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III.5 Conclusion

2. Teori

2.5 Translatørkompetanse

O quadro sinóptico a seguir apresenta o nome fictício das professoras participantes, a formação, a idade, o tempo de serviço, a série para a qual lecionavam, à época da coleta de dados, e as disciplinas que lecionavam. Através dele pode-se notar a diversidade do Grupo Especial.

NOME FORMAÇÃO IDADE TEMPO DE SERVIÇO SÉRIE PARA A QUAL LECIONAVAM DISCIPLINAS QUE LECIONAVAM Vitória Pedagogia, aluna especial PPGE- UFSCar 24 anos 3 anos, todos nesta instituição 3a série A (período matutino) Português, Matemática, Ciências, Informática História e Geografia Valentina Magistério, História e geografia, pós- graduação lato sensu 38 anos 16 anos, todos nesta instituição 1a série A (período matutino) Português, Matemática, Ciências, Informática História e Geografia Bárbara

Pedagogia 44 anos 12 anos, sendo 8 nesta instituição 1as , 2as , 3as e 4as séries (períodos matutino e vespertino) Xadrez Celeste Curso Normal, Pedagogia e Educação Física 58 anos 40 anos, sendo 14 nesta instituição 4as séries A, B e C (período matutino e vespertino) Português Informática QUADRO 1: quadro sinóptico com o perfil das participantes

A fim de apresentar, com mais detalhes, o perfil das participantes, seguem as respostas dadas a duas perguntas da coordenadora/pesquisadora, feitas num questionário que precedeu as atividades com a televisão:

1-) Quando você decidiu trabalhar com educação? Qual o seu percurso escolar?

Professora Vitória (24 anos de vida e 3 de experiência profissional): Decidi trabalhar com educação no colegial, quando percebi que além de gostar de crianças, gostava muito de ensinar e aprender. Educar é maravilhoso e prazeroso. Assim, prestei pedagogia na UFSCar, passei logo após o 3o colegial e recém-formada, comecei a dar aulas nesta escola onde estudei por 11 anos.

Professora Valentina (38 anos de vida e 16 de experiência profissional): Por influência da minha mãe em 1983. Fiz colegial, magistério, História e Geografia.

Professora Bárbara (44 anos de vida e 12 de experiência profissional): Decidi trabalhar em educação quando fiz vestibular. Foi na gravidade da escolha de uma profissão que iria seguir para o resto de minha vida que senti a necessidade de uma escolha compatível com minhas aspirações mais profundas e minhas melhores aptidões. Optei por fazer o curso de Pedagogia.

Professora Celeste (58 anos de vida e 40 de experiência profissional): Talvez pela influência da família (mulheres professoras que falavam muito em educação), resolvi que seria educadora, ainda na adolescência. Trabalhei anos, como professora, em uma obra social, muitas escolas rurais (São Carlos e Brotas), escolas estaduais, municipais e particular.

Através das respostas, pode-se observar que as motivações para que cada uma das participantes seguisse o caminho da educação, foi distinto: duas delas, Valentina e Celeste, tiveram influência da família, portanto, uma influência externa; já Vitória e Bárbara, buscaram as motivações interiores, a primeira percebeu que além de gostar de crianças, também gostava de ensinar e aprender; e a segunda buscou uma profissão que correspondesse às suas aspirações e às suas melhores aptidões.

2-) Quais foram as experiências profissionais mais marcantes em sua vida?

Professora Vitória (24 anos de vida e 3 de experiência profissional): O primeiro ano de experiência me marcou por ser muito conturbado: muitos pais não aceitavam o fato de eu ser muito nova, a exigência em relação à minha idade era enorme. Mas, os anos seguintes foram mais marcantes, pois as experiências foram avaliadas, modificadas, reelaboradas de forma positiva. O que me dá muito prazer, confiança, satisfação e força de vontade é ver uma criança com vontade de aprender. Não há alegria maior do que ver o quanto os alunos gostam de nós professoras, o carinho que sentem e o quanto influenciamos suas vidas.

Professora Valentina (38 anos de vida e 16 de experiência profissional): Fui professora de dança durante muito tempo. Depois, entrei aqui e trabalhei com alunos de quatro, cinco, seis e sete anos. Foi ótimo. Aprendi muito.

Professora Bárbara (44 anos de vida e 12 de experiência profissional): Tive muitas experiências profissionais marcantes, porém, se não as mais marcantes, as minhas duas primeiras experiências profissionais foram as mais decisivas no sentido de delinearem toda a minha trajetória profissional posterior. Entre seguir como Orientadora Educacional ou ser Professora, fiz a escolha de trabalhar apenas junto aos alunos em sala de aula e, mais especificamente ainda, com o jogo de xadrez.

Professora Celeste (58 anos de vida e 40 de experiência profissional): Quando uma criança ou um adulto aprendiam a ler e escrever. Ao fazer um trabalho na área de Psicologia para a faculdade, consegui ajudar na solução de alguns problemas de uma determinada criança. Um aluno da zona rural fez uma poesia que foi publicada no jornal da cidade. A apresentação de algumas peças teatrais dos meus alunos (“A história do Galo Marquês” na Casa da Cultura, por exemplo).

Quanto às experiências mais marcantes, na trajetória profissional das participantes, percebemos que a Professora Celeste, com 40 anos de magistério, traz quatro exemplos em que percebeu, positivamente e concretamente, o seu trabalho no rendimento dos seus alunos. Professoras Vitória e Bárbara também citam o papel dos alunos em suas experiências marcantes: a primeira vibra ao ver uma criança com vontade de aprender e a segunda preferiu ser professora a ser orientadora pedagógica, por querer trabalhar junto aos alunos, em sala de aula. A Professora Vitória lembra que seu primeiro ano de experiência foi muito conturbado

pelo fato de os pais acharem que sua pouca idade era incompatível com competência profissional. Professora Valentina apresenta, como experiência marcante, as aulas de dança que deu no início da carreira, mas ressalta que ter trabalhado na Educação Infantil com diferentes faixas etárias ensinou-lhe muito. Portanto, para todas elas, direta ou indiretamente, os alunos são citados como responsáveis por experiências marcantes em suas trajetórias profissionais.

Neste trabalho de doutorado, temos um grupo de participantes em diferentes etapas do desenvolvimento profissional do magistério. Conforme ressalta Candau (1996):

Para um adequado desenvolvimento da formação continuada, é necessário ter presentes as diferentes etapas do desenvolvimento profissional do magistério; não se pode tratar do mesmo modo o professor em fase inicial do exercício profissional, aquele que já conquistou uma ampla experiência pedagógica e aquele que já se encaminha para a aposentadoria; os problemas, necessidades e desafios são diferentes e os processos de formação continuada não podem ignorar essa realidade promovendo situações homogêneas e padronizadas, sem levar em consideração as diferentes etapas do desenvolvimento profissional. (CANDAU, 1996, p.143)

A abertura para o diálogo e o fortalecimento da cultura colaborativa, estabelecidos em nossos encontros, possibilitaram que a especificidade de cada professora participante aflorasse. Elas próprias valorizavam-se e faziam valer suas diferenças nos encontros com o Grupo Especial. Não era algo declarado, mas um tratamento sutil: Professora Vitória, em fase inicial do exercício profissional, contagiava as colegas com seu entusiasmo; as Professoras Valentina e Bárbara, que já conquistaram ampla experiência pedagógica contribuíam com reflexões, certezas e incertezas; e a Professora Celeste, que já se encaminha para a aposentadoria, tinha voz importante no grupo.

As necessidades e os desafios de cada uma delas eram diferentes e a coordenadora/pesquisadora precisava ter tato para proporcionar, nos encontros com o Grupo Especial, um ambiente em que as diferentes etapas do desenvolvimento profissional fossem

valorizadas, para que a diversidade florescesse e a heterogeneidade fosse soma e não diferença.

A estratégia utilizada inspirou-se na proposta por Mizukami et al. (2002) denominada EXPERIÊNCIAS DE ENSINO E APRENDIZAGEM, que subentende:

...situações estruturadas de ensino e aprendizagem, planejadas pelas pesquisadoras e pelas professoras da escola e implementadas pelas professoras, a partir de temas elencados como sendo de interesse individual e grupal e discutidos coletivamente. Essas experiências constituem processos circunscritos – que podem implicar ações com pequenos grupos de professoras ou em salas de aulas, envolvendo professora e alunos... (MIZUKAMI et al., 2002, p. 116).

Em nosso trabalho realizamos EXPERIÊNCIAS DE ENSINO E APRENDIZAGEM, desenvolvendo, concluindo e avaliando com as professoras participantes, propostas de reflexão, informação e ação.

Segundo Mizukami et al. (2002, p.16), o emprego de tais estratégias permite: • O desenvolvimento de processos reflexivos em diferentes momentos e níveis;

• A análise de concepções manifestas e a compreensão de aprendizagens específicas das professoras diante de situações concretas de ensino e aprendizagem, nas quais foram desafiadas a refletirem, a verbalizarem suas crenças e a explicitarem suas práticas ante evidências postas pelas experiências;

• A construção de situações consideradas de reflexão sobre a ação, com narrativas que evidenciam crenças, valores e conhecimentos, assim como a emergência de situações diretamente ligadas ao dia-a-dia escolar que exigiram das professoras posicionamento, interpretação, julgamento e novos planos de ação;

• O direcionamento não invasivo para as salas de aula em termos do planejar, implementar e avaliar experiências concretas de ensino-aprendizagem diferenciadas, aproximando-se, dessa forma, do ensino desenvolvido pelas professoras.

O conteúdo específico das nossas EXPERIÊNCIAS DE ENSINO E

APRENDIZAGEM foi a discussão acerca da utilização da Televisão Comercial como instrumento pedagógico-crítico. Essas experiências constaram de vivências, estudos, diálogos

e reflexões das professoras e coordenadora/pesquisadora sobre temas derivados dos desenhos animados preferidos por seus alunos e sobre a BASE TEÓRICA. Cada uma das professoras participantes desenvolveu com seus alunos, atividades pedagógico-críticas relacionadas aos desenhos animados da preferência deles e retornavam ao Grupo Especial relatando acerca de suas vivências e leituras. Assim, procuramos responder à seguinte questão de pesquisa:

Que aprendizagens profissionais ocorrem em um grupo de professoras inseridas em um processo de coordenação pedagógica construtivo-colaborativo, que utiliza a TV Comercial como suporte para a formação de cidadãos críticos?

O processo consistiu em intervenção ⇔ investigação da coordenadora/pesquisadora

com o Grupo Especial, concomitantemente, através do trabalho construtivo-colaborativo. Uma intervenção ⇔ investigação interessada, ao mesmo tempo, em produzir conhecimento e

melhorar a realidade dos participantes dela e, com potencialidade, ao mesmo tempo, para investigação e formação. Portanto, esta é uma pesquisa de natureza qualitativa, com participação construtivo-colaborativa, com uma metodologia que se caracteriza por criar situações que desencadeiam processos reflexivos nos participantes (pesquisador e professores); que os torne conscientes e ativos no processo de construção de um discurso e de uma ação próprios, com base no diálogo; um processo que se aprofunda em forma de espiral de reflexão e ação, o que implica modificação contínua.