2 WP 2: Preparing for the use of air quality observations from
2.2 Data and Methodology
2.2.3 Trend analysis
Diários do pesquisador e o protocolo verbal
Analisar e interpretar a leitura e a construção de sentido e das suas identidades pelos alunos deficientes visuais exigiu o emprego de dois importantes instrumentos na coleta de dados: o diário do professor e o método do protocolo verbal.
4.6.1 Diários do pesquisador
Para que se possa entender como os diários foram usados, neste trabalho, farei uma breve introdução.
Nunes (2000) faz referência à importância dos diários como instrumento de observação dos participantes em uma pesquisa quando afirma que o seu emprego tornou-se prática comum em sua atividade docente. A autora justifica o emprego dos diários não apenas como uma forma de resumir as atividades de aula, mas de identificar as reações dos seus alunos e as reações dela como professora/pesquisadora. A esse respeito diz: Nele são registrados não apenas o resumo dos eventos e atividades de aula, mas também as reações dos alunos (...) e , ainda, meus sentimentos e reflexões, interpretações, hipóteses. (Nunes 2000: 51)
Nessa perspectiva, o uso dos diários surge como uma ferramenta introspectiva fundamental (Nunan, 1992) que tem sido empregada em investigações em sala de aula, na interação professor-aluno, na formação de professores e em outros aspectos importantes na aprendizagem e uso da língua. Para Mc Donough, 1994, considera-se o diário uma técnica comum nas pesquisas de sala de aula como instrumento de metodologia, reflexão e desenvolvimento profissional.
De acordo com Van Lier (1988), os diários fornecem informações a respeito da motivação entre professor e aluno em sala de aula, bem como facilita a identificação de fatores afetivos e pessoais que influenciariam a interação e a aprendizagem. Ortiz (2002) reforça essa idéia ao afirmar que os diários são um instrumento que tem a finalidade de registrar as impressões e sensações, de maneira sincera , a respeito das experiências diárias nos trabalhos de pesquisa.
Machado (2001) afirma que o diário reflexivo é resultado do registro das impressões pessoais do pesquisador a respeito das suas observações e de que forma elas poderão contribuir para o desenvolvimento do seu trabalho. Para a definição de diários, a autora apóia-se em um modelo de análise de discurso de base sócio-interacionista, que postula como elemento central da atividade da linguagem, a existência de gêneros portadores da experiência social, em constante transformação pelas exigências e parâmetros da ação social em curso, neste caso, a interação didática (Kleiman, 1999).
No trabalho que foi desenvolvido ao longo dos encontros do grupo de leitura, ao final de cada um deles, eu anotava situações, comportamentos, impressões, ou seja, tudo aquilo que julguei importante e que de alguma maneira poderia contribuir posteriormente para a análise e interpretação dos dados. Justifico que o emprego desse instrumento poderia contribuir para enriquecer a coleta dos dados, pois considerei que somente a gravação em áudio era insuficiente para – posteriormente – resgatar de maneira mais fidedigna a interação vivida durante a leitura e interpretação dos textos propostos.
4.6.2 O protocolo verbal em grupo
O método do protocolo verbal em grupo se caracteriza pelo “pensar alto”, de acordo com Ericsson e Simon, (1984), e tem sido empregado, geralmente, para a realização de tarefas individuais em diferentes pesquisas.
Porém, de acordo com Zanotto (1997: 3), “o protocolo verbal em grupo é de fato uma prática sócio-cognitivia na qual os leitores numa interação face a face partilharm, negociam, constroem e avaliam as diferentes leituras. Em outras palavras, podemos dizer que eles socializam os diferentes sentidos. Essa
metodologia pode ser definida como uma prática em que os participantes pensam alto em grupo, podendo ocorrer momentos de autêntico pensar alto ‘on-line’ assim como momentos de retrospecção imediata. (Zanotto, M.S e Palma, D.V, 2003: 2).
Zanotto (1995) justifica o emprego desse método porque os participantes atuariam de forma mais espontânea e descontraída. Deve-se ressaltar que a definição de protocolo verbal em grupo, defendida por Zanotto (1995), encontra respaldo em Bloome (1993), Maybin e Moss (1993), Bloome. Egan Robertson (1993) e Parry (1993) que conceberam a leitura como um evento social
Pode-se dizer que o protocolo de leitura em grupo proporciona instrumento adequado a uma visão que tem como base o conceito de leitura como evento social, como visto acima, e também como evento cultural. Esse protocolo define- se, portanto, como um evento social de leitura segundo o qual os leitores estão em uma interação face-a-face, partilham, negociam, constroem e avaliam as diferentes leituras (Zanotto, 1997).
Bloome (1993) e Parry (1993), por exemplo, ao definirem a leitura como evento social, baseando-se em Vygotsky e Bakthin, aplicam essa visão em contextos tradicionais de sala de aula. Porém, Zanotto (1997) propõe uma nova prática dialógica, que encontra respaldo teórico em Vygotsky e também em Bakhtin e na metodologia etnográfica.
A autora descreve a prática do método do protocolo em grupo da seguinte forma;
Concretamente, a prática de leitura como evento social consiste no seguinte: o texto é distribuído aos participantes do grupo, que fazem, num primeiro momento, uma leitura individual silenciosa e anotam espontaneamente as idéias que vierem à mente. Logo em seguida se inicia a discussão , na qual cada um pode dizer livremente o que quiser a respeito do texto e do seu processo de leitura. Não é dada à discussão nenhuma direção prévia , pelo contrário, as idéias
devem fluir livremente e não constituírem objeto de avaliação. (Zanotto, 1997: 21).
De acordo com a pesquisadora, nesse processo a imagem do professor como autoridade interpretativa sai de cena, cabendo-lhe apenas o papel de coordenador da discussão.
No caso específico dos dados analisados, a discussão sobre o filme: Janela da Alma não foi feita imediatamente após a exibição do filme, mas na semana subseqüente. A esse movimento de discussão posterior Zanotto (1998) denomina: leitura retrospectiva.