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SOBRE A EXPERIÊNCIA DA EMPRESA EM RELAÇÃO À SEED CAPITAL E VENTURE CAPITAL

Berrocal - Já tiveram contato com os fundos Rio Bravo, Votorantim e Criatec, mas os fundos não investiram. Existe um fundo internacional (não quis citar o nome) que deseja aportar recursos na empresa. Já ocorreram oito reuniões com representantes desse fundo nos últimos seis meses, em que foi realizada a avaliação do valor da empresa. Os sócios fundadores perceberam que os representantes não conseguem avaliar adequadamente o valor do capital intangível da empresa. Também avalia que pode haver problemas em função de o fundo desejar ser sócio majoritário e em seu histórico constar a compra integral das empresas em que o Fundo já investiu.

Inoveo - Teve contato com seed capital, mas não houve aporte e agora tem contato com fundos de venture capital, que continuam avaliando, mas ainda não sabe se haverá acordo.

Genética - Acha que ainda é muito cedo para a empresa. Apenas contataram amigos que trabalham em fundos para obter informações, mas ainda não houve maiores esforços.

Hirata - Já foram procurados por um angel investor, no início, mas não se sabe por que ele desistiu.

FindMe - A empresa participou do Campeonato GV Intel, em que empresas de tecnologia apresentam projetos a fundos de venture capital. Nesse evento a empresa teve um contato inicial com um fundo de Campinas, mas depois o fundo não entrou mais em contato. Também procurou a Endeavor47 que disse que o projeto não era inovador. Posteriormente fez contato com um fundo através de um amigo e esse fundo informou que só aportaria capital na empresa quando ela tivesse faturamento anual de R$2.000.000,00. Por essas razões, a empresa não acredita mais nos fundos. O financiamento foi conseguido nos EUA mediante parceria com a empresa DMCLLC (open innovation).

Orbys - Foi selecionada para participar do Venture Fórum da FINEP, mas a empresa esbarrou no fato de não estar faturando e acabou não sendo atraente para os fundos de venture capital.

Exon Biotecnologia - Teve contato com pessoas e fundos, mas considerou que não valeria a pena colocar muita energia nisso, já que é um processo demorado. Como queria agilizar a inserção da empresa no mercado, optou por financiar as atividades por meio de bancos privados e vendas.

SupraNano - A empresa nunca foi atrás de fundos de venture capital, mas dois fundos entraram em contato com a empresa. Um deles, após análise, afirmou que a empresa não se enquadrava, e o outro fundo ainda está analisando a empresa. Considera que esse tipo de financiamento é interessante porque haveria profissionais mais experientes na gestão da empresa.

Sharewater - Considera que é uma decisão estratégica. Houve uma proposta no início da criação da empresa, mas eles avaliaram que ela não era interessante porque teriam que perder metade da propriedade da empresa. Ainda existem insegurança e dúvidas sobre esse tipo de financiamento. No momento, a empresa está em negociação com um outro fundo, que apresentou uma proposta mais interessante. Acredita que a maior vantagem que esses fundos proporcionam é a participação na gestão e no networking.

A.J Tecnologia - Teve contato com dois fundos, mas não surtiu efeito porque não era o projeto que eles estavam procurando. Acredita que um problema seria o compartilhamento da gestão da empresa, que iriam dar ordens na empresa.

Zelus - A empresa não tem interesse agora. Como fornece apenas serviços e não produz, não vê necessidade de um volume de financiamento desse tipo.

47 A Endeavor é um Instituto que visa apoiar empreendimentos tecnológicos de alto potencial mediante

aconselhamento e orientação na captação de recursos. Fonte: ENDEAVOR. Disponível em: <http://www.endeavor.org.br/index.asp?conteudo_id=11>. Acesso em: 03 jan. 2009.

RB Recursos Hídricos -. Uma empresa procurou-o e ofereceu entre R$3.000.000,00 e R$4.000.000,00, mas não aceitou porque achou que era muito arriscado para o investidor, a empresa ainda estava no estágio de desenvolvimento do software.

Testmat - A empresa não tem interesse. Acredita que é um investimento muito agressivo.

Bonavision e Agroffício mencionaram apenas que não têm interesse.

Brasil Ozônio - Teve contato, mas não teve andamento. A empresa não quer ter mais um sócio, não precisa desse tipo de financiamento. Quer parcerias com grandes empresas para realizar testes em bons laboratórios.

Adespec - Em função das características do produto, houve bastante procura dos fundos de capital de risco e, em março de 2007, o Fundo Rio Bravo Investech II FMIEE aportou cerca de R$6 milhões em capital de risco na Adespec. As negociações começaram em 2003, quando a Adespec entrou em um fórum patrocinado pela FINEP para expor o projeto a investidores selecionados. Quatro grupos se interessaram pela tecnologia, e, depois de muita negociação, os sócios escolheram como financiadora a Rio Bravo, que entrou com o aporte. Nesse longo período, o fundo checou todas as informações da empresa, além de analisar o mercado. O aporte financeiro era imprescindível para o crescimento da Adespec, que demandava uma fonte diferente de recursos para estruturar a empresa.

Segundo o sócio Lacerda, o recurso era imprescindível: “Nesse momento, ou você pega um belíssimo empréstimo ou arruma um investidor, senão ficaríamos operando como uma boutique de adesivos e selantes” (INOVA UFMG, 2007).

O RB Investech II FMIEE é composto pelos investidores: BID - Banco Interamericano de Desenvolvimento; FINEP; Eastman Chemicals; FAPES - Fundação de Assistência e Previdência Social do BNDES; PETROS - Fundação Petrobras de Seguridade Social, além da Swiss Re e dos sócios da própria Rio Bravo.

Os recursos destinam-se à ampliação e melhoria da infraestrutura da unidade fabril e também ao desenvolvimento de campanhas e estratégias de marketing relacionadas aos produtos que a empresa disponibiliza.

Electrocell - No início, um grupo de investidores (angels), reunidos numa sondagem promovida pela FINEP (1ª rodada paulista de firmas) queria aportar R$50.000,00, (que é pouco para a empresa) e em troca, queria uma porcentagem significativa do capital da empresa. Depois disso houve ainda pessoas e representantes de fundos que demonstraram interesse, mas as propostas não se concretizaram. O fundo GASPROM queria que a empresa

fabricasse gW a partir de biomassa. Atualmente a Electrocell tem interesse em vender 20% das ações.

De forma geral é possível dizer que as empresas estão abertas a possíveis investidas de fundos de venture capital ou seed capital. Nesse item fica claro perceber que o pouco uso dessa modalidade de financiamento ocorre devido ao pouco interesse ou excesso de exigências dos investidores. Apenas na Adespec houve aporte desse tipo de capital e só ocorreu depois de anos de conversa entre as partes e com uma profunda investigação das condições financeiras da empresa e do nicho em que ela atua.

SOBRE A AVALIAÇÃO DOS ITENS QUE CONSTITUEM DIFICULDADES PARA O ACESSO À SEED E VENTURE CAPITAL

GRÁFICO 39: AVALIAÇÃO DOS ITENS QUE CONSTITUEM DIFICULDADES PARA O ACESSO À SEED E VENTURE CAPITAL

5 0 0 3 8 0 0 1 7 0 0 2 10 0 0 0 8 0 1 3 6 1 1 1 6 0 0 3 0 5 10 15

Sem importância Pouco importante Importante Muito importante Dificuldades na empresa

Acesso aos investidores

Exigências quanto à escrituração contábil e fiscal Exigências de qualificação gerencial

Compartilhamento da gestão

Avaliação inadequada do valor da empresa

Perspectivas de abertura do capital/ revenda do investidor

Nota: n = variável em cada item. Os números representam o total de empresas que responderam cada item. Ex: no item “Dificuldades na empresa” cinco empresas responderam que esse item é “Sem importância” e três empresas responderam que esse item é “Muito Importante”. Dessa forma temos que oito empresas responderam o item “Dificuldades na empresa”.

Fonte: Elaboração nossa a partir da pesquisa de campo.

De forma geral, as empresas consideraram que não existem muitas dificuldades (itens “Sem importância”) para o acesso da empresa a seed e venture capital. O problema, segundo as empresas, seria a falta de interesse dos investidores. Apenas duas empresas consideraram as “exigências quanto à escrituração contábil e fiscal” como dificuldades muito

importantes. O item “perspectivas de abertura do capital/revenda do investidor” também foi considerado como uma dificuldade muito importante por duas empresas.

Sobre a avaliação inadequada do valor da empresa pelos fundos de venture capital, a Inoveo considera que deveria haver suporte de pesquisadores e cientistas para avaliar a empresa. A empresa também avalia uma “outra” dificuldade, a de que existem muitas exigências dos fundos em relação ao potencial da empresa e que estes cobram estágios de desenvolvimento que só poderiam ser alcançados com o aporte dos recursos.

Uma “outra” dificuldade muito importante citada pela Electrocell foi a relação entre o baixo valor oferecido pelo investidor e a exigência de uma alta participação na empresa.

Duas empresas não responderam à questão: o sócio-fundador da Bioactive, porque nunca tentou nem teve contato com essa modalidade de financiamento, e a empresa Genética Aplicada, cujo sócio-fundador também nunca teve contato ou conhecimento sobre essa modalidade, o que o impediu de ter uma opinião formada.

SOBRE O RECEBIMENTO DE ENCOMENDAS DE COMPRA DO GOVERNO? GRÁFICO 40: A EMPRESA JÁ RECEBEU ENCOMENDAS DO GOVERNO?

Sim 16%

Não 84%

Nota: n = 19

Fonte: Elaboração nossa a partir da pesquisa de campo.

A Exon Biotecnologia, a Brasil Ozônio e a FindMe receberam encomendas do governo mas, nas duas primeiras empresas, o peso sobre o faturamento é irrelevante porque são encomendas pequenas e pontuais. Já no caso da FindMe a encomenda seria uma licitação de R$600.000,00 – em andamento -- para o fornecimento de aparelhos de monitoramento para a Polícia Federal, Marinha e Sistema Penitenciário Nacional.

De qualquer forma, a participação do governo via demanda direta de tecnologia é muito pequena no conjunto das empresas estudadas e sugere que o Estado não utilize esse instrumento como um meio para potencializar o desenvolvimento das EBTs brasileiras.