• No results found

Trapping of oil at the pore scale

Chapter 2 Enhanced oil recovery mechanisms

2.2 Microscopic displacement efficiency

2.2.4 Trapping of oil at the pore scale

fundamental importância para a explicação do fenômeno dia/noite, conforme afirmam Vosniadou e Brewer (1994). Os autores apontam que as ideias destes astros são pautadas em pressupostos ontológicos que refletem nos modelos mentais do ciclo dia/noite expostos pelos alunos. Nesse sentido, julgamos importante, para esta pesquisa, considerar tal ideia.

As questões que envolvem tais noções estão contempladas, em nosso instrumento de pesquisa, em duas perguntas 10 e 11 (Apêndice A) e questões 1, 2 e 3 (Apêndice B), que abordam sobre a forma assumida pelos astros e onde as pessoas estão localizadas no planeta. As ideias expressas pelos estudantes estão descritas a seguir.

No que se referem ao nosso planeta, os discentes do 5° ano, com um total de 18 estudantes cerca de onze deles, asseguraram que a Terra é redonda e, destes, nove consideram que estamos localizados na sua superfície. Relativo à forma redonda do planeta, a fala de Violeta exemplifica algumas das ideias apresentadas por esse universo de estudantes, quando diz: “a Terra é redonda, porque, às vezes, a gente vê na televisão... né... e nas reportagens de

astronautas, que aí a gente vê toda a Terra”. Outros, como Talia, justificaram a forma

redonda do planeta recorrendo a outras visões, como ao fato de terem já “visto no globo

terrestre". Outras respostas ainda, como a de Rui, também vão nessa direção: “ redonda...porque é mais fácil da gente descer...porque tem a descida, a parte de cima e a de baixo”... Questionando o aluno a respeito da forma do planeta, ele acrescentou que a

professora já havia falado que: “Há muitos e muitos anos atrás, a Terra... eu acho, que era...

triangular, não lembro como ela [professora] falou..., mas acho que tinha outra forma a Terra... aí ela [professora] falou assim... que pois [colocaram] ela [Terra] redonda, para ficar mais fácil para a gente estudar...é porque faz muito tempo, acho que foi no início do ano que ela tavafalando [...]”.

As ideias mencionadas por Violeta e Rui, de que a forma do planeta se dá devido ao que é “visto pelos astronautas” ou na direção “acima e abaixo”, remetem a uma das cinco noções de Terra, apontadas por Nussbaum e Novak (1976). Segundo os autores, na noção 2, por eles intitulada, contemplam as visão dos discentes que defendem que a Terra é redonda, mas suas justificativas para com a forma do planeta reforçam uma ideia de Terra plana, cuja noção de espaço é limitada, quando vinculam ideias com as que são vistas pelos astronautas. Também dentro dessa noção estão aqueles que se justificam pautados nas direções: acima e abaixo, que vai contra, segundo Nussbaum e Novak (1976), o modelo esférico, voltando, assim, a uma noção de Terra plana.

Esses e outros alunos, mesmo com explicações diversas acerca da forma redonda do nosso planeta, afirmaram e representaram, em seus modelos, que estamos localizados na superfície do planeta, ou “do lado de fora”, como esboça a modelagem de Violeta e Rui, expostas na figura 9.

Figura 9- Modelos de Terra esférica e localização na superfície do planeta representados por alunos do 5o ano.

Fonte - A autora.

No entanto, para dois alunos desse grupo, estamos situados no interior do planeta, ou do lado de “dentro”, como representam o modelo de Márcio e Walter, na figura 10.

Figura 10 - Modelo de Terra esférica e localização no interior do planeta.

Fonte - A autora.

Para esse grupo de onze alunos, os registros orais e as modelagens por eles confeccionadas corresponderam com os desenhos por eles realizados, mantendo a forma redonda da Terra, bem como a posição em que se encontram no planeta. Tais ideias estão exemplificadas na figura 11.

Figura 11- Desenhos realizados pelos alunos do 5° ano sobre a forma esférica da Terra e a posição em que se encontram no planeta.

Fonte - A autora

Os sete alunos restantes modelaram a Terra com formato plano, exemplificados com os modelos de Valda, Caio, Marina e Renê, como exposto na figura 12. Alguns, antes de

confeccionar o modelo, hesitavam, mas, sem perguntar, representavam o planeta de modo plano. Quando perguntado aos alunos por que eles representaram a forma da Terra daquele modo, a resposta foi quase que unânime: “porque eu acho que é assim’" Apenas Renê perguntou: “é para fazer... tipo um desenho?” e obteve como resposta que era para fazer de acordo com o pensamento dele. Já os que levantaram a ideia de Terra plana, disseram também que estamos inseridos na superfície do planeta.

Figura 12 - Modelo de Terra plana e localização na superfície do planeta dos alunos do 5o ano.

Fonte - A autora.

Foi percebido que, quando se faz uma análise dos registros gráficos dos alunos, seis, dos sete estudantes que modelaram o planeta com a forma plana, quando solicitados a representá-la em desenho, ilustraram a Terra com formato redondo, como expõem os modelos inseridos na figura 13.

Figura 13- Alunos com desenho de Terra esférica, mas com modelagem com a forma plana.

Tais resultados vão na direção dos relatados por Bisch (1998), quando classifica os alunos que apresentam tal ideia como uma noção de Terra dupla. Para o autor, esses estudantes possuem uma concepção de Terra plana e outra de “Terra planeta”, separadas e distintas uma das outras. A primeira visão está condizente ao local onde estão inseridos, em que eles vivem, relacionando com o solo. Já a segunda remete ao que eles obtêm por meio de informações que chegam até eles, como a escola, a mídia e outras fontes.

Apenas uma aluna, Marina, manteve a ideia de Terra plana em seu desenho, como mostra a figura 14.

Figura 14- Ideia de Terra plana mantida tanto no desenho quanto na modelagem.

Fonte - A autora.

De modo geral, a maioria dos alunos, mesmo configurando a Terra com forma esférica, revela uma ideia de Terra plana, fato observado no prosseguimento das perguntas.

Naquilo que se relaciona aos demais astros, os estudantes do 5° ano possuem um consenso de que o Sol é redondo. Muitos atribuem tal forma ao astro, por ser esta a configuração com que ele se mostra no céu, como é o caso de Márcio, que diz que o Sol “é

redondo por que já viu... em casa de olhar para o céu”. Já Emília observou que o Sol é

redondo, “porque já viu nos livros de Ciências e porque também ele é a maior estrela do

Universo”.

Quanto à Lua, a maioria a representou redonda, justificando que é “por ser a forma mais fácil de modelar”, mas que assume outros aspectos, como um “semicírculo”, por exemplo.

As estrelas foram os astros que mais trouxeram dificuldades em sua modelagem. Alguns dos discentes as modelaram redondas, com cinco pontas e de formas aleatórias. Embora a maioria mencionasse sobre as estrelas na entrevista, os estudantes não as modelaram com a mesma intensidade com que falaram sobre tal astro. Alguns alunos, como Natacha, disse “não dou conta de fazer as estrelas, mas elas têm pontas ”, não fazendo sua modelagem. Outros, como Valda, modelaram com a forma redonda por dizer que “estrela...

eu não dou conta...” e Rui, que apesar da dificuldade encontrada, a modelou com a forma

redonda e com cinco pontas. O fato é que, quanto à forma das estrelas, os estudantes apresentaram ideias diversas como mostra a figura 15.

Figura 15 - Modelagem de estrelas confeccionadas por estudantes do 5o ano

Fonte - A autora.

Apenas uma aluna, Violeta, fez a estrela redonda e explicou que: “também já me

falaram que as estrelas são redondas, mas que, como o brilho delas reflete muito... fica parecendo que elas têm pontas”. Questionada sobre a origem destas informações, a aluna

disse que foi na televisão, em um programa de desenho animado que chama: O show da Luna, cuja personagem “é uma cientista que gosta de aprender sobre as coisas”.

Em análise aos desenhos realizados pelos alunos, as estrelas, quando foram desenhadas, apareceram de modo unânime com a forma de cinco pontas, não correspondendo aos diversos modelos que haviam sido modelados, incluindo o de Violeta, como mostra a figura 16.

Figura16 - Modelos de estrelas desenhados pelos alunos do 5° ano.

Podemos considerar, neste primeiro momento, que a maioria dos estudantes modelou a forma da Terra redonda, e que um quantitativo inferior, porém expressivo, a modelou de modo plano, tal qual observamos em nosso cotidiano. Foi verificado, também, que a modelagem do astro feita pelos estudantes e sua representação gráfica, muitas vezes, não era compatível. Para muitos deles, a forma da Terra seguia um modelo, tal qual apresentado em livros didáticos e/ou visto nos globos terrestres, mas, quando questionados, não sabiam responder, ou não manifestavam respostas coerentes com a forma construída, remetendo a outra.

Os dados por nós encontrados vão na direção dos resultados levantados por outros autores, como Nussbaum e Novak (1976), Nussbaum (1992), Vosniadou e Brewer (1992), que assinalam um consenso de que as crianças exibem várias noções sobre a forma do planeta, e que estas possuem dificuldades em acreditar que a Terra é redonda, inferindo, os autores, que esta não é uma questão tão óbvia o quanto parece. Para Nussbaum (1992), a forma esférica do planeta só é de fato entendida, quando as crianças superam a ideia de Terra plana, concomitantemente com a noção de espaço ilimitado que circunda a Terra e de que um corpo, quando cai, é atraído para o centro do planeta. Segundo o autor, não basta o estudante mudar a ideia de Terra plana para o modelo esférico, se a noção de espaço e queda dos corpos permanecerem as mesmas.

As explicações encontradas por Vosniadou e Brewer (1992) são de que tais dificuldades se justificam devido às restrições de alguns pressupostos que são incompatíveis

com os culturalmente aceitos acerca da esfericidade do planeta. Um deles é o fato de que, pela experiência cotidiana, nosso planeta é percebido de modo plano, e o outro pressuposto é de que as coisas, quando caem, vão para o centro da Terra. Tais ideias fazem parte de um entendimento físico, às vezes, ainda não alcançado pelo estudante, e que restringem suas concepções acerca da forma do planeta, influenciando em seus modelos para explicar o dia e a noite.

Para esses estudantes do 5° ano, de modo geral, o Sol possui forma redonda, pois é a maneira como o astro se apresenta no céu; a Lua, por sua vez, exibe modelos diferentes no firmamento, podendo assumir também, devido à observação direta do céu, a forma redonda e a de um semicírculo. As estrelas foram o astro com maior dificuldade de representação por parte dos discentes. A maioria as imaginou com um modelo com cinco pontas e outros nem souberam fazê-lo. Outro dado interessante é que a maioria dos alunos não relacionou o Sol como sendo uma estrela; a princípio, a ideia exposta é de que o Sol pertence a outra categoria de astros, diferente das estrelas. Apresentaram muita dificuldade em modelá-las, ficando evidente que os discentes não possuem conhecimentos e maiores informações a respeito de tais astros.

No que se refere à localização, a maioria acha que estamos na superfície do planeta, embora, na representação gráfica, fique evidente relacionarem tal posição apenas na parte superior e não colocarem pessoas na inferior, por exemplo.

A fim de extrairmos outros elementos que irão cruzar com as ideias já apresentadas pelos estudantes, no que se relaciona aos modelos que eles possuem dos astros, continuamos nossos questionamentos, enfatizando, agora, os movimentos que estes astros descrevem, ou não, no céu. É o que iremos elucidar a seguir.