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3. STUDY POPULATION AND METHODS

5.1 Methodological considerations

5.1.3 Information bias

culturas e forças sociais locais onde está aplicada. Nesta abordagem, aqueles que tomam decisões não são indivíduos imparciais e calculistas, mas pessoas enraizadas em sistemas sociais, definindo suas estratégias a partir não apenas das forças de mercado, mas das condições socio-políticas e situacionais. A

perspectiva sistêmica sugere exatamente o oposto ao individualismo heróico dos visionários. Para os sistêmicos, liderança é mais do que a mera inserção de uma estratégia ao ambiente de mercado; trata-se de inserir a si mesmo no ambiente social (WHITTINGTON, 2002). São autores desta abordagem Granovetter e Marris.

Como o próprio Whittington ressalta, estas abordagens não são totalmente estanques na sua aplicação. Há casos extremos que podem ser discutidos, mas na sua maioria, as estratégias pendem para alguma direção, sem, no entanto, estarem completamente conectadas a um só modelo ou abordagem específica, o que, em última análise, sintetiza o próprio conceito de pluralismo.

2.1.2.2 - Abordagens Políticas

Dando continuidade ao estudo sobre abordagens da estratégia sob o foco social, serão apresentadas agora as abordagens que incorporam as dimensões de natureza política às suas análises.

A literatura tradicional sobre estratégia não parece focalizar explicitamente as interações entre estratégia e políticas. Como visto no modelo de estratégia de Porter, por exemplo, são identificadas apenas 5 forças de mercado, tendo sido ignoradas as políticas públicas como um fator importante (BAILEY, 1999). Este capítulo explora esta inter- relação.

De acordo com esta abordagem, o setor público tem um papel importante como fator externo na formulação de estratégias do setor privado, tendo as políticas governamentais o poder de até limitar a mobilidade do capital e do trabalho. As novas iniciativas do setor público podem moldar as oportunidades de negócios no mercado e, por sua vez, as novas iniciativas de negócios muitas vezes exigem aprovação governamental (AKTOUF, 2002). Da mesma forma a escolha da estratégia depende de variáveis como as políticas de redução ou aumento de regulamentação e de como isso afetará a empresa e aos concorrentes.

Assim, se as políticas públicas, como pontua Elizabeth Bailey, definem “o campo do jogo” (BAILEY, 1999), os gerentes, ao avaliar suas posições estratégicas devem se perguntar quais as oportunidades criadas e possíveis conseqüências das políticas propostas, como também se sua atuação deve ser arrojada ou conservadora em relação à uma iniciativa de política pública, ou ainda, se devem adotar uma posição individual ou uma ação coletiva.

O gerente consciente da importância da dimensão política, busca se questionar de que forma ele pode influenciar na agenda social ou governamental. As respostas a esses questionamentos exigem compreensão da interação entre políticas públicas e estratégias do setor privado. Torna-se claro, portanto, a importância de que em seu planejamento estratégico, os gerentes desenvolvam uma conexão entre as preocupações que se originam fora da empresa e as estratégias de mercado a serem adotadas pela mesma. Em resumo, a interação estratégica entre os setores público e privado precisa ser compreendida como um impulsionador dinâmico de vantagem competitiva (BAILEY, 1999).

Aktouf (2002) também observa que há importantes vínculos entre estratégia privada e políticas públicas como, por exemplo: as políticas de regulamentação que podem determinar a entrada um concorrente; a política antitruste que é capaz de influenciar o grau de rivalidade entre empresas concorrentes; as leis trabalhistas que influem diretamente nos custos e, como conseqüência, na competitividade da empresa; a política de comércio que pode determinar o grau de rivalidade entre empresas internacionais, etc (AKTOUF, 2002).

Aktouf, ainda em um paralelo entre a abordagem econômica da estratégia e a abordagem política, observa que a maximização da economia junto com a busca pela vantagem competitiva em todos os setores tem desenvolvido um sistema onde tudo parece estar voltado a ser estratégico e competitivo (AKTOUF, 2002). Segundo ele, Porter, por exemplo, a partir de observações empíricas limitadas e generalizando sem provas, tenta transpor para o nível das nações aquilo que ele deduziu a partir de simples casos de empresas. Por outro lado, em um mercado globalizado, as influências locais e internacionais das políticas são inúmeras. Porter parece desconsiderar essas questões ao estimular uma competitividade

generalizada e uma corrida às vantagens competitivas que não são complementares, equilibradas, visando um bem-estar social recíproco (AKTOUF, 2002). Mesmo Mintzberg, oposicionista à idéia de planejamento estratégico proposto por Porter, em sua avaliação sobre Poder Macro e Micro (1998), conclui que a formação de estratégias sofre influências políticas intra e entre organizações. Porém, praticamente despreza a influência do Poder Público em sua análise, mesmo quando aceita a troca da expressão “mercado” pela expressão “ambiente” proposta por Pfeiffer e Salanick (AKTOUF, 2002).

No início dos anos 30, houve uma maior regulamentação econômica dos setores de infra-estrutura, transportes, telecomunicações e energia. Ao longo do tempo, o peso da “mão” da regulamentação econômica se fez sentir e o sistema regulador começou a emperrar. Até que, em meados da década de 70, surge a “onda” de reformas das regras econômicas de desregulamentações (BAILEY, 1999).

As mudanças políticas, em uma primeira leitura, podem parecer aleatórias e talvez erráticas aos olhos dos gerentes, mas existem muitos padrões claros dessas mudanças. Entendendo esses padrões, os gerentes podem prever melhor as futuras mudanças políticas. Duas importantes tendências do setor público nos últimos 25 anos podem ser observadas. São elas a reforma das regulamentações econômicas, desregulamentação e privatização e o aumento significativo no ativismo social e ambiental (BAILEY, 1999).

Depois de observadas as abordagens plurais e agora as abordagens políticas, dentro da abordagem da estratégia com foco social e, em contraposição à abordagem com foco econômico, também é importante acrescentar que estratégia, muitas vezes também pode se tornar um instrumento ideológico para que os gerentes imponham seus estratagemas através de teias discursivas e construam aquilo que pode ser entendido como o mito da comunhão dos objetivos organizacionais (ALVESSON e WILLMOTT, 2003). Em função disso, Gestão Estratégica merece investigação crítica cuidadosa pois tem assumido uma posição dominante no discurso gerencial e se tornado um modelo de decisão de processos em uma ampla gama de organizações para além do setor privado.

(ALVESSON e WILLMOTT, 2003). Algumas dessas investigações críticas serão abordadas no capítulo a seguir.

2.1.2.3 - Abordagens Críticas

A abordagem crítica em administração é consequência da difusão da então chamada Teoria Crítica (TC). Esta, desde sua origem, atravessou vários campos das ciências sociais, tendo logo aparecido os teóricos críticos em administração, especialmente na área de estudos organizacionais, opondo-se à abordagem econômica da estratégia (VIEIRA e CALDAS, 2006). Um desses grupos de teóricos hoje conhecido como Estudos Críticos em Administração (Critical Management Studies), que será abordado na seção 2.2.2, elaborou seus próprios parâmetros e fronteiras daquilo que seria considerado “crítico“ (ALVESSON e WILLMOTT, 1992).

No Brasil, na área de administração, há uma tradição de pensamento crítico muito embora ele não seja mainstream. De acordo com Vieira e Caldas (2006), este movimento foi iniciado por autores como Alberto Guerreiro Ramos (1989, 1996), Maurício Tragtemberg (1971, 1980, 1980), Fernando Cláudio Prestes Motta (1985, 1986, 1987, 1988, 1990). Dentre os contemporâneos, Tenório (ver 2002, 2004), Paula (2001, 2002, 2004, 2005), Faria (2001, 2004, 2005), Mizoczky (2002), Vieira e Vieira (2004), Davel e Alcadipane (2002, 2003) são alguns autores que se destacam.

O termo “teoria crítica” surge na então denominada Escola de Frankfurt, nome dado ao grupo de filósofos e cientistas sociais de tendências marxistas que se encontram no final dos anos 1920. Este grupo emergiu do Instituto para Pesquisa Social de Frankfurt (Institut für Sozialforschung) da Universidade de Frankfurt- am-Main na Alemanha. Em 1931, Max Horkheimer, discípulo de Guile, tornou- se diretor do Instituto e, a partir de sua gestão, se desenvolveu aquilo que ficou conhecido como a Teoria Crítica da Sociedade, comumente associada à Escola de Frankfurt.

Horkheimer é o primeiro a utilizar o termo teoria crítica no livro Teoria Tradicional e Teoria Crítica, de 1937. Nele, o autor deixa explícito que produz teoria crítica todo aquele que quer continuar a obra de Marx. De acordo com Vieira e Caldas (2006), ao fazê-lo, Horkheimer define o campo teórico da teoria crítica como o marxismo.

A primeira obra coletiva dos frankfurtianos são os Estudos sobre Autoridade e Família, onde é feito um diagnóstico da estabilidade social e cultural das sociedades burguesas contemporâneas. Em 1947, é publicada a Dialética do Esclarecimento e, em 1949-1950 são publicados os Estudos sobre o Preconceito. Com Erich Fromm e Herbert Marcuse inicia-se uma frente de trabalho que associa a Teoria Crítica da Sociedade à psicanálise. Adorno continuará o trabalho iniciado na Dialética do Esclarecimento, de reformulação da dialética da razão ocidental, em sua Dialética Negativa. Com a sua morte, começa o que alguns chamam de segundo período da Escola de Frankfurt, tendo como principal articulador o antes assistente de Adorno e, depois, seu crítico mais ferrenho: Jürgen Habermas.

De acordo com Vizeu (2005), a Teoria Crítica observa que a promessa iluminista de libertação através da razão se viu comprometida pela maneira como o racionalismo se operacionalizou, sob a forma de racionalidade instrumental. A racionalidade tem sido uma questão fundamental das teorias administrativas e organizacionais desde seus adventos como campo de conhecimento sistematizado.

No campo da filosofia moderna, a racionalidade esboçada pelo iluminismo era observada como possibilidade de emancipação humana. No campo intelectual, o projeto iluminista pretendia a libertação da dominação mítica, de Deus, por meio da auto-consciência e da secularização (VIZEU, 2005) que significa transformar fatos, crenças, instituições e pessoas que estavam sob o domínio religioso para o regime leigo. Porém, como pontua Vizeu (2005) sobre pensamento de Adorno e Horkheimer (1985), de acordo com a Teoria Crítica, em função de suas prerrogativas epistemológicas como previsão, controle e determinismo, o projeto

iluminista de emancipação se volta contra o homem à medida em que se constitui um sistema fechado em si mesmo.

Vizeu (2005), complementa que na Teoria Crítica, enquanto norma social, a racionalidade “instrumenta”, daí o significado de racionalidade instrumental, e promove o progresso e bem-estar de todos. Por outro lado, impede a consciência da dominação que o capitalismo inflige sobre os homens. Este é o sentido da dialética do esclarecimento, como observa novamente Vizeu (2005), de acordo com Adorno e Horkheimer (1985).

Segundo Alvesson e Willmott (2003), a Teoria Crítica chama a atenção para a predominância de uma racionalidade técnica obcecada com a ostensivamente eficaz e inquestionável perseguição dos objetivos, e busca reavivar na sociedade um debate em torno de objetivos e valores. A reflexão de Grey (2004) no trecho abaixo reforça este pensamento:

“Se não existe a técnica separada de valor, o que exatamente estamos entregando aos nossos alunos? Prometemos algo ilusório. Talvez gestão nem seja uma profissão”. (GREY, 2004)

Como enfatiza Enriquez (1997), de acordo com Vizeu (2005), o modelo de empresa capitalista dado como função da razão instrumental também serve como meio de desnaturação da condição humana nas relações sociais, pois condiciona o sentido de comunidade à evidência de vantagem econômica, sendo todas as outras dimensões humanas suplantadas pela esfera econômica.

A Teoria Crítica observa ainda que gestão estratégica é vista como um conjunto de práticas e discursos embutindo assimétricas relações de poder no âmbito mais vasto, e que sistematicamente privilegia os interesses e pontos de vista de alguns grupos, enquanto provoca o silenciamento e a marginalização de outros (ALVESSON e WILLMOTT, 2003). Como foi observado anteriormente por Bertero (2003), no Brasil, a produção acadêmica na área de administração estratégica é influenciada por uma literatura gerencial funcionalista guiada por

um interesse técnico, que é, como será visto nesta seção um dos interesses que movem a produção de conhecimento, segundo Habermas (1982) e, de acordo com Rodrigues Filho (2004).

O projeto da Escola de Frankfurt é o de justamente buscar uma saída para a emancipação pela razão de uma forma não instrumental. O conceito de emancipação está no centro da Teoria Crítica. Milano e Caldas (2006) enumeram dois princípios básicos da Teoria Crítica expostos pela primeira vez por Horkheimer (1990). São eles:

1. Orientação para a emancipação do homem na sociedade, que permite compreendê-la e agir, não se limitando apenas à compreensão do mundo, mas se propondo a examina-lo visando possibilidades.

2. Manutenção do comportamento crítico através do qual o teórico crítico mantém e realimenta seu comportamento crítico frente a tudo que existe, sem se confrontar com o que é dado como descrição do real.

Dentro de uma perspectiva emancipatória, a Teoria Crítica tem como base o seguinte postulado: “é impossível mostrar as coisas como elas são senão a partir da perspectiva de como elas deveriam ser. E, aquilo que “deve ser” se refere às possibilidades não realizadas pelo mundo social” (VIEIRA e CALDAS, 2006).

A Teoria Crítica se concentra, portanto, na análise sobre as potencialidades do mundo. Para isso, busca identificar dois grupos distintos: os agentes de permanência dos obstáculos à realização das potencialidades do mundo e os agentes potenciais da ação que permitem a superação desses obstáculos (VIEIRA e CALDAS, 2006).

O interesse da abordagem crítica no campo da administração reside nas implicações que a predominância e predileção ao foco econômico podem trazer para além do cenário meramente competitivo. É a partir do objetivo de se compreender a área de estratégia através de uma abordagem mais ampla, que a

este propósito, exatamente por se situar em um campo interdisciplinar e lidar com dicotomias como o progresso econômico versus progresso social (ALVESSON e WILLMOTT, 1996). Desta forma, questões como problemas do ser humano, legitimação da acumulação capitalista e desenvolvimento de uma sociedade mais civilizada, cuidada e justa, são o foco da abordagem crítica do autor.

Duas obras de Habermas foram escolhidas para o propósito desta dissertação: “Conhecimento e Interesse”, publicada em 1960 e “Teoria da Ação Comunicativa” (TAC), de 1981.

De acordo com Rodrigues Filho (2004), em Conhecimento e Interesse, Habermas busca investigar os interesses que guiam a produção de conhecimento, o que Habermas denominou de interesses constitutivos do conhecimento. Ao fazê-lo, ele estabelece uma distinção entre três formas de conhecimento: o interesse técnico, o interesse prático e o interesse emancipatório. Ainda nessa seção, da produção de conhecimento, ele classifica os processos de pesquisa em três categorias:

1. pesquisas do campo das ciências positivistas, que reproduzem o interesse pelo conhecimento técnico através da produção de conhecimento instrumental; 2. métodos de pesquisa interpretativos, que são motivados por interesses práticos de interpretação ou entendimento e que reproduzem também os conhecimentos práticos;

3. pesquisas em ciências sociais críticas, métodos da Teoria Crítica, que reproduzem um interesse emancipatório e conseqüentemente uma espécie de conhecimento que busca uma atitude reflexiva.

Portanto, se a retórica dominante em administração estratégica está enraizada no paradigma gerencial funcionalista, enfatizando uma racionalidade instrumental, a proposta reflexiva habermasiana torna-se um contraponto fundamental. O pensamento crítico nos impulsiona a questionar a universalidade de chefia, seus interesses e trazer à superfície conflitos latentes (ALVESSON e WILLMOTT, 2003).

De acordo com Vizeu (2005), em Teoria da Ação Comunicativa (TAC), Habermas tem como foco a relação intersubjetiva entre um sujeito e outro. Herdeiro da Escola de Frankfurt, ele segue, neste trabalho, dando continuidade à idéia de busca da emancipação pela razão. A partir dessa perspectiva, torna-se fundamental, então, entender e identificar o que é preciso para o estabelecimento de uma nova ciência da organização calcada na ciência social substantiva e não na ciência social formal (RAMOS, 1980). Assim, a Teoria Crítica detém a promessa de desvelar pressupostos e ideologias embutidos no discurso e na prática da estratégia. Nesta obra, Habermas opera a Teoria Crítica no sentido da linguagem ao propor que esse caráter emancipatório da razão deve ser percebido pela relação intersubjetiva que os participantes de uma mesma comunidade assumem, onde a comunicação tem papel central, entendida como princípio ordenador da vida humana associada (VIZEU, 2005). Desta forma a TAC adota a concepção de ação social como um processo de interação constituído pela interpretação e entendimento lingüístico, tendo a linguagem como paradigma capaz de dar solução ao problema da relação entre individualização e socialização. Esse entendimento é alcançado pela razão, no sentido substantivo, que capacita os seres humanos a compreenderem as variedades históricas da condição humana, não permitindo que seja ofuscado o senso comum pela disposição moderna (RAMOS, 1980, p: 46).

Vizeu (2005) observa ainda que, em Teoria da Ação Comunicativa (1989), Habermas efetua o que ele chama de reconstrução racional do ato da fala através do que ele intitulou “paradigmática universal”. Este conceito sinaliza as pretensões de validação universais que em princípio estão no ato da fala e que permitem o compartilhamento pleno de significados entre os participantes da interação. Esses atos da fala racionais, segundo Habermas, pressupõem crítica e fundamentação a partir de quatro pontos, a saber.

1. verdade proposicional - significa que aquilo que se faz é racional porque é baseado numa verdade factual;

3. retidão - significa que toda fala ou ação pressupõe fundamentação moral; 4. inteligibilidade - toda fala ou ação do sujeito somente pode ser criticada e passível de fundamentação se o seu discurso for compreensível ao ouvinte.

Para Habermas, a comunicação somente será plena quando esses quatro quesitos forem cumpridos (VIZEU, 2005) e, a partir desse quadro epistemológico, ele explica dois tipos básicos de ação racional quais sejam:

1. ação racional instrumental – se dá quando um sujeito intervém na realidade objetiva (relação sujeito-objeto) e onde o principal fator de efetividade é a eficiência (economia de recursos no atingimento dos objetivos). É um tipo de ação racional justificada por sua base em resultados objetivos (êxito da eficácia da ação), medido em termos de eficiência técnica no uso dos meios;

2. ação racional comunicativa – onde se consideram agentes linguisticamente competentes, onde a racionalidade consiste no uso de argumentos válidos, capazes de fundamentar as proposições e os enunciados considerados na interação comunicativa. A legitimidade dos argumentos é tida através da satisfação de todas as pretensões de validade. Neste modelo de ação, há o que o autor denomina orientação dialógica, isto é, há uma coordenação mútua entre os participantes da ação, pois ela se dá em função da capacidade comunicativa, recurso disponível a todos os participantes.

Ainda de acordo com Vizeu (2005), a crítica de Habermas é sobre uma orientação racional instrumental que prevaleça em uma relação social, onde o critério de racionalidade é o êxito e não o entendimento real dos significados. Este tipo de ação racional denominada estratégica (VIZEU, 2005) se dá através da perspectiva de apenas um dos participantes, ou seja, o agente da ação racional, sendo o outro considerado somente um meio para a obtenção do êxito.

A grande contribuição de Habermas parece ter sido a de assumir uma posição diferente de seus predecessores na Escola de Frankfurt. Ao deslocar o núcleo explicativo da filosofia para a sociologia (VIZEU, 2005), seu objeto de análise passa a ser as relações sociais entre os sujeitos. Esta é uma mudança

paradigmática que busca solucionar o problema da razão através de uma teoria crítica que se opera no sentido da filosofia da linguagem.

Desta forma, a ênfase, tanto sobre a intenção e produção do conhecimento, quanto sobre a relação intersubjetiva dos sujeitos, se propõe a compreender todas as nuances que estão por trás do discurso utilizado pela elite administrativa como forma de manutenção de poder e que tem reforçado expressões como “vantagens competitivas” ou “competências essenciais”, oriundas principalmente das escolas americanas que, não por acaso, são reproduzidas pelo sistema de formação dos estrategistas dentro de uma abordagem com foco econômico.

Vizeu (2005) pontua que Habermas busca desconstruir o processo de formulação da estratégia e, para tanto, focaliza sua preocupação muito mais em como os gestores assumem e mantêm o monopólio daquilo que têm, do que necessariamente em uma crítica à eficiência de determinados modelos prescritivos. O autor procura compreender de que forma determinados pressupostos se tornam institucionalizados como estratégicos e, conseqüentemente, passam a assumir um caráter de responsabilidade decisória.

Como se pôde observar, a Teoria Critica se preocupa com as implicações da atividade gerencial para além do cenário competitivo. Entretanto, a abordagem crítica não se encerra na investigação dos autores que se utilizam da TC como base. Para ampliar o escopo dessa investigação, será estudado um outro teórico- crítico que, assim como Habermas, também converge no sentido de uma visão emancipatória de propósitos: Antônio Gramsci. A escolha de Gramsci torna-se apropriada, pois, tendo ele muitos pontos de comunhão e também diferenças com a Teoria Crítica (ALVESSON e WILLMOTT, 2003) pode-se refletir sobre