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Foi solicitada à equipe de saúde do CAPS ad a identificação das famílias em que dois ou mais membros familiares frequentassem os grupos de família ou que realizassem atendimento individual com algum profissional do local. Além disso, a pesquisadora frequentou dois encontros de cada grupo de família, a fim de conhecer as famílias, se apresentar e entrar em contato com os familiares frequentadores dos grupos ou que estavam em acompanhamento individual.

Em um primeiro levantamento, foram identificadas quinze famílias, com as quais foram realizados contatos telefônicos ou presenciais, a fim de explicar sobre a pesquisa e verificar a possibilidade de participação de seus membros no estudo. Dessas famílias, uma não estava de acordo com os critérios de inclusão, pois apenas um membro frequentava o grupo de família; seis apresentaram indisponibilidade de horário e/ou de participação dos membros familiares devido ao horário de trabalho, sendo assim oferecida a opção de encontros aos finais de semana ou no período noturno. No entanto, foram feitas várias tentativas de agendamento e reagendamento e os familiares não compareciam.Uma família não aceitou participar da pesquisa devido a conflitos familiares decorrentes da dependência química; outra não atendia aos telefonemas; e uma entrevista, que foi iniciada, teve que ser interrompida, pois o dependente estava presente e se sentiu incomodado com as perguntas a respeito do contexto em que estava inserido, sendo o encontro reagendado nas dependências do CAPS-ad, no intuito de evitar novos transtornos, enquanto o dependente passava por consulta médica. Entretanto, a família relatou não ser possível permanecer no local para a entrevista e que acreditava que não seria possível a realização da mesma. Dessa forma, a pesquisa foi realizada com cinco famílias, um total de onze membros familiares, sendo quatro entrevistas realizadas nas dependências do CAPS-AD e uma no domicílio.

Dessa forma, a amostragem se deu por exaustão, ou seja, todas as famílias disponíveis para participação na pesquisa e que faziam parte do universo definido pela pesquisadora foram entrevistadas (FONTANELLA; RICAS; TURATO, 2008).

As entrevistas foram realizadas no período de junho a novembro de 2016, e o tempo médio de duração delas foi de 1 hora e 30 minutos. Foi realizada apenas uma

entrevista com cada família. O local da entrevista foi combinado através do contato inicial da pesquisadora com a família, bem como a data e o horário de acordo com as possibilidades de ambas. Foram oferecidas como alternativas de locais primeiramente o CAPS-AD, e posteriormente o espaço domiciliar, a fim de proporcionar um ambiente mais conhecido e menos ameaçador para os entrevistados.

A abordagem inicial dos membros da família teve como apoio a utilização de dois instrumentos para contextualização a respeito dos entrevistados: genograma e ecomapa. Esses instrumentos também auxiliaram a compreender os padrões organizacionais no funcionamento familiar considerado positivo e flexível, destacando os processos fundamentais para a resiliência relacional: flexibilidade, conexão e recursos sociais e econômicos (WALSH, 2005).

O Genograma e Ecomapa são considerados instrumentos de avaliação de família, uma vez que eles permitem uma análise da dinâmica, dos processos interacionais e da rede de apoio e suporte social das famílias, fatores esses que influenciam na resiliência familiar.

O Genograma consiste em uma representação gráfica de informações sobre a família, padronizado por símbolos e códigos, que à medida que vai sendo construído, possibilita evidenciar a estrutura dinâmica da família e as relações estabelecidas de funcionalidade ou entre seus membros (MCGOLDRICK; GERSON; SHELLENBERGER, 1999; NASCIMENTO, ROCHA, HAYES, 2005).

O Ecomapa é um diagrama dinâmico das relações entre a família e a comunidade, que auxilia na identificação de presença ou ausência de recursos comunitários de apoio e suporte social, culturais e econômicos disponíveis e sua utilização pela família (ROCHA, NASCIMENTO, LIMA, 2002; WRIGHT, LEAHEY, 2009). Esse diagrama, quando bem elaborado e analisado, oferece informações dos contatos da família com pessoas, grupos ou instituições, como escolas, serviços de saúde e comunidades religiosas (OLSEN; DUDLY-BROWN; MCMULLEN, 2004). Dessa maneira, esses dois instrumentos possibilitaram apreender o desenvolvimento dinâmico e estrutural da família, fornecendo informações sobre o contexto de vida da família (MCGOLDRICK; GERSON;SHELLENBERGER, 1999; NASCIMENTO; ROCHA; HAYES, 2005).

Foi realizada também uma entrevista semiestruturada contendo uma parte de caracterização sócio demográfica dos participantes, quanto a alguns dados de identificação pessoal (idade, estado civil, sexo, religião, parentesco, profissão atual,

situação de trabalho, renda familiar mensal, tempo de acompanhamento do(s) membro(s) dependente(s) em tratamento no CAPS-AD). No início, os familiares foram solicitados a relatarem um breve histórico da família e do membro adoecido e a entrevista conteve uma questão norteadora: Conte-me como a sua família tem vivido, enfrentado e superado o problema das drogas. As questões auxiliares utilizadas durante a entrevista foram: Quais são e foram as maiores dificuldades vivenciadas por vocês diante da situação da dependência química de seu membro adoecido? Quais foram os maiores desafios que vocês vivenciaram nesta situação? Como vocês têm enfrentado tais desafios? Como vocês se sentem diante desta situação? Quais são as estratégias usadas para enfrentar tais situações de dificuldades e que permitiram superá-las? Quais foram as potencialidades e fortalezas reconhecidas por vocês para tal enfrentamento? Quais são as mudanças positivas que tais estratégias proporcionaram a você e à sua família? Quais são as fortalezas reconhecidas por vocês que provocaram mudanças positivas na família?

Através destas questões, esperou-se compreender os padrões organizacionais, o sistema de crenças e os padrões de comunicação presentes no funcionamento familiar que auxiliam a resiliência da família.

Todas as entrevistas foram gravadas por áudio, após assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (APÊNCIDE A) pelos participantes.