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Trender i det sivile – sammenligning med Forsvaret

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Etablerte styringsmekanismer for utvikling av INI og NbF

9 Trender i det sivile – sammenligning med Forsvaret

a) Surgimento da proposta da viticultura e a organização coletiva dos viticultores – Sociedade dos Fruticultores de Toledo e Região Oeste do Paraná-TOFRUTTI

Dos viticultores entrevistados, a maioria reconheceu que o passo inicial da proposta do plantio da uva surgiu a partir das visitas do enólogo italiano Benvenuti Clark a seus familiares em Toledo, o que os motivou a um encontro com o prefeito municipal.

Acompanhei e vivi desde os primeiros momentos onde começou a se discutir a iniciativa na questão da uva, o enólogo italiano Benvenuti Clark, começou a visitar Toledo há uns 15 ou 20 anos atrás, tem parentes aqui e lá ele tem uma vinícola de vinhos finos e na ocasião eu estava como prefeito de Toledo e alguém me apresentou a ele e me trouxe lá no gabinete e a primeira pergunta que fez foi: porque aqui em Toledo não se planta uva? E a resposta foi: aqui a região é de soja, milho, suíno então uva aqui não se planta, não dá uva aqui, e ele não se conformou e quis uns relatórios sobre o clima, períodos e densidade mensal das chuvas e levou alguns laudos de análise de solo para Itália [...] e no início de janeiro trouxe o resultado dos especialistas da Itália e disse que aqui o solo, clima, tudo favorecia para ter duas safras por ano (AF1).

AF1 relatou que diante da proposta do plantio da uva, a primeira reação foi negá-la. No entanto, com a apresentação de um laudo técnico positivo das condições climáticas e de solo que confirmou a possibilidade de produção da uva, surgiu uma nova oportunidade de cultura produtiva.

A partir disso, a projeção da ideia começava a dar os primeiros passos e os idealizadores da proposta – Prefeito Municipal e Secretário da Agricultura – partiram em busca de conhecimentos em diferentes regiões, constituindo o segundo passo.

Neste propósito, AF1 e AF9 assim se manifestaram:

Fomos para Santa Catarina, conhecer um projeto que tem na cidade de Rodeio, onde são imigrantes italianos que têm um convênio com Trento, na Itália e, lá tem uma escola de uvas, vinhos e queijos, e esses jovens quando voltam da Itália trazem um projeto pra implantar uma vinícola e uma fábrica de queijos e fomos lá conhecer para nos situarmos melhor e nos disseram que tínhamos que fazer isso em Toledo (AF1).

Como as condições climáticas entre Marialva e Toledo eram semelhantes, então a gente foi convencido. Fizemos uma visita àquela região de Marialva e o técnico era um dos precursores do processo e que nos incentivou (AF9). Verifica-se que as condições climáticas e técnicas são favoráveis a produção de uva em Toledo, mas para isso são necessários plantadores. Este se tornou o terceiro passo, referente à implementação da ideia da viticultura.

Para tanto, AF9, AF5, AF7 e AF4, destacaram:

Eu comecei a optar juntamente com uns amigos meus lá em Toledo, nós começamos o processo e fomos os pioneiros na implantação do processo de fruticultura, partindo da uva, a uva foi o primeiro passo e isso foi um grande desafio (AF9).

Na verdade, comecei junto com Dr. Albino e o Iraldo, nós fomos os pioneiros em que nós catalisamos não só a questão da vitivinicultura como também toda a fruticultura no nosso município (AF5).

Eu escutei no rádio a primeira vez e daí fui na EMATER pegar informação e me indicaram que a uva seria o melhor caminho para produzir na minha propriedade que é pequena (AF7).

Comecei através do técnico que veio aqui e disse que o lugar era bom para uva e comecei a plantar [...] porque a minha propriedade é pequena e se não tiver plantação de fruta vai fazer o quê? (AF4).

As falas evidenciaram que a motivação para plantar uvas compreendeu convites pessoais, imprensa falada e visita do técnico à propriedade. Os depoimentos revelaram também que esta experiência despertou o interesse dos pequenos proprietários porque condiz com a área territorial pequena que possuíam.

Sobre a escolha da produção da viticultura e não de outra produção, os depoentes, AF6 e AF9 assim se pronunciaram:

Na terra eu plantava soja e milho depois tivemos que partir para a fruta porque não tem outro jeito, porque o investimento de um aviário ou chiqueiro hoje é muito alto e a uva não, você começa com um pouco e vai aumentando (AF6).

Plantar trigo, soja, milho, ou seja, só grãos as pequenas propriedades não conseguem se manter em função do custo, maquinário que inviabilizam a pequena propriedade [...] se verificou que é possível em pequena área produzir muito, mas com culturas alternativas (AF9).

Os depoimentos destacaram que a prioridade da escolha da viticultura se justificava pela falta de condições dos agricultores permanecerem trabalhando nas culturas produtivas até então, principalmente pela exigência de um alto custo de investimentos.

Tendo em vista ainda a necessidade de maior certeza para uma definição pela produção da viticultura, AF5 e AF1 expuseram:

A gente foi ver quais são as dificuldades para trabalhar nesta cultura, então a gente começou através daí a plantar uva, cada um seguiu para uma área, uns foram para a uva vinícola e outros para a uva de mesa (AF5).

Quando fizemos a visita e o curso em Marialva, fomos em três ou quatro colegas e impressionou o potencial que eles tinham lá, 5 mil hectares, muitas pessoas, em que basicamente no município o forte é a uva e a gente quis começar bem aqui, mas como tinha toda uma desconfiança, a primeira coisa a organizar foi a nossa associação (AF1).

Os entrevistados afirmaram que participar dos cursos técnicos sobre a uva no município de Marialva – região norte do Paraná – foi primordial para a adesão do

grupo à nova cultura produtiva. O fato da pessoa ver in loco uma produção já desenvolvida, permitiu que se tomasse a decisão de investimento na cultura da uva.

A partir da decisão dos futuros plantadores de uva, AF1 e AF9 ressaltaram: A primeira coisa que fizemos, já que tinha toda esta desconfiança, foi organizar a TOFRUTTI a associação, para convidar os produtores que tinham interesse em conhecer mais a fundo a atividade, sendo uma associação representativa (AF1).

Na época houve a necessidade de trabalhar em conjunto para poder viabilizar, fortalecer o grupo, então nós decidimos criar uma associação de fruticultores de Toledo e região oeste do Paraná, que daí englobava outras atividades frutíferas, como tinha outros produtores, mas isso foi andando, fomos levando e quando a coisa ficou maior nós acabamos construindo uma vinícola e aí fomos cirando uma cooperativa (AF9).

Os depoimentos confirmaram que o passo seguinte à decisão de investir na viticultura foi a criação de uma organização representativa. Esta organização representativa não era exclusiva aos viticultores, mas extensiva a todos os fruticultores.

Quanto às ações da TOFRUTTI os sujeitos AF1, AF8 e AF9 salientaram: Foi realizado um convênio com a EMATER que cederia um técnico local que ficaria à disposição da associação dois dias por semana dando assistência e acompanhamento técnico aos produtores de uva e outras frutas que já estavam sendo cultivadas ou que seriam gradativamente implantadas. Não se encontrava um técnico ou alguma pessoa que entendesse da área da viticultura e que pudesse dar uma esperança, de viabilidade [...] não tinha um técnico da EMATER ligado à fruticultura, porque aqui não é região de fruticultura (AF1).

Esta ação partiu da TOFRUTTI que pagava uma parte (50%) do valor cobrado pelo profissional e outra parte era paga pelo produtor rural (50%). Assim, por intermédio da TOFRUTTI os custos do acompanhamento técnico baixaram e a gente conseguiu se engrenar nisso (AF8).

A assistência técnica que nós temos é que tem que ser paga e isso é um problema, o governo deveria olhar essas coisas também, uma assistência pública, de verdade. A assistência é privada, nós pagamos a assistência, existe uma assistência pública, mas ela é muito deficitária por falta de material humano e a cada governo que entra muda as políticas e desloca os profissionais para outras áreas e aí não há um processo sequencial do trabalho, não existe continuidade de atividade do processo e para nós produtores não tem como, precisamos realmente de alguém que todo mês venha nos visitar e dizer, precisa fazer isso, aquilo (AF9).

Verifica-se que os sujeitos consideraram que a TOFRUTTI precisava tanto de assistência pública como privada. Todavia, enfatizaram que a assistência privada era mais eficiente do que a pública.

Sobre outras atuações que a TOFRUTTI desenvolve AF5 salientou:

A TOFRUTTI teve que resolver conflitos e se organizou e por intermédio de um vereador municipal que elaborou um projeto de lei no ano de 1999, e em seu teor limitava e restringia o uso do herbicida 24-D e que se não fosse tomado providências o projeto de plantio de uvas e frutas em Toledo se tornaria inviável [...] o argumento dos grandes produtores era de que por causa de uns pés de uva ou fruta não vai mais poder plantar soja, porque este herbicida pode afetar a produção da fruta em uma distância de até 20 Km. A dificuldade maior é entre os grandes proprietários perante os pequenos agricultores, nós tínhamos uma época que os grandes passavam um fungicida, um herbicida que prejudicava demais as uvas (AF5).

Constata-se pela fala acima que além da TOFRUTTI promover assistência técnica, teve um papel de mediar conflitos entre grandes produtores de soja e pequenos produtores de uva; sobretudo, motivou relevantes debates na câmara municipal sobre esta questão.

No que se refere a outras ações da TOFRUTTI, AF8 destacou:

Fazem exposição técnica da safra da uva nas reuniões, cursos para a safra de verão, preparo de covas para plantio, informações de financiamentos, organização dos dias de campo, encaminhamento dos cursos para iniciantes na produção da uva através do SENAR, também são algumas das ações da associação (AF8).

O depoimento em referência assinalou que cabe a TOFRUTTI, além da função política e social, uma importante função técnica para a viabilização do processo produtivo da uva.

b) A Cooperativa Vinícola dos Viticultores de Toledo: um desdobramento da TOFRUTTI

Por ser a TOFRUTTI uma organização representativa dos viticultores, e não ter atribuição para comercializar a produção de uva, propôs-se a criação da cooperativa vinícola dos viticultores de Toledo.

Neste sentido, AF9 e AF1 declararam:

Com um número expressivo de participantes na associação e sendo a maioria produtores de uva surge a proposta no ano de 2005, da criação de uma vinícola que foi possível diante de estudo realizado pelos técnicos que apresentaram dados estatísticos de uma produção elevada de uva para produzir vinhos coloniais abrindo assim condições e possibilidades de criar uma cantina de vinho dos produtores de uva da região de Toledo (AF9).

Com a proposta encaminhada, a associação solicitou o empenho dos associados para a realização e concretização na implantação da cantina vinícola, e diante disso começamos a nos organizar para efetivar o projeto. Iniciam-se então debates e reuniões com a administração municipal (prefeito José Carlos Schiavinatto) deputados estaduais (Elton Welter e Duílio Genari) e federais (Moacir Micheleto), além do presidente da EMATER do Paraná (Sabino Campos) (AF1).

Pode-se ressaltar pela análise dos depoimentos acima, que foi realizado um estudo para verificar estatisticamente a quantidade de uva que era produzida em Toledo e a possibilidade de abastecer uma vinícola. Com estes dados a Prefeitura Municipal em conjunto com a TOFRUTTI iniciou o projeto de construção e investimento da cooperativa vinícola.

Desta forma, AF5 assim se expressou:

Foi investido mais ou menos por baixo, em torno de 1 milhão e meio, dinheiro que veio entre terreno, construção, equipamento do município e do governo federal e nós financiamos por conta 150 mil em tanques de armazenamento que estão lá.[...] a gente constituiu a cooperativa, só que somente aquela estrutura física não era a solução, daí teve uma emenda parlamentar que veio uma verba para os equipamentos só que também não era o suficiente, então a cooperativa teve que se capitalizar (AF5).

Diante da implementação da cooperativa, os cooperados que eram também associados da TOFRUTTI, já não a percebem como a estrutura principal da organização dos viticultores.

Nesta perspectiva, AF2 e AF6 salientaram:

Quando entrei na vinícola, eu sabia que existia a TOFRUTTI e não sei se ela existe ainda (AF2).

A TOFRUTTI deu o pontapé inicial, só que depois com a chegada da vinícola aí a associação estancou e hoje se comenta de novo a TOFRUTTI porque acho que vai ter que ter mudanças no registro da vinícola (AF6). Contudo, a cooperativa vinícola por não conseguir comercializar toda produção do vinho em 2009 é desativada, voltando os associados novamente a participação da TOFRUTTI, conforme AF5 demonstra em depoimento:

Como a maioria do pessoal dos associados são pequenos produtores então eles não dispunham de uma certa quantia em dinheiro para investir e, para poder girar a vinícola precisava de no mínimo 300 mil reais, inclusive todos os associados fizeram cursos do SEBRAE sobre gerenciamento para ver os problemas, dificuldades e os caminhos que poderiam ser seguidos (....) então uma das alternativas era fazer a fusão com a Primato (...) mas problemas técnicos em relação à transferência da cooperativa e também um

pouco de gerência política dificultou e a cooperativa ficou praticamente três anos embalsamada, amarrada, não deu em nada (AF5).

Entende-se pela exposição que o capital necessário à continuidade das ações da cooperativa vinícola não foi possível, o que resultou no fechamento da mesma.

Face à desativação da cooperativa vinícola, a TOFRUTTI definiu que cada viticultor deveria buscar alternativas pessoais para a comercialização, como AF5 depõe:

A situação de hoje é que cada produtor de uva está vendendo o seu produto isoladamente, porque a vinícola que era a ideia inicial ficou amarrada e não deu nada, e aí cada um por si e Deus por todos e nesse meio tempo, a produção andando e cada um foi fazendo por conta [...] o nosso grande entrave é a parte da comercialização porque nós não temos uma política para isso, cada um tem que se virar e esse é o grande problema porque se tivesse logística de comercialização a história era bem diferente (AF5). Logo, o depoimento reforça que os viticultores ficaram descobertos em virtude de não terem uma política de preços e comércio definido.

c) Formas de comercialização da viticultura, rentabilidade, crédito rural, e diversificação produtiva

As diferentes formas encontradas pelos viticultores para a comercialização da uva acontecem nas propriedades, nas feiras, nos mercados locais, no CEASA e nos programas sociais.

Sobre a comercialização na propriedade, AF8 e AF4 destacaram:

Nós somos privilegiados porque a gente mora ao lado de uma BR e o comércio é 80% na BR devido à passagem de muitos distritos que passam aí [...] e também por estar já há 11 anos plantando uva já é conhecido no município de Toledo e como a gente mora próximo a Toledo, 11 Km então o pessoal vem pegar as uvas aqui devido à qualidade e porque já conhecem o ponto. Comercializo 80% na propriedade e 20% em outros locais (AF8). Nós vendemos tudo aqui na propriedade, porque vou vender no mercado a R$1,00 se posso vender aqui por R$ 3,00 e vendemos tudo por este valor do primeiro quilo ao último (AF4).

Segundo os depoentes, a possibilidade de comercializar é decorrente da localização da propriedade, uma vez que já existe uma clientela definida por serem plantadores de uva há muito tempo.

Outro recurso utilizado pelos viticultores na comercialização são as feiras em diferentes bairros da cidade.

Neste aspecto, AF3 e AF5 comentaram:

Nós aproveitamos para vender a uva na feira e conseguimos vender muito bem lá e o povo de Toledo também está contribuindo porque de uns anos pra cá aumentou muito a procura da uva (AF3).

Se você vende na feira tem um dinheiro a mais, então tem que ver estas feiras como um incremento a mais que você tem na sua produção (AF5). A feira segundo os depoentes mostra mais uma alternativa de renda, a qual aumenta progressivamente a clientela. Além deste recurso comercial, o acesso aos mercados locais tem sido outra possibilidade.

Desta forma, AF1 e AF9 manifestaram:

Muitos de nós vendemos no mercado, mas há muita concorrência, se vai dois ou três produtores num mercado no mesmo dia oferecer uva, eles jogam o preço lá embaixo e o que dá certa indignação e revolta é que você plantou a uva, fez todo o trabalho, investiu e entrega uma caixa de uva a um preço de R$ 2,00 o Kg e o mercado coloca R$ 4,00 sem investir nada (AF1). Os supermercadistas são muito cruéis, eles são sugadores e eles aproveitam muitas vezes da inocência do produtor desinformado e sozinho que se vê, às vezes, acuado em função de que a fruta está madura e precisa se desfazer aí ele vende para o mercado e a qualquer preço e aí puxa todos os preços para baixo e acaba prejudicando todo o grupo de produtores da uva e isso para mim é uma decepção do negócio (AF9). Entretanto, o que se pode destacar como dificuldade dos viticultores é a pressão dos mercados no movimento de demanda e oferta do produto.

Sobre a comercialização nas Centrais de Abastecimento do Paraná S.A. – CEASA, AF9 relatou:

Eu abri canais quando eu tinha um excedente de volume eu comercializo com o CEASA, dois ou três mil quilos porque a gente cria redes de contato e como na época no começo a gente ensinou muitos produtores a cultivar e produzir e depois esses mesmos produtores começaram a dar rasteira na gente então comecei a andar com minhas próprias pernas pelos meus caminhos e foi por onde eu fui fazer a comercialização (AF9).

Diante do volume de uva produzido na propriedade e da dificuldade de trabalhar de forma organizada com os próprios colegas viticultores, o depoente revela que encontrou individualmente no CEASA o melhor canal de comercialização.

Além disso, há outro canal de comercialização da uva, em especial o suco, pelo o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) – Compra Direta – e o Programa Nacional da Merenda Escolar (PNME).

Para tanto, AF4 e AF1 consideraram:

Eu não vendo a uva, mas fazemos o suco para a prefeitura, para a cozinha do restaurante popular e o feijão também plantamos e vendemos também para o Restaurante Popular, e o vinagre que também é feito da uva. (AF4). O suco de uva está num dos programas do governo, da merenda, nos restaurantes e ele tem um mercado favorável e o preço desta compra direta também é um preço bom e é rápido [...] então com esses programas do governo federal direcionando a verba para a merenda com 30% dos produtos comprando do pequeno produtor esses projetos vão viabilizar a pequena propriedade (AF1).

Os sujeitos evidenciam que os programas sociais oferecem preços mais elevados que o mercado local, e proporcionam o recurso rapidamente, o que é muito viável às pequenas propriedades.

A partir destes diferentes espaços de comercialização, os viticultores tem viabilizado uma rentabilidade que compensa o investimento até então realizado, como explicitaram AF1 e AF5 :

Se plantar um hectare de uva e tiver cuidados com a assistência técnica vai ter uma renda superior a qualquer outra atividade agrícola, ela é compensatória para a pequena propriedade e é um projeto que segura o homem no campo e vai dar uma renda para que ele possa permanecer lá, o que hoje é um grande desafio (AF1).

O retorno financeiro para mim demorou mais porque trabalho na parte orgânica então a produtividade demorou para a gente conseguir chegar num patamar [...] a uva te dá um bom lucro se comparar com outras culturas, te dá um bom retorno [...] e se eu conseguir cobrir os custos de produção e sobrar está ótimo (AF5).

Conforme os entrevistados, uma dificuldade da viticultura reside na rentabilidade a médio e longo prazo, mas por outro lado, admitem que há uma margem de renda superior a outras atividades agrícolas.

Desta forma, AF6 e AF8 assim se manifestaram:

Se plantar soja, vamos dizer dois alqueires de terra dá 200 sacas de soja e com esse preço de hoje deve chegar a uns 8 (oito) mil reais, você gasta 3 (três) mil, sobra 5 (cinco) mil, enquanto em um hectare de uva dando pouco chega a 15 mil reais e isso em um hectare e não dois alqueires onde se plantou soja, só que a uva dá mais trabalho que a soja (AF6).

Eu dava a terra para outros plantarem soja, esse pedaço que hoje tem a uva, hoje daria para colher 50 sacas de soja e descontando a porcentagem tirava 20 sacas de soja por ano, que daria em torno de 1 mil reais enquanto que a uva se tudo ir bem pode tirar 40 mil reais/ano. Também tinha um aviário de 50 metros e não poderia aumentar e com isso também não iria sobreviver, aí o retorno é bem menor e você fica preso e na uva é só uma temporada e o retorno da uva em compensação com o aviário quase triplica (AF8).

Os sujeitos ressaltam que há uma maior rentabilidade da viticultura comparada à produção da soja e aviário, tendo a mesma quantia de área territorial. No entanto, a rentabilidade da viticultura tem como propulsor da produtividade o crédito rural – PRONAF, utilizado para investir na viticultura.

Neste aspecto, os depoentes AF6 e AF8 comentaram:

Desde que eu iniciei a plantar uva eu peguei financiamento do PRONAF, e se não fosse o PRONAF eu não tinha nada. Financiamento nós temos graças ao Banco do Brasil, por isso não dá pra reclamar e como sou

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