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TUSERØYAIE

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As novas teorias do mercado religioso trouxeram justamente uma proposta alternativa de explicação para o fenômeno da vitalidade das religiões institucionais. Essa vertente, que usa de teorias e ferramentais econômicos, compartilha parcialmente das mesmas preocupações de Berger: o pluralismo e suas conseqüências para a participação laica e para a organização das igrejas. Entretanto, o que a caracteriza é a tentativa de abordar mais sistematicamente a dinâmica das religiões, com vistas a explicar o que as teorias da secularização não conseguiram e, além disso, alcançar resultados preditivos, tal como se obteria em Economia – para isso, formulam assertivas gerais passíveis de formalização matemática.

Rodney Stark, talvez o maior representante desse grupo de teóricos, faz um breve histórico do desenvolvimento conceitual e explicativo dessa proposta num capítulo i tituladoà B i gi gà Theo à Ba kà I ,à p ese teà oà li oà Rational Choice Theory and Religion, organizado por Laurence Young (1997). O autor começa o texto relatando sua experiência como estudante de sociologia e explicando como a perspectiva de Karl Popper sobre a ciência teria lhe influenciado93. Stark afirma que o campo da Sociologia

92 Num artigo relativamente mais recente, Berger (2001) tentar reformular suas considerações acerca das religiões contemporâneas. Chega a falar em algo como que o retorno do sagrado, chegando até mesmo a negar que um dia houve qualquer processo de secularização. A revista Religião e Sociedade, que publicou a tradução brasileira desse texto, trouxe, em seguida, um comentário de Cecília Mariz (2001), no qual essa autora tenta explicar a postura radical e diametralmente oposta que Berger tomou com relação aos argumentos de O dossel sagrado. Segundo Mariz, tratar-se-ia de um texto elaborado para uma apresentação, uma conferência, sem muitas ambições teóricas. Mesmo com as ressalvas de Mariz, em minha opinião, essa réplica de Berger a si mesmo não convence – e julgo mesmo que nem é digna de muitas considerações: em primeiro lugar pela falta de zelo com que permitiu a co-ocorrência deà id iasà o t adit iasà oà e eà doà a gu e toà eà efi oà aoà usoà doà te oà desse ula izaç o ,à ueà remete a reversão de um processo, e da própria negação da secularização: ora, algo que não existiu não pode ser revertido!); em segundo lugar, porque não há qualquer referência à sua teoria da construção social da realidade – que era justamente o que sustentava seu olhar para a religião e o levava até a crise

de sentido. Berger não respondeu à sua abordagem anterior, simplesmente a negligenciou.

93 É importante, nesse ponto, ter em mente a proposta de Popper (1994) de conceber como ciência um tipo de conhecimento sistemático que pode ser falseável. Segundo esse filósofo, o conhecimento

193 está repleto de História do pensamento social, mas que possui raras tentativas de elaboração de teorias propriamente científicas, no sentido popperiano. A via encontrada por Stark para sanar essa lacuna seria a Teoria da Escolha Racional.

Ao tratar do mercado religioso, a Economia da Religião parte da premissa de que baixos níveis de participação religiosa refletem problemas e insuficiências não na demanda por religião, mas sim no lado da oferta. Stark e Iannaccone (1994) afirmam que se o mercado for monopolizado por uma única firma, essa não terá muitos incentivos para melhorar e variar seus produtos e, além disso, uma mesma religião não poderia atender a todos os tipos de expectativas dos fiéis.

Entra aqui então outra premissa dessa teoria: os níveis de demanda são, em geral, constantes. Em outras palavras, a partir desta formulação enraizada na Escola Econômica de Chi ago,à gostoà oàseàdis ute 94. Supondo assim que preferências são dadas, o que permite explicar as mudanças de comportamento são os diferentes estados de mundo a que os indivíduos reagem. Dentro do que se lhes apresenta, esses escolhem a melhor opção, a que está mais de acordo com seus interesses. E é por isso que a quantidade e qualidade da oferta (que são variáveis) podem criar ou despertar a atenção dos consumidores sob determinadas condições. A situação de monopólio religioso só seria possível quando houvesse exercício deliberado de coerção pelos poderes políticos no interesse da firma monopolista. À medida que o Estado deixa de

científico pode se inspirar em qualquer fonte, mas difere das demais maneiras de conceber o mundo porque procede uma sistematização lógica que tenta tornar os pressupostos iniciais tão mais abstratos e gerais quanto possível. Segue-se então a dedução de conseqüências particulares e procura-se traçar relações e associações entre as proposições derivadas. Após esse procedimento, o cientista deve se pe gu ta :à ueà tipoà deà o o iaà ouà fato eu poderia encontrar e que me mostrariam que estou e ado? ;àoà ueàle aàaà i iaàaàta àseà a a te iza àpelaàe pi ia.àOsàe pe i e tosà oà p o a à aquilo que é formalizado e deduzido, eles apenas deixam de demonstrar que o cientista está errado. Não há como ter a certeza final sobre a verdade. Deste modo, através de conjecturas e refutações, teorias e sistematizações são criadas, derrubadas e lapidadas. Um conhecimento não é científico quando não é sujeito à experimentação ou então quando sua explicação é de tal modo totalizante que não permite a indagação sobre o erro. Popper (1994) cita os casos da psicologia de Alfred Adler, da psicanálise e do marxismo como exemplos desse tipo: suas reformulações e re-adaptações sempre blindam o núcleo central das explicações, não possibilitando que resultados experimentais neguem seus pressupostos. Essa proposta de ciência de Popper também pode ser chamada de modelo dedutivo-

nomológico ou modelo de cobertura por leis (HEMPEL & OPPENHEIM, 1948). Não somente aqueles que

estudam o tema da religião, mas quase todos os que empregaram modelos microeconômicos e de escolha racional dizem tomar essa proposta como fundamento.

94 Essa expressão inclusive dá título a um famoso artigo de Garry Becker, expoente da economia neoclássica da Escola Econômica de Chicago. Cf. BECKER, G, 1996, pp.24-49.

194 controlar essa economia, emergiria um pluralismo de organizações religiosas em que as novas igrejas tenderiam a se especializar e a concentrar atenção em ramos específicos das preferências dos consumidores, buscando suprir as segmentações de mercado. Por isso, com mais opções de escolha e maior atenção aos gostos individuais, os níveis gerais de participação aumentariam.

Esses autores dizem também que o grau de sacralização da sociedade está ligado à regulação das atividades religiosas exercida pelo Estado e à conseqüente emergência de uma firma monopolista. Na medida em que se consolidar tal monopólio, a instituição religiosa dominante buscará exercer influência sobre outras esferas da vida social. Inversamente, se houver desregulação e pluralismo, a sociedade se desvencilhará do predomínio da perspectiva religiosa.

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