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8.4 Analysis of Impulse Responses

8.5.1 Transient Imaging

A trajetória de análise dos resultados percorrida nesta pesquisa também nos remete a uma espiral de aprendizagem. Fazendo uma pausa e olhando para trás, observamos o tempo de aproximação e reflexão empreendidos nos documentos, nas falas dos grupos focais, nos desenhos dos estudantes e no próprio corpo teórico de Morin, representando vários movimentos circulares de ir e vir. Na sequência um outro tempo empregado para organizar os vários achados, uma forma de ligá-los, uma forma de articulá-los, sem perder a essência e a particularidade de cada unidade. Este esforço permitiu traçar algumas considerações finais para este momento, mas que com certeza são parciais quando vistas dentro do contexto e da complexidade em que são tecidas.

Nosso intuito desde o início deste trabalho era compreender diferentes maneiras de aprender dos estudantes de enfermagem em relação ao desenvolvimento de habilidades para o trabalho em equipe, contribuindo para uma reflexão sobre a formação do enfermeiro. Não conseguimos dimensionar o quanto conseguimos atingir esta meta, mais conseguimos perceber que caminhamos em direção a isto, agregamos novos conhecimentos, revisamos concepções e alguns pontos permanecem ainda cegos. Esse constitui o próprio caminhar do aprendiz. Adquirimos uma nova compreensão, mas surgem outras questões a serem perseguidas. Nessa perspectiva que nos colocamos nesta etapa da pesquisa.

Observamos que uma das primeiras aquisições do estudante que se insere no CI é a mudança de hábitos, o desenvolvimento de competências diferenciadas, o de aprende a trabalhar com o novo, com o outro e o senso de responsabilidade científica. Essas habilidades desenvolvidas no decorrer da graduação são respostas ao processo de aprender que, ao exercitar as múltiplas dependências, torna-o um sujeito autônomo.

As diversas estratégias de ensino utilizadas no curso em estudo são um alicerce no processo de aprender do estudante, na espiral de aprendizagem, pois por meio delas o estudante se relaciona, interage, desenvolve habilidades, aprende com o outro e com as suas próprias experiências práticas. Sendo assim, consideramos o ambiente proporcionado como um fator primordial para o desenvolvimento dessas aprendizagens. Por meio da ajuda-mútua, o estudante aprende a tecer sua rede de múltiplas dependências, tornando-se assim um sujeito

autônomo, no modo moriniano da palavra, pois ao depender das aprendizagens adquiridas consegue transpor seus limites.

A aprendizagem relacionada ao ensino de habilidades para o trabalho em equipe no CI ocorre por meio de metodologias ativas, de contextualizações, problematizações, vivências em campos de práticas, dinâmicas, desenvolvimento em pequenos grupos além de avaliações contínuas e por meio de feedbacks desde o início do curso. O contato com opiniões diferentes, a construção de valores éticos e sociais desde o primeiro ano do curso são também potencialidades para o desenvolvimento do ensino voltado ao trabalho em equipe.

A metodologia ativa proporciona ao estudante diversas possibilidades de aprendizado, que são compartilhadas entre si. Esta articulação de conhecimentos aproxima-se da transdisciplinaridade moriniana. Os diferentes cenários de ensino aprendizagem ajudam o estudante a construir uma percepção mais multidimensional dos conteúdos trabalhados. A noção moriniana de reintrodução do conhecimento em todo o conhecimento ocorre pela ampliação da percepção do estudante, identificando a complexa construção que ocorre por meio das diferentes maneiras de aproximação com o próprio conhecimento.

Desta forma, neste estudo foi possível estabelecer algumas relações do pensamento complexo de Edgar Morin com o ensino do tema transversal trabalho em equipe no CI. Alguns dos princípios norteadores como o hologramático, a recursividade e a dialogia aparecem profundamente articulados uns aos outros, se enlaçando e se fundindo ao longo da análise das séries do curso de enfermagem, mostrando a construção lenta e constante da autonomia nos processos de aprender em enfermagem.

O aprender, através da metodologia ativa, proporciona, ao estudante o desenvolvimento da capacidade de decidir-se com mais firmeza, por meio das relações implementadas e da troca de experiências, proporcionando a este um olhar multidimensional da realidade. Todas estas experiências exemplificam o exercício do autoexame e da autorreflexão.

As maneiras de aprender se configuram em um ambiente de dinamismo, inter-relações entre os estudantes, troca de experiências, ajuda mútua, pró-atividade, relação respeitosa, valorização da construção do estudante. Todos

esses elementos constituem a tessitura da rede de múltiplas dependências do sujeito autônomo, que não tem medo de críticas, pois já desenvolveu a compreensão de que críticas também o ensinam.

O estudante demonstrou também ter conhecimento da relação dialógica que há entre a teoria e a prática e que essas devem retroagir entre si de maneira que a produção de conhecimento científico possa contribuir e ser efetivamente utilizado na prática.

Este processo foi também condizente com o exercício crítico- reflexivo e em alguns momentos, possibilitou a socialização profissional dos estudantes por meio de módulos interdisciplinares e interprofissionais preparando-os de forma mais profícua para o trabalho em equipe. Os módulos interdisciplinares PINs, ofertados no primeiro e segundo anos do curso, integrados com o curso de medicina, podem ser considerados um avanço, quando tomados no seu desafio de implementar uma atividade curricular envolvendo dois cursos da área da saúde e, também pode representar um limite quando deixa de fora tantas outras profissões que compõem o trabalho em saúde.

O ensino de habilidades para o trabalho em equipe requer, além da aproximação com a prática profissional, uma interação constante entre professor/estudante/usuário/trabalhadores. O compartilhamento de saberes e conhecimentos proporciona ao estudante um novo olhar, a formação de novos conceitos e um conhecimento amplo e globalizado, essencial para o aprendizado do trabalho em equipe.

Recomendamos que as propostas curriculares auxiliem o estudante de enfermagem a desenvolver maior número de atividades interprofissionais, por meio de projetos de extensão, grupos de pesquisa, iniciação científica entre outras oportunidades. Atividades integradas com outros cursos que possibilitem uma aprendizagem em conjunto, favorecem a aquisição de experiências que serão importantes para o aprendizado do trabalho em equipe.

Os momentos de reflexão e análises sobre o trabalho em equipe em alguns módulos dependeram da iniciativa individual dos professores, sendo algumas vezes uma atividade informal e facultativa. Nestas ocasiões nem todos os estudantes puderam dela usufruir. Assim, como propõe a transversalidade de um

tema, é importante que os professores estejam atentos para aproveitarem das várias oportunidades práticas no cotidiano dos serviços de saúde que suscitam reflexões sobre o trabalho em equipe.

O cuidado do outro, que se aprende no curso, ainda é restrito ao paciente e familiar e não se estende aos profissionais de saúde e aos próprios estudantes. Essa atitude parcelar com certeza repercute na formação dos futuros enfermeiros. O discurso do cuidado integral, da formação holística e da humanização, assume feições parciais, e ainda deixam lacunas no preparo do estudante para o trabalho em equipe.

Percebeu-se que no internato de enfermagem, ou seja, no último ano do curso, concretizou-se de forma mais explícita a possibilidade do “despertar” dos estudantes para esta seiva. Foi neste momento que os estudantes tiveram vivências e experiências mais intensas, como também o amadurecimento e momentos de discussões e reflexões em sala de aula.

Assim, defendemos e reforçamos que os professores de enfermagem, que são facilitadores e orientadores do processo de ensino e aprendizagem, tenham clareza e consolidem a importância do tema trabalho em equipe constituir-se um tema transversal na formação do enfermeiro. Este estudo foi desenvolvido em uma proposta curricular integrada, mas acreditamos que o desenvolvimento de temas transversais pode ser adotado também em propostas curriculares disciplinares ou mais tradicionais.

Outro aspecto a ser considerado é que a criação e a utilização de estratégias para o ensino e a vinculação dessa temática ao longo da formação do estudante não necessita especificamente de carga horária. É necessário que o professor se utilize de momentos oportunos, na prática ou na teoria, para vincular a temática e discuti-la de forma que o estudante aprenda a identificar a importância e a necessidade de incorporá-la em sua prática, não deixando que a junção da gerência com assistência aconteça apenas no final da graduação.

Acredita-se que os professores são fundamentais no

desenvolvimento de habilidades para o trabalho em equipe. Por isso, é preciso que todos tenham clareza de que o trabalho em equipe deve ser discutido e ensinado de

forma que permeie toda a formação do estudante, com sucessivas aproximações e complexidades diferentes.

A utilização de diferentes estratégias é vital para ensinar ao estudante sobre a necessidade da flexibilidade e do dinamismo nas relações em equipe no cotidiano do trabalho. A vida exige constantemente novas estratégias para novos e velhos problemas, e são estas estratégias que nos movem em direção aos objetivos e aos sonhos. Na verdade, o trabalho em equipe não deve ser compreendido como um ponto final, mas sim como um ponto de partida para novas aprendizagens, relações e conquistas.

A complexidade mostrou- se como um referencial teórico muito potente para analisar as maneiras de aprender e desenvolver as habilidades para o trabalho em equipe com uma visão macro e micro simultânea. Micro, por conseguir perceber as pequenas relações existentes entre estudantes que se configuram de modo macro. Esse referencial nos possibilita refletir sobre a religação das partes, verificar a tessitura de relações que permeiam a graduação, contribuindo satisfatoriamente para o processo de aprender do estudante.

Finalizamos, reiterando que algumas das contribuições desta pesquisa vão em direção de fortalecer algumas práticas de ensino que ocorrem e se mostram bem sucedidas no contexto do estudo, tais como as sessões tutoriais, as atividades práticas e o internato de enfermagem. Vimos que tais práticas fomentam a busca pelo conhecimento, valorizam o conhecimento pertinente e estimulam o desenvolvimento tanto de competências cognitivas como também das emocionais e relacionais nos estudantes. Outra direção é a de rever práticas que ainda permanecem muito fragmentadas e desconectadas de seu objetivo maior. Um exemplo disto é a estratégia dos seminários que possui maior potencialidade do que tem alcançada na sua forma cotidiana de utilização. Constatamos também que os módulos analisados embora evidenciem avanços na concretização do tema transversal trabalho em equipe ainda necessitam de melhor articulação entre si.

Os limites desta pesquisa situam-se na necessidade de ouvir também os professores e de pensar formas de implementação de temas transversais em outras propostas curriculares, além de estender esta questão aos outros cursos de formação na área da saúde. Refletir sobre o cuidado em saúde

produzido por diferentes profissionais, que vivenciam várias dificuldades no trabalho em equipe, ainda é um grande desafio e deve continuar a ser estudado.