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Satellite observations of ozone above Norway and the Norwegian Arctic

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Em termos metodológicos, a presente investigação privilegiou uma abordagem qualitativa, de entrevistas aprofundadas e de análise documental. Utilizámos, em parte, metodologias de estudo de caso (Burawoy 1998) e mesmo metodologias mais etnográficas, bem como uma estratégia de análise narrativa (Griffin 1993), assente na descrição e interpretação sistemáticas da evolução cronológica ou de sequências temporais de eventos históricosn de modo a interpretar as características observáveis e teoricamente relevantes dos processos em análise.

A noção de processo que utilizamos, pode ser definida como o encadeamento de eventos significativos (isto é, entre os quais podemos estabelecer relações explicativas ou compreensivas interpretáveis pelo quadro teórico de análise) numa sequência temporal, incluindo eventos contingentes que podem dar lugar a viragens significativas da construção social e histórica de um fenómeno social. Além de fornecer elementos significativos sobre o modo como os fenómenos sociais se produzem, permite igualmente dar conta dos efeitos inesperados da acção. A abordagem narrativa, teoricamente interpretada e orientada por problemas, permite assim abstrair padrões de desenvolvimento dos fenómenos e elucidar mecanismos explicativos subjacentes.

Alejandro Portes (cf. 2010: 64) considera este tipo de abordagem processual, que

designa de processos de mudança social analisados segundo um esquema de ( ,

como um nível descritivo, mais visível e pouco profundo. No entanto, considerámos, exactamente pela sua visibilidade e capacidade demonstrativa, bem como por se prestar aos recursos metodológicos de uma descrição densa (Geertz [1973] 2000) e de uma análise interpretativa com base na estrutura sequencial dos eventos (Griffin 1993), como a forma conceptual e metodologicamente mais adequada de abordar um terreno empírico complexo e sociologicamente inexplorado, para desvelar ( 1 1, abstrair / construir descritores de) mecanismos sociais situados a um nível mais profundo e menos directamente observável.

Tendo sido escolhido o caso da acupunctura enquanto caso específico ao qual se daria especial enfoque na investigação, procurou:se, de entre a multiplicidade de terapeutas, associações e escolas existente nesta área das MAC, eleger como casos os terapeutas, as associações e as escolas com maior recrutamento e importância na área, do que resultou que, desde o trabalho exploratório, se tenha centrado o maior esforço de observação nas associações e escolas de que são dirigentes Pedro Choy e José Faro, agentes sociais a investigação exploratória revelou terem tido um papel fundamental em todo o processo de institucionalização da acupunctura na área das MAC em Portugal, como teremos oportunidade de demonstrar.

As entrevistas realizaram:se entre 2007 e 2009, num total de vinte e nove entrevistas aprofundadas. A maioria das entrevistas foi realizada a terapeutas e a médicos praticantes de acupunctura, a membros de associações profissionais e a directores de escolas na área das MAC.

Iniciou:se o trabalho de campo a partir da escolha de agentes sociais da área das MAC em cargos de direcção de associações e de escolas que se foram entre:referenciando, num esquema de bola de neve, ou a terapeutas e médicos cuja antiguidade conhecida na área tornava informadores privilegiados. As entrevistas visavam a obtenção de dados sobre o processo de emergência das MAC e da sua institucionalização, privilegiando:se uma metodologia de entrevista aberta e livre, segundo técnicas mais qualitativas (Holstein e Gubrium 1995; McCracken 1998). Assim, para além do recurso a tópicos, utilizou:se um esquema temporal, biográfico e diacrónico, como linhas de orientação das entrevistas. Procurou:se igualmente obter posicionamentos dos entrevistados relativamente ao processo legislativo que culminou na Lei 45/2003 e ao processo de regulamentação da Lei. Ainda noutra linha de questionamento, procurou:se obter os posicionamentos dos terapeutas entre si, de modo a desenhar, em traços gerais, as configurações mais amplas das redes sociais que estavam presentes no espaço social, num esquema analítico inspirado em Norbert Elias, conforme referido no enquadramento teórico.

Num outro eixo de pesquisa, entrevistaram:se alguns terapeutas com consultórios abertos, no sentido de recolher testemunhos sobre problemas associados à prática, sobre as experiências de formação e sobre os posicionamentos destes terapeutas sobre o processo legislativo e de regulamentação da Lei. Esta linha de pesquisa correspondeu a uma fase exploratória e foi pouco desenvolvida, num total de cinco entrevistas aprofundadas.

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No que respeita aos médicos entrevistados, foram realizadas três entrevistas aprofundadas, a médicos com práticas de acupunctura, que tinham sido referenciados ao longo do trabalho de campo como agentes da institucionalização da «acupunctura médica». Destas três entrevistas, dois dos entrevistados tinham antiguidade na prática de acupunctura médica, dois pertenciam à direcção dos cursos de «acupunctura médica» dirigidos a médicos existente actualmente em Portugal, dois eram dirigentes da associação profissional de médicos acupunctores e dois pertenciam à Direcção do Colégio de Competência em Acupunctura da Ordem dos Médicos. Estas pertenças cruzadas nos mesmos entrevistados correspondem a diferentes momentos do tempo em que decorreu a investigação, como teremos oportunidade de especificar.

O trabalho de campo apresentou algumas dificuldades específicas. Em primeiro lugar, os agentes sociais em causa, na sua maioria, tinham pouca disponibilidade de agenda e usavam frequentemente este facto para a recusa em concederem entrevistas, do que resultou a necessidade de insistir e, sobretudo, de utilizar a inter:referenciação como estratégia metodológica. Porém, alguns dos agentes sociais revelaram alguma resistência em referenciar outros agentes sociais significativos. Em segundo lugar, os entrevistados procuravam ocultar estratégias sociais em curso e mesmo os seus posicionamentos, quer relativamente ao processo legislativo, quer relativamente aos outros agentes sociais. Alguns entrevistados recusaram a gravação da entrevista, e um deles chegou mesmo a protestar pelo facto de a investigadora tomar notas durante a entrevista. Poder:se:ia argumentar que essas dificuldades estão sempre presentes numa investigação sociológica; a questão é que neste caso essas características foram acentuadas porque a investigação incide sobre um fenómeno social em curso, com forte componente de rivalidade e conflitualidade políticas e económicas, e onde a ocultação por cada um da sua mão, e mesmo de quem são os seus parceiros e adversários, parece ser parte importante das estratégias do jogo. Numa entrevista de grupo numa associação de terapeutas, quase toda a entrevista decorreu com os entrevistados a apresentarem argumentos para que a investigação não se realizasse, avisando: «Não se meta nisso, vai comprar uma guerra!»

Neste contexto, por um lado, à medida que o trabalho de campo avançava procurou:se cruzar informações para testar a sua fidedignidade, bem como para mapear progressivamente as posições relativas entre os agentes sociais envolvidos. Por outro lado, a metodologia de entrevistas qualitativas ganhou outro potencial heurístico com a recolha e a análise documentais, mas também pelo recurso a metodologias de tipo mais etnográfico, como a participação em dois congressos/colóquios organizados pelos terapeutas das MAC

e o recurso a um informador privilegiado, através de quem nos foi possível obter informação e participar em alguns encontros informais entre terapeutas.

Actualmente, a difusão e acesso à informação passa necessariamente pela internet. Uma investigação sociológica já não pode descurar a informação que aí é publicada. Foram pesquisados vários sites de associações profissionais e de escolas, onde se obteve alguma informação que minorou a dificuldade da sua obtenção através de entrevistas. Particularmente nas fases do processo de institucionalização em que o conflito eclodia, sobretudo durante a regulamentação da lei, foi possível encontrar nos sites das associações, e especificamente num fórum online, informação a que seria muito difícil aceder por via de entrevistas. As publicadas pelas associações, de terapeutas e médicos que praticam acupunctura também constituíram uma importante fonte. Foram consultados igualmente sites internacionais na área das MAC, como o site da Organização Mundial de Saúde (WHO), organizações estatais inglesas e norte:americanas de regulação das MAC, e associações de profissionais, de médicos praticantes destas medicinas e de terapeutas.

Outras fontes documentais foram consultadas, como jornais e revistas, documentos oficiais pesquisados nos arquivos da Presidência da República e da Assembleia da República, sobretudo para a análise do processo legislativo. Também foi contactado o serviço de relações públicas do Parlamento Europeu, através do qual se acedeu a documentação oficial na área.

Por último, ao longo de todo o trabalho de campo foi mantido contacto com um agente social com conhecimento aprofundado da área destas medicinas e terapêuticas e que constituiu um informador privilegiado, na compreensão de parte das lógicas discursivas e simbólicas na área e na compreensão de uma parte das redes de relações sociais presentes no campo de investigação. Este informador privilegiado, não sendo ele mesmo um terapeuta, possui uma forte pertença identitária relativamente aos terapeutas e, como os restantes agentes sociais, desenvolvia simultaneamente estratégias de desvendamento e de ocultação de informação. Apesar disso, foi determinante a sua colaboração.

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Capítulo 2

Das Definições Práticas à Definição do Objecto Social

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