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MSG-EE Social and Economic Studies 96

T. Bye and B.M. Larsen

7.2 Transport in the long run

A experiência realizada com o desenvolvimento das THAs em sala de aula possibilitou o levantamento de algumas reflexões por parte dos professores colaboradores nos seguintes aspectos:

 Controlar a ansiedade de explicar e/ou apresentar respostas/resoluções prontas (definições, exemplos prontos, etc.) e observar mais as discussões dos alunos, encaminhando-as em forma de perguntas, direcionando os alunos no sentido de perceber outros possíveis encaminhamentos no percurso do raciocínio.

 Oportunizar a interação entre os próprios colegas de sala, respeitando o pensar do outro, oferecendo espaço para discussão;

 A inclusão de texto que retrate a história da Matemática, como reflexão na construção do conhecimento matemático;

 A importância de desenvolver nos estudantes a construção do pensamento geométrico, de maneira a explorar outros recursos didáticos, além do quadro negro, como por exemplo, materiais concretos, incentivar a construção dos sólidos, utilizando compasso, esquadro e transferidor, com o apoio da tecnologia. Além de pesquisas sobre assuntos básicos de Geometria, como reforço para os estudantes completarem seus estudos referentes ao tema solicitado;

 A importância das pesquisas “chegarem” até o espaço escolar;

 As THAs possibilitou pensar em um plano de ensino de uma forma mais ampla, assegurando objetivos de aprendizagem, organização das atividades, pensar antes nas possíveis respostas dos alunos. Se no meio do caminho não der certo, é necessário repensar sobre a estratégia de trabalho. Embora, o somatório de itens faça o professor repensar em suas ações em sala de aula, isso tudo leva muito tempo e preparo;

 Uso do software como possibilidade de enriquecer as aulas de Matemática, e envolver os alunos nas tarefas;

 Os estudantes interessam-se mais pelas aulas, quando se engajam em atividades que utilizam material concreto; e

 Atividades em dupla ou em grupo incentivam a participação dos alunos nas discussões e levantamento de hipóteses na construção do pensamento geométrico.

Embora os professores tenham considerado importantes os fatores explicitados acima, eles argumentavam ser difícil mudar a prática de ensino. Destacavam que, há muitos anos, vêm trabalhando de maneira tradicional e admitiam não ser impossível transformar sua metodologia de trabalho. Afirmaram que em uma sala de aula com muitos alunos (48, por exemplo) desenvolver um trabalho na perspectiva construtivista é muito proveitoso, por envolver muitos alunos e seus pensamentos, porém trabalhoso, pois demanda tempo para

investigar, listar e discutir os pensamentos dos alunos e, por fim, sistematizar o assunto.

Acrescentaram, ainda, que é um momento oportuno de perceber que todos ganham, pois alunos e professores aprendem ao mesmo tempo. Mas, é preciso que estejam dispostos a tentar mudar a rotina de trabalho, o que não ocorre de imediato.

Ao longo do diálogo com os professores colaboradores, percebeu-se que era comum na fala deles, o fator tempo, ou seja, organizar objetivos de aprendizagem, pensar na elaboração de atividades, supor hipóteses dos alunos e rever todo esse processo, reorganizar as tarefas, demanda tempo e disponibilidade para assegurar a participação ativa dos alunos.

Os professores destacaram que desenvolver as THAs em sala de aula foi um trabalho importante e desafiador, especialmente, por refletirem sobre os objetivos da aprendizagem, justificando que apresentá-los aos alunos proporcionou duas possibilidades: 1) Cuidado com o planejamento de atividades, não fugindo do objetivo de aprendizagem que o professor deseja alcançar com seus alunos; 2) Uma maneira dos alunos estarem “antenados” com o que vai acontecer na aula.

Embora as reflexões mais destacadas pelos professores fossem direcionadas às dificuldades encontradas por eles e às ações durante o desenvolvimento das THAs em sala de aula, observamos que há um aspecto importante que Simon relata ao listar suas premissas e que os professores também procuraram assumir:

O conhecimento do professor envolve-se simultaneamente com o crescimento do conhecimento do aluno. Como os alunos estão aprendendo Matemática, o professor está aprendendo sobre Matemática, também aprendendo e ensinando a respeito do pensamento matemático dos seus alunos (SIMON, 1995, apud PIRES, 2009, p. 93)

Outro aspecto que destacamos foi que o próprio professor parecia ter ciência, ao se referir à mudança de sua prática de trabalho, o que consideramos similar às reflexões de Hiratsuka (2004), quando afirma que mudar implica “estranhamento que poderá conduzir o professor a se abri para o real significado

de sua prática e a conscientizar-se do papel do seu ensino, especialmente para a vida do aluno”.

Finalizamos estas reflexões, destacando que, apesar dos professores considerarem a questão do “tempo” disponibilizado para desenvolver atividades na perspectiva construtivista de ensino (deixarem os alunos exporem suas idéias/pensamentos, discuti-las e na sequência sistematizar o assunto) e afirmarem da dificuldade de mudar sua prática de trabalho, eles manifestaram ter apreciado desenvolver as THAs, pois possibilitou um olhar mais crítico a suas metodologias de trabalho, como por exemplo, o uso de recurso tecnológico, inserção de textos nas aulas de Matemática, bem como aproximar os alunos de questões contextualizadas e/ou interdisciplinares. E, também, um alerta em relação a deixarem os alunos à própria sorte da aprendizagem, como se eles fossem capazes de descobrir estratégias o tempo todo.

Embora os professores não tenham dado ênfase às discussões a respeito do processo de construção do conhecimento dos alunos, as questões de como interferir nos aspectos das hipóteses de aprendizagem e modificá-las, não podemos deixar de destacar o interesse deles em querer refletir sobre suas metodologias de trabalho.

4.2 Novos conhecimentos da pesquisadora – reflexões de uma