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Para a análise dos registros realizados por meio de filmagem das sessões de atividades, foi realizada uma adaptação do “Roteiro de Observação Clínica Comportamental da

Criança” proposto por Medeiros e Loureiro (2004), do qual algumas categorias foram

mantidas na íntegra e outras modificadas e introduzidas conforme as necessidades particulares de observação das sessões em vídeo do presente estudo.

O Roteiro proposto pode ser utilizado como uma forma de sistematização da observação individualizada da criança com dificuldades de aprendizagem, tendo em vista que aborda aspectos diversos de seu desempenho tais como: nível de qualidade da produção, reações diante das situações, nível de interação e comunicação e recursos disponíveis para a execução das tarefas propostas. Permite também observar e registrar manifestações afetivas das crianças, que dizem respeito a sua capacidade de autojulgamento, iniciativa, decisão, auto-regulação e nível de ansiedade. Assim, propõe uma abordagem de observação de indicadores de desempenho quantitativos, através da avaliação da produção e de comportamentos observados em uma situação orientada (MEDEIRO, LOUREIRO, 2004).

O Roteiro tem como meta descrever e avaliar o funcionamento das crianças quanto as suas vulnerabilidades e recursos para a aprendizagem e para a interação, através da observação de aspectos comportamentais e de desempenho da criança. Ele permite também a identificação de recursos e limites das crianças em uma situação de atividades propostas.

A seguir está descrito o roteiro adaptado conforme foi utilizado para a análise, e que se encontra no anexo A.

Descrição do Roteiro

O Roteiro divide-se em três categorias de análise; Produção; Desempenho Específico; Desempenho Geral.

A categoria “Produção” tem por objetivo principal verificar possíveis evoluções na qualidade da produção com o passar das sessões. Assim, cada atividade desenvolvida pela criança é avaliada segundo um critério de evolução, sendo:

A – qualidade alta: corresponde ao objetivo da proposta, executando a atividade sem problemas e sem ajuda. Exceção feita nos casos em que a pesquisadora fornece suporte para que a criança execute a atividade com maior destreza, sem, contudo, interferir diretamente na execução da mesma;

M – qualidade média: executa a atividade com algum grau de dificuldade e com necessidade de ajuda. A ajuda é definida como intervenção clara da pesquisadora na execução direta da atividade;

B – qualidade baixa: executa a atividade com alto grau de dependência e necessidade evidente de ajuda e intervenção da pesquisadora.

As atividades analisadas quanto à produção são: desenho, recorte, colagem, dobradura, pintura, medir, amarrar, enfiar e enrolar. Tais atividades estiveram presentes em, pelo menos, uma sessão de atividade de construção de boneco.

Em seguida avalia-se o “Desempenho Específico”, composto por três subcategorias: Iniciativa; Comunicação; Interação. Cada subcategoria é avaliada segundo uma escala de gradação progressiva de adequação. O objetivo principal desta avaliação é verificar a freqüência de cada grau de adequação em cada subcategoria e, conseqüentemente, possíveis evoluções.

Todas as subcategorias são avaliadas por critérios de A - D, conforme descrito: • Iniciativa:

A – após exposição inicial da pesquisadora, espontaneamente, a criança inicia e executa a atividade;

B – após exposição inicial e apresentação das etapas da atividade, a criança inicia sua execução apenas após a orientação da pesquisadora para que a inicie, porém sem necessidade de estimulação mais diretiva;

C – após a apresentação das etapas da atividade, a criança necessita de estimulação para dar prosseguimento à atividade (considera-se estimulação qualquer verbalização ou comportamento da pesquisadora que tenha por objetivo ajudar ou incentivar de forma diretiva a criança a iniciar ou prosseguir a tarefa);

D – após a apresentação das etapas da atividade, mesmo mediante estimulação, a criança não dá prosseguimento à atividade.

• Comunicação:

A – centrada na realização da atividade, a criança verbaliza idéias e fatos ou faz comentários necessariamente pertinentes à atividade que está executando;

B – centrada na realização da atividade, a criança permanece em silêncio;

C – distanciando-se da realização da atividade, espontaneamente ou após estimulação, verbaliza idéias e fatos ou faz comentários não necessariamente pertinentes à atividade que está executando, e a atenção da criança parece mais voltada para a verbalização;

D – distanciando-se da realização da atividade, a criança permanece em silêncio responde apenas gestualmente e/ou monossilabicamente.

• Interação:

A – espontaneamente, a criança mostra-se com iniciativa para trocas buscando o contato e respondendo adequadamente ao que é perguntado;

B – após a estimulação verbal da pesquisadora a criança responde adequadamente, mostrando-se dependente de estimulações para interagir;

C – após estimulação verbal da pesquisadora, a criança mostra-se pouco disponível ao contato, respondendo apenas gestualmente e/ou monossilabicamente;

D – após estimulação verbal da pesquisadora, a criança a ignora, não apresentando mudanças no comportamento.

A categoria “Desempenho Geral” é composta por duas subcategorias, “Recursos” e “Manifestações Afetivas”.

Quanto à subcategoria “Recursos” é composta pelos itens: Organização; Planejamento; Atenção. Tem por objetivo principal verificar a presença ou ausência dos comportamentos descritos em cada item nas sessões, apresentados a seguir:

• Organização: denota organização e cuidado com os materiais, tampando os materiais que abre, guardando-os após o uso, jogando fora os que não serão mais usados, dispondo-os sobre a mesa de forma a ajudar na realização da atividade.

• Planejamento: denota conhecimento das etapas da atividade que executa, seguindo a ordem natural de passos para executar uma atividade e/ou parecendo ter um plano ou roteiro.

• Atenção: a orientação da atenção parece estar voltada para a atividade mesmo quando a interrompe.

Com relação à subcategoria “Manifestações Afetivas” composta pelos itens: Auto- julgamento; Decisão; Ansiedade; Iniciativa; Auto-regulação, tem por objetivo verificar o desempenho da criança em cada sessão segundo um escore que avalia os comportamentos com polaridades positivas (A), os comportamentos com polaridade negativa (B), e ainda quando nenhum dos comportamentos é observado (C). A seguir, são descritos os comportamentos considerados positivos, classificados com “A”, negativos, classificados com “B”, ou ausentes “C” em cada item:

• Auto-julgamento: A – a criança expressa predominantemente julgamentos gerais específicos positivos sobre si; B – a criança expressa predominantemente julgamentos gerais específicos negativos sobre si; C – nenhuma das alternativas.

• Decisão: A – a criança mostra-se decidida e com capacidade de escolha quanto às opções apresentadas; B – a criança mostra-se indecisa e com dificuldade de escolha diante das opções apresentadas; C – nenhuma das alternativas.

• Ansiedade: A – a criança manifesta ansiedade inicial em relação às propostas, que desaparece ao longo da sessão; B – a criança manifesta ansiedade inicial em relação às propostas, que permanece ao longo da sessão; C – nenhuma das alternativas.

• Iniciativa: A – a criança mostra-se ativa, fazendo perguntas e respondendo às situações propostas de forma a ter controle sobre o que ocorre, não exigindo estimulações; B – a criança mostra-se apática, exigindo muitas estimulações diretivas da pesquisadora, respondendo a esta com submissão; C – nenhuma das alternativas.

• Auto-regulação: A – a criança completa os assuntos ou atividades iniciadas, parecendo ouvir as instruções, respondendo a estas com adequação; B – a criança interrompe os assuntos ou atividades iniciadas, parecendo não ouvir as instruções, respondendo a estas de forma inadequada; C – nenhuma das alternativas.