IV. BACKGROUND
6. Treatment
Deve chegar, por estes dias, a planta do predio para collegio, que a Directoria da sociedade anonyma “Progresso de Uberabinha” mandou executar, em S. Paulo. Sabemos que tão logo esta planta chegue, os serviços serão iniciados. Os directores daquella sociedade empenham-se em levar a cabo o mais breve possível os trabalhos, pois conhecem bem a extraordinaria falta que o predio vem fazendo sentir em virtude do crescente numero de estudantes que de varias localidades afluem á nossa terra.
O terreno está comprado e só esperam a chegada da planta para iniciarem os trabalhos. (A Tribuna, 14 setembro 1919. Ano. I. n.º 02.)
Após quase 30 dias do anuncio da confecção da planta, ela chegou à Uberabinha, passando alguns dias em exibição nas vitrines da Casa
Americana, famosa casa comercial da cidade (Cópia da planta em ANEXO
VIII). O jornal A Tribuna comentou que a planta foi feita com todos os preceitos de hygiene e da esthetica exigidos para um prédio destinado exclusivamente à educação, ou seja, era o desejo de se trazer para Uberabinha o que se tinha de mais moderno em construções com fins educacionais, contando com um grande número de salas de aula e dormitórios para internato. Continha duas partes, a ala masculina e feminina, que apesar de interligadas, eram independentes entre si, contando cada uma com uma portaria separada sendo, uma entrada pela Praça D. Pedro II e a outra pela Rua Carijós.
Contudo, devido a grandiosidade da construção, foi divulgada a informação de que a Sociedade não teria mais dinheiro suficiente para construir todo o prédio em uma única arrancada, assim, fariam uma primeira parte, seguindo a planta de forma que, futuramente, poderiam terminar a construção conforme planejado.
VARIAS
Vimos exposta numa das vitrines da Casa Americana, a planta do collegio que se vae construir nesta cidade.
Trabalho do conhecido engenheiro architeto J. Saccheti, a planta está confeccionada debaixo de todos os preceitos de hygiene e da esthetica, applicados aos fins a que ella se destina.
O grande numero e a disposição das salas de aulas; a collocação e o arranjo dos dormitórios; emfim, a organisação geral de todo o edificio perfazem totalmente todo o conjunto de requisitos necessarios a um predio daquella categoria.
O predio compor-se-á de duas partes, que embora ligadas, são completamente independentes: secção masculina e secção feminina. Parece até, pela disposição, dois collegios, um com entrada pela praça D. Pedro II e o outro pela rua Carijós.
Penna é que os recursos da sociedade não sejam bastante sufficientes. Em todo caso diante da necessidade de um edificio daquella natureza e da grandeza da obra da S.A. “Progresso de Uberabinha”, é de esperar que os srs. accionistas não se furtarão a nova chamadas. (A Tribuna, 17 outubro 1919. Ano I. n.º 06.)
As manobras políticas Directoria da Sociedade também deverão ser consideradas, como por exemplo, o fato da planta do prédio ter sido confeccionada em São Paulo e a sua exposição em uma casa comercial como fator de credibilidade da obra.
3.3 A Obra
Neste momento, todos os preparativos para o início da obra estavam alinhados, ou seja, os terrenos comprados, a planta aprovada e dinheiro em caixa.
A planta chegou à cidade em meados de outubro de 1919, assim, vamos considerar a data inicial da Construção, novembro de 1919, data em que foram compradas as primeiras pedras e pagos os primeiros “jornaleiros”119, com base
na planta de J. Sachetti120.
119 São trabalhadores contratados e pagos por jornadas de trabalho, por isso o nome de
“jornaleiros”.
120 Encontrarmos registros, no Diário da Sociedade, de uma compra de pedras em 29 de
novembro de 1919, mas não houve uma continuidade na aquisição de materiais durante o mês que se seguiu. Apenas a partir do mês de janeiro esse procedimento passou a ser contínuo.
Uma das primeiras tarefas da Sociedade, iniciando o momento da construção, estava em contratar um profissional que ficasse responsável pela execução da planta, ou seja, um profissional que regesse o andamento da obra.
Tão logo quanto possivel, serão iniciados os trabalhos de construção do predio destinado a collegio, que a sociedade Progresso de Uberabinha vae construir.
A obra será feita por administração, a cargo de pessoa competente, designada pela Directoria.
À Camara Municipal foi dirigido um requerimento pedindo isenção de todos os impostos municipaes, assim como dos demais onus que recaiam sobre predios da cidade. (A Tribuna, 02 novembro 1919. Ano I. n.º 08.)
Outro fator importante a ser considerado foi o alinhamento da Sociedade com o poder público municipal. Com a planta em mãos, Carmo Giffoni, presidente da Sociedade, entrou com um requerimento pedindo à Câmara Municipal de Uberabinha a isenção de todos os impostos municipais e também o direito de explorar gratuitamente as Pedreiras121 do município:
“Expediente” Foi lido um requerimento do sr. Carmo GIffoni, presidente da sociedade “Progresso de Uberabinha” pedindo isenção de todos os impostos municipaes. Como sejam, água, luz (por frente illuminada) predial, e exgoto e pede mais o direito de suprir-se gratuitamente na fanda que a municipalidade possue, de pedras que vier precisar, para levar a termo o edifício que vae construir; este requerimento foi entregue a commissão de finanças e contas. (CÂMARA MUNICIPAL, Uberabinha, Minas Gerais. Atas da Câmara Municipal de Uberabinha, 06 novembro 1919. p. 91/frente.)
O requerimento foi submetido ao parecer da Comissão de Finanças da Câmara que, no dia 07 de novembro de 1919, ou seja, um dia após a apresentação do requerimento à Câmara e obtém parecer favorável. O relator foi o Vereador José Nonato. Aparentemente tudo apontava para a aprovação de uma lei em favor da Sociedade:
“Expediente” O vereador José Nonato apresentou, em nome da commissão de finanças o seguinte parecer que foi dado para ordem do dia de amanhã: A commissão de finanças e contas, a que foi presente um requerimento do Presidente da Sociedade e Progresso de Uberabinha, pedindo isenção de impostos municipaes, para o prédio que a referida sociedade pretende edificar nesta cidade, para funcionar um estabelecimento de instrucção, é de parecer que lhe seja concedida a isenção de todos os impostos municipaes, por dez annos, podendo, também suprir-se, gratuitamente, de pedras de que precisar para a mesma construcção, sendo as pedras retiradas da pedreira que a
Câmara Municipal possue. Sala das commissoes, 07 de novembro de 1919. (CÂMARA MUNICIPAL, Uberabinha, Minas Gerais. Atas da Câmara
Municipal de Uberabinha, 07 de novembro 1919. p. 92/frente e verso.)
Assim, no dia 10 de novembro de 1919, em sessão ordinária da Câmara, o Vereador Dr. Leopoldo de Castro apresentou o Projeto de Lei, assinado pela Comissão de Finanças e Contas da Câmara, ficando a promessa de votação na próxima sessão, que ocorreu em 12 de novembro de 1919, quando foi aprovado em primeira discussão e em 14 de novembro de 1919, em segunda discussão.
Com a certeza da aprovação do requerimento e encaminhamentos para também aprovação de uma Lei favorável à Sociedade, começaram os trabalhos preliminares da construção, trazendo as pedras necessárias para os alicerces e contratando os primeiros trabalhadores. Só nesta primeira arrancada, digamos entre novembro e dezembro de 1919, somente com o transporte de pedras e mão de obra de “jornaleiros” a Sociedade gastou 2:438$200 (dois contos, quatrocentos e trinta e oito mil e duzentos réis), fora os 13:000$000 (treze contos de réis) referentes a compra dos lotes e mais 1:300$000 (um conto e trezentos mil réis) gastos na compra das duas plantas. Assim, na primeira chamada de Capital, onde 53 sócios adentraram com a primeira parcela, somando um valor total de 16:000$000 (dezesseis contos de réis), dinheiro disponível em caixa foi quase superado. Desta maneira a Sociedade, num primeiro momento, resolve modificar o plano de construção, pois ficou visível que os recursos em caixa não seriam suficientes para executar a planta na integra, optando assim, pela construção inicial de uma parte do prédio de forma que, num outro momento, se assim fosse decidido, poderiam terminar a outra parte, não modificando o projeto inicial, pois tudo