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O jogo, a brincadeira e o brinquedo são partes importantes da vida da maioria das crianças. Quando se fala em brinquedos, podemos nos referir, principalmente, ao seu aspecto lúdico, já que “(...) são fonte de magia, entusiasmo, emoção, prazer e aprender, pois brincar elimina o estresse, aumenta a criatividade e a sensibilidade e estimula a sociabilidade (...)” (ARTONI, 2003. p. 28). Nesta perspectiva, alguns brinquedos permitem às crianças se divertirem enquanto, ao mesmo tempo, ensinam-lhes sobre um dado assunto. Os brinquedos, muitas vezes, ajudam no desenvolvimento da vida social da criança, especialmente aqueles usados em jogos cooperativos.

Santos (2002) relata, em seus estudos, o significado da palavra ludicidade que vem do latim ludus e significa brincar. Desta forma, Santos menciona a ludicidade como sendo:

(...) uma necessidade do ser humano em qualquer idade e não pode ser vista apenas como diversão. O desenvolvimento do aspecto lúdico facilita a aprendizagem, o desenvolvimento pessoal, social e cultural, colabora para uma boa saúde mental, prepara para um estado interior fértil, facilita os processos de socialização, comunicação, expressão e construção de conhecimento. (SANTOS, 2002, p. 12).

Verifica-se, então, que os brinquedos estão inseridos no contexto escolar como uma importante ferramenta para as práticas pedagógicas de ensino-aprendizagem e, portanto, são cada vez mais investigados e analisados por diversos autores.

Kishimoto (2008) observa que o brinquedo contém o mundo real da criança com seus valores, modos de pensar e agir. A autora acredita que o brinquedo contém também o imaginário do criador do objeto. Nas suas palavras:

Brinquedo é outro termo indispensável para compreender esse campo. Diferindo do jogo, o brinquedo supõe uma relação íntima com a criança e uma indeterminação quanto ao uso, ou seja, a ausência de um sistema de regras que organizam sua utilização. (KISHIMOTO, 2008, p. 18).

Os brinquedos são essenciais para a educação e evolução da criança por oportunizarem o desenvolvimento simbólico. Além de estimular a imaginação, autoestima e a capacidade de raciocínio. Desta forma, Carvalho (1992) explicita que:

(...) desde muito cedo o jogo na vida da criança é de fundamental importância, pois quando ela brinca, explora e manuseia tudo aquilo que está a sua volta, através de esforços físicos e mentais e sem se sentir coagida pelo adulto, começa a ter sentimentos de liberdade, portanto, real valor e atenção as atividades vivenciadas naquele instante. (CARVALHO, 1992, p. 14).

Com isso, o brincar vai ganhando forças no processo de aprendizagem da criança. Esse ato é uma necessidade básica e um direito de todos, como explicita a Declaração de Direitos das Crianças – ONU (20/11/1959). Através do brincar, a criança expressa seus atos sociais e exterioza o que está sentindo ou necessitando. Dessa forma, é brincando que a criança usa a sua imaginação e libera seus desejos mais íntimos. “É no brincar, e somente no brincar, que o indivíduo, criança ou adulto pode ser criativo e utilizar sua personalidade integral: e é somente sendo criativo que o indivíduo descobre o eu” (WINNICOTT, 1975).

Assim, o brincar não é somente brincar. É algo sério, pois faz parte da cultura da criança e também de seus direitos. Desta forma, Winnicott (1975) afirma

que a brincadeira é a melhor maneira da criança comunicar-se, ou seja, um instrumento que ela possui para relacionar-se com outras crianças.

Brincando, a criança aprende sobre o mundo que a cerca e tem a oportunidade de procurar a melhor forma de integrar-se a esse mundo que já encontra pronto ao nascer. (WINNICOTT, 1975 p.78).

Para Oliveira (1997), o brincar não é somente recrear. É uma das formas mais complexas que a criança tem de comunicar-se consigo mesma e com o mundo, porque é através do brincar que a criança consegue progredir suas habilidades e desenvolver as áreas da personalidade.

Almeida e Shigunov (2000) debatem o brincar como uma faculdade inerente ao ser humano e que pode ser entendida por crianças e/ou adultos necessitando de concentração durante certo período de tempo, a qual muda conforme a faixa etária e o desenvolvimento em que se encontra.

O brincar é normalmente elucidado como uma atividade que possui a finalidade de diversão e não de sobrevivência, ao passo que a simulação abrange uma realidade que se sobrepõe a outra, mantendo uma coisa frente a outra para encobri-la, disfarçá-la ou protegê-la. (LILLARD apud BOMTEMPO, 1996). Para o autor, o brincar é uma atividade livre e espontânea, que é responsável pelo desenvolvimento físico, moral e cognitivo.

O brincar constitui parte do nosso cotidiano e é uma necessidade do ser humano, independente de idade, nível social e suas crenças. (KISHIMOTO, 1997).

Segundo Kishimoto (apud GOMES e CASTRO, 2010): o brincar e o jogo têm relação com o sonho, a imaginação, o pensamento e o símbolo. A autora acredita que o homem é um ser simbólico, o qual é capaz de construir coletivamente e a ação de pensar está diretamente relacionada à capacidade de sonhar, imaginar e jogar com a realidade. A autora “vê o jogar como gênese da "metáfora" humana. Ou, talvez, aquilo que nos torna realmente humanos”. (GOMES e CASTRO, 2010, p.2).

Nesse sentido, de acordo com Gomes e Castro (2010), o brincar contribui no desenvolvimento infantil e, além disso, possibilita às crianças conhecerem a realidade vivida através dos momentos lúdicos. Assim,

Se considerarmos que a criança aprende de modo intuitivo, adquire noções espontâneas, em processos interativos, envolvendo o ser humano inteiro com suas cognições, afetividade, corpo e interações sociais, o brinquedo desempenha um papel de grande relevância para desenvolvê-la. (KISHIMOTO, 1999, p. 36).

Desta forma, o brincar está dentro da cultura e mostra uma prática que constitui um saber em que cotidianamente a criança está inserida. “Dessa forma: brincar, cultura e

conhecimento constituem-se em eixos de aprendizagem e de sociabilidade. Onde a autonomia e a forma de se relacionar com o mundo e no mundo fazem, através da relação com o outro e com os elementos da cultura ao qual pertencem”. (GOMES e CASTRO, 2010, p. 9)

“A brincadeira é uma atividade que a criança começa desde seu nascimento no âmbito familiar” (KISHIMOTO, 2002, p. 139). Kishimoto nota que o brincar era considerado uma atividade contrária ao que é sério, isto é, acreditava-se que a brincadeira poderia ser uma prática que possibilitasse às crianças um repertório de informações e experiências. (KISHIMOTO apud PONTES e ALENCAR, 2012)

Pontes e Alencar (2012) afirmam, por meio de estudos, pesquisas e reflexões, que o brincar passou a ser definido como uma atividade que possibilita à criança compreender o mundo ao mesmo tempo em que começa a reproduzi-lo e vivenciá-lo em suas situações lúdicas. Os autores ainda apontam que

Kishimoto (2002) defende que o brincar é uma atividade livre, mas para que essa liberdade seja desenvolvida é essencial que tenhamos a clareza que é fundamental oferecer possibilidades de ação, e essa prática não ocorre com demissão do adulto, mas pelas oportunidades que forem oferecidas.

Ainda de acordo com Kishimoto, o brincar é considerado com um espaço explorável, pois, quando brinca, a criança corre, anda, conversa, pula, derruba etc. (apud PONTES e ALENCAR, 2012). Através das brincadeiras, temos novas descobertas e isso se torna um exercício importante para o desenvolvimento infantil. As crianças têm a possibilidade de realizar diversas experiências e desenvolverem várias aprendizagens, pois conseguem explorar, além de solucionarem problemas. Em situações cotidianas, as crianças jamais teriam esta experiência, já que existiria o medo de errar e, quando estão brincando, não há medo e nem se preocupam com o que vão encontrar no resultado. “O brincar torna o ensino e aprendizagem como atividades significativas, visto que à medida que a criança vai realizando diversas brincadeiras, experimenta e vive momentos significantes de descobertas.” (PONTES e ALENCAR, 2012, p. 8).

Pontes e Alencar (2012) relatam um pouco sobre a brincadeira de faz de conta na visão de Kishimoto (2002). As autoras acreditam que esse tipo de brincadeira é um exercício que desenvolve muito a imaginação infantil, permitindo nessa fase de vida adquirir vários conhecimentos.

A criança tem a oportunidade de imaginar, criar, socializar-se com outras crianças, pois a brincadeira é a ação que a criança desempenha ao mergulhar

no mundo mágico do lúdico, contribuindo na construção do conhecimento infantil. Esta atividade lúdica que é o brincar é muito positiva para o desenvolvimento integral infantil, uma vez que leva a criança a tornar-se mais flexível e buscar alternativas de ação, esse processo traz efeitos positivos aos aspectos: corporal, moral e social. (PONTES e ALENCAR, 2012, p.9).

De acordo com Pontes e Alencar (2012), ao permitirmos que a criança brinque dentro do ambiente escolar, ela tem a chance de construir representações cognitivas, ter desenvolvimento motor e, através das interações experienciadas, desenvolverem a socialização.

Pontes e Alencar (2012) acreditam que

as brincadeiras realizam duas funções importantíssimas: a lúdica que propicia diversão, prazer e a educativa que permite a construção de conhecimentos, mas para isso acontecer é necessário que o adulto propicie espaço e tempo para trabalhar a construção do real pelo exercício da fantasia, ou seja, criar novas relações entre situações no pensamento e situações reais. (PONTES e ALENCAR, 2012, p. 9).

A brincadeira, portanto, está longe de ser uma mera diversão. Precisa ter espaço e tempo na vida das crianças. O brincar é uma atividade complexa e permite que a criança tenha um processo de aprendizagem, pois quando brincamos, há a construção da reflexão, da autonomia e da criatividade. Ao brincar, a criança sente-se livre para fantasiar, cria situações-

problema e torna-se, assim, dona do seu próprio mundo. O brincar é um potencializar da

criatividade da criança, sendo que

nas brincadeiras, a criança é colocada diante de desafios para além de seu comportamento diário, pode levantar hipóteses para tentar solucionar problemas propostos pelos adultos e pela realidade em que está inserida. Desenvolve sua imaginação, constrói relações reais e elabora regras de organização e convivência, construindo assim uma consciência da realidade, vivenciando uma possibilidade para modificá-la. (VENTURA, 2010, p. 6).

Por isso, é necessário que o educador infantil esteja consciente do seu papel na brincadeira, do valor dos brinquedos e jogos como ferramentas para a aprendizagem das crianças. Dessa forma, o professor deve propiciar ambientes adequados e arejados; além de, oportunizar situações diferenciadas, prazerosas e seguras, que estimulem e motivem a brincadeira.