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Trusselen for nyetableringer

3. Teori og analyse

3.1. Porters Five Forces

3.1.2. Trusselen for nyetableringer

A técnica denoconotativa explicada por Gomes (1996) tem uma importância fundamental em qualquer trabalho científico, preferencialmente, nos espaços introdutórios e de fundamentação.

Buscar na literatura as principais definições e conotações das áreas já descritas por outros pesquisadores e pensadores serve, entre outras finalidades, para o estabelecimento de contextualizações das referidas áreas, compreensão do universo, constatação do estado da arte e introdução às conexões e desdobramentos posteriores.

Chamamos denotações aqueles significados literários específicos que um termo já tem adquirido e que o distingue de significados e associações literárias sugestivas ou conotações. GOMES (1996, p.29)

Portanto a técnica denoconotativa se configura parte da estruturação básica neste estudo como sendo parte inicial e prerrogativa de qualquer investigação das temáticas abordadas.

Entretanto, o que vem a ser efetivamente Engenharia Reversa (ER) também conhecida por Engenharia Inversa (EI)? Alguns pesquisadores estudiosos e teóricos no assunto já conceituaram e definiram ER em diversos momentos e abordagens.

Sanches da Silva (2005) destaca a ER como uma técnica de desenvolvimento, melhoria, aperfeiçoamento ou adaptação de produtos. Ao resgatar Mury (2000) o autor afirma que se trata de um tema pouco abordado e difundido em países geradores de tecnologia por, equivocadamente, ser confundido com a cópia dos produtos. Parte do princípio das especificações técnicas de um produto anteriormente lançado no mercado embasado em uma metodologia projetual – Engenharias e Design Industrial – com características da implementação de melhorias em artefatos e redesenhos. Tais atividades exigem conhecimentos técnicos de especialistas quanto à formulação de especificações do novo artefato industrial, à pesquisa, ao desenvolvimento e aos processos produtivos.

Mury e Fogliatto (2002), ao citarem Dias (1998), afirmam com ênfase que a ER se destaca entre as principais técnicas voltadas ao desenvolvimento e adaptação de produtos embora seja com frequência confundida com cópia ilegal ou pirataria de produtos, sem reverter royalties aos autores originais – empresas ou indivíduos. Talvez, por esse mesmo motivo não tenha atingido maiores abordagens e difusão dentre as nações geradoras de novas tecnologias, algo que não contribuiu com o seu desenvolvimento científico e tecnológico.

Sendo assim, Luz e Santos (2007) apresentam uma lista de situações, motivos e razões éticas e legais, extraída da DRM Associates, no ano de 2006, empresa que atua no desenvolvimento de produtos e, que respaldam a adoção da ER. Esses casos podem ser resumidos no Quadro 13:

Quadro 13: Adoção da ER pela DRM Associates

i) quando um determinado produto não for mais produzido pelo fabricante original; ii) quando a documentação do projeto original for inadequada;

iii) quando um cliente necessitar de um produto e o fabricante original não mais existir; iv) quando a documentação técnica do projeto original nunca existira ou fora extraviada; v) quando aspectos ruins, negativos, frágeis, defeituosos, problemáticos de um produto necessitar de redesenho, melhorias e aperfeiçoamentos;

vi) quando existir, por parte do fabricante, a necessidade de salientar os aspectos bons, positivos e fortes de um produto a partir do uso e das observações feitas durante a vida útil do produto por determinado tempo;

Razões éticas e legais para uso da ER pela DRM Associates

vii) quando se deseja realizar uma análise de mercado e de produtos competidores comparando-se os bons e maus aspectos de cada um, o todo ou as partes;

viii) quando se deseja explorar novas maneiras de qualificar o desempenho e demais aspectos do produto;

ix) quando o modelo original produzido em sistema CAD não for mais suficiente para comportar as modificações no produto ou no processo – de acordo com os métodos atuais de manufatura;

x) quando o fornecedor original não puder ou não desejar mais fornecer os componentes do produto;

xi) quando o fabricante original do produto não quiser ou não puder mais fornecer peças de reposição, reparo, troca ou manutenção, ou ainda, quando exigir preços excessivos para fornecer as partes ou componentes de substituição únicos de sua exclusividade;

xii) quando houver a necessidade de se alterar materiais e processos obsoletos e antiquados por tecnologias atualizadas e mais econômicas.

Fonte: Adaptado de Luz e Santos (2007)

Raja e Fernandes (2008) apresentam alguns empregos da ER, tais como nos processos produtivos e na fabricação independente do segmento industrial por parte das engenharias e do design industrial, além de desmistificar a polêmica do que é proibido conhecermos dos fabricantes e das suas criações. Para estes autores, citando o exemplo dos fabricantes de automóveis, após um produto lançado qualquer pessoa, ou até mesmo a concorrência pode adquiri-lo e comprá-lo para fazer engenharia reversa, desmontando, montando, fazendo inúmeras análises e investigações tais como sua fabricação, materiais empregados, número de componentes, seu funcionamento entre outros.

Back et al (2008) denomina a tudo isso de Processo Inverso: “Outra situação para realizar um processo inverso é quando se pretende conhecer um produto concorrente ou copiar e começar a produzir um produto existente”, Back et al (2008, p.324).

Portanto, procedimentos como conhecer os produtos da concorrência, estabelecer comparações e análises a respeito deles, investigar modos de funcionamento, montagem, desmontagem, de processos de fabricação, de manutenção, trocas, reparos e consertos, do número e quantidade de componentes, dos materiais adotados são algumas das possibilidades de buscar dados necessários e relevantes para se produzir algo novo, vide exemplo da Figura 70. Estas estratégias são válidas e não aparentam se configurar uma prática ilegal, pois partem do princípio do avanço do conhecimento científico, desde que o resultado da aplicabilidade prática da aquisição desse conhecimento ofereça inovações originais radicais e abordagens inéditas ao estado da arte atual.

Figura 70: Conhecendo um produto detalhadamente.

Fonte: http://automatiktrans.wordpress.com/

Dizendo de outro modo, o novo artefato industrial, material ou processo desenvolvido e aperfeiçoado deve ter um grau de originalidade e distanciamento das patentes, dos registros e propriedades industriais já adquiridos anteriormente por detentores das patentes ou dos registros de desenho industrial. Assim, parece não haver problema algum quando as tecnologias, patentes ou registros concedidos já estiverem sob o domínio público ou “caducos”7.

Com relação à ER, Canhota Júnior (2005), por sua vez, fornece outra compreensão da área. Segundo este autor essa atividade lida com qualquer produto existente no mercado seja um programa de informática, uma peça mecânica, uma placa de computador, dentre outras, voltando-se ao seu funcionamento, seus resultados e seu comportamento durante as atividades de uso. Salienta, ainda, que a ER atua quando não se tem acesso à documentação projetual e de fabricação e surgem demandas de reposição e de melhorias de componentes.

Souza (2007), citando Ferreira et al (2001), aponta que mesmo havendo a disponibilidade na literatura de uma gama de diferentes abordagens para a definição da ER, a mais comumente observada é voltada ao desenvolvimento de softwares e sistemas computacionais ao obter informações de seu código fonte podendo representar em alto nível de abstração para facilitar o entendimento do sistema. O mesmo autor cita Braga (2006) e Peres et al. (2006), afirmando que ambos simplificam dizendo que a ER é o oposto da engenharia convencional de desenvolvimento de

softwares. Para estes autores, a engenharia convencional prejudica a abstração em níveis mais

elevados uma vez que fica presa e limitada ao entendimento dos problemas comum ao ciclo de vida. Nogueira e Lepkison (2006), por sua vez, na conceituação de ER dão destaque ao ganho com a redução de tempo, de investimentos financeiros a serem feitos além da probabilidade maior de sucesso uma vez que o produto a ser redesenhado já é do conhecimento público, desse modo, há dados estatísticos sobre sua aceitação ou rejeição, diferentemente, de um produto com grau de ineditismo e desconhecimento dos consumidores possuírem níveis de incerteza quanto ao sucesso.

Toledo et al (2009) ao mencionarem Dias (1998) também corroboram com o fato da ER partir de algo já existente e lançado no mercado e que necessita de aperfeiçoamentos. Acrescentam, também, o fato de ser pouco difundida nos países detentores e geradores de tecnologias por ser, equivocadamente, confundida com a cópia dos produtos.

7 “Caduco(a)” é o termo adotado quando uma tecnologia, patente ou registro de desenho industrial terminou sua

No que tange ao desenvolvimento ou adaptação de um produto, o ponto crítico para a ER é a formulação de especificações do novo produto, sendo para tanto, necessário atividades de pesquisa e desenvolvimento. A elaboração do projeto do processo produtivo também apresenta uma complexidade que demanda conhecimentos técnicos. TOLEDO et al (2009, p.4).

Segundo Araújo (2010) ao mencionar o sítio Wikipédia da rede mundial internet salienta que:

Engenharia Reversa (ER) é o processo de descoberta dos princípios tecnológicos de um produto, objeto ou sistema através da análise de sua estrutura, função e operação. Isso envolve separar algo (uma peça mecânica, um componente eletrônico ou um programa de computador, por exemplo) e analisar seu funcionamento em detalhes para ser usado em manutenção ou para tentar fazer um novo produto ou programa que tenha a mesma função sem ser apenas uma cópia do original. (...) O propósito é o de deduzir as decisões de projeto a partir do produto final com pouco ou nenhum conhecimento adicional sobre os procedimentos envolvidos na produção original. Wikipedia Contributors, 2009 apud ARAÚJO (2010, p.10). Pereira (2007) ao citar um sítio8 encontrado na rede mundial internet comenta que a ER consiste na cópia de determinados modelos criando objeto computacional a partir de um arquétipo real. Nessa situação, os programas computacionais acolhem os arquivos digitalizados, por intermédio de apalpadores mecânicos ou leitores ópticos, importando formatos adequados aos aplicativos.

De acordo com Dias (1997) não há um consenso na definição da ER devido ao fato de haver uma enorme diversidade de definições, advindas, de diferentes áreas, empregos, aplicações e processos adotados.

Mas as definições, variadas que sejam, comportam a observação de pelo menos duas etapas. Uma primeira se constitui na obtenção de informação que caracteriza e especifica o objeto da ação de ER, identificando seus componentes e seu padrão de interrelacionamento. Na segunda, o objeto é representado em outra forma ou com um mais elevado nível de abstração. É uma atividade que não altera o objeto da ação. É um processo, como norma, não destrutivo, um processo de exame, não de modificação do objeto do exame. DIAS (1997, p.2).

Araújo (2010), de outro modo, estabelece um paralelo das conceituações entre Lacerda (2009) e Lima (2003) concluindo:

Lacerda (2009) conceitua Engenharia Reversa em sua dissertação de mestrado como sendo o inverso da engenharia convencional, para ele, na Engenharia Reversa parte-se do objeto real e obtém-se o modelo virtual. Da mesma forma Lima (2003) considera em sua dissertação de mestrado que o processo de Engenharia Reversa caracteriza-se pela reprodução de um modelo físico, para que este possa transformar-se em um modelo digital. ARAÚJO (2010, p.10)

Para Morris (2010), a indústria pode-se utilizar da ER, dos produtos da concorrência, como “uma técnica bastante útil na avaliação dos níveis e padrões técnicos”, Morris (2010, p.50).

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Souza (2007), por sua vez, apresenta outra definição extraída de Anquetil (2006) como sendo a ER a ação de analisar qualquer sistema e contém dois objetivos fundamentais: i) identificar todos os componentes do sistema e suas relações; ii) criar uma representação do sistema analisado diferente ou em nível de abstração superior.

Pereira (2007) salienta que a ER é proveniente de uma tecnologia que reúne uma ampla variedade de atividades contendo inúmeros conceitos complementares e oriundos de áreas multi e pluridisciplinares. O autor resume algumas definições encontradas na revisão de literatura conforme mostra o Quadro 14:

Quadro 14: Compilação de definições sobre a ER.

Autor Conceito

Varady (1997) Enquanto a engenharia convencional transforma conceitos e modelos em peças reais, a Engenharia Reversa transforma em engenharia modelos e conceitos;

Dickin (1996) A Engenharia Reversa consiste em produzir novas peças, produtos ou ferramentas a partir de modelos ou componentes existentes;

Daschbach (1995) A Engenharia Reversa é o processo de levantar dimensões, com rapidez e exatidão, determinar padrões geométricos tais como áreas e volumes além de definir as tolerâncias de um modelo existente;

Puntambekar (1994) Apesar do processo de Engenharia Reversa (que começa com um modelo físico e

termina com um modelo CAD) aparentar ser o oposto do processo de manufatura convencional (que começa com um modelo CAD e produz uma peça física) na verdade os conceitos globais são muito similares. A principal diferença é que o protótipo existente na Engenharia Reversa incorpora a especificação do produto em manufatura convencional.

Fonte: Extraído e adaptado de Pereira (2007)

Conforme verificado há uma gama infindável de definições e conceituações acerca da ER. Independentemente do consenso entre elas observa-se que outras áreas não tradicionais e mais afastadas se têm apropriado delas para novas inserções e desdobramentos desencadeando novos saltos para o conhecimento científico, como se verifica o caso desse próprio estudo, na área das Ciências Sociais e Aplicadas.