O percurso realizado nesta pesquisa iniciou-se com estudo acerca da importância do brinquedo para Educação Infantil, além do percurso histórico-cultural dos brinquedos desde os tempos antigos. Para isso, utilizamos grandes estudiosos que discutem sobre a importância do brinquedo para o desenvolvimento infantil, como Lev S. Vygotsky, Walter Benjamin e Gilles Brougeré. Em seguida, pretendemos compreender a lógica e o funcionamento da sociedade disciplinar referida por Michel Foucault. Esses autores permitiram organizar a pesquisa e criar um aporte teórico como método de investigação.
A pesquisa de campo realizou-se na Rede Municipal de Educação Infantil da cidade de Rio Claro – SP, devido à pesquisadora residir nesta cidade. Desta forma, foram protocolados documentos na Secretaria Municipal de Educação para aceitação e autorização para que a pesquisa fosse realizada na Escola X.
A escolha da Escola em que se realizaria foi feita da seguinte maneira: a pesquisadora havia escolhido, juntamente com sua orientadora, uma escola que se situava próximo ao campus da Unesp de Rio Claro-SP. Era uma escola bem conceituada neste Município, a qual se encaixava na faixa etária da pesquisa e apresentava os critérios e estruturas necessários para este estudo.
Ao procurar a direção da Escola, a pesquisadora não pôde ser recebida, devido ao fato de que a Diretora estava muito ocupada, agendando a visita para um mês depois. Como a escola não se mostrou receptiva a receber alunos pesquisadores, decidimos buscar uma nova instituição.
Em busca da tão sonhada escola da pesquisa, em conversas com amigos pessoais da pesquisadora responsável, foi cogitada a disponibilidade de outra escola que pudesse aceitar participar deste estudo. Assim, a pesquisadora foi em busca da aceitação desta nova instituição.
Chegando à escola, situada em um bairro bem afastado da parte central da cidade de Rio Claro, a pesquisadora foi muito bem recebida pela direção, a qual se disse aberta à pesquisa e que seria de muito interesse o estudo do tema.
Após as autorizações necessárias por parte da Secretaria Municipal de Rio Claro, a pesquisadora recolheu os documentos e assinaturas necessários e encaminhou para o Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Campus de Rio Claro – SP, para a aprovação da pesquisa e consequente regulamentação da pesquisa, de acordo com o Conselho Nacional de Saúde, Resolução 466/12.
Com a aprovação do Comitê de Ética e da Secretaria Municipal de Educação em mãos, a pesquisadora retornou à escola para iniciar o estudo. De acordo com Minayo (2011), a entrada no campo merece preparação por parte do pesquisador, no sentido de identificar com quem deve estabelecer o primeiro contato, como apresentar-se e como descrever sua proposta de pesquisa. O processo de investigação prevê visitas ao campo antes do trabalho mais intensivo, o que permite o fluir da rede de relações.
Desta maneira, a pesquisadora preparou a sua fala e como se apresentaria de maneira formal àquela escola. Separou também os documentos e materiais necessários para sua apresentação. Primeiro, programou-se para ter uma conversa esclarecedora com a direção escolar, com intuito de aprofundar e sistematizar melhor o tema da pesquisa, realizou a escolha da turma e dos sujeitos da pesquisa e, em seguida, conheceu melhor a unidade escolar e seus funcionários.
Com os objetivos estabelecidos, a pesquisadora direcionou-se novamente à escola, em que a direção se disponibilizou prontamente em ajudar no que fosse necessário para a realização da pesquisa nesta Unidade Educacional. A diretora foi bastante receptiva com a pesquisadora e relatou a importância da presença do brinquedo naquela escola, o qual, muitas vezes, não é devidamente aproveitado pelas professoras.
Para a escolha dos sujeitos de pesquisa nessa instituição, a pesquisadora contou com a ajuda da direção escolar, a qual explicou que toda a escola estaria de “portas abertas” para este estudo. Portanto, ela não iria apresentar e escolher uma turma específica para este estudo.
Além disso, a diretora informou a pesquisadora que havia cinco salas com crianças na faixa etária de quatro anos, duas salas no turno da manhã e três no turno da tarde. Como a direção não determinou uma turma ou professora específica para a pesquisa, tendo em vista que poderia influenciar nos resultados finais, sugeriu um sorteio para definir qual turma seria contemplada.
Em consonância com a direção escolar, optamos por realizar um sorteio entre as turmas. O sorteio foi realizado e a turma contemplada era do turno da manhã. Como a pesquisadora já se encontrava na escola naquela manhã, a diretora levou-a para conhecer a instituição e seus funcionários, apresentando também a professora da sala sorteada. Ao
encontrar com a docente, a diretora explicou a pesquisa de maneira sucinta e questionou-a se teria o interesse e gostaria de participar deste estudo. A professora aceitou prontamente.
Em seguida, a pesquisadora conversou um pouco com a professora e explicou quais as intenções da pesquisa e o que buscava com aquele estudo. Foi interessante perceber o alívio da outra professora em não ter sido sorteada para esta pesquisa. E isso porque muitos professores têm o receio de expor sua prática e o cotidiano escolar, para que sejam estudados e pesquisados por outras pessoas, muitas vezes sem perceber o quão isto pode ajudá-los no seu dia a dia.
Nesta conversa, a professora mostrou-se receptiva em participar da pesquisa, mas já disse de antemão que não abriria “mão” de ler e assinar todos os registros feitos pela pesquisadora em sala de aula. A mesma relata que, em outra situação, uma estagiária fez algumas anotações que ela não concordou e por isto queria acompanhar o diário de campo. A pesquisadora não se opôs à solicitação da educadora, a qual mostrou-lhe os alunos desta turma e afirmou que estaríamos juntos em breve.
A pesquisadora expôs também à professora que era necessária sua assinatura no TCLE (Termo de Consentimento Livre e Esclarecido) e que os pais e responsáveis também deveriam fazer o mesmo. A pesquisadora explicou a função deste documento, o qual é para segurança dos próprios sujeitos participantes da pesquisa, e providenciou cópias do mesmo para que a educadora providenciasse a autorização desta documentação junto aos pais das crianças.
Após recolhida a autorização de quase todos os alunos, a professora comunicou à pesquisadora que a sala estava disponível para a pesquisa. E, assim, iniciou-se essa grande experiência de vida e de estudos.