3. STUDY POPULATION AND METHODS
5.1 Methodological considerations
5.1.4 Type I and type II error
busca do conhecimento por si mesmo que deve ser estimulante mais do que uma simples preocupação com os resultados.
A sholarship da descoberta pode ser que um conceito que ajude a superar a ênfase pós relatório Gordon e Howell (seção 2.2.1) que, de acordo com Bach (1959), como pontua Minzberg (2006), dentre outros pontos, argumentava “que a tomada de decisão analítica e racional é a chave para a educação em administração”.
2. Sholarship da integração: aborda a interpretação sobre novos dados emergentes ou a formas artísticas à medida em que se integram com outros resultados e se comparam com outras criações. Sem essa sholarship tem-se a fragmentação. A integração possibilita a articulação entre conhecimentos e modelos de diferentes disciplinas e requer uma outra abordagem do conhecimento. Pressupõe a necessidade de os sholars possuírem capacidade de síntese para buscar novas relações entre as partes e o todo, a relacionarem o passado e futuro ao presente, fazendo a pontes entre campos e disciplinas, desvendando novos significados para os conhecimentos anteriormente desconectados.
Esta sholarship, em específico, pode ser de grande valia para o intuito de se buscar uma posição de integração da critica com o mainstream. Como foi
uma fragmentação do ensino nas escolas de negócios, o que levou a uma desconecção entre as disciplinas, dificultando, assim, o espaço para novas conexões.
3. Sholarship da aplicação ou da prática: é definida como a aplicação do conhecimento aos problemas e às situações do mundo real. A visão dominante de sholarship coloca pesquisa e teoria em uma posição hierárquica superior à prática. A visão alternativa sugere que teoria e prática são complementares e mutuamente enriquecedoras (FILHO, 2005). Em termos de educação para negócios, historicamente, nem sempre os acadêmicos estiveram próximos e souberam entender as necessidades dos administradores. Por sua vez, nem sempre os administradores reconheceram ou utilizaram o conhecimento produzido nas escolas de negócios pelos acadêmicos (FARIA, 2007).
4. Sholarship da docência: trata-se da compreensão sobre a transação ensino- aprendizagem, tanto do processo quanto como resultado, através de três elementos distintos:
a. capacidade sinóptica: habilidade para extrair os aspectos essenciais de um campo de modo a oferecer a ele coerência e significado para colocar no contexto o que é conhecido e abrir caminho para conexões.
b. conhecimento de conteúdo pedagógico: capacidade de representar um conteúdo em um modo que supere a separação entre substância intelectual e processo didático. Está relacionada com a elaboração de metáforas e analogias.
c. conhecimento sobre aprendizagem: compreensão sobre como os alunos fazem sentido do que os professores dizem e fazem.
De acordo com Filho (2005), essa concepção de sholarship da docência proposta por Boyer sugere que os acadêmicos devem abordar academicamente a docência refletindo sobre o conhecimento obtido da pesquisa educacional, a relação com contextos particulares nos quais ensinam, enfatizando a relação recíproca existente entre teoria e prática e valorizando o conhecimento dos praticantes, obtido através da experiência. Boyer, em Sholarship Reconsiderated (1990),
sinaliza a intenção de promover no corpo docente efeitos modificadores no sentido de aumentar sua capacidade reflexiva. Como pontua Grey (2007), educadores de gestão não devem ensinar o instrumental, o técnico ou a enganação paradisíaca que seria, na verdade, todo o arsenal de modelos apresentados pela abordagem econômica da estratégia que prometem definir e explicar o que é gestão.
2.2.4 - A influência de Porter e Kramer
O artigo escrito por Porter e Kramer (2006), apresentado no capítulo 2.1.2.1 (abordagens emergentes) sinalizou a incursão de Michael Porter pela área de RSC. O autor pareceu pretender transferir o sólido ferramental analítico da abordagem econômica em estratégia para a área de RSC, o que poderia impedir a emergência da abordagem critica engajada. As perspectiva de sua influencia no ensino acadêmico é estudada a seguir.
Em paralelo às discussões sobre se ter ou não uma postura engajada com o mainstream, apesar dos questionamentos sobre a validade de uma aproximação dos críticos com as escolas de negócios, de se refletir bastante sobre os riscos de uma eventual cooptação pelo mainstream durante essa tentativa de aproximação; não obstante os esforços de alguns acadêmicos e pesquisadores referenciados na seção anterior e muitos mais, o artigo de Porter e Kramer (2006) surge como um importante fato novo. Exatamente por receber a assinatura do talvez, mais importante representante da abordagem estratégica com foco econômico, Michael Porter, o artigo ganha um razoável espaço. Como observado na introdução, no ano de sua publicação, o artigo recebeu o prêmio McKinsey Award como Best Harvard Business Review. Esse prêmio, julgado por líderes da comunidade de negócios, reconhece trabalhos de maior influência sobre os executivos de negócios do mundo inteiro.
social. Ao que parece, tal como, em 1980, quando publica Competitive Strategy e motivado pela demanda por um ferramental analítico mais sólido se transforma em um sucesso, a incursão de Porter pela área de RSC sugere um movimento bastante parecido. Como pontuado na seção 2.2.1, à época, os professores de gestão do mundo inteiro abraçaram as premissas porterianas porque a perspectiva analítica que Porter lhes oferecia uma certa cientificidade. No lugar de apenas soft management esses professores passaram ao status de ministrar hard analysis (MINTZBERG, 1998).
Com relação ao conhecimento na área de RSC, Porter segue argumentando que sua abordagem surge em função de uma literatura de RSC “pouco clara” sobre a orientação pratica para líderes empresariais (PORTER e KRAMER, 2006). Ou seja, tal como em 1980 (Competitive Strategy) Porter busca oferecer um ferramental analítico.
A teoria defendida por Porter parece continuar mostrando, sim, que a gestão é fortemente incorporada de tendências que expressam um tecnocrático modo de pensar. (ALVESSON e WILLMOTT, 1992). Porém, seu texto funciona bem dentro do que se propõe: tornar-se um “guia para se pensar RSC” (PORTER e KRAMER, 2006).
É importante que essa movimentação seja observada com atenção pelos pesquisadores críticos. Talvez esse movimento sinalize que não se deva ver a gestão moderna como necessariamente uma prática totalitária que, em função disso seja alvo de uma crítica negativa. Talvez seja preciso pensar em uma crítica mais aberta, mais fecunda e mais produtiva do que atualmente praticada na CMS, aberta a ponto de permitir que possam ser ouvidas outras vozes, ou seja, que permite polifonia, em vez de tirania, e com a possibilidade de ser simultaneamente uma gestão crítica (CLEGG, 2006). Uma crítica que possa ser, em termos de Porter, mais competitiva como produção de conhecimento.
Os críticos da gestão com foco econômico chamam a atenção para o descrédito de uma gestão baseada em razão instrumental, vista como sendo marcada pela ausência de razão prática baseada nos aspectos políticos e éticos. (ALVESSON e WILLMOTT, 1992). Porém, é exatamente sob a plataforma da razão
instrumental que Porter fundamenta sua argumentação sobre as melhores práticas de RSC. Ele o faz sem entrar em discussões sob o domínio da ética:
“Corporações precisam de uma bem-sucedida educação sobre a responsabilidade social, sobre saúde e igualdade de oportunidades que são essenciais para uma obra produtiva.” (PORTER e KRAMER, 2006)
Como observa Jones (2003), de acordo com Clegg (2006), a performance com que trata as questões de RSC envolve lógica de um sistema que reduz as questões da justiça para questões da eficiência. Portanto é como contraponto às vozes dominantes dentro do CMS, aos pesquisadores que dedicam os seus interesses para o desmantelamento do poder que a gestão exerce sobre os trabalhadores e outras partes interessadas, de forma que sejam anti-opressivas e emancipatórias (ALVESSON e WILLMOTT, 1992), que Porter se coloca.
Embora não exista um único melhor jeito (one best way) em administração, em nenhum país específico, e muito menos em nível global (MINTZBERG, 1998), Porter se utiliza de sua lógica econômica para prescrever uma melhor maneira de se abordar questões de RSC. Ele o faz, sem tecer considerações sobre valores, desnaturação na natureza humana, degradação ambiental ou questões sociais como problemas produzidos pelas grandes corporações e, ao fazê-lo, se transforma no representante das corporações. Isto alerta para a possibilidade de Porter se tornar referência acadêmica nesta área e posteriormente se transformar em uma única referência para o ensino de RSC.
O papel da pesquisa é descrever e não prescrever, o trabalho do pesquisador é auxiliar os profissionais a aprofundarem seu entendimento descritivo, oferecer discernimentos novos para que esses agentes, no seu contexto, possam ver o mundo mais claramente e, portanto, agir de maneira mais eficaz (MINTZBERG, 1998). Ao que tudo indica, não parece ser esse o objetivo de Porter em sua entrada pela área de RSC.
De acordo com Ghoshal (2005), Kurt Lewin pontua: “nada é tão prático como uma boa teoria" (1945: 129). A partir da mesma perspectiva, é possível inferir
na segunda categoria. É possível argumentar que a abordagem porteriana, em sua tentativa de se exportar conhecimento em RSC para outros países não contribui, de fato, para a compreensão de dinâmicas específicas. As carências das empresas em desenvolvimento são diferentes das empresas desenvolvidas assim como as necessidades de países em desenvolvimento são diferentes daquelas dos países desenvolvidos (MINTZBERG, 1998).
Depois de se apresentar a Revisão de Literatura selecionada para o propósito desta investigação, no capítulo a seguir, será introduzido o framework que se constituiu a partir dessa Revisão de Literatura até então abordada.
2.3 - Constituição de framework para pesquisa
À despeito da complexidade do tema RSC, o presente projeto toma como princípio que a literatura da área é partida ou polarizada; em um dos extremos, Porter e Kramer (2006); no outro extremo, a crítica do CMS (Critical Management Studies). Este trabalho busca contribuir para a produção de novas perspectivas críticas para a Responsabilidade Social Corporativa no Brasil que desafiem essa polarização através de um abordagem crítica que busca um engajamento com o mainstream, com a intenção de ajudar a produzir conhecimento acadêmico que seja relevante para o ensino de gestão. Para tanto, será investigada uma empresa híbrida do setor bancário do Brasil por se acreditar que empresas desta natureza são um locus mais apropriado à investigação de uma crítica engajada. Desta forma, este framework será utilizado para que se possa compreender até que ponto estes conteúdos críticos e mainstream são gerenciados nas estratégias de RSC da empresa híbrida a ser pesquisada.
Ao se buscar compreender como RSC é tratada em uma empresa híbrida do setor bancário no Brasil, investigando até que ponto os conteúdos críticos e mainstream convivem estratégias de RSC dentro de uma empresa híbrida e em que medida eles predominam torna-se fundamental o estabelecimento das “lentes” através das quais esta pesquisa deverá ser conduzida. Portanto, em primeiro lugar, é importante reconhecer aquilo que se compreendeu tanto como conteúdos mainstream como por conteúdos críticos.
Como abordado na seção 2.1.1, o conceito de estratégia é criado a partir de uma ênfase no foco econômico, isto é, desde sua origem a área de estratégia busca o desempenho econômico como premissa básica e desde o nascimento da área os ditos conteúdos mainstream são aqueles que se alinham a essa visão dominante.
Dentro desta perspectiva, a obra e Chandler torna-se fundamental para ampliar a compreensão sobre a evolução histórica daquilo que se intitulou “estratégia” em contraposição ao conceito de estrutura (CHANDLER, 1962). A necessidade de a Estratégia, desde o princípio, se afirmar como área do conhecimento, buscando cada vez mais objetividade na construção de seus pressupostos ajuda a mapear os porquês de uma predileção por uma abordagem eminentemente econômica.
A taxionomia proposta por Mintzberg também é de fundamental importância para que seja possível compreender a evolução histórica de a abordagem econômica da estratégia, e também localizá-la em uma perspectiva temporal. Depois de Chandler uma vasta literatura em estratégia focada na ênfase econômica surgiu nos Estados Unidos, estimulada principalmente pela produção acadêmica das escolas de negócios norte-americanas, em especial após o relatório de Gordon e Howell (1959). O relatório, que foi apresentado na seção 2.2.1, determinou que, filosoficamente esse foco no econômico positivista tomasse o racionalismo cartesiano como princípio e passou desde então a influenciar o mundo corporativo como um todo (MINTZBERG, 1998).
em especial seu constructo “as 5 forças competitivas”. Nele, o autor demonstra que, na luta pela fatia de mercado, a competição não se manifesta apenas na figura de outros participantes. Assim, são apresentadas cinco forças competitivas: clientes, fornecedores, novos entrantes, produtos substitutos, além dos concorrentes diretos.
O presente projeto sustenta que Porter adentra a área de RSC, trazendo uma “bagagem” também predominantemente econômica. O artigo escrito por ele, em 2006, “Strategy and Society: The link between competitive advantage and Corporate Social Responsibility” é tratado como uma espécie de divisor de águas em termos de literatura sobre RSC. Isso porque no texto de Porter é possível observar elementos do discurso da abordagem ecônomica como “vantagem competitiva” migrarem para a área de RSC trazendo toda a lógica econômica porteriana e, com ela, o perigo de se tornar a abordagem dominante.
É possível também inferir que o texto se propõe a ser um guia para as empresas que buscam despertar para a emergência da RSC. Aqui toda a base argumentativa parece se assemelhar ao conceito das 5 forças, de agir como um mapa de análise sobre o potencial do negócio e localização da empresa dentro do ambiente competitivo, em outras palavras, tratar RSC como uma estratégia de diferenciação. Ao que parece, RSC é compreendida como mais uma força competitiva.
Porter segue argumentando sobre a importância do que ele chama valores compartilhados, valores no sentido financeiro da palavra, ou seja, escolhas que devem beneficiar ambas as partes. Mais uma vez parece que a lógica porteriana de ambientes competitivos surge como base para a elaboração do modelo de RSC: “Em qual categoria uma determinada questão social cairá, varia de unidade de negócios a unidade de negócios, de indústria a indústria, e de um lugar para outro.” (PORTER e KRAMER, 2006).
Porter emerge como uma voz dentro do tema Responsabilidade Social Corporativa. O texto se referencia basicamente no objetivo de otimização do resultado econômico, não prevendo a incorporação de dimensões como valores,
por exemplo. Porter e Kramer (2006) representam a proliferação de estratégias de RSC orientadas para o mercado (FARIA et al, 2008). Será que o discurso porteriano predominaria dentro de uma empresa híbrida?
Em paralelo e, em contraposição à essa visão emergente, porteriana de RSC, compreende-se como conteúdos críticos, aqueles em que há um ataque direto à abordagem econômica, porém, não apenas um ataque às máximas prescritivas como pobres guias de ação, e muito pouco eficazes, como abordado por Mintzberg (1998). De fato, esse ataque à instrumentalidade como premissa econômico-funcionalista se preocupa muito mais com o discurso sobre a “verdade estratégica”, não só sobre seus efeitos ideológicos mas também no intuito de investigar a fundo os efeitos nos indivíduos que agem de acordo com os preceitos da gestão estratégica (ALVESSON e WILLMOTT, 2003).
Esse status de ciência cada vez mais atribuído à àrea de estratégia gerou uma forma de pensamento que tenta simplificar fenômenos complexos sob rótulos aparentemente auto-evidentes, como por exemplo as teorias sobre vantagem competitiva, estratégia e gestão do planejamento.
O interesse da abordagem crítica reside nas implicações que essa predominância e predileção ao econômico podem trazer para além do cenário meramente competitivo. Desta forma, questões como problemas do ser humano, legitimação da acumulação capitalista e desenvolvimento de uma sociedade mais civilizada, cuidada e justa são o foco desta abordagem.
A abordagem crítica em administração e denominação “crítico” é consequência sa difusão da então chamada Teoria Crítica. Esta, desde sua origem atravessou vários campos das ciências sociais, tendo logo aparecido os teóricos críticos em administração, especialmente na área de estudos organizacionais, opondo-se ao maistream funcionalista (VIEIRA e CALDAS, 2006). Um desses grupos de teóricos que é hoje conhecido como CMS (Critical Management Studies), elaborou seus próprios parâmetros e fronteiras do que seria ou não crítico (ALVESSON e WILLMOTT, 1992). É ao pensamento crítico do CMS que este
Trata-se de uma crítica à forma de raciocínio iminentemente prático e objetivo ao qual a estratégia corporativa é condicionada e que contribui para a constituição de estruturas político-econômicas que se estendem para além das fronteiras de qualquer organização (ALVESSON e WILLMOTT, 2003). Em suma, em uma visão crítica observa-se a impossibilidade de pensar estratégia sem pensar em suas implicações além dos objetivos mercadológicos.
Autores como Habermas e Gramci são de fundamental importância para que se possa compreender com mais profundidade alguns dos principais indicadores de um pensamento crítico e para que seja possível estabelecer um contraponto à visão dominante do mainstream. De acordo com Alvesson e Willmott (2003), a Teoria Crítica chama a atenção para a predominância de uma racionalidade técnica obcecada com a ostensivamente eficaz, inquestionável perseguição dos objetivos, e às tentativas de reavivar um debate da sociedade em torno de objetivos e valores.
2.3.2 - Os conteúdos plurais e políticos
Para que seja possível dimensionar o continuum através do qual este framework se configura foi importante acrescentar outras abordagens que contribuam para se tenha uma análise mais profunda das questões propostas nesta investigação. Desta forma, as abordagens plurais e políticas cumprem este propósito.
Vários autores que adotam uma abordagem plural admitem que a concepção de estratégia em uma abordagem eminentemente econômica pode conter falhas, e que o processo como é defendido na escola clássica de pensamento não pode ser compreendido como única alternativa (WHITTINGTON, 1993).
Aqui, serão utilizados, por uma questão de importância histórica e coerência com o propósito deste trabalho, dois autores: Henry Mintzberg e Richard Whittington. Deles, foram escolhidos dois constructos representativos para que se possa
estabelecer, de forma resumida, as contribuições das Estratégias Plurais. De Mintzberg, o conceito de Pensamento Estratégico (MINTZBERG, 1994) e de Whittington, o conceito de Matriz (WHITTINGTON, 1993).
Mintzberg (1994) argumenta que a melhor estratégia é aquela caracterizada como um fenômeno organizacional emergente, o que se contrapõe ao conceito de fenômeno planejado, como o defendido pela ênfase porteriana. O autor pontua a diferença entre a concepção de pensamento estratégico e planejamento estratégico, sendo esse último, como visto, amplamente adotado no mainstream.
Pensamento estratégico, ao contrário do planejamento estratégico, que prioriza a análise, diz respeito à capacidade de síntese, no sentido de comprender que os planejadores deveriam atuar como catalisadores que suportam quem faz a estratégia e não como aqueles que do alto de sua sabedoria as formulam de uma forma prescritiva e incontestável. Em relação à organização híbrida, as estratégias de RSC, sejam elas com foco econômico ou com abordagem crítica emergem como sugerido por Mintzberg (1994)?
Ainda nas abordagens plurais, a Matriz de Whittington, representa um enorme avanço em relação ao conservadorismo do modelo econômico, porque é a partir desta matriz proposta por Whittington que a abordagem econômica dominante passa a ser vista como apenas um dos quadrantes de possibilidades de formulação de estratégias. Na matriz, o autor sugere a Abordagem Sistêmica – trata-se de uma teoria de característica relativista, tendo em vista os meios e fins, capaz de avaliar a estratégia relacionada com culturas e forças sociais locais onde está aplicada. Nesta abordagem, aqueles que tomam decisões não são indivíduos imparciais e calculistas, mas pessoas enraizadas em sistemas sociais, definindo suas estratégias a partir não apenas das forças de mercado, mas das condições socio-políticas e situacionais. A perspectiva sistêmica sugere exatamente o oposto ao individualismo heróico dos visionários, para os sistêmicos, liderança é mais do que mera inserção de uma estratégia ao ambiente de mercado; trata-se de inserir a si mesmo no ambiente social (WHITTINGTON, 2002). Será que a empresa híbrida é um locus apropriado a essa abordagem?
Será utilizada também à propósito deste framework, as abordagens políticas da estratégia. Por razões óbvias, em se tratando de uma empresa cujo capital também pertence ao Estado, é possível argumentar que o setor público tem um papel importante como fator externo na formulação de estratégias do setor privado, tendo as políticas governamentais até o poder de limitar a mobilidade do capital e do trabalho. As novas iniciativas do setor público podem moldar as