3. Ozone measurements and trends for 1979–2008
3.2 Trends for Oslo 1979 – 2008
Efectuar uma abordagem à dimensão comunitária, implica relacioná-la com as redes sociais de apoio ao doente e família que efectuam um suporte ao mesmo quando o seu regresso ao domicílio.
Assim, das entrevistas realizas, a família é sem dúvida o principal recurso na prestação de cuidados: os filhos – “… é a minha mãe (…) preciso que me ajudem…” (entrevista 2), “… somos filhos (…) a minha mãe já morreu há alguns anos…” (entrevista 5) – e os cônjuges – “… a minha mulher teve um AVC quando veio para cá…” (entrevista 10) – “… eu e o meu marido lá íamos vivendo…” (entrevista 4) – são indivíduos abordados em primeira linha no momento da alta hospitalar.
Outros familiares foram também analisados enquanto prestadores de cuidados, respondendo assim ao indicador respectivo. As noras – “… sou nora (…) mas nunca nos demos bem…” (entrevista 14) – ou sobrinhos – “… somos sobrinhos (…) ajudávamos no que podíamos…” (entrevista 6) – cuja proximidade ao doente é efectivada por motivos vários – “… eu gosto dela, vive connosco há alguns anos e quero-lhe muito bem, mas não lhe somos nada…” (entrevista 7); “… passávamos férias juntos e alguns natais também (…) sempre foi assim…” (entrevista 7); “… aproximei- me dele pois tive pena (…) não tinha mais ninguém...” (entrevista 1).
Os motivos que os levam a ser os principais prestadores de cuidados em situação de doença são diversos: por uma noção de dever – “… deixava o homem morrer sozinho num canto (…) não podia fazer isso…” (entrevista 1) – por relação familiar “… somos da mesma família mas nunca nos demos bem (…) ela tratava-me mal (…) ajudo no que posso mas não fico com ela…” (entrevista 14) – ou até mesmo, por solidariedade “…nós fazemos isto porque gostamos muito da tia…” (entrevista 7).
Quanto às instituições, estas surgem na prestação de cuidados mediante vários factores, ou porque “os filhos envolvem-se pouco (…) aparecem uma vez por mês e às vezes nem
isso…” (entrevista 8) – ou então por situações de alguma autonomia face às AVDs – “…ela fazia a sua vida normalmente…” (entrevista 14).
Estas podem ocupar um lugar importante na prestação de cuidados ao idoso, na vertente de Apoio Domiciliário – “… a sua colega da Santa Casa da Misericórdia tratava da renda, as senhoras da roupa, levavam-lhe lá o almoço e faziam a higiene, aquela que ela deixava pois é uma pessoa muito difícil…” (entrevista 14) – ou Centro de Dia – “… ela ia ao Centro de Dia todos os dias almoçar, era muito independente apesar da idade (…) tinha lá muitas amigas…” (entrevista 6).
A prestação de cuidados por instituições será uma componente que complementa o apoio da família que por dificuldades relacionadas com o agravamento da situação de saúde – “…Ele esteve tão mal, foi até reanimado por duas vezes e tudo…” (entrevista 13) – ou por limitações familiares na prestação de cuidados ao idoso – “… as senhoras do apoio estavam sempre a dizer que como eu fazia não dava. Acho que implicavam um pouco comigo e principalmente com a minha filha (…) diziam que ela deveria fazer mais pelo pai …” (entrevista 12) – rematam o trabalho da família e possibilitam a permanência deste em casa evitando a institucionalização do mesmo.
Apesar dos escassos recursos humanos – “… só lá iam duas vezes por semana (…) diziam que não tinham mais gente…” (entrevista 3) – quando são diagnosticadas situações de negligência graves, as instituições tentam responder com maior brevidade – “… as suas colegas levaram a sério aquilo que lhes pediu (…) não me largavam…” (entrevista 2) – mantendo-se, portanto, muito envolvidas nas questões relacionadas com a provável saída do doente aquando da alta hospitalar.
Porém quando se apercebem de que o prestador de cuidados é capaz de responder com alguma eficácia ao problema apresentado “elas ensinaram-me e eu lá ia fazendo as coisinhas ao meu marido…” (entrevista 9) – as instituições remetem para os mesmos o acompanhamento da situação – “ …eu lá me ia arranjando (…) enquanto eu puder eu faço…” (entrevista 9) – e efectuam, não um trabalho de continuidade e de supervisão, mas sim de fiscalização, intervindo em casos limite – “… todos me diziam que eu já não consigo estar com ele (…) mas se não for eu é quem (…) as senhoras do apoio vem cá de vez em quando ver como está tudo…” (entrevista 9).
Em determinadas situações este factor é bem presente – “… a sua colega não foi nada acessível. Como sou nova e vivo num prédio em condições pensou logo que eu não dava
ajuda era porque não queria. Eu disse-lhe da minha vida, contei-lhe tudo o que lhe contei a si. Mas vêm-me nova e com bom aspecto e pensam logo que já não preciso…” (entrevista 3) – suscitando alguma insegurança nos prestadores de cuidados – “… eu não me importava de aprender, até queria (…) mas gostava que andassem mais por perto (…) eu não sou enfermeira, há coisas que não sei fazer…” (entrevista 7), “… mal elas viram que eu sabia fazer os pensos nunca mais as vi…” (entrevista 7).
Assim, o envolvimento das Redes de Solidariedade na programação da alta hospitalar é marcado quando os profissionais se vêem confrontados com precários recursos familiares que directamente prestem cuidados ao doente idoso dependente, tendo de ser as instituições que suprir esta lacunas – “…eu já sabia como eles eram. Quando me começavam a fazer muitas perguntas da casa, dos filhos, da ajuda (…) quando a assistente social vinha ter comigo aquela conversa de quem está muito interessada, já sabia que a alta estava próxima…” (entrevista 11). Estas entram como parceiros directos das famílias na prestação de cuidados ao doente idoso – “…têm que fazer ajustes na terapêutica, na alimentação, nos cuidados, etc, …” (entrevista 8), “… elas vêm cá todos os dias…” (entrevista 5).
Independentemente de a intervenção ser, ou não, iniciada antes do internamento – “… a doente já era muito conhecida pelas senhoras da Santa Casa da Misericórdia…” (entrevista 14), “…iam lá as senhoras do Centro de Saúde para lhe fazer o penso (…) iam as senhoras do domiciliário para me ajudarem no banhinho…” (entrevista 9) – ou de o trabalho ter início após o internamento e posterior sinalização do Hospital – “… sei que Dr.ª pediu às suas colegas para acompanharem a minha mãe mais de perto…” (entrevista 2), “… fui à entrevista de Famões que me marcou… “ (entrevista 3) – todas elas são submetidas a uma reavaliação no domicílio, ajustando a patologia clínica com os recursos institucionais disponíveis – “ … a sua colega do apoio disse-me que teria que esperar mais um pouco (…) estavam com pouco pessoal… ” (entrevista 3).
No entanto, a parca resposta das redes sociais poderá inviabilizar uma alta hospitalar e proporcionar momentos de pressão e ansiedade entre profissionais de saúde e prestador de cuidados. Nestas situações, os recursos da comunidade quase sempre são insuficientes para que o doente regresse a casa tendo o seu bem-estar e a sua qualidade de vida assegurados – “… tenho pena que depois cá fora nada esteja preparado para um doente sair nestas condições…” (entrevista 1), “ … as coisas eram caras e difíceis, não havia nada nem ninguém que o recebesse…” (entrevista 1). Estes mesmos recursos
encontram-se saturados pelo elevado número de pedidos – “… o apoio domiciliário não tinha vagas (…) agora já lá vão mais vezes quando saiu do Hospital tinha banho uma vez por semana…” (entrevista 3).
É nestas situações que o recurso à Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados é possível, respondendo deste modo ao indicador da intervenção iniciada após a alta hospitalar, pois estes tentam responder aos cuidados médicos necessários ao doente em outras unidades de saúde, contribuindo, deste modo, para a diminuição da demora média do internamento – “… lá se lembraram dos Cuidados Continuados (…) demorou tanto tempo que tivemos que desistir…” (entrevista 5).
O elevado tempo de espera é uma das críticas apontadas pelos prestadores de cuidados à Rede de Cuidados Continuados Integrados – “… tive que aguardar pela vaga no Hospital. Demoraram cerca de 3 meses a responder…” (entrevista 13). Isto porque “tenho ideia que os Hospitais também não servem para isto (…) ele já lá não estava a fazer nada só a aguardar a ida para o Bombarral dos Cuidados Continuados…” (entrevista 5).
Assim das entrevista realizadas, e independentemente de a intervenção com o doente ser iniciada antes ou após a saída do Hospital, podemos concluir que o Hospital é sempre o recurso primário, aquando o agravamento da situação de saúde e que a saída deste nem sempre se torna viável devido à impossibilidade de encontrar locais que respondam eficazmente à problemática clínica – “… esperou 6 meses no Hospital e tivemos de desistir…” (entrevista 14). Houve também, situações em que “esteve 2 meses à espera, e morreu no Hospital a esperar…” (entrevista 6). Constatamos também que “… aquilo a que chama de comunidade não funciona. Se queremos um lar e com condições são muito caros, se recorremos à ajuda da Segurança Social e elas descobrem que temos algum dinheiro ou que existe um familiar qualquer, nem querem saber, dizem que temos que ser nós a resolver …” (entrevista 1).
Quanto à qualificação técnica dos familiares que prestam cuidados ao doente idoso, esta é adquirida através da experiência no dia-a-dia – “… aquelas feridas nos pés davam-me aflição (…) mas tive que aprender a cuidar delas… ” (entrevista 9). Dos familiares entrevistados poucos foram os que tinham recebido formação especifica e em situação de agravamento da situação de saúde – “… tive que pedir ajuda às Sras. enfermeiras do Centro…” ou “ … chamar o INEM, pois não sabia o que fazer…” (entrevista 9).
Os sobrinhos, família de acolhimento, cuja função foi previamente delineada pelas redes formais de apoio, também não possuíam qualquer qualificação técnica para o efeito, nem se submeteram a nenhuma formação durante todo o processo – “… não é muita coisa, poderia ser mais, mas vamos nos organizando (…) as Sras. da Santa Casa nunca nos pediram isso (…) conforme as dificuldades lá fomos aprendendo (…) quando tínhamos mais dificuldades chamávamos as enfermeiras do Centro de Saúde que iam lá a casa, mas muito rapidamente…” (entrevista 7).
Assim a redes de solidariedade social são elementos de suma importância de apoio à família na prestação de cuidados ao doente idoso. O seu apoio torna-se fundamental a fim de agilizar o processo de alta e diminuir as vulnerabilidades apresentadas pela família aquando a prestação de cuidados.
Porém alguns familiares sentem que o mesmo é escasso e precário – “ … e isso lá chegava? Iam só duas vezes ao dia e ao fim de semana era só uma e para a comida. Isso não é nada, principalmente para uma pessoa que precisa que lhe façam tudo. Ele não estava capaz de fazer nada sozinho, já nem ia à casa de banho nem nada era eu que tratava de tudo…” (entrevista 11) – e, por isso, manifestam alguma insatisfação pelo apoio prestado pelas mesmas. A satisfação perante o trabalho desta é sentida quando as necessidades e angústias mais eminentes dos familiares são atendidas – “…Mas a maior ajuda foi a descoberta desta clínica da EDP para colocar lá a minha mulher. A partir do momento que isso ficou tratado foi só tratar da papelada necessária. Isso para mim foi o mais importante. E como foi rápido...…” (entrevista 10).
Assim, a grave situação de saúde e precariedade de soluções dadas atempada e adequadamente, desenvolve nos familiares momentos de angústia e consequentemente de insatisfação perante as redes de solidariedade formais. Sentem que os seus familiares são empurrados entre as redes da Comunidade (com poucos recursos humanos e materiais) e os Hospitais (que a determinada altura afirmam que termina a sua responsabilidade perante o doente), ficando estes como única opção, cansados e sem alternativas na manutenção de qualidade de vida ao idoso e consequentemente ao agregado que o acolhe.