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Two characteristic factors for metaphoric drawing

A evapotranspiração diária da cana-de-açúcar (ETc) e de referência (ETo), durante todo o ciclo de cultivo, atingiram médias iguais a 5,31±1,02 e 4,78±1,03 mm, respectivamente (Figura 27), mostrando que a demanda hídrica da cultura é superior à de referência.

Figura 27 – Valores diários de evapotranspiração de referência e da cultura, ao longo do ciclo de cultivo da cana-de-açúcar, na microrregião de Teresina, Piauí. 2013/2014.

Na Fase I (brotação e estabelecimento da cultura), a ETo toma-se crescente por aproximar-se do período com registros de temperaturas mais elevadas, na região (mês de outubro), no entanto não registrou-se dados de ETc por ainda os equipamentos que o faz ainda não tinham sido instalados no campo experimental, sendo possível a quantificação da ETc somente a partir dos 98 DAC.

Na fase em que a cultura atinge seu crescimento mais acelerado (Fase II), iniciou-se o monitoramento das variáveis micrometeorológicas utilizadas na estimativa da ETc, por meio de balanço de energia, baseado na razão de Bowen. Os valores de ETc nesta fase concederam uma média diária de 5,13±1,16 mm, variando de 1,96 a 6,8 mm por dia. Carmo (2013) quantificando por razão de Bowen a ETc da cana-de- açúcar, no Submédio do Vale do São Francisco, encontrou, para a mesma fase, valores diários alternando entre 2,1 e 7,4 mm, com média igual a 4,1±1,22 mm. Apesar da ETc diária do autor flutuar em valores superiores aos encontrados nesse trabalho,

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sua média tornou-se inferior por terem ocorrido mais dias nublados, com menor disponibilidade de saldo de radiação que nas condições desta pesquisa. A alta variação de ETc deste trabalho, para a Fase II, deve-se ao fato de coincidir com o início do período das chuvas, quando há dias ensolarados e outros nublados (e/ou chuvosos).

Na Fase III, que a cultura possui maior demanda hídrica, é perceptível que o conjunto de pontos referentes à ETc diária, oscilando de 1,99 a 7,47 mm, localiza- se acima do conjunto de dados da ETo, expondo a confirmação de que a exigência em água, da cana-de-açúcar (5,32±1,17 mm), é superior à da cultura referência (4,14±0,8 mm) nessa fase.

A fase de maturação fisiológica da cultura (Fase IV) proporciona um decréscimo no seu requerimento d’água, porém nessa fase, os valores de ETc mostraram-se levemente maiores aos da fase anterior, tomando uma média diária de 5,37±0,82 mm, com oscilações entre 1,98 e 6,46 mm. O suave aumento médio da ETc foi ocasionado pela elevação da média diária de ETo (4,98±0,77 mm). O desvio padrão da amostra de ETc nessa fase apresentou uma redução, quando comparado com as anteriores, porque a grande maioria dos dias permaneceram parcialmente ensolarados, restando poucos dias nublados ou parcialmente nublados.

O coeficiente de claridade, na região em estudo, apresentou, em regressão linear com a evapotranspiração da cultura da cana-de-açúcar, um coeficiente de determinação equacionado em 0,66, contemplando que a ETc possui uma dependência considerável da radiação disponível à superfície terrestre (Figura 28).

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Figura 28 – Relação entre a evapotranspiração da cultura (ETc) e o coeficiente de claridade (Kt), ao longo do ciclo de cultivo da cana-de-açúcar, na microrregião de Teresina, Piauí. 2013/2014.

Na Figura 29 são apresentados os valores diários do coeficiente de cultura (Kc) para a cana-de-açúcar, durante todo seu ciclo de cultivo (média igual a 1,13±0,19), em função do número de dias após o corte (DAC). Em trabalho realizado na região costeira da Paraíba, com cana-de-açúcar de primeira soca, Silva et al. (2012) mensuraram o Kc da cultura, obtendo média para o ciclo de 0,9, inferior à do presente estudo. No entanto, considerando apenas as fases de rápido crescimento (F II), maior demanda hídrica (F III) e maturação (F IV), tal como realizada neste trabalho, a média ajustada do Kc foi igual a 1,08.

Os dados expressos em linhas contínuas, separados por estádios de desenvolvimento fenológico (Fases I, II, III e IV), correspondem ao Kc recomendado pela FAO (ALLEN et al., 1998). Os dados representados por círculos referem-se ao Kc obtido, neste estudo, pela relação entre ETc (estimada por meio do balanço de energia com base na razão de Bowen) e ETo (a partir de estação agrometeorológica automática).

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Percebe-se que há, na Figura 29 (A), três consideráveis intervalos de tempo, onde inexistem apontamentos de Kc por razão de Bowen, já que foram dias considerados inválidos; apesar disso, ao serem inseridos no gráfico (Figura 29 B), nota-se que esses dados, mesmo que considerados fisicamente inválidos, têm um desempenho coerente, não tomando-se discrepantes dos considerados válidos, o que significa que os erros decorrentes invalidaram apenas a parte físico-matemática do processo, desconsiderando, parcialmente, a resposta fisiológica da planta à demanda evapotranspirativa da atmosfera.

Do corte do ciclo anterior aos 60 DAC (Fase I), a demanda da cultura por água ainda é baixa (decorrente da própria cultura, que ainda está rebrotando e pouco desenvolvida), nessa fase o Kc adotado pela FAO porta-se fixo, igual a 0,4 e ajustada nas condições do presente trabalho em 0,6.

Na Fase II, como o crescimento da cultura revela-se acelerado (Figuras 12 e 13), o Kc torna-se progressivo, com valores de 0,88 a 1,19, com média, até os 180 DAC igual a 0,9±0,13. Win, Zamora e Thein (2014) encontraram valores inferiores de Kc, na fase de rápido desenvolvimento (média de 0,81), na Cidade de Pyinmana, Myanmar, no sul da Ásia continental. Por outro lado, Silva et al. (2012), ao avaliar cultivar de ciclo médio-tardio, nas condições climáticas semiáridas do Submédio São Francisco, obtiveram valores de Kc mais aproximados aos obtidos no presente estudo, embora que ainda um pouco inferiores, obtiveram para essa fase, aumento no Kc de 0,85 para 1,0. Nesta mesma fase obteve-se valores mais altos que os dos demais autores, por não ter sido monitorado o período inicial, no qual encontram-se, em teoria, os menores valores de Kc, o que elevou a estimativa do Kc médio da fase II.

Na Fase III, quando a cultura atinge seu máximo crescimento vegetativo e requerimento hídrico, obteve-se Kc oscilando entre 1,19 e 1,39, com média de 1,32±0,14. Valores de Kc inferiores foram obtidos por Inman-Bamber e McGlinchey (2003) e Win, Zamora e Thein (2014), que ao estimar o Kc da cana-de-açúcar, por razão de Bowen, no Distrito de Burdekin, nordeste da Austrália, e em Pyinmana, Myanmar, respectivamente, obtiveram valor médio de Kc na fase III igual a 1,25, tal como recomenda a FAO. O Kc encontrado neste estudo, para essa fase, foi superior, quando comparado com os autores citados e a FAO, porque nossas condições climáticas possuem maior poder evapotranspirativo.

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Na Fase IV, por fundamento fisiológico da cana-de-açúcar, a necessidade hídrica tende a diminuir até a colheita. Assim, o Kc da cultura reduziu de 1,2 até atingir 0,82 (média de 1,07±0,15, que permaneceu até o final do ciclo de cultivo, valor superior ao recomendado pela FAO (0,75). Iaia (2014), ao avaliar cultivares de cana- de-açúcar, inclusive a RB867515, em São José do Rio Claro, no cerrado mato- grossense, encontrou na fase de maturação valores de Kc próximos aos deste trabalho, com variação de Kc de 1,1 a 0,8.

Figura 29 – Valores diários de coeficiente de cultura (Kc) ao longo do ciclo da cana-de-açúcar recomendado pela FAO e obtido por balanço de energia com base na razão de Bowen, para os dias considerados válidos (A) e todos os dias monitorados, bem como Kc ajustado (B), para a microrregião de Teresina, Piauí. 2013/2014.

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A evapotranspiração da cultura da cana-de-açúcar diária variou ao longo do ciclo de cultivo de 1,96 a 7,47 mm, perfazendo uma média de 5,31±1,03 mm. Nassif, Marin e Costa (2014), ao avaliar a 2ª soca de cana-de-açúcar irrigada por gotejamento, em Piracicaba, no Estado de São Paulo, encontrou uma média diária igual a 5,2 mm, ao longo do ciclo de 365 dias.

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5 CONCLUSÕES

O conteúdo de água no solo, em praticamente todo o período de monitoramento, manteve-se acima do armazenamento crítico (50% da água disponível), não restringindo o desenvolvimento e a demanda hídrica da cultura.

Os padrões de desenvolvimento da cana-de-açúcar, na microrregião de Teresina, apresentaram-se dentro da faixa considerada normal para a cultivar RB867515.

O colmo da cultura apresentou diâmetro estável e crescimento linear ao longo do ciclo, bem como a biomassa seca da planta, o número de folhas e a área foliar obtiveram menores valores no início e foram máximos no terço médio do ciclo, proporcionando, nesse período, maior demanda hídrica para a cultura.

O fluxo de calor latente (LE) representou quase a totalidade da energia disponível (Rn – G), que por sua vez apresentou elevada acurácia com relação aos fluxos de calor (LE + H).

A ETc média diária da cultura da cana-de-açúcar, cultivar RB867515, na microrregião de Teresina, foi igual a 5,13, 5,32 e 5,37 mm nas Fases II, III e IV, respectivamente, com média de 5,31 mm dia-1 ao longo do ciclo.

O coeficiente de cultura (Kc) foi igual a 0,9 na fase de rápido crescimento (61 a 178 DAC), 1,32 na fase de máximo desenvolvimento (189 a 360 DAC) e 0,82 na fase de maturação fisiológica (361 a 498 DAC).

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