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Security properties in the formal model

Nem substancial, nem fundada na unidade da apercepção - tampouco numa consciência constitutiva -, a subjetividade é paradoxalmente pensada em Diferença e Repetição como um eu dissolvido atravessado por fluxos de energia neutra ou intensidades. Suas sínteses constitutivas não são produtos da consciência, mas de repetições diferenciais. São três as sínteses passivas vividas pelo eu dissolvido na recriação desta filosofia transcendental, pelas quais Deleuze opõe, suge eàDeàBolle,à seuàsiste aàaoàsiste aàdasàt sàsí tesesàdaàa uitetu aàka tia a à(BOLLE, DE, 2010, p. 133), tendo reconhecido no coração da unidade kantiana da apercepção uma cisão não levada por Kant às últimas consequências: um eu passivo, empírico, situado no tempo, e o outro transcendental e ativamente pensante e constituinte. Se a maior iniciativa da filosofia transcendental consiste em introduzir a forma do tempo no pensamento como tal, esta forma, por sua vez, como forma pura e vazia, significa, indissoluvelmente, o Deus morto, o Eu cindido e oàeuàpassi o ,àdizàDeleuze,

É verdade que Kant não deu seguimento à iniciativa: Deus e o Eu conhecem uma ressurreição prática. E mesmo no domínio especulativo, a cisão é rapidamente coberta por uma nova forma de identidade, a identidade sintética ativa, enquanto o eu passivo só é definido pela receptividade, não possuindo, com respeito a isso, nenhum poder de síntese (DELEUZE, 2011, p. 117).

O conceito de síntese era central a Kant: a aparição de um objeto, em sua objetividade, para um sujeito devia-se uniões, fusões de elementos dependentes de sínteses não-empíricas, operadas num nível transcendental, a priori. Independentes da experiência, as sínteses de apreensão na intuição, de reprodução na imaginação, e de recognição no conceito, condicionam a própria experiência e unificam-na numa experiência no tempo. Ao final deste processo, os

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conceitos ou categorias do entendimento relacionados às formas da intuição (o espaço e o tempo), permitiriam a constituição da forma geral de um objeto = x. Kant denomina este processo constitutivo do objeto de conhecimento de unidade transcendental da apercepção: a "unidade da síntese de acordo com os conceitos empíricos seria completamente fortuita se não se baseasse no fundamento transcendental da unidade (KrV A 111). Isto explica o sentido de sua famosa frase:à asà o diç es a priori de uma experiência possível em geral são ao mesmo tempo asà o diç esà daà possi ilidadeà dosà o jetosà daà e pe i ia à ide .à Naà i te se ç oà e t e os conceitos universais do entendimento e as formas universais da intuição, constitui-se o domínio daà e pe i iaàpossí el ,àfu da e toàdeàu aàNatu ezaà ueà ào jetoàdaàfísi aà e to ia aàeàdaà matemática como ciências. Não se trata de sustentar que a unidade transcendental, como síntese última e ao mesmo tempo fundante, torne possível os objetos como tais; mas sim, que os torne possível como objetos cognoscíveis, constituindo o horizonte epistemológico para a noção de objetividade e, condicionando, por conseguinte, o conhecimento: é à Natureza e suas relações de objetos estruturados pela causalidade, categoria do entendimento como sua lei, que se aplicam as condições da experiência possível, caindo fora do domínio do conhecimento tanto as diferenciações específicas próprias à biologia quanto as determinações singulares de cada um dos entes, sua quididade. Esta síntese da unidade transcendental pressuporia, contudo, uma síntese a priori, a síntese pura da imaginação, como condição a priori da possibilidade da combinação da diversidade num o he i e to ,àdizàKa t.

Mas só a síntese produtiva da imaginação pode ocorrer a priori; a síntese reprodutiva baseia-se em condições empíricas. Desse modo, o princípio de unidade necessária da síntese pura [produtiva] da imaginação, anterior à percepção, é o fundamento da possibilidade de todo conhecimento, especialmente o da experiência (KrV A 118).

Esta apercepção original ou pura, condição da unidade sintética da apercepção, funda-se no Eu penso acompanhante de todas as representações, o que seria signo, para Deleuze, da dedução, por Kant, da dimensão transcendental da dimensão empírica de uma consciência psicológica e da constituição de um subjetivismo transcendental. Descobrir da experiência suas condições não apenas possíveis, fundadas num transcendental só concebido como tal quando decalcado do empírico, mas reais, é uma das linhas-mestras do projeto filosófico de Deleuze, de seu retorno à intuição como um método atribuída a Bergson (recortar as linhas de fato, descobrir as tendências, colocar os problemas em função do tempo). E, igualmente, de seu retorno a Maimon, quem primeiramente havia se oposto a Kant, sendo, neste ato mesmo, saudado pelo filósofo alemão como quem realmente o havia compreendido.

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Nada asseguraria, defende o filósofo pós-kantiano, a interação entre as duas faculdades distintas, a sensibilidade e o entendimento, na aplicação dos princípios sintéticos a priori ou dos conceitos às intuições sensíveis fornecidas pela experiência. Recusa, então, o dualismo das faculdades presente na Dedução Transcendental. Distinguindo-os apenas por graus e não por natureza, a sensibilidade não seria, para Maimon, uma faculdade diferente do entendimento, mas apenas sua forma confusa, um pensamento confuso. Maimon vê na intelectualização do sensível fornecida por Leibniz, no cálculo infinitesimal e em sua teoria das pequenas percepções, uma alternativa ao à compreensão do condicionamento a priori da experiência a partir da harmonia entre faculdades distintas. A apropriação metafísica do cálculo infinitesimal pela filosofia de Deleuze talvez seja a herança da apropriação de Leibniz pelo filósofo pós-kantiano. Embora forneça aoà a poài te si oàouài o s ie teàu aà est a haà az o , a filosofia de Leibniz não é sem restrições aceita por Deleuze, que recusa a redução da sensibilidade a uma forma de pensamento confuso por ela operada.

Conforme a descrição da afecção da sensibilidade por uma magnitude intensiva por Kant, da qual derivaria o aspecto material da sensação, para Maimon estes graus inextensos, sem qualidades, imperceptíveis constituem o fundo não representado e inconsciente das percepções. Percepções que só se constituem como tais e são representadas devido às relações diferenciais entre estes graus. A integração entre o cálculo diferencial e a teoria das pequenas percepções leibnizianos, segundo a qual sob a aparente homogeneidade das percepções conscientes e representadas jazem micro-percepções inconscientes, constitui a filosofia de Maimon. Com sua teoria das percepções insensíveis, Leibniz havia redefinido a noção de mente ou de alma para além da consciência:à aà pe epç oà à u à g e oà doà ualà oà pe sa e toà ouà aà o s i ia,à e o he idaàpo àDes a tesàeàpo àLo ke,à àaàesp ie ,àe t o,à o e taàNi holasàJole ,à eleàad iteà um tipo de percepção instantânea ou inconsciente (pequenas percepções, percepções

insensíveisà ueà oà est oà dispo í eisà à o s i ia à à (JOLEY apud KERSLAKE, 2007, p. 40). Inconsciente, em Leibniz, é o modo de ser destas pequenas e insensíveis percepções. Inconsciente ou, ainda, virtual,à o oà ost aà Ke slake,à poisà at a sà daà ediaç oà doà o eitoà deà i tual ,à

Lei izà iti aàoàa gu e toàdeàLo keàdeà ueà oàh à adaàdeàvirtual e à s à LEIBNI),à ,àp.à 208 apud KERSLAKE, 2007, p. 41). O caráter extenso das percepções finitas e de suas qualidades dependeria das relações diferenciais entre as magnitudes intensivas infinitesimais.

Naà dife e çaà dosà i fi itesi aisà esideà aà fu daç oà daà a iedadeà deà pe epç es ,à dizà Maimon (MAIMON apud JONES, 2009, p. 110). As percepções das relações entre os objetos expressam a integral das regras diferenciais de suas produções. Imanentes, estas regras de

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produção constitui um meio diferencial e diferenciante no qual ocorrem as sínteses. Apenas a um entendimento infinito a realidade dar-se-ia a conhecer diretamente como totalidade das elaç esà dife e iaisà o di io a tesà dosà o jetosà ouà doà dado.à Estaà e teà i fi itaà ouà e te di e toà i fi ito ,à aà ueà Mai o àusual e teàseà efe e ,à o e taàJo es,à se eà deà soloà dasà elaç esàe t eài tuiç esàeà o eitos (JONES, 2009, p. 110), antes explicadas por Kant pela iste iosaàha o iaàdasàfa uldades.àOàdado,àtalà o oà osà àdado,àape asà a aà a limitação de ossaàfa uldadeàdeàpe sa e to à(Ibid., p. 110). Argumentando que a essência do pensamento à pe sa àu ào jetoà oà o oàj àe iste te,à asà o oà esulta teàdeàu àp o essoàdeà iaç oàouà gênese – o oàu àde i ,à o e taàJo es,à

Maimon está apto a dissolver a dificuldade kantiana de determinar a aplicabilidade necessária das categorias às intuições: pelo argumento de que suas relações são internas ao próprio pensamento e que o aspecto sensível da intuição apenas envolve estes elementos do pensamento ainda não suficientemente conhecidos, ainda não dissolvidos no puro pensamento como é o conceito (em seu aspecto legislador) (Ibid., p. 110).