Procedeu-se nesse trabalho a uma comparação (Tabela 2) entre os principais resultados obtidos pela pesquisa da OCDE junto aos países citados e os resultados da pesquisa realizada pelo IPEA em 2005, com os ministérios do governo federal, apresentados por Batista et al. (2005, p. 79-82).
O comparativo foi efetuado levando-se em conta apenas os dados obtidos com os ministérios brasileiros, pois a Gestão do Conhecimento já é prioridade para a maioria das empresas estatais no país, que contam com estratégias ou políticas estabelecidas na área. Entre os Ministérios, apenas 32% contam com estratégia ou política de GC e em apenas 35% ela é considerada uma das cinco prioridades no momento. (BATISTA, 2005, p.54).
Com base nesses dados pode-se supor que a elaboração e implementação de uma política de Gestão do Conhecimento teriam um impacto maior para os Ministérios do que para as estatais, levando-os a elevar o grau de prioridade quanto à GC. Outro dado a ser ressaltado é que nos países da OCDE existe uma preocupação com a transformação organizacional em si, para um modelo de gestão mais horizontal, que favoreça a implantação da Gestão do Conhecimento, com a descentralização e delegação da autoridade para níveis mais baixos da hierarquia, o que não se verifica no Brasil.
Tabela 3 – Comparativo entre os resultados das pesquisas da OCDE (2002) e IPEA (2005)
Temas Países da OCDE (2002) Brasil - Ministérios (2005)
Fatores motivadores
Melhorar a eficiência e a produtividade
Minimizar ou eliminar a duplicação de esforço entre as unidades da organização
Disseminar a informação de maneira mais rápida tornando seu acesso mais amplo para o público (96% consideraram muito importante)
Minimizar ou eliminar a duplicação de esforço entre as unidades gerenciais da organização (87% consideraram muito importante).
Mudanças estruturais nas organizações
Descentralização e delegação de autoridade para níveis mais baixos da hierarquia
Criação de redes internas para compartilhar informações.
Criação de redes internas para compartilhar informações (70% das instituições)
Reorganização dos escritórios (65% das instituições).
Prioridade Gerencial
44,8% das organizações consideram a Gestão do Conhecimento uma das cinco prioridades, e
47,8% consideram que GC será prioridade nos próximos dois anos ou em longo prazo.
Apenas 35% das organizações da Administração Direta indicaram que GC é uma das cinco prioridades no
momento,
26% acreditam que se tornará uma prioridade nos próximos dois anos; e 39% acreditam que será prioritária em longo prazo.
Responsabilidades
Em um terço das organizações ter boas práticas de GC é uma das cinco prioridades internas, e em 36% a alta administração é responsável pelas práticas de GC. 15% das organizações criaram uma unidade específica de gestão da informação e do conhecimento.
Em 29% das organizações não há alguém responsável pelas práticas de GC.
Apenas dois ministérios contam com uma unidade específica para coordenar as ações de GC.
Estratégia
Metade das organizações afirmou ter uma estratégia ou política de GC definida
A outra metade afirma que isso ocorrerá nos próximos três anos.
32% afirmaram contar com uma estratégia ou política de Gestão do Conhecimento.
40% não possuem, mas planejam ter uma estratégia ou política nos próximos três anos.
28% não têm política ou estratégia de GC.
Linguagem
A grande maioria das organizações que contam com estratégia de GC usa ou conhece o termo Gestão do Conhecimento.
Entre as organizações que têm uma estratégia de GC, mais de um terço usa o termo nos documentos gerenciais ou na estratégia (mais da metade dessas usam também os termos gestão da informação e/ou compartilhamento do
conhecimento).
25% das organizações usam oficialmente a expressão Gestão do Conhecimento. 54% das organizações utilizam nos documentos gerenciais a expressão
Gestão da Informação.
29% não utilizam nenhum termo, mas conhecem o conceito Gestão do Conhecimento.
12% não utilizam nenhum dos dois termos ou conhecem o conceito de GC.
Mudanças culturais
Os servidores consideram atualmente que compartilhar conhecimentos é bom para sua carreira.
Para 60% os servidores
disponibilizam documentos para outros de maneira mais espontânea Para 85% das organizações os gerentes gastam mais tempo disseminando informações para a equipe
Delegam mais autoridade aos escalões subordinados 75% afirmam que os gerentes passam mais tempo formando equipes de projetos.
50% afirmam que os servidores
consideram atualmente que compartilhar conhecimentos é bom para sua carreira e disponibilizam documentos para outros de maneira mais espontânea
70% avaliam que o papel do gestor está mudando.
Fontes: “Gestão do Conhecimento na Administração Pública”. Batista et al., IPEA, 2005 e “Survey on Knowledge
Management Practices for Ministries/Departments/Agencies of Central Government”, OCDE, 2003a.
Quanto às perspectivas futuras, em relação às ações que as instituições de governo deverão implementar nos próximos cinco anos para lidar com os desafios crescentes de uma economia intensiva em conhecimento, a diferença permanece a já citada: descentralização/delegação de autoridade, o que caracteriza a necessidade evidenciada pelos países da OCDE de imprimir maior agilidade decisória às instituições governamentais, o que não se constitui, porém, em fator importante para os ministérios brasileiros. (Tabela 4).
Tabela 4 – Perspectivas Futuras e Desafios
Países da OCDE Brasil (Ministérios)
Descentralização/delegação de autoridade; Compartilhamento horizontal da
informação e do conhecimento (na sua organização, com outros ministérios e com o exterior);
Melhores práticas de treinamento e mentoring;
Melhor capacidade gerencial para facilitar o compartilhamento da informação e do conhecimento;
Maiores incentivos para os servidores compartilharem conhecimento e informação;
Investimentos em tecnologias de informação e comunicação;
Melhorias no uso das tecnologias de informação e comunicação (melhor Intranet, melhores bancos de dados eletrônicos, melhor Internet).
Compartilhamento horizontal da informação e do conhecimento (na sua organização, com outros ministérios); Melhores práticas de treinamento e mentoring (87% dos respondentes); Melhor capacidade gerencial para facilitar o compartilhamento da informação e do conhecimento (95%);
Maiores incentivos para os servidores compartilharem conhecimento e informação (95%);
Investimentos em tecnologias de informação e comunicação (95%); Melhorias no uso das tecnologias de informação e comunicação: melhor Intranet, melhores bancos de dados eletrônicos, melhor Internet. (91%).
Fonte: “Gestão do Conhecimento na Administração Pública”, Batista et al., IPEA, 2005, p.71.
A partir do comparativo entre a situação da Gestão do Conhecimento nos governos de países membros da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e as instituições do governo federal brasileiro, quatro países foram escolhidos para integrar o diagnóstico necessário à formulação da PGC/APF: Canadá, Finlândia, Dinamarca e Malásia.
Tal escolha se deu em função dos seguintes fatores:
existência de políticas, diretrizes e estratégias explícitas sobre Gestão do Conhecimento;
existência de programas institucionalizados sobre o tema envolvendo ministérios (como por exemplo no Canadá, desde 1998);
existência de documentação oficial sobre programas e planos de GC nas áreas de governo;
o Canadá, a Finlândia e a Dinamarca são considerados pela OCDE como os países mais avançados em implantação e institucionalização de Gestão do Conhecimento.