mãe devoradora
E à e dade,àtudoà símbolo no inconsciente: a sexualidade, a morte, não menos que o resto. A morte deve ser compreendida como uma morte simbólica, e o retorno à matéria, como u à eto oà à o teà si li a ,à es e eà Deleuzeà e à De Sacher-Masoch ao masoquismo. Oà masoquismo é a pe epç oàdaài age à ate aàouàdaà eàde o ado a (DELEUZE,1967, p. 8). Atualizá-la é a função dos ritos sexuais: a mulher sadicizante é adestrada para desempenhar este papel, o sofrimento sendo suportado para ela, e o Instinto de morte conduz à regressão a esta imagem pela repetição dos ritos contratados. Regressão fantasmática pela qual o masoquista é
aptu adoà e à out aà o de à doà te po,à tudoà lheà apa e e doà suspe soà e à u aà espe aà aisà p ofu da,à aisàp ó i aàdasàfo tesàdaà idaàeàdaà o te (DELEUZE, 1967, p. 62). Quem fala em espera, fala em temporalidade, e por isso o caráter dito por Deleuze transcendental do Instinto de morte.
Estaà ideia de que a sexualidade era intrinsecamente regressiva era essencial para Deleuze, nesta época até Diferença e repetição,àaíà o p ee dido ,à o e taàKe slakeà(KERSLAKE, 2007, p. 2). Regredir na encenação fantasmática e contratada do mito de renascimento ou de devoração, descoberto nas análises mitológicas de Jung em Transformações e símbolos da libido: o herói entra no mar negro da morte do ventre materno para renascer no crepúsculo. Mito cuja e e g iaàfa tas ti aà àta toà aisàfo teà ua toà oàpesoàat eladoà ài age à ate aà o oà
imagem do passado (KERSLAKE, 2007, p. 81): por ela engolido, ou há a animização da natureza
pelo indivíduo, a psicótica regressão à primeva simbolização ou, nas memórias e na fantasia imerso, o homem torna-seà p ofu da e teà doe te ,à u à fa tas a à e à idaà p ati a e teà o to ,à lo uea doà oà dese ol i e toà doà i sti toà se ual .à á osà osà asosà seà dete i a à pela regressão da libido a um estágio não sexual da individuação, sua dessexualização.
Imergir no mar negro da morte do ventre materno para nascer de novo, tornar-se homem ou realizar o Ideal de homem neste corpo que, de homem, não é: o pênis nele não fá-lo - a semelhança ao pai está negada. Corpo que sofrerá da dor no processo (sem que isto seja o essencial): o essencial é o trabalho contratado sobre o corpo, sua dessexualização, a genitalidade que deixa de organizá-lo, abrindo espaço à circulação de uma energia neutra. Concepção da constituição do corpo masoquista apresentada em 1967, posteriormente vinculada ao conceito de CsO em sua Reapresentação de Sacher-Masoch (1985) escrita com Guattari.à Vo à o eçaàaà
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ostu a ,à ita à oà itual,à o à ozeà oà u a oà daà gla de,à aà peleà e à to oà desteà aà gla de,à impedindo-o de tirar a parte superior impedindo-o de tirar a parte superior, você costura o saco à peleà dasà o as à DELEU)E,à ,à p.à .à I pedi do o gozo: um gozo. Objetivo: o processo i ú gi oàe p ee didoàpelaào edie teà a as aà o stituiàu àCsO,àu àpla oàdeài a ia.à Ne à do à e à p aze ,à dizà Mi hel,à oà ueà desejaà oà aso uistaà oà à daà o de à doà afeto.à Masà daà intensidade (MICHEL, 2007, p. 7).
Tornar-se homem não é, portanto, algo que se faça sozinho. Renascer requer um parto: a mulher é solicitada e, para tal função, adestrada. Um parto nascido de um: na concepção deste novo homem, do ideal de eu, não participam pai nem Deus. Eva faz uma aliança com Caim, Maria entrega Cristo a Cruz; e isto é símbolo daquilo que com seus filhos contratam, sem
i te e ç oàdeàu àte ei o,àdoàpai.à Que Cain seja punido pelo Pai marca um retorno ofensivo, o retorno alucinatório deste [foracluído]. – Segundo episódio: o Cristo. A semelhança ao pai é de
o oàa olidaà Po à ueà eàa a do aste? ,àdizàDeleuze.
E é a mãe que coloca pessoalmente o filho na cruz: contribuição masoquista ao fa tas aà daà i ge ,à e s oà aso uistaà deà Deusà est à o to .à E,à olo a do-o na cruz, num signo que religa ao filho de Eva, ela persegue a mesma empresa da deusa-mãe, da grande Mãe oral: ela assegura ao filho uma ressurreição como segundo nascimento partenogenético (DELEUZE , 1967, p. 84).
Partenogênese é um termo empregado por Jung. Nascer de uma só parte, sem fecundação, sem sexo. Um filho da mãe, ele, que em sua relação à Lei, aparentemente tão dócil, tão obsequioso e obediente é, na tangente, igualmente tão insolente: submissão que é também e olta.à I sole teà po à o se uiosidade,à e oltadoà po à su iss o à (DELEUZE, 1967, p. 78), o masoquista ataca a Lei pelo excesso de zelo para com ela, revelando-a absurda, donde seu hu o :à osà golpesà deà hi ote,à po à e e plo,à lo geà deà pu i à ouà p o o a à u aà e eç o,à aà p o o a ,àaàassegu a à ide .
Sobre a eleição de Cristo e Cain como os dois grandes personagens da obra de Masoch, Cristo teria sido pelo romancista eleito não à semelhança deàDeus,à asà u ifi ado:à se àa o à se ual,àse àp op iedade,àse àp t ia,àse à ue ela,àse àt a alho (DELEUZE, , 1967, p. 87). Sem nada, homem sem atributo a nele inscrever as marcas das instituições vigentes: tradição, família, propriedade. E Capital. E é por isso que, novinho em folha, sem papel dinheiro, nem
identidade (no romance, Séverin reconhece-se sem passaporte e sem um tostão ao tentar fugir
da relação de escravidão com sua senhora contratada), de Cristo a Cain o novo homem é um comunista, sonha com o comunismo, tem no nisto seu Ideal, sonha acordado.
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Deà u aàpo taàaàout aàdaào aàdeàMaso h,àoàso hoàdoà o u is oàag í ola,à ueài spi aà seus 'contos azuis da felicidade' (DELEUZE, 1967, p. 83). Oà ito,à ele e toàsup a-pessoal à165 que anima o fantasma masoquista é o incesto encenado não como interdito, mas como renascimento necessário do qual o contrato com a mãe se faz rito. O incesto não estava lá como desejo infantil a ser reprimido, mas é símbolo. Estruturando o mundo simbólico do masoquista,
ritualmente,à asà e asà o postasàpeloà aso uistaàeleà a ju aàdaàse elha çaà o àoàpai,àouàaà
se ualidadeà ueà àaàhe a çaàdela ,àdizàDeleuze,à asà e usaàaoà es oàte poàaài age àdo pai como autoridade repressiva que regulamenta essa sexualidade, e que serve de princípio ao supereu. Ao supereu de instituição,à eleà op eà aà alia çaà o t atualà doà euà o à aà eà o al (DELEUZE, 1967, p. 111). Não se contrata a fim de evitar a trágica cegueira de Édipo, interditar o incesto, mas de criar num rebento a luz, o dia, um novo homem para um novo mundo, a comuna, degradado que está e, portanto, devendo ser negado, este mundo patriarcal de instituições falocêntricas. Deleuze desde sua segunda leitura de Sacher-Masoch (1967) articula o fantasma masoquista e este ideal de eu a um projeto político.
O componente revolucionário é, aqui, identificado por Deleuze à verdade da patologia. Para além da finalidade erótica no contrato com a dominatrix, elaà es aàop i idaàpeloàf ioà deste mundo patriarcal pós- at st ofeàgla ial à (KAZARIAN, 2009, p. 112), comenta Kazarian: a revolução. E como o próprio masoquista ele mesmo participa da moderna opressão, alienado, a transformação por ele buscada em seu corpo deve transformar tanto a si quanto à mulher166.