3. Teori og analyse
3.1. Porters Five Forces
3.1.5. Rivalisering blant eksisterende konkurrenter
Tudo indica que o processo histórico envolvendo a origem da ER é bastante controverso, pois parece não haver uma data consensual sobre sua origem tão pouco existir uma fronteira clara que a separa da espionagem industrial. No entanto, a ER possui alguns fatos históricos importantes que serviram de marcos cronológicos em períodos distintos, ainda que associada indevidamente à espionagem industrial. Inicialmente, parece ter surgido com a indústria bélica; posteriormente, com a indústria automobilística, de transportes, em geral, aviação e aeroespacial, até a indústria de eletroeletrônicos e digital.
No entanto, a essência da ER, não como se apresenta na modernidade, também esteve presente em diversos estágios da humanidade. Até poucas décadas atrás a ER, esteve, equivocadamente, associada à espionagem industrial.
As inúmeras invenções e descobertas científicas do homem sempre despertaram em outros povos a curiosidade pelo modo de conhecer e saber como se produziam os artefatos, as fontes energéticas, os medicamentos, os rituais e magias e, assim, por diante. Langelaan e Barral (1971) afirmam ser essa a profissão mais antiga do mundo, ou seja, a espionagem. Os autores relatam
alguns casos como, por exemplo, a descoberta dos japoneses da produção da seda, pelo bicho-da- seda, na China 3.000 a.C.; a borracha da seringueira amazônica levada pelos ingleses no século XIX para Ceilão e Cingapura; o segredo da porcelana chinesa enviado para a França no século XVIII; o caso dos japoneses ao enviarem, inicialmente, inúmeros jovens no século XIX, e também durante o século XX, para as nações mais industrializadas daquela época, a fim de buscarem e dominarem conhecimentos e segredos industriais.
Portanto, tais situações se configuraram desde os povos da Antiguidade e da Idade Média, por exemplo, atingindo também, noutra dimensão, as sociedades pré-industriais, industriais e pós- industriais. Os autores Langelaan e Barral (1971) ilustram vários outros casos associados à espionagem industrial no mundo, mas que fogem do escopo desse estudo.
Com relação à ER, enquanto prática sistematizada, alicerçada no conhecimento científico da era moderna, tem-se conhecimento que se refere a uma estratégia de mercado cuja primeira aplicação supõe-se ser atribuída aos japoneses no período que antecedente a Segunda Guerra Mundial sendo aperfeiçoada durante os anos do pós-guerra.
Segundo Alves (2010, p.30), ao citar Kim e Nelson (2000) afirma que “países com a industrialização recente recorreram, principalmente, nas décadas de 1960 e 1970, à Engenharia Reversa”. O mesmo autor comenta ainda sobre o caso de o Japão parece ter sido beneficiado por ter acesso a inúmeros subsídios da ER cujos segredos industriais pertencentes, por exemplo, a países europeus como a Alemanha e, no caso da América, com os Estados Unidos para se tornar uma potência industrial durante a segunda metade do século passado.
As empresas japonesas utilizaram a ER nos períodos anterior e posterior à Segunda Guerra Mundial, sofrendo um grande impulso em sua economia. Grande parte desse efeito está relacionada à utilização da Engenharia Reversa que permitia a absorção e modificação de tecnologias estrangeiras. Lastres (1996); Medeiros (2007), vide ALVES (2010, p.30).
Tudo leva a acreditar que a miniaturização difundida ao mundo pelos japoneses se dá pela aplicação e domínio das técnicas de ER ao dissecarem as tecnologias, os processos e os produtos estrangeiros implementando melhorias drásticas na quantidade de componentes e no tamanho físico dos componentes e, por conseguinte, nos artefatos.
Outras aplicações polêmicas de ER também envolvem a extinta União das Repúblicas Socialistas Soviéticas bem como demais países integrantes do bloco econômico Tigres Asiáticos também vinculados aos Estados Unidos da América e países do continente europeu, esclarece Alves (2010):
Zhu et al. (2005) mostram que o processo de aquisição de tecnologia da China segue, geralmente, a seguinte linha: aquisição de linhas de manufatura e técnicas de países desenvolvidos, modificação do processo e identificação das partes e componentes, alcançar o desenvolvimento do produto através da ER e, por fim, otimizar os produtos. Segundo Hobday et
al. (2004), o processo de inovação da Coréia do Sul é reverso, esperando
os países desenvolvidos gerarem novas tecnologias e mercados para que possam participar dos mesmos. Medeiros (2007) ainda destaca a utilização da ER em países como Taiwan e Malásia, o que leva a observar que essa
técnica encontra-se mais difundida e aceita nos países do oriente. Santos e Luz (2007) apud ALVES (2010, p.30).
Relatos históricos apontam que o apogeu da espionagem industrial foi alcançado durante a Guerra Fria entre as duas potências econômicas – URSS e EUA, como ilustra a Figura 71, do serviço secreto americano. Após esse período ocorreu uma migração do foco de interesse militar e espacial para o empresarial, o mercado, a concorrência, os sistemas de informação, comunicação, inteligência competitiva, vide Saheli e Grisi (2001) ou Lana (2011).
Nesse sentido, como forma de se proteger contra os “assaltos” tem-se desenvolvido serviços especializados e inteligentes de contraespionagem nas áreas citadas como forma de garantir menores prejuízos às organizações.
Figura 71: Ícone oficial norte-americano acerca de informação e investigação secreta.
Fonte: http://icdetectives.blogspot.com.br/2011_11_13_archive.html
De acordo com Alves (2010), os Estados Unidos da América somente foram enveredar, de modo consistente, tardiamente no âmbito da ER, por volta da década de 1980, principalmente, em função da necessidade dos fabricantes da reposição de peças sobressalentes e do resgate das informações técnicas dos produtos, embora, isso não os exclua de jamais ter sido acusado de terem feito algum tipo de espionagem industrial no passado:
O governo norte-americano teve maior contato com a ER em meados da década de 1980, a partir da necessidade de se obter peças sobressalentes para certos equipamentos e recuperação de informações técnicas (INGLE, 1994). Lastres (1996) ressalta pesquisas feitas nos Estados Unidos nessa mesma época, onde as empresas entrevistadas apontaram a ER como a segunda principal fonte de informações para inovações, ficando atrás, apenas, do setor de pesquisa e desenvolvimento (P&D), sendo considerada um importante meio de obtenção de informação tecnológica. ALVES (2010, p.30).
Araújo (2010), apoiado em Chikofsky (1990), explica ainda que a ER é antes de tudo um processo analítico, investigativo de onde partem exames minuciosos e precisos sobre o que se deseja obter de informações e dados técnicos:
O termo ‘Engenharia Reversa’ tem sua origem na análise de produtos – onde a prática de se decifrar os projetos através do produto finalizado é senso comum. A Engenharia Reversa é regularmente utilizada para se melhorar os próprios produtos, bem como analisar os produtos do concorrente (Chikofsky, 1990). De acordo com Chikofsky (1990) a
Engenharia Reversa por si própria não envolve modificar o sistema analisado ou criar um novo sistema baseado no sistema analisado. A Engenharia Reversa é um processo de exame apenas e não um processo de mudança ou de replicação. ARAÚJO (2010, p.10)
Entretanto, acredita-se que a essência da ER, ou seja, enquanto prática informal tem antecedentes mais remotos. Podemos verificar isto com um período que antecede a industrialização – por volta de 1740 – se estendendo à Revolução Industrial da Grã-Bretanha, e à Primeira Exposição Internacional de Londres (1851), quando pela primeira vez, se torna público o contato direto entre inúmeros fabricantes e empresas de produtos e de tecnologias entre as potências mundiais. Desse período em diante, os fatos somente aceleraram e serviram para oficialização desta área do conhecimento humano.
O fato primordial é que com a industrialização das primeiras nações, e, por conseguinte sua ascensão econômica, um processo natural de competitividade industrial entre elas se desencadeia. Se desperta uma curiosidade entre as nações e, em particular, entre os fabricantes, de como desenvolviam seus produtos, seus processos produtivos, suas inovações, avanços e descobertas científicas. Isto desencadeou também, de certo modo, as práticas legais e ilegais da aquisição de tais conhecimentos. Exemplos saudáveis como os investimentos em contratação de profissionais qualificados e especializados, em pesquisa e desenvolvimento, em patentes, em parques tecnológicos e laboratoriais dentre outros, dividiram espaço com práticas e procedimentos ilegais e antiéticos caracterizados por espionagem industrial, acesso e roubo de segredos industriais, subornos, conspirações, fraudes, sabotagens, pirataria e falsificação, por exemplo.
No período do pós-guerra, com o advento da era da microeletrônica alterou-se tudo isto direcionando a processualidade para a virtualidade e a simulação informatizada a partir da disponibilização dos softwares e hardwares. O aumento da produtividade, a redução dos riscos, dos custos e do tempo para desenvolvimento e lançamento de novos produtos foram alguns dos benefícios trazidos também pela era da microeletrônica.
Outro aspecto interessante se refere ao fato de que a era da eletrônica trouxe novas contribuições para inúmeras áreas do conhecimento, em especial, a da Engenharia e a do Design Industrial. O fato dos desencadeamentos conduzirem às inovações e invenções principalmente para o campo da informática e da cibernética, primeiro com o transistor depois com os chips eletrônicos, possibilitou mudanças radicais no cotidiano, nos segmentos sociais e na profissionalização. O advento da computação transportou processos e procedimentos manuais, mecânicos, analógicos e estáticos para o dinamismo da virtualidade, da edição e manipulação de dados digitais.
Mais, recentemente, com o surgimento e avanço da informatização novas inserções legais e ilegais da ER se fazem presentes, como ilustra a Figura 72. Um exemplo legalizado bastante difundido refere-se ao uso da digitalização 3D de produtos ou protótipos para agilizar o processo de redesenho, uma vez que a etapa de produzir os desenhos de todos os componentes praticamente é eliminada ao adotar a captura por escâneres 3D. No entanto, os mal-intencionados poderão estar usando-se do procedimento de digitalização 3D para disseminar as cópias de produtos de sucesso.
Por outro lado, um exemplo de prática ilegal da era da informática associada à ER e à espionagem industrial, diz respeito ao surgimento de indivíduos dotados de grande habilidade –
hackers – em conhecer, rastrear e capturar informações virtuais – que se especializam em conseguir
segredos industriais ou comerciais atuando como espiões sofisticados a partir do uso de aplicativos, de vírus, aplicativos “malignos” virtuais – spams – ou outras maneiras de invasão de privacidade. Por outro lado, empresas e organizações contratam esses profissionais para fazer um trabalho oposto de contraespionagem, ou seja, de proteger constantemente o empreendimento das invasões e roubos virtuais dos segredos comerciais ou industriais.
Figura 72: Código fonte de programação do computador no fundo azul da eletrônica ©(Gudella | Dreamstime.com).
Fonte: http://pt.dreamstime.com/imagens-de-stock-royalty-free-c%C3%B3digo-fonte-image5812899
Recentemente, o Brasil esteve envolvido em um episódio onde foi vítima de invasão e rastreamento pelos Estados Unidos da América. Segundo as inúmeras matérias jornalísticas9 o Governo brasileiro e empresas foram espionados ciberneticamente. As explicações do Governo norte-americano foram evasivas e levantaram especulações entre defesa contra terrorismo ou espionagem estratégica sobre a economia nacional.
O fato de a história nos mostrar, principalmente, inúmeros casos de espionagem e roubo de segredos industriais e cópias idênticas de artefatos industriais e processos tecnológicos, equivocadamente, por um tempo parece ter sido atribuído tais fatos à ER. Pesquisadores e estudiosos da atualidade no assunto asseguram que esta visão tem se modificado nos últimos tempos.
Atualmente, a ER apresenta inúmeros empregos nos diversos setores industriais e da informática além também do uso noutras áreas do conhecimento humano como, por exemplo, na biotecnologia, na nanotecnologia, na robótica, na cibernética e na medicina.