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‘GOING PUBLIC’ AS TRANSSEXUAL

6.2. Transsexual/Transvestite Subculture

Este estudo possibilitou compreender aspectos da percepção de cinco famílias de dependentes de substâncias psicoativas sobre os elementos fundamentais de seus funcionamentos, que auxiliam na resiliência familiar.

Os resultados apontaram elementos da funcionalidade familiar que promoveram resiliência e perpassaram o padrão organizacional, sistema de crenças e processos da comunicação.

No aspecto organizacional, a família se mobilizou em busca de apoio e suporte emocional, informacional, social e econômico, articulando sua rede intrafamiliar e de família ampliada, de recursos de saúde e amigos. A família movida pelo senso de conexão e amor entre os seus membros, sentiu-se fortalecida e motivada para o trabalho coletivo, descobrindo forças para promover inclusive momentos de encontro familiar prazerosos. O apoio emocional advindo da própria família, através de escuta e dos conselhos, promoveu forças e encorajamento aos familiares dos dependentes químicos, permitindo-lhes se engajarem no tratamento e buscarem estratégias de enfrentamento.

Apesar da internação em clínicas de reabilitação para dependentes ter sido identificada como primeiro recurso da família, tal fato justifica-se pelo seu caráter emergencial decorrente de intensa repercussão de conflito na família. Os grupos de família do CAPS-AD foram os mais citados e reconhecidos como espaço de aprendizado, troca de experiências, acolhimento e escuta, o que demonstra tendência para o paradigma psicossocial em detrimento do hospitalocêntrico. No referente ao sistema de crenças, a perseverança, persistência, esperança, fé, religiosidade e confiança constituíram em forças positivas familiares, ajudando a unidade familiar a manter perspectivas positivas e acreditar na recuperação de seus membros adoecidos.

O apego à fé e às práticas religiosas foi reconhecido como potente recurso de fortaleza das famílias, que contribui para a resiliência familiar. As famílias esperam que a força Divina possa transformar as situações de angústia da família e comportamento aditivo de seu familiar dependente, bem como promover serenidade para que os familiares possam resolver os problemas. A oração foi identificada como a principal prática religiosa que possibilita aos familiares um encontro espiritual com a entidade Divina. A aproximação com Deus ou um Ser Superior possibilitou as famílias sentirem- se ouvidas, fortalecidas, tranquilas e aliviadas em seus sofrimentos.

Na dimensão dos processos comunicacionais, os resultados apontaram a percepção dos familiares para a busca de uma comunicação assertiva, que envolveu diálogo calmo e paciente, e controle no tom de voz. Assim, manter uma comunicação eficiente favorece laços afetivos e o senso de conexão familiar.

Embora a dependência química acarrete sérias repercussões nas famílias, essa situação adversa pode ser vista como um desafio a ser enfrentado e superado através dos potenciais e forças existentes no sistema familiar. Reconhecer e fortalecer esses potenciais são essenciais para que a família compreenda seu papel, enquanto unidade capaz de superar as adversidades e viver de forma saudável.

Este estudo contribuiu para uma perspectiva de se utilizar os elementos fundamentais da resiliência no processo de avaliação e intervenção para o cuidado às famílias que buscam ajuda ao CAPS-AD. Portanto, uma intervenção que não visa os déficits da família e sua disfuncionalidade, mas que reconheça e valorize as forças familiares e a ajude em seu processo de (re)organização funcional. Assim, evita-se estereotipar e rotular a família como “família disfuncional”, “família codependente” e “família resistente”, mas identificando e reconhecendo o potencial da família, percebendo-a como agente ativo do processo. Portanto, para atingir tal objetivo também necessitará de qualificação dos profissionais de saúde para o cuidado à família, na perspectiva sistêmica.

Para a família desenvolver eficazes estratégias de enfrentamento, ela precisa se sentir amparada e cuidada, tendo à disposição uma rede de apoio que ofereça recursos para instrumentalizá-la para superar os desafios. Essa rede pode ser formada pelas instituições governamentais e não governamentais, por profissionais dos serviços de saúde, outras famílias que vivenciam experiências semelhantes e pelos próprios membros da família.

O presente estudo apresentou algumas limitações metodológicas. Durante a entrevista os familiares relataram suas trajetórias no processo de descoberta do consumo de drogas pelo seu ente dependente, o que possibilitou captar os elementos de resiliência familiar em uma condição mais estática, ou seja, quando se privilegia a intersecção do momento em que a família se deparou com adversidade das drogas. Entretanto, os resultados apontaram que a família mesmo vivendo em contexto de adversidade da dependência química, demonstra forças para enfrentá-lo e superá-lo.

O número reduzido de famílias participantes pode ser considerada uma limitação, porém, foram recrutadas todas as famílias, enquanto unidade familiar (com

mais de dois membros), que realizavam acompanhamento terapêutico em grupo de família ou individual e que se disponibilizaram a participar da pesquisa. Tal fato possibilita refletir a possível dificuldade de famílias se engajarem e aderirem ao tratamento, bem como de mais membros familiares participarem do tratamento. Considerando que as cinco famílias faziam acompanhamento terapêutico, portanto, obtendo apoio e suporte em várias dimensões, principalmente o emocional, os resultados reforçaram a importância de elas serem acompanhadas e instrumentalizadas para o cuidado, fortalecendo a sua resiliência.

Além disso, não foi possível realizar a validação dos resultados com os participantes da pesquisa, devido ao tempo limitado e indisponibilidade de encontros por parte dos familiares.

Sugere-se que investigações futuras sobre resiliência familiar na perspectiva sistêmica sejam realizadas através de delineamentos de pesquisa longitudinais, utilizando-se do recurso da linha do tempo, apreendendo-se simultaneamente situações de estresse ou adversidade, bem como se considerando os ciclos vitais. Tais designers no método possibilitam acompanhar o processo de resiliência familiar ao longo da vida da família.

Outra sugestão para pesquisas refere-se à investigação sobre a relação entre processo de resiliência familiar no início do tratamento da dependência de substâncias psicoativas e quando a família já convive com esta situação adversa em longo prazo, avaliando a influência do tempo de vivência com a dependência química e a motivação e o enfrentamento familiar.