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Segundo Lakatos & Marconi (2003, p. 190) “(…) a observação é uma técnica de recolha de dados para se conseguir informações que utiliza os sentidos na obtenção de determinados aspectos da realidade. Não consiste apenas em ver e ouvir, mas também em examinar fatos ou fenómenos que se desejam estudar.” Esta técnica de recolha de dados, de acordo com Carmo & Ferreira (2008, p. 111), ajudará o pesquisador “ (…) a identificar, observar e selecionar informações pertinentes, através dos órgãos sensoriais e com recurso a metodologia científica, a fim de poder descrever, interpretar e agir sobre a realidade em questão”

Na elaboração de uma observação, o investigador necessita de encontrar meios para selecionar a informação útil essencial à resolução do objetivos de investigação que ocorrerá a partir da questão inicial. Observar para quê? A definição desses objetivos permite a construção do projeto de observação, cuja construção está assente em (…) “delimitar o campo de observação; na definição de unidades de observação e no estabelecimento de sequência comportamental” (Carmo & Pereira, 2008).

Após determinado o objeto da observação, surge outra questão fundamental para o projeto de investigação de observação – como observar? A definição dos objetivos e a determinação do campo de observação determinarão o instrumento de recolha de dados e a estratégia a adotar (Lakatos & Marconi, 2003)

De acordo com (Carmo & Ferreira, 2008), o observador pondera vários papéis no contexto, ou seja a sua participação nas situações observadas poderá variar:

Quanto ao tipo de participação em ser não participante (ser não participante - observador que permanece distanciado do objeto de estudo e não interage de forma alguma com ele no momento em que realiza a observação. Este tipo de técnica, reduz substancialmente a interferência do observador no observado e permite o uso de instrumentos de registo sem influenciar o objeto de estudo); observador participante (observador que partilha a vida do grupo, é um membro do grupo de estudo) e auto-observação (observador que assume o papel de sujeito e objeto);

Quanto aos meios utilizados na observação não estruturada: o investigador recolhe e regista os factos da realidade sem utilizar meios técnicos especiais; Observação estruturada: O

Esmeralda Ferreira Martins Pina 120 observador sabe o que procura e o que considera importante e, para isso, utiliza instrumentos técnicos específicos para a recolha de dados ou dos fenómenos a observar; e

Quanto ao número de observadores Individual: é a técnica de observação realizada por um único investigador. Neste caso, a sua personalidade projeta-se sobre o observado, podendo fazer inferências ou distorções, pela limitada possibilidade de controlo. Em equipa: é a mais aconselhável, pois o grupo pode observar a ocorrência a partir de vários ângulos.

A monitorização das práticas de saúde para a Segurança do Doente, atualmente, assumem um dos processos estratégicos de orientação, relativo a forma como os profissionais cumprem com as normas das boas práticas estabelecidas pelas instituições de saúde.

A observação como elemento regulador das boas práticas é um dos aspetos fundamentais críticos na orientação dos profissionais de saúde que é posto em evidência para garantir as boas práticas para a Segurança do Doente.

Para este estudo, as estratégias adotadas foram a observações individual, estruturada, do tipo participante mas despercebida pelos observados.

Este tipo de observação é realizado por um único observador onde ele sabe o que procura e o que considera importante e para isso utiliza instrumentos técnicos específicos para a recolha de dados ou dos fenómenos a observar, Lakatos & Marconi (2003, p. 190).

Numa observação existem vários tipos de recolha de dados, como: o diário do investigador, portfólios e as checklists.

Para este estudo o instrumento observacional privilegiado foram as checklists.

Apesar de existirem checklists pré-estabelecidas, padronizadas, como por exemplo: a lista de verificação, escala de avaliação e a rubrica de desempenho, os investigadores que optam pelo uso destes instrumentos, muitas vezes, preferem elaborar um à medida dos seus objectivos, do contexto e dos participantes. Uma checklist bem elaborada contribui para padronizar observações. Num ambiente de realização de um exame de TC, o investigador pode, por exemplo observar o profissional e simplesmente marcar um determinado comportamento prático que o profissional realiza.

Estas checklists funcionam como uma lista de critérios ou itens que o investigador procura encontrar. O objetivo é fornecer um nível de rigor no processo de recolha de dados e garantir que os dados são fiáveis e válidos.

A lista de verificação fornece a indicação sobre a presença ou ausência de certos elementos no desempenho avaliado. Esta orienta a atenção do observador para aspetos dos domínios cognitivo, afectivo ou psicomotor que, por serem considerados importantes e/ou por terem sido seleccionados para observação, foram incluídos na grelha (Gott & Duggan, 1995).

A lista pode ser mais ou menos estruturada, ou seja, pode limitar-se ao registo do julgamento de uma observação (com todas as desvantagens inerentes à subjetividade da observação), ou pode permitir que sejam registado também, os factos que conduziram a um determinado julgamento por

Esmeralda Ferreira Martins Pina 121 parte do observador (permitindo, assim, criar condições mais objetivas para a reapreciação dos factos ocorridos). A lista de verificação, como o nome indica, é geralmente constituída por uma enumeração de aspetos que se pretende verificar se o aluno domina e/ou é capaz de executar ou não. Tamir (1990) defende o seu uso para avaliar o domínio de skills e de técnicas, pois o investigador pode observar os profissionais e assinalar os itens que se aplicam (ou não) a cada um.

Para a observação, já não foi necessário obter a autorização dos docentes, pois a medida que os doecentes concaordavam com a aplicação do questionário davam também a autorização para realização da observação.

Os observados apresentaram-se descontraídos e mostraram-se colaborantes respondendo deixando-se observar sem colocar objeções.

Foram realizadas 50 observações (anexo - 9) O guião de observação é composto por 3 itens; o tempo de duração de cada observação dependeu da duração da realização do exame, em média foram ± 20 minutos.

Todo o trabalho do observador requer o máximo de respeito pelos direitos individuais das pessoas. Para isso, tem de se ter sempre presentes as considerações éticas necessárias à proteção das pessoas. Os princípios éticos que englobam o evitar de danos aos participantes, o Consentimento Informado e a forma clara e suficiente do trabalho a desenvolver. A confidencialidade e a honestidade deverão ser primadas por todo e qualquer observador.

A nossa observação incidiu sobre um dos momentos práticos de fornecimento da informação antes, durante e depois de ser administrado o MCE ao doente. Esta observação foi realizada de maneira formal, com registo numa grelha de avaliação, permitindo assim criar condições mais objetivas para a reapreciação dos factos ocorridos. O intuito desta observação foi averiguar que tipo de relação e comunicação se estabelecia entre o profissional e o doente.