos e reflexão sobre a finalização da aula, em que o professor apenas recolheu os textos produzidos, não verificando a produção ou interagindo, dando uma prévia aos alunos do que foi produzido ou da continuidade na aula seguinte.
O grupo compartilhou os sentidos presentes na aula: como conduzir uma aula de leitura a partir da organização feita pelo professor Moésio, isto é, com a participação mais efetiva do aluno, organizada pelo professor por meio de perguntas e/ou incentivo para a leitura, para expor o que o aluno compreendera.
A colaboração confortável predominou nas relações entre os pares. 18.10.2013 – Sessão reflexiva da professora de Arte – Diva
Estavam presentes 2 professoras: Diva e Mona.
A sessão abordou a reflexão sobre a dinâmica de leitura desenvolvida pela professora na aula “História das notas musicais”. Como formadora, focalizei o papel do professor revelado na aula: a forma de conduzir a leitura, a separação entre teoria e prática durante a análise. Houve a participação colaborativa da colega Mona, com sugestões de formas de conduzir a leitura, com foco no aluno.
Houve o predomínio das relações dialéticas, com a colaboração dos pares.
07.11.2013 – Sessão reflexiva do professor de Geografia – Mário
Estavam presentes 3 professores: Mário, Glória e Moésio e a reflexão foi sobre a aula de Geografia, cujo tema era “Composição da crosta terrestre”.
No papel de formadora, focalizei a centralidade do professor durante a exposição do conteúdo numa abordagem monológica, o fato de o professor ignorar e não atender aos questionamentos dos alunos durante a aula, fazendo prevalecer a estrutura planejada para sua aula: primeiro ele explicava o conteúdo, no final o aluno participaria.
Houve o predomínio da relação colaborativo-crítica com a abertura dos presentes para olhar a prática, relacioná-la à perspectiva dialógica buscando a reconstrução de suas práticas, como apontado por Mário, ao afirmar que se viu e ficou impactado por sua prática na sala de aula – “Eu não tinha ideia que eu agia assim”.
13.11.2013 – Sessão reflexiva da professora de Química e Metodologia de Pesquisa – Mona
Estávamos presentes, apenas a professora Mona e eu, porque ela não quis que sua sessão fosse coletiva. Afirmou sentir-se insegura pelo fato de, na turma de 1º ano, ser regente de uma disciplina “Metodologia de Pesquisa”, para a qual não tinha experiência e não era de sua área específica, a Química.
A reflexão focou a transmissão conteudista da professora e a necessidade de fazer os alunos participarem mais da aula, cuja temática envolvia os elementos de um projeto de pesquisa.
Como formadora, destaquei pontos positivos da aula como a quantidade de exemplos que a professora utilizava para facilitar a compreensão da teoria.
Discutiu-se o papel do professor, do aluno e da estrutura da aula e sobre diferentes formas de agir com o foco no aluno.
Houve o predomínio da relação colaborativo-crítica com a abertura da professora para o se ver.
2ª sessão reflexiva com os professores focais:
08.04.14 – 2ª Sessão reflexiva coletiva da 2ª aula videogravada dos professores focais Diva, Moésio e Mário19.
Como afirmado anteriormente, o objetivo desta sessão reflexiva era verificar, nas práticas videogravadas, se houvera – ou não – a reconstrução de sentidos sobre o papel de
19 Pelo fato de o tempo previsto para a formação, o ano de 2013, já ter extinguido, neste encontro foi feita uma sessão reflexiva coletiva sobre recortes das aulas dos 3 professores focais. Todos os professores foram convidados.
professor e de aluno, a reorganização do processo ensino-aprendizagem para a prática da leitura e escrita.
Uma vez que a maioria dos professores não tinham disponibilidade de tempo, a sessão reflexiva foi feita com esta pesquisadora e os professores focais: Diva e Moésio. Mário não pôde comparecer.
Os recortes das aulas videogravadas revelaram mudanças nas interações de sala de aula. Os professores discutiram a mudança de foco no processo de ensino-aprendizagem em suas aulas, antes centrado no professor e, agora, revelando o aluno como sujeito. Reconheceram a importância de trabalhar a leitura na perspectiva dialógica e sendo desenvolvida pelo aluno. Como pesquisadora, questionei os sentidos atribuídos pelos professores sobre o uso de tecnologia, muito utilizada nas aulas mostradas. Os professores reconhecem sua utilidade, mas revelam resistência quanto a seu uso constante nas práticas didáticas.
As sessões se tornaram um dos principais momentos da formação por serem coletivas e por proporcionar questionamentos sobre a prática relacionados com a teoria, mesmo não fazendo referência direta aos conceitos que as embasaram. A teoria emergia a partir das discussões sobre a prática dos professores nas sessões, que possibilitaram caminhos para a formação.
Foram importantes por propiciarem aos professores pesquisadores a conscientização de sua prática ao olhar para o que cada um fazia e, na troca crítico-colaborativa com os colegas sobre a sua própria prática e a deles, poder ver novas experiências e criar novas formas de organizar suas aulas e orientar a leitura e a escrita no processo de ensino- aprendizagem.