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Praktisk erfaring ved FFI

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7 Erfaringer på FFI

7.3 Praktisk erfaring ved FFI

O município de Toledo se caracteriza por uma agropecuária bastante desenvolvida, baseada principalmente nas culturas de soja, trigo, milho e na criação de suínos, aves, bovinos de leite e piscicultura; observa-se que estes setores produtivos são complementares a outros, já que os pequenos estabelecimentos recorrem à produção diversificada. Com a redução das atividades tradicionais, os produtores rurais buscaram novas alternativas para a propriedade rural. Foi quando surgiu a fruticultura como proposta de grande potencial na geração de emprego e renda, segundo Potrich (2008).

A fruticultura é apontada como uma das maneiras de gerar renda nas pequenas e médias propriedades e possibilita a fixação do homem no campo, conforme afirmação do técnico da EMATER, Célio Potrich (2008). Esta declaração é reafirmada pelos técnicos da Secretaria Estadual da Agricultura e Abastecimento do Paraná – SEAB (2010), ao acrescentar que a categoria de agricultores familiares é que sustenta a economia do estado e torna-se prioridade da ação do Governo através do apoio do Estado – SEAB e a EMATER – os quais procuram viabilizar a pequena produção.

Com objetivo de oferecer alternativas de diversificação de diferentes cultivos em propriedades rurais, os municípios pertencentes ao Núcleo Regional120 de Toledo, que são acompanhados pela EMATER/PR, tem tido experimentos na área da fruticultura (uva, maça, goiaba e abacaxi) que condizem à adaptação ao clima e às condições da região. Atualmente, o referido Núcleo conta com 376 produtores de fruta.

Em relação aos produtores de fruta no município de Toledo, tem-se até o momento 78 produtores que diversificam na propriedade o plantio de diferentes frutas para a comercialização e no que confere ao número de viticultores, totalizam- se atualmente em 25 produtores.

A inciativa da fruticultura, segundo técnicos da EMATER Célio Potrich121 e Nelson Kunzler122, visa aplicar técnicas e avaliar o desenvolvimento das plantas, produtividade e qualidade das frutas; para tanto, capacita tanto os agricultores quanto os técnicos; como também difunde tecnologias para a atividade através da realização de dias de campo, que ocorrem regularmente nas propriedades dos agricultores que plantam determinadas espécies de fruta.

Segundo os técnicos, os dias de campo servem como momentos para socializar o conhecimento entre os técnicos e os agricultores familiares, que através da informação e da difusão do conhecimento vão aperfeiçoar as técnicas e os procedimentos necessários da cultura produtiva da uva para garantir a comercialização.

O plantio da fruta é uma alternativa de alta rentabilidade, sendo que a fruticultura é cerca de 10 a 15 vezes mais rentável que a soja, como salientam os técnicos Potrich e Kunzler (2008). Exemplificam afirmando que em um hectare com fruta, o produtor ganha mais do que em 10 hectares plantados com soja sendo esta uma atividade ideal para os pequenos produtores que não dispõem de uma área grande de terra e pouco maquinário, se tornando assim uma produção com grande rentabilidade. (INSTITUTO PARANAENSE DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA E EXTENSÃO RURAL, 2007).

120 O Núcleo Regional de Toledo é composto por 20 municípios da região oeste, Assis Chateaubriand,

Entre Rios do Oeste, Formosa do Oeste, Guaíra, Iracema do oeste, Ouro Verde do Oeste, Pato Bragado, Santa Helena, Terra Roxa, Jesuítas, Marechal Cândido Rondon, Maripá, Mercedes, Nova Santa Rosa, Palotina, Quatro Pontes, São José das Palmeiras, São Pedro do Iguaçu, Tupãssi e Toledo.

121Extensionista do Instituto EMATER/PR, Toledo, responsável pelo Projeto de Desenvolvimento da

Fruticultura Regional – PROFRUT a partir de 2003.

Além da importância socioeconômica, a cultura da fruta também gera renda e emprego, pois, faz com que se recorra com frequência à mão-de-obra especializada. Pensando assim, a experiência da produção da viticultura em Toledo vem se apresentando enquanto uma alternativa produtiva viável e rentável.

Como o município e a região tem a predominância da produção agrícola familiar, a produção da viticultura em alguns momentos demanda recorrer à contratação temporária (diarista), seja na época da poda como da colheita dos frutos, o que gera obviamente emprego no campo. Ao demandar mão-de-obra intensiva e especializada, a viticultura possibilita a permanência da família no campo, além de permitir boas condições de vida para quem tem pequena área territorial, segundo pesquisadores da Universidade Estadual do Oeste do Paraná – UNIOESTE (2009).

Os pesquisadores123 do Programa da Pós-Graduação de Ciências Agrárias da Universidade Estadual do Oeste do Paraná – UNIOESTE124 (2009) – Campus de Marechal Cândido Rondon, afirmam que a viticultura na região oeste é marcada pela pequena propriedade; além de que a fruticultura tem uma perspectiva de mercado e renda muito mais favorável que os grãos, tanto no país como no mercado de exportação. No Brasil, a agricultura familiar apresenta um enorme potencial produtivo e a produção da viticultura vem se destacando para o segmento uma vez que estes agricultores respondem por quase o total do valor bruto da produção agropecuária nacional, ocupando menos de um terço do total da área do país.

A rentabilidade de um pomar bem manejado é geralmente mais alta do que muito grande e mal gerenciado afirmam os pesquisadores. Assim, as áreas exageradamente grandes podem comprometer a capacidade financeira e gerencial do produtor e seguramente, produzirão frutas com baixa competitividade, pois demandam muito mais insumos e serviços. (UNIOESTE, 2009, s/p).

123 Os coordenadores da pesquisa são os professores doutores Gilberto Costa Braga e Ariane Busch

Salibe – Ciências Agrárias – Curso de Agronomia da Universidade Estadual do Oeste do Paraná – UNIOESTE.

124 Os pesquisadores da UNIOESTE, sob a coordenação dos professores acima citados,

desenvolveram uma pesquisa com ênfase à variedade de uva Bordô, originária dos Estados Unidos, uma das principais videiras de Vitislabrusca. Esta variedade foi introduzida no Rio Grande do Sul, em 1839, com o nome de “Ives” e a sua expansão ocorreu pela fácil adaptação às condições climáticas, a boa produtividade, longevidade, rusticidade, além da resistência a doenças fúngicas, informam os pesquisadores. (UNIOESTE, 2009).

No ano de 2003, foi elaborado pela EMATER o Projeto de Desenvolvimento da Fruticultura na Região de Toledo, com ênfase na vitivinicultura, fruto de amplas discussões baseadas em dados e informações diagnosticados em levantamentos feitos pelo Instituto.

A proposta contempla a implementação de práticas ao crescimento da fruticultura, oportunizando o desenvolvimento socioeconômico e ambiental das propriedades rurais, através de ações que envolvem a capacitação, transformação, tecnologia de produção e organização. (POTRICH, 2008). Diante da proposta de incentivar a fruticultura, em especial a viticultura, o Núcleo Regional de Toledo contou com o envolvimento de diversos parceiros e entidades no Projeto tais como: Governo do Estado, por meio da SEAB, EMATER, Prefeituras, Câmaras Municipais, Sindicatos Rurais (dos Trabalhadores e Patronais), associações, cooperativas, Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR/PR), Federação da Agricultura (FAEP), Federação dos Trabalhadores na Agricultura (FETAEP), Ministério do Desenvolvimento Agrário, agentes financeiros, empresas de assessoria técnica e produtores.

O incentivo à fruticultura notadamente com a produção da uva, provocou a iniciativa de vários produtores uma vez que em um curto período de tempo (2005-2007) foram instaladas 04 cantinas com capacidade de 30 mil até 2000 mil litros/ano, estruturadas 05 cantinas com capacidade até 20 mil litros/ano com previsão de instalação de duas novas cantinas para até 30 mil litros na Região. (POTRICH, 2008, p. 77).

A cultura da uva é uma atividade rentável na maioria das regiões onde é cultivada, tanto é que a procura por informações tecnológicas, para implementação da cultura em novas regiões, especialmente de pequenas propriedades de agricultura familiar ocorre com muita frequência nos órgãos como EMATER e EMBRAPA, salientam os técnicos. (INSTITUTO PARANAENSE DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA E EXTENSÃO RURAL, 2007).

Diante desta afirmação, pode-se demonstrar o impulso na produção da cultura da uva para a produção do vinho, sinalizado no quadro a seguir.

Quadro 6 – Evolução da vitivinicultura na Região do Núcleo de Toledo (2003/2004)

ANO Produção

litros/ano Produtores Nº de Fins Comerciais

2003 78.800 87 06

2004 355.000 158 41

Obs: Aumento médio de 70,10% ao ano na produção. Fonte: POTRICH (2008), Revista Cristo Rei-Toledo/PR.

Outro aspecto a considerar sobre a produção da uva é que há um grande reaproveitamento da fruta através de seus derivados. Transforma-se a fruta em geleias, sucos e doces, agrega-se valor ao produto e garante-se a comercialização como espaço de produção e, principalmente, podem ser realizadas estas atividades no próprio estabelecimento rural, como garantem os técnicos Potrich e Kunzler (2008).

No que se refere aos investimentos da produção da viticultura, os técnicos da EMATER esclarecem que precisa aproximadamente R$ 7 a R$ 10 mil por hectare, incluindo estrutura, insumos, mudas e tratamento do solo. Porém, o “produtor não precisa investir este valor de uma só vez, ele tem a opção de implantar a atividade em uma área menor [...] e na primeira colheita já é possível obter uma renda suficiente para o pagamento de 50 a 60% do valor total investido.” (INSTITUTO PARANAENSE DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA E EXTENSÃO RURAL, 2007, s/p).

Pode-se dizer, que o tamanho ideal de um pomar comercial de videira é aquele que o viticultor consegue administrar bem, ou seja de maneira técnica e econômica. Ao assumir a cultura produtiva da viticultura devem ser definidos vários aspectos que são decisivos para o seu desenvolvimento, sendo: análise da capacidade técnica, gerencial e de investimento do produtor, o regime de trabalho a ser adotado, a facilidade ou não na contratação de trabalhadores volantes, a infraestrutura de produção disponível, o tipo de uva a cultivar e explorar (uva fina ou rústica), o número de colheitas anuais e outras atividades desenvolvidas na propriedade, segundo avaliação de Sato e Roberto (2008).

Os autores destacam que a área ideal para o viticultor iniciante, que vai trabalhar com a mão-de-obra familiar e contratar trabalhadores volantes nas épocas

de maior necessidade não deve ser superior a 01 hectare, mas que poderá aumentar conforme o nível de experiência que vai adquirindo.

Em relação à produção do suco de uva, é notável o aumento da área de produção de algumas variedades, sobretudo, a “Isabel”, devido à sua adaptabilidade e à alta produção no Paraná. Alguns municípios como Toledo, Santa Helena, no oeste do Estado e Rosário do Ivaí, na região norte paranaense, iniciaram recentemente o cultivo da uva ‘Niágara Rosada’ e encontram-se em grande expansão, seja na produção de suco, da uva de mesa como para vinhos. Com um clima subtropical a região oeste do Paraná desponta como alternativa de grande potencial à produção de uva americana ou rústica, ideal para sucos e fermentados. Quadro 7 – Evolução da produção de suco na região de Toledo-PR (2005 a 2008)

ANO Produção

litros/ano Produtores Nº de Fins Comerciais

2005 600 18 06

2008 10.200 23 10

Obs: Aumento médio de 320% ao ano na produção. Fonte: POTRICH (2008), Revista Cristo Rei - Toledo/PR.

Enfim, as propriedades onde a viticultura está sendo produzida apresentam modificação do perfil econômico, esse fator contribui na viabilização principalmente, das pequenas propriedades rurais e no desenvolvimento econômico do município. Neste aspecto, as famílias compostas de pequenos agricultores estão conseguindo melhorar o resultado econômico de suas propriedades ao investirem na produção de uva e segundo informações de Potrich (2008), a área cultivada na região já ultrapassa 70 hectares, até o final de 2008.

No entanto, a consolidação da fruticultura, em especial a viticultura, na Região de Toledo, só foi possível a partir de um efetivo comprometimento das entidades envolvidas, bem como dos produtores que assumiram a construção de uma nova cadeia produtiva e, assim realizaram um trabalho conjunto e articulado, afirma Potrich (2008).

De fato, como comprova o Censo Agropecuário (IBGE, 2010), está em curso uma nova dinâmica social e produtiva no campo brasileiro, em que pequenos e médios produtores viraram sinônimo de qualidade de vida e os resultados são frutos

de uma longa jornada de lutas e de reconhecimento pelo Estado brasileiro, da importância social e econômica e da legitimidade da agricultura familiar.

O presente capítulo expõe primeiramente as percepções que foram colhidas na forma de depoimentos dos sujeitos da pesquisa sobre a produção da viticultura enquanto uma nova experiência no município de Toledo/Paraná.

Em sequência, passou-se a construção da análise dos dados da pesquisa ressaltando os significados mais relevantes da experiência da viticultura da agricultura familiar de Toledo. Para melhor compreensão do conteúdo analítico dividiu-se a construção interpretativa a partir de dois eixos analíticos:

1) A viabilidade da viticultura da agricultura familiar de Toledo;

2) A participação da família: componente fundamental do processo produtivo da viticultura de Toledo.

Conforme apresentado na introdução, utilizou-se do procedimento metodológico da entrevista semi estruturada com 16 (dezesseis) sujeitos, entre eles, 09 (nove) agricultores familiares viticultores, 03 (três) técnicos e 04 (quatro) dirigentes de entidades representativas do segmento agrícola de Toledo.

Os entrevistados são identificados por letras “AF” para Agricultor Familiar, “T” para Técnicos e “D” para os Dirigentes das entidades; observou-se a ordem numérica de acordo com as entrevistas realizadas, como AF1, T1, D1, e assim sucessivamente, tendo em vista o intuito de resguardar o sigilo de identidade dos entrevistados.

In document 10-01158 (sider 52-57)