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Transkripsjon av intervju med barnehagelærer 2

As características que definem um povo estão calcadas na construção de seus imaginários. Como conjunto de tradições, lendas ou mitos, o imaginário agrega as pessoas pela simples partilha de memórias e experiências, dando caráter identitário aos povos. Segundo Wunenburger (2003, p. 7), a conceituação primária de imaginário pode ser compreendida:

Nos usos correntes do vocabulário das letras e das ciências humanas, o termo ‘imaginário’, como substantivo, remete a um conjunto bastante flexível de componentes. Fantasia, lembrança, devaneio, sonho, crença não verificável, mito, romance, ficção são várias expressões do imaginário de um homem ou de uma cultura. É possível falar do imaginário de um indivíduo, mas também do de um povo, expresso no conjunto de suas obras e crenças. Fazem parte do imaginário as concepções pré-científicas, a ficção científica, as crenças religiosas, as produções artísticas que inventam outras realidades (pintura não-realista, romance etc.), as ficções políticas, os estereótipos e preconceitos sociais etc. (WUNENBURGER, 2003, p. 7).

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Novamente depara-se com o objetivo e o subjetivo, o irreal e o real, cuja materialidade e imaterialidade se opõem e se complementam. Assim como a informação, o imaginário possui características que reverberam do real ao simbólico e estruturam as complexas teias culturais dos povos.

Como visto, a concepção de imaginário também pode remeter ao fantasioso e ao ficcional, ao universo do lúdico ao qual muitas civilizações recorreram para a constituição de mitos na tentativa de explicar a realidade.

Conviremos, portanto, em denominar imaginário um conjunto de produções, mentais ou materializadas em obras, com base em imagens visuais (quadro, desenho, fotografia) e linguísticas (metáfora, símbolo, relato), formando conjuntos coerentes e dinâmicos, referentes a uma função simbólica no sentido de um ajuste de sentidos próprios e figurados. (WUNENBURGER, 2003, p. 11).

A noção de imaginário trabalhada nesta pesquisa tem como referência a cultura, pois se pretende entender o imaginário de um povo a partir das suas leituras e produções intelectuais. Vale ressaltar que se vê, apenas, uma parcela desse imaginário uma vez que o recorte investigativo utilizado se detém sobre as instituições leitoras da capital cearense na segunda metade dos oitocentos, grupo que pode ser caracterizado como a nata intelectual e boémia da cidade, visto que a maioria tinha influência política e um padrão financeiramente estável ou elevado. Mergulhar no imaginário dessa época é entender as nuances da cultura informacional da cidade e das leituras e produções dos sujeitos, além de como esse imaginário influenciou a construção da realidade e das práticas leitoras da capital cearense.

É valido aqui indagar, ao se falar de imaginário, sobre: o que seria a realidade? Tida como o oposto do imaginário, ela não o é, pois, imaginário e real se complementam. Em linhas gerais, o real é: uma questão de interpretação.

Segundo Laplantine e Trindade (1997, p. 12): “o real é a interpretação que os homens atribuem a realidade.” O real existe a partir das ideias, dos signos e dos símbolos que são atribuídos à realidade percebida.

Interpretar o mundo é lê-lo, é atribuir significado às coisas. Os homens atribuem significados aos objetos. A ideia como representação mental de uma coisa concreta ou abstrata é considerada como elemento consciente do universo simbólico (LAPLANTINE; TRINDADE, 1997, p.16) Assim como, ao materializar ou objetivar a ideia, ela passa a fazer parte do real e, até mesmo na esfera simbólica ela já é construto da realidade, uma vez que a

82 realidade mescla as duas esferas. Traçando similaridades, é possível dizer o mesmo da informação.

O simbólico se faz presente em toda a vida social na situação familiar, econômica, religiosa, política etc. Embora não esgotem todas as experiencias sociais, pois em muitos casos essas são regidas por signos, os símbolos mobilizam de maneira afetiva as ações humanas e legitimam essas ações. A vida social é impossível, portanto, fora de uma rede simbólica. (LAPLANTINE; TRINDADE, 1997, p.21).

Ao tecer a teia de significados que nos fala Geertz (2008), o homem também tece o seu cotidiano, uma vez que, como ser simbólico, o homem não pode ser separado desse espaço, que se faz sempre presente nos seus atos diários, desde a relação com o divino até aos ritos de calendário que organizam seu tempo e movimentam a roda da cultura.

As experiencias cotidianas, [...], são permeadas de ritos. As homenagens a fatos históricos e míticos, os aniversários, velórios, cortejos fúnebres, casamentos e batizados religiosos são rituais de reatualização dos acontecimentos passados e de passagem de uma etapa da existência humana para outra. (LAPLANTINE; TRINDADE, 1997, p.23).

O calendário traz, em seus dias, marcas culturais de um povo, o qual é evidenciado semelhanças e diferenças entre diferentes culturas. Além disso, são uma prova de que o homem necessita desse simbolismo para estruturar sua própria realidade.

Esses rituais diferem das simples cerimonias à medida que marcam em suas performances, as atitudes, sentimentos e mudanças significativas na vida social dos homens. Essas marcas de comportamento e os sentimentos de continuidade ou de mudança no cotidiano, que são significativas para os participantes, são vividos e concebidos através dos símbolos contidos nesses rituais. (LAPLANTINE; TRINDADE, 1997, p. 23).

Desse modo, “o imaginário, como mobilizador e evocador de imagens, utiliza o simbólico para exprimir-se e existir e, por sua vez, o simbólico pressupõe a capacidade imaginária” (LAPLANTINE; TRINDADE, 1997, p.23-24), o que, mais uma vez, evidencia que real e imaginário não são antagônicos, mas complementares no ambiente sociocultural.

Como processo criador, o imaginário reconstrói ou transforma o real. Não se trata, contudo, da modificação da realidade, que consiste no fato físico em si mesmo, como a trajetória natural dos astros, mas trata-se do real que constitui a representação, ou seja, a tradução mental dessa realidade exterior. (LAPLANTINE; TRINDADE, 1997, p.27).

83 No entanto, como ato criador, o imaginário pode interferir na realidade, na mudança de hábitos, ideias e na própria capacidade inventiva humana, tendo como exemplo as invenções tecnológicas.

O processo do imaginário constitui-se da relação entre o sujeito e o objeto que percorre desde o real, que aparece ao sujeito figurado em imagens, até a representação possível do real. Esse possível real consiste na potencialidade, no conjunto de todas as condições contidas virtualmente em algo. Nesse sentido, o imaginário não apenas previne situações futuras, como em sua atividade antecipatória orienta-se para um porvir não suspeitado, não previsto. A determinação deste futuro virtual é acometida por uma imaginação transgressora do presente dirigida à consecução de um possível não realizável no presente, mas que pode vir a ser real no futuro. (LAPLANTINE; TRINDADE, 1997, p.27).

Em parte, isso remete ao discurso do louco descrito por Foucault (2010), em que a fala do louco ou profeta é sempre futurista, por isso incompreendida, só passando a ter sanidade quando se realiza, assim o louco passa a ser o visionário.

O imaginário possui um compromisso com o real e não com a realidade. A realidade consiste nas coisas, na natureza, e em si mesmo o real é interpretação, é a representação que os homens atribuem às coisas e à natureza. Seria, portanto, a participação ou a intenção com as quais os homens de maneira subjetiva ou objetiva se relacionam com a realidade, atribuindo-lhe significados. Se o imaginário recria e reordena a realidade, encontra-se no campo da interpretação e da representação, ou seja, do real. (LAPLANTINE; TRINDADE, 1997, p.79).

Sendo a Ciência da Informação (CI) a área que estuda os processos de criação, organização, uso, apropriação e disseminação da informação, os estudos sobre imaginário se entrelaçam com os objetivos da CI, pois ao tratar de uma esfera de representações e de estruturação de realidades, através do viés da criação e assimilação de informações dispostas no mundo e tecidas pelos sujeitos, são partícipes da própria dinâmica informacional. Desse modo, segundo Capurro e Hjorland (2007, p. 186), a CI:

Se ocupa com a geração, coleta, organização, interpretação, armazenamento, recuperação, disseminação, transformação e uso da informação, com ênfase particular, na aplicação de tecnologias modernas nestas áreas. Como uma disciplina, procura criar e estruturar um corpo de conhecimentos científico, tecnológico e de sistemas, relacionado à transferência de informação. (CAPURRO; HJORLAND, 2007, p. 186).

Mesmo que a ênfase tecnológica evidenciada pelos autores seja importante, isso vem mudando, uma vez que essas tecnologias passam a ser investigadas por uma lógica sociocultural, como o próprio paradigma social da informação vem demonstrando. Nesse sentido, a tecnologia é vista dento de uma cultura informacional em que a própria informação

84 deixa de ser sinal mensurável matematicamente e passa a ser componente de significação e geração de sentido na lógica da cultura.

O objeto informação, enquanto forma instituída de memória, gestão, distribuição e recepção dos artefatos culturais, é aqui o elemento de ligação entre as dimensões conjuntista-identitária e imaginária, que regem o funcionamento da “instituição total da sociedade” e da própria dinâmica cultural. (MARTELETO, 1995, p. 3-4).

A informação só possibilita a geração de sentidos quando for entendida em seus contextos socioculturais por quem a utiliza. Entender o fenômeno ‘informação’ é entender o contexto sociohistórico de uma época, seus produtos culturais e suas redes e fluxos infocomunicacionais.

Tendo em vista que a produção e reprodução dos artefatos culturais se realiza pelo modo informacional, pelo menos nas sociedades históricas, pode-se afirmar que, nestas sociedades, toda prática social é uma prática informacional – expressão esta que se refere aos mecanismos mediante dos quais os significados, símbolos e signos culturais são transmitidos, assimilados ou rejeitados pelas ações e representações dos sujeitos sociais em seus espaços instituídos e concretos de realização. (MARTELETO, 1995, p. 3-4).

O que sustenta o paradigma social, ou melhor dizendo, sociocultural não é em si tecnologia, mas são as teias do imaginário, que como forças criadoras de costumes, tendências e novas realidades se relacionam com os movimentos da informação, “travestida” ou apropriada pelas praticas sociais, como a leitura.

As tecnologias em si como o livro, são apenas meios, que possibilitam a materialização de ideias imaginários, para que nas vias de comunicação de uma sociedade possam colocar em pratica os desejos e vontades estabelecidas pelos sujeitos.

Nesse sentido o entrelaçar da informação, feito através da leitura, com os mecanismos de discurso vigentes no cerne das estruturas políticas e de poder de uma sociedade, assim como os discursos e desejos de poder dos sujeitos como um todo travam lutas simbólicas, dentro desse regime de informação estabelecido para só então unificarem ou contestarem um discurso e firmarem um sistema informacional que retroalimenta cotidianamente.

Fica, portanto, mais que evidente a nossa perspectiva informacional da Leitura dentro da CI, tendo em vista que, na complexa trama composta pela memória, imaginário, leitura e a própria informação estes são componentes necessários ao entendimento de uma cultura leitora e aos modos como um povo produz, utiliza e dissemina informações, conhecimentos e constroem sua própria realidade, identidade e história.

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