Em relação a essas características, não foi observada negligência com a saúde bucal por parte dos estudantes, a maioria procurava o profissional dentista pelo menos uma vez ao ano e metade da amostra já havia realizado tratamento odontológico. Quanto ao acesso aos serviços odontológicos, corroborando com o estudo, Volpato et al. (2010) relataram que, em relação ao tempo da última visita ao dentista, a maior frequência foi há menos de 1 ano para adolescentes (60,1%), adultos (47,9%) e há mais de 3 anos (58,5%) para idosos. Diferentemente do estudo de Turrioni et al., (2012), que se referia a um aspecto bem evidenciado em adolescentes que é a negligência com a saúde bucal. Em decorrência disso, é significativa a incidência de doenças bucais como a cárie dentária, a gengivite, as doenças periodontais, e ainda, o mau hálito nessa população.
Corroborando com a pesquisa, o estudo de Aragão (2016) reafirmou a ausência dos adolescentes nos serviços de APS e que eles procuram os serviços de saúde nas seguintes situações: tratamento odontológico, vacinação, consultas médicas e recebimento de medicamentos e negligenciam outro tipo de atendimento em saúde, relacionado à saúde sexual e reprodutiva, por exemplo.
No local de estudo, observou-se que há procura dos adolescentes pelos serviços odontológicos em maior quantidade do que para os outros serviços ofertados na atenção primária. Quanto à saude bucal do grupo amostral analisada pela CD foi considerada boa no cômputo geral e isso se deve ao interesse por parte deles de procurarem o tratamento odontológico prestado na rede pública do munícipio e que o acesso é facilitado porque há uma corbertura da ESF praticamente na maioria das localidades, aliado a isso as ações de educação em saúde bucal que ocorem de maneira permanente no âmbito escolar que favorecem a conscientização dos cuidados com a higiene bucal e, consequentemente, incentivam indiretamente a busca pelo serviço odontológico.
Semelhantemente, outro estudo também identificou que apenas uma pequena parcela dos adolescentes escolares relatou procurar um serviço de saúde, sendo que (83%) nunca procuraram o serviço de saúde para obter esclarecimentos sobre os temas relacionados à saúde bucal, à sexualidade ou para a obtenção de preservativos (BRUM; CARRARA, 2012).
Acerca da observação da cavidade bucal sobre mau hálito, sangramento gengival, cárie dentária, mal posicionamento dos dentes e presença de lesão bolhosa nos lábios, a maioria afirmou que já havia observado alguns desses problemas na boca. No que diz respeito aos agravos bucais, a presença de cárie dentária não tratada, o sangramento gengival e o apinhamento dentário têm sido associados ao impacto negativo na qualidade de vida em crianças e adolescentes (CASTRO et al.,2011).
Além disso, o impacto das condições de saúde bucal e sua distribuição na população de adolescentes é pouco conhecido na literatura. Estudar o impacto da saúde bucal na qualidade de vida de jovens é particularmente importante. Essa faixa etária é mais sensível aos diferentes impactos do que os indivíduos adultos no que se refere à percepção da aparência e da dor, podendo afetar não somente a qualidade de vida, mas, também, o desenvolvimento psicológico e as interações sociais desses indivíduos (BRASIL, 2010).
Vale ressaltar que, na pesquisa SBBrasil 2010, (39,4%) dos adolescentes de 15 a 19 anos de idade apresentaram ao menos um impacto negativo em sua qualidade de vida devido às condições bucais. Os do sexo feminino, os pretos, os pardos, os amarelos, os indígenas, os menos escolarizados e os em desvantagem econômica relataram, expressivamente, pior qualidade de vida do que aqueles em situação mais favorecida, caracterizando um quadro de iniquidade social (BRASIL, 2010).
A Organização Mundial da Saúde (OMS) tem se empenhado nos últimos dez anos em enfatizar a importância das condições de saúde bucal como parte importante e indissociável da saúde geral e da qualidade de vida das pessoas. Pesquisas têm evidenciado o papel dos agravos bucais como a dor e a perda dentária, além de graves problemas de oclusão, no absenteísmo escolar e no trabalho. Além disso, problemas relacionados à aparência bucal foram associados às manifestações de bullying em escolares (RONCALLI et al., 2012).
Conhecer as condições de saúde dos adolescentes de forma integral possibilita descrever a magnitude e a distribuição de importantes fatores de risco e proteção à saúde atual e futura, essencial para orientar políticas públicas voltadas para este público (REIS et al., 2013).
Outro aspecto importante perguntado aos adolescentes foi sobre a orientação ou atendimento educativo preventivo de saúde bucal, gravidez não planejada e IST, a maioria respondeu que tinha recebido algum tipo de informação no ambiente escolar.
Sobre as atividades educativas na escola, dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), em uma parceria do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), Ministério da Educação e Ministério da Saúde, em 2009, mostraram que (87,5%) dos alunos da rede pública e (89,4%) dos estudantes da rede privada haviam recebido informações sobre IST em atividades na escola ou em suas comunidades (UNICEF, 2011). Em 2012, essa pesquisa apontou que (89,1%) receberam orientações sobre infecções sexualmente transmissíveis e Aids, (82,9%) dos estudantes receberam informações sobre prevenção de gravidez e (69,7%) foram orientados sobre como conseguir preservativos gratuitamente (IBGE, 2013).
No presente estudo, alguns fatores contribuíram para essa mudança de paradigma na ressignificação da importância dos cuidados com a higiene bucal na população adolescente desde a escovação dental até a busca pelo serviço odontológico na UBS da área adscrita pertencente à escola, entre eles pode-se mencionar: a importância das visitas periódicas da cirurgiã-dentista na escola, isso favoreceu positivamente para a promoção da saúde bucal desses alunos, seja por meio de palestras educativas enfatizando as instruções de higiene oral, por causa da aplicação tópica de flúor como medida preventiva para reduzir a incidência da doença cárie dentária, devido às escovações supervisionadas, ou por conta dos exames epidemiológicos que permitia selecionar os casos que mais necessitavam de assistência odontológica prioritária e de urgência. Isso contribuiu para conscientizar os adolescentes da importância do autocuidado com a cavidade bucal para evitar possíveis doenças bucais.
Para a compreensão da autoavaliação da saúde bucal devem ser levados em consideração fatores sociais, clínicos e subjetivos. É muito frequente a presença de discrepâncias entre as condições bucais encontradas nos exames epidemiológicos e a autopercepção relatada pelo examinado quando da entrevista ou questionário (PERES et al., 2009).