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Transnational activities

In document hard of hearing youth (sider 57-65)

Em Santa Catarina as empresas também têm atuado de forma a adotar tecnologias limpas e sistemas de gestão conscientes em relação ao meio ambiente e aos problemas sociais. Um exemplo dessa mobilização é a organização do Prêmio Fritz Müller, concedido pela Fundação do Meio Ambiente (FATMA). Ele valoriza as iniciativas em gestão, proteção dos recursos naturais e destinação de resíduos que contribuem para a sustentabilidade ambiental (SC Sustentável, 2006). Esse prêmio já está na sua 13ª edição e as iniciativas ganhadoras podem ser conhecidas através do anuário SC Sustentável publicado anualmente pela FATMA. Outro prêmio que destaca as empresas ecologicamente corretas é o Prêmio Expressão de Ecologia. As iniciativas de seus vencedores são publicadas no Anuário Expressão de Ecologia. No ano de 2005 o lema deste anuário foi a caça ao desperdício, valorizando as empresas que repensam o modo de produção para garantir a sustentabilidade do negócio. É a adoção de práticas do desenvolvimento sustentável garantindo o lucro da empresa, pois a gestão ambiental reduz insumos, gera menos resíduos e traz ganhos financeiros. (ANUÁRIO EXPRESSÂO ECOLOGIA, 2005).

Na região da Grande Florianópolis algumas empresas também já estão se adaptando ao desenvolvimento sustentável. Um exemplo é a Auto Viação Imperatriz LTDA, empresa de transporte público urbano de Santo Amaro da Imperatriz, que decidiu trocar o combustível utilizado por seus ônibus. Ao invés de utilizar o óleo diesel comum, os ônibus passaram a ser abastecidos com diesel metropolitano. Esse combustível possui um menor teor de enxofre (43% a menos), reduzindo a emissão de gases tóxicos como o óxido de enxofre e dióxido de enxofre, um dos causadores da chuva ácida.

A empresa Döhler S.A, fundada em 1881, é uma das maiores fabricantes brasileiras do ramo têxtil; produzindo artigos para cama, mesa, banho, decoração e tecidos industriais para o mercado nacional e outros 40 países. A companhia está situada em Joinville em um complexo de 200 mil metros quadrados de área construída com uma área de reserva ambiental de 300 mil metros quadrados. É uma organização com estrutura verticalizada que produz

desde o fio até o acabamento mantendo total controle sobre o fluxo produtivo. (DÖHLER, 2007). A empresa possui em funcionamento um SGA e investiu nos últimos sete anos mais de US$ 5 milhões em estratégias sustentáveis, como a prevenção e controle da poluição, além da busca por fontes alternativas de energia e recursos renováveis. (SC Sustentável, 2004). Essa empresa, ganhadora do prêmio SC Sustentável em 1996 e 2003 mostra-se preocupada com o meio ambiente desde os anos 80, visto que nesta época a Döhler eliminou um solvente químico poluente (varsol) de seu processo produtivo e, em 1983, já contava com uma estação de tratamento de efluentes. Em 1996, inaugura seu próprio aterro industrial, mostrando sua preocupação com a correta disposição dos resíduos decorrentes de sua atividade. Além disso, a companhia foi certificada, em 1999 pela ISO 14001. Segundo o anuário SC Sustentável (2004, p. 12) a responsabilidade da empresa em relação ao meio ambiente melhora a imagem da empresa e “já está fazendo diferença nos negócios”.

Outra empresa que tem dado bons exemplos é a Empresa Brasileira de Compressores S.A - Embraco – fundada em Joinville em 1971 e que atua no ramo de compressores e soluções para refrigeração. A empresa conta atualmente com fábricas no Brasil, Itália, China e Eslováquia possuindo capacidade de produzir 25 milhões de compressores por ano e empregando cerca de 10 mil colaboradores. A companhia que é hoje líder no mercado mundial de compressores herméticos possui a certificação ISO 14001 em suas plantas no Brasil, Itália e Eslováquia. (EMBRACO, 2007). Além disso, importou tecnologia da Europa para poder aumentar seu percentual de reuso da água. Desta forma, 50% da água utilizada durante o processo produtivo, é reutilizada para refrigeração, vasos sanitários, lavação de contêineres, entre outras. (SC Sustentável, 2004).

Um outro caso é o da companhia Weg S.A, uma das maiores fabricantes mundiais de motores elétricos, situada em Jaraguá do Sul. A empresa, fundada em 1961, contava em, 2006 com 15.000 colaboradores, faturamento de R$ 3,5 bilhões e exportações de US$ 637 milhões. (WEG, 2007). Além do Brasil a Weg ainda está presente em outros 19 países da Europa, América, Ásia e Austrália. A empresa, além de se destacar economicamente, também mantém práticas de gestão que levam em conta o meio ambiente; comunidade; valores e transparência; relacionamento com funcionários e público interno, com fornecedores, com clientes, com o governo e sociedade. Segundo o Anuário SC Sustentável de 2004 (SC Sustentável, 2004, p. 12), a empresa Weg também se empenha na conservação de recursos naturais. Para tanto, recicla todo mês cerca de “45 toneladas de papel, 14 de plástico, 4.862 de aço, 411 de ferro, 17 de alumínio, 177 de madeira e 75 de cobre.”

Uma outra maneira pela qual as empresas podem contribuir para a preservação do meio ambiente e da biodiversidade é através das RPPN’s e de áreas verdes mantidas intactas. Esse é o caso da Karsten S.A; uma das maiores exportadoras do setor têxtil com produtos para cama, mesa e banho, situada em Blumenau e presente em mais de 40 países; que mantém metade de sua área fabril e outra área de 400 hectares com Mata Atlântica preservada. O engajamento da empresa em prol do desenvolvimento sustentável fica, também, evidenciado através dos princípios adotados: atender à legislação ambiental, utilizar de forma sustentável os recursos naturais, prevenir a poluição e minimizar os impactos ambientais, objetivar a redução e disposição adequada de resíduos, fornecer aos clientes produtos e serviços seguros e melhorar continuamente. (KARSTEN, 2007).

O jornal A Notícia S/A, empresa jornalística de Joinville que atua em todo o estado, é mais um exemplo de empresa que adotou princípios de sustentabilidade. Em 2004 era a única empresa de mídia impressa no país com a certificação ISO 14001. Para tanto foi preciso conscientizar mais de 200 funcionários e se engajar em objetivos de economia de papel, água e energia elétrica. Com a construção de uma cisterna que abastece os vasos sanitários e hidrantes a empresa economizou, por exemplo, 35% no consumo de água. Além disso, passou a utilizar tinta vegetal e deu início ao tratamento de efluentes e resíduos sólidos. É importante destacar que as ações não ficam somente dentro da empresa. Periodicamente é publicado o AN Verde, um caderno dedicado a questões ambientais, e o AN Segunda que é editado uma vez por mês em papel reciclado, o que economiza mais de 10 hectares de árvores. (SC Sustentável, 2004).

Uma questão que toca em especial Santa Catarina é a dos resíduos da criação de aves, atividade de grande importância no estado. Nesse contexto, um bom exemplo é o da empresa Agroavícola Vêneto Ltda – Agrovêneto – implantada em 1996 no município de Nova Veneza. A empresa atua principalmente no mercado externo e abatia, em 2004, cerca de 120 mil frangos por dia. (AGROVÊNETO, 2007). Os investimentos iniciais de prevenção à poluição, foram destinados à construção de uma estação de tratamento de efluentes (ETE) para tratar 2.740 m3/dia de efluentes líquidos. Dessa forma, após um pré-tratamento são retirados resíduos sólidos (ossos, penas, etc.) que passaram a ser destinados a uma fábrica de farinhas onde são reaproveitados, por exemplo, na fabricação de ração animal. Em relação às emissões atmosféricas provenientes da fábrica de farinhas, estas são tratadas por um processo físico-químico e passam por um filtro biológico.

No ramo cerâmico, também presente no estado, há bons exemplos que demonstram que sempre é possível melhorar os processos e reduzir os danos ambientais. É o caso da

Cerâmica Urussanga S/A – Ceusa, indústria de revestimentos cerâmicos de Urussanga fundada em 1953. A empresa atua no Brasil e no exterior fabricando revestimentos cerâmicos de alta qualidade destinados às classes A e B e tem capacidade para produzir 4,5 milhões de m2 por ano. (CEUSA, 2007). Em seu parque fabril uma alteração no processo produtivo (diminuição da umidade no pó) permitiu excluir a etapa de secagem das peças, gerando uma economia no consumo de gás natural de R$ 300,00 por dia. A empresa também conseguiu reaproveitar 100% da água no processo produtivo e 100% dos resíduos de argila como matéria-prima. Isso deve possibilitar uma economia mensal de R$ 55 mil em compra de insumos. (ANUÁRIO EXPRESSÃO ECOLOGIA, 2005).

Outra empresa do ramo cerâmico a atuar na proteção ao meio ambiente é a Pisoforte Revestimentos Cerâmicos Ltda constituída em 1989 e localizada em Criciúma. Atualmente a companhia tem capacidade de produção de 6,4 milhões de m2/ano e destina 52% de sua produção ao mercado externo, estando presente em mais de 25 países dos cinco continentes. (PISOFORTE, 2007). A empresa demonstra que cuidar do meio ambiente também traz vantagens econômicas. Reciclando todo o seu lixo desde o ano 2000 e com a reutilização de água, esmalte, papelão e pó, economiza R$ 33 mil por mês. Além disso, mantém um projeto de educação ambiental junto às escolas públicas que já atendeu mais de 10 mil alunos.

A construtora Torresani Empreendimentos Imobiliários Ltda que atua desde 1989 em Blumenau e já entregou mais de 1.430 apartamentos (TORRESANI, 2007), também incluiu em seu processo produtivo uma questão ambiental muito importante: a economia de água. Em um conjunto de dois prédios que construiu foi elaborado um sistema de captação da água da chuva que é armazenada em cisternas e utilizada para as descargas dos vasos sanitários dos 130 apartamentos e para a limpeza das áreas comuns. Além disso, a utilização de caixas de descargas acopladas ao invés de válvulas permite a utilização de 9 litros de água por descarga ao invés de 36. Isso permitiu uma economia de 20 a 30% no consumo de água do condomínio. Segundo a engenheira do projeto, a construtora pretende passar a utilizar o aquecimento solar e hidrômetros individuais cujo “objetivo é gerar uma conscientização ainda maior.” (ANUÁRIO EXPRESSÃO ECOLOGIA, 2005, p.26).

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