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3. METODE

3.1 S TUDIEOBJEKT

 Minhas práticas de educação sexual

- os alunos possuem uma opinião cultural sobre a sexualidade que não muda facilmente e dificulta a abordagem do tema

- em minhas aulas de educação Sexual, dou ênfase aos métodos contraceptivos e DST pois os alunos ficam curiosos por estes temas e aprendem mais

- durante a educação Sexual, quando falo das estruturas do homem e da mulher não existe muita discussão ou interesse, “eu falo e eles escutam”

- a maior dificuldade durante aulas de educação sexual é a distração, perda do foco por parte dos alunos

- muitas vezes a parte específica de estruturas e suas funções acontece de maneira apressada devido ao pouco tempo, priorizando a prevenção da gravidez e de doenças - nunca realizei uma atividade em sala relacionada à diversidade sexual, nunca pensei nisso

- quando os alunos trazem ideias preconceituosas, fico sem reação - este é um assunto delicado para se lidar em sala de aula

- quando vejo que o assunto não vai dar em nada, que não houve um bom entendimento, termino a discussão

- quando aconteceu uma situação de conflito em minha aula, eu mesmo conversei com os dois meninos envolvidos

 Os alunos e a diversidade sexual

- geralmente parte dos alunos erotiza demais o assunto, e outra parte não entende muito bem, por ter uma visão ingênua ou reprimida quanto ao tema (muitas vezes por causa da religiosidade)

- meus alunos são preconceituosos, de maneira geral

- alunos mais novos são mais ingênuos, não tem tanto preconceito

- de maneira geral acho as meninas mais maliciosas, enquanto os meninos são mais infantis, sempre fazem as mesmas brincadeiras

- os meninos que se descobrem gays, não andam com meninos, apenas com meninas - entre os meninos é comum brincadeiras em que um ofende o outro dizendo que ele é

gay

- tenho um aluno que parece ser gay e é tratado de maneira diferente pelos colegas, percebo que algo incomoda ele

- os alunos cometam sobre professores que são gays - os alunos vão sair da escola mais preconceituosos ainda

- acho que os alunos não sabem a diferença entre ser gay e ser travesti, para eles “é tudo veado”

- esta geração (dos alunos) aceita com naturalidade a bissexualidade

- acho que os alunos aceitam mais a bissexualidade do que a homossexualidade

- hoje em dia é mais fácil para os alunos aprender sobre as identidades LGBT, este tema está em vários locais (mídia, escola, família, amigos)

- acho que os alunos tem dificuldade em diferenciar e entender as identidades LGBT  Respeito, aceitação e não aceitação de LGBT

151 - o respeito é essencial acima de tudo

- o preconceito está em nós desde que somos crianças - preconceito é a falta de respeito com o outro

- o preconceito é extremamente difundido e dinâmico. “Você foi, você sofre, e isso está todos os dias”

- “não é preciso aceitar, mas respeitar o outro”, isso é saber lidar com seus preconceitos - em todo lugar que você vai, vai ter alguém que não te aceita por ser gay

- um gay consegue manter as aparências e passar despercebido, um travesti não - a transformação dos travestis leva a uma maior visibilidade que faz com que as pessoas se incomodem mais

- as pessoas aceitam melhor os bis que os gays

- um amigo meu já apanhou de um policial por ser gay

- se tivesse um irmão travesti, minha família não ia aceitar pela questão da exposição  Formação e sexualidade

- nunca discuti sobre diversidade sexual em minha graduação

- minha educação sexual foi restrita ao currículo (anatomia, fisiologia...)

- não tive abertura familiar para conversar sobre sexualidade (família de camponeses)  Ser gay, se assumir, ser aceito

- não foi fácil me descobrir / aceitar como gay

- antes de me assumir, haviam comentários na família sobre mim

- me assumi esse ano para a família e quem importa para mim, me aceitou - nunca me xingaram explicitamente porque não sou de ouvir e ficar calado

- o difícil é você se entender como gay, porque você ouve muita coisa quando criança e adolescente

- quando perdi o medo das pessoas, me senti bem

- eu era diferente na escola, não era tão infantil como meus colegas, e sofri preconceito por isso

 O Ensino de Ciências e a sexualidade

- muitas vezes no Ensino de Ciências, o conhecimento científico entra em atrito com o religioso

- o Ensino de Ciências deve ter um papel diferenciado, pois o assunto (diversidade sexual) está totalmente relacionado à Ciências

- a abordagem de Ciências sobre sexualidade é mais técnica e restrita

- sexualidade não deveria ser um tema exclusivo de Ciências, falta a articulação com outras matérias

 Diversidade sexual na escola

- o preconceito é trabalhado de maneira geral em algumas matérias, mas não em Ciências

- o tema (preconceito) é pouco trabalhado perto do que seria ideal - a escola é o principal local para formar novas ideias sobre tudo

- a escola ainda tem dificuldades em trabalhar temas fora do que é “normal” - a interdisciplinaridade não ocorre na escola

152 - um trabalho que envolva a escola toda é difícil pois muitos professores seriam resistentes

- acho que a escola hoje tem uma abertura um pouco maior para falar sobre sexualidade - existem pais religiosos que são resistentes quanto à educação sexual dos seus filhos - a mídia hoje é mais eficiente que a educação “Uma TV ligada chama mais atenção que um professor falando”

- se está no currículo, temos que trabalhar o assunto  Os professores e a diversidade sexual

- existem professores preconceituosos

- como professores, temos que saber respeitar a diversidade que existe na sala de aula - tenho colegas professores que são gays e lésbicas, o convívio é normal

- acredito que ter um professor(a) gay pode fazer com que os alunos se acostumem, respeitem e aceitem naturalmente a homossexualidade

 Explicações para homossexualidade e bissexualidade

- Homens se atraem por homens porque tem mais hormônio feminino - acho que bissexuais são gays que tentam disfarçar o que são

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Apêndice XVIII – Núcleos de significação - Professor escola B

1. “A escola ainda tem dificuldades em trabalhar temas fora do que é

normal”: diversidade sexual na escola

 Diversidade sexual na escola

- o preconceito é trabalhado de maneira geral em algumas matérias, mas não em Ciências

- o tema (preconceito) é pouco trabalhado perto do que seria ideal - a escola é o principal local para formar novas ideias sobre tudo

- a escola ainda tem dificuldades em trabalhar temas fora do que é “normal” - a interdisciplinaridade não ocorre na escola

- um trabalho que envolva a escola toda é difícil pois muitos professores seriam resistentes

- acho que a escola hoje tem uma abertura um pouco maior para falar sobre sexualidade - existem pais religiosos que são resistentes quanto à educação sexual dos seus filhos - a mídia hoje é mais eficiente que a educação “Uma TV ligada chama mais atenção que um professor falando”

- se está no currículo, temos que trabalhar o assunto  Os professores e a diversidade sexual

- existem professores preconceituosos

- como professores, temos que saber respeitar a diversidade que existe na sala de aula - tenho colegas professores que são gays e lésbicas, o convívio é normal

- acredito que ter um professor(a) gay pode fazer com que os alunos se acostumem, respeitem e aceitem naturalmente a homossexualidade

 Os alunos e a diversidade sexual

- geralmente parte dos alunos erotiza demais o assunto, e outra parte não entende muito bem, por ter uma visão ingênua ou reprimida quanto ao tema (muitas vezes por causa da religiosidade)

- meus alunos são preconceituosos, de maneira geral

- alunos mais novos são mais ingênuos, não tem tanto preconceito

- de maneira geral acho as meninas mais maliciosas, enquanto os meninos são mais infantis, sempre fazem as mesmas brincadeiras

- os meninos que se descobrem gays, não andam com meninos, apenas com meninas - entre os meninos é comum brincadeiras em que um ofende o outro dizendo que ele é

gay

- tenho um aluno que parece ser gay e é tratado de maneira diferente pelos colegas, percebo que algo incomoda ele

- os alunos cometam sobre professores que são gays - os alunos vão sair da escola mais preconceituosos ainda

- acho que os alunos não sabem a diferença entre ser gay e ser travesti, para eles “é tudo veado”

- esta geração (dos alunos) aceita com naturalidade a bissexualidade

154 - hoje em dia é mais fácil para os alunos aprender sobre as identidades LGBT, este tema está em vários locais (mídia, escola, família, amigos)

- acho que os alunos tem dificuldade em diferenciar e entender as identidades LGBT

2. “Quando os alunos trazem ideias preconceituosas, fico sem reação”:

sexualidade e Ensino de Ciências

 Minhas práticas de educação sexual

- os alunos possuem uma opinião cultural sobre a sexualidade que não muda facilmente e dificulta a abordagem do tema

- em minhas aulas de educação sexual, dou ênfase aos métodos contraceptivos e DST pois os alunos ficam curiosos por estes temas e aprendem mais

- durante a educação sexual, quando falo das estruturas do homem e da mulher não existe muita discussão ou interesse, “eu falo e eles escutam”

- a maior dificuldade durante aulas de educação sexual é a distração, perda do foco por parte dos alunos

- muitas vezes a parte específica de estruturas e suas funções acontece de maneira apressada devido ao pouco tempo, priorizando a prevenção da gravidez e de doenças - nunca realizei uma atividade em sala relacionada à diversidade sexual, nunca pensei nisso

- quando os alunos trazem ideias preconceituosas, fico sem reação - este é um assunto delicado para se lidar em sala de aula

- quando vejo que o assunto não vai dar em nada, que não houve um bom entendimento, termino a discussão

- quando aconteceu uma situação de conflito em minha aula, eu mesmo conversei com os dois meninos envolvidos

 Formação

- nunca discuti sobre diversidade sexual em minha graduação

- minha educação sexual foi restrita ao currículo (anatomia, fisiologia...)

- não tive abertura familiar para conversar sobre sexualidade (família de camponeses)  O Ensino de Ciências

- muitas vezes no Ensino de Ciências, o conhecimento científico entra em atrito com o religioso

- o Ensino de Ciências deve ter um papel diferenciado, pois o assunto (diversidade sexual) está totalmente relacionado a Ciências

- a abordagem de Ciências sobre sexualidade é mais técnica e restrita

- sexualidade não deveria ser um tema exclusivo de Ciências, falta a articulação com outras matérias

3. “O preconceito está em nós desde que somos crianças”: questões

relacionadas aos sujeitos LGBT

 Respeito, aceitação e não aceitação de LGBT

155 - o respeito é essencial acima de tudo

- o preconceito está em nós desde que somos crianças - preconceito é a falta de respeito com o outro

- o preconceito é extremamente difundido e dinâmico. “Você foi, você sofre, e isso está todos os dias”

- “não é preciso aceitar, mas respeitar o outro”, isso é saber lidar com seus preconceitos - em todo lugar que você vai, vai ter alguém que não te aceita por ser gay

- um gay consegue manter as aparências e passar despercebido, um travesti não

- a transformação dos travestis leva à uma maior visibilidade que faz com que as pessoas se incomodem mais

- as pessoas aceitam melhor os bis que os gays

- um amigo meu já apanhou de um policial por ser gay

- se tivesse um irmão travesti, minha família não ia aceitar pela questão da exposição  Explicações para homossexualidade e bissexualidade

- Homens se atraem por homens porque tem mais hormônio feminino - acho que bissexuais são gays que tentam disfarçar o que são

- hoje existe uma explicação genética para a homossexualidade  Ser gay, se assumir, ser aceito

- não foi fácil me descobrir / aceitar como gay

- antes de me assumir, haviam comentários na família sobre mim

- me assumi esse ano para a família e quem importa para mim, me aceitou - nunca me xingaram explicitamente porque não sou de ouvir e ficar calado

- o difícil é você se entender como gay, porque você ouve muita coisa quando criança e adolescente

- quando perdi o medo das pessoas, me senti bem

- eu era diferente na escola, não era tão infantil como meus colegas, e sofri preconceito por isso