8. Discussion
8.1. Transferability of the method
Os produtores entrevistados foram divididos em dois grupos de análise: i) Produtores que não realizam abate de ovinos; e ii) Produtores que realizam abate de ovinos. O critério utilizado para esta classificação foi a realização do abate de ovinos na própria propriedade rural, à margem do sistema de inspeção sanitária.
Para identificar quais produtores participam de cada grupo foram analisadas as respostas a duas questões do questionário: i) a questão 180, onde os produtores foram questionados se vendem ou venderam carne ovina aos consumidores finais, sendo que os que responderam afirmativamente assumiram que realizam o abate de ovinos na propriedade para a comercialização da carne; e ii) a questão 278, em que os produtores declararam a quantidade de carne ovina ou de ovinos vivos vendidos aos marchantes. Na questão 278 os produtores que responderam em quilos de carne (kg) assumiram realizar o abate de ovinos na propriedade rural para fins comerciais. Já os produtores que responderam em quantidade de animais vivos são os que não realizam esta atividade.
Para testar as hipóteses estabelecidas, procurando-se identificar as diferenças e semelhanças entre os grupos, foram utilizados os métodos de análise estatística: teste de Qui-
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Fizeram parte da equipe de coordenadores do projeto, três pesquisadores da Embrapa Caprinos e Ovinos, que foram: a pesquisadora Ms. Hellen Christina G. de Almeida, o pesquisador Ms. Ernandes Barboza Belchior e o pesquisador autor do presente estudo. A Secretaria de Agricultura e Recursos Hídricos do município de Tauá, na pessoa da Secretária Adjunta Sra. Verônica Oliveira Lima, prestou apoio fundamental para a realização de todo o processo de planejamento e execução do levantamento dos dados junto aos produtores rurais. Como ressaltado anteriormente, a identificação dos principais locais de produção de ovinos no município foi realizada junto aos técnicos contratados, bem como contou com o apoio de colaboradores da Secretaria de Agricultura que conhecem bem o município.
quadrado, Teste Exato de Fisher e Teste de diferença entre médias. O parâmetro para identificar a diferença entre os dois grupos é o resultado do teste estatístico aplicado, que é representado pelo P valor (<0,05 indica diferença entre os grupos).
Para as variáveis qualitativas, ou categóricas, não há ordem ou hierarquia e o que se mede é colocado em uma ou outra categoria, indicando somente diferenças com respeito a uma ou mais características. Muitos dados apresentados no presente estudo são variáveis categóricas. São exemplos de variáveis com nível de mensuração nominal: sexo, filiação partidária, profissões, categorias funcionais, estado civil, etc. (OLIVEIRA, 2007).
A estatística Qui-quadrado (χ²) é adequada para variáveis qualitativas, com duas ou mais categorias, para medir o grau de discrepância entre um conjunto de frequências observadas e um conjunto de frequências esperadas, ou seja, para verificar se uma distribuição observada ajusta-se a uma distribuição teórica. O teste do Qui-quadrado permite averiguar se duas variáveis estão relacionadas, ou seja, ele testa a independência/homogeneidade de duas variáveis.
O teste Qui-quadrado de Pearson examina se existe uma associação entre variáveis categóricas. A estatística Qui-quadrado testa se as duas variáveis são dependentes. Se o valor de significância é pequeno (por convenção, a significância deve ser menor do que 0,05), rejeitamos a hipótese de que as variáveis são independentes e aceitamos a hipótese de que elas estão, de alguma maneira, relacionadas (FIELD, 2009).
As variáveis categóricas do estudo tem sua relação com a variável “faz abate na propriedade” testada por meio do teste Qui-quadrado. Nos casos em que o P valor for menor do que 0,05 rejeita-se a hipótese de que as variáveis são independentes, ou seja, é constatado que há alguma relação entre as variáveis e esta relação expressa que há uma diferença entre os grupos de produtores que não realizam o abate e os produtores que realizam o abate.
Entretanto, existem situações em que o tamanho das duas amostras independentes é pequeno. Nestes casos utiliza-se o método chamado Teste exato de Fisher, que constitui técnica não-paramétrica extremamente útil e adequada para analisar dados discretos (nominais ou ordinais) nestas situações (SIEGEL, 1975). Quando o P valor apresentado nas tabelas ao longo do texto tiver sido calculado utilizando o Teste exato de Fisher ele será identificado com um asterisco (*).
Para as variáveis quantitativas apresentadas ao longo dos resultados, o método estatístico utilizado foi o teste de diferenças entre médias, o teste t. O teste t pode ser realizado tanto para amostras independentes quanto para amostras dependentes. Esse teste é usado
quando existem duas condições experimentais e diferentes participantes foram designados para cada condição (FIELD, 2009). No caso do presente estudo o teste t é aplicado para amostras independentes, pois cada grupo de análise é considerado uma amostra independente.
O capítulo de análise e discussão dos resultados se inicia com a apresentação das características diferenciadoras dos produtores rurais. Estas características estão agrupadas em três seções, que são: a) caracterização do perfil socioeconômico dos produtores rurais; b) caracterização do sistema de produção adotado pelos produtores entrevistados; e c) caracterização das estratégias de comercialização adotadas pelos produtores rurais. Na quarta seção do capítulo de resultados as hipóteses definidas a partir da revisão de literatura são analisadas à luz dos resultados obtidos. Com este procedimento as hipóteses são corroboradas ou refutadas como determinantes do abate de ovinos entre os produtores rurais na cadeia produtiva da carne ovina do município de Tauá.
Além das hipóteses formuladas a partir da revisão de literatura, a etapa final de apresentação e discussão dos resultados apresenta novos fatores determinantes do abate de ovinos pelos produtores rurais, que foram formuladas a partir dos dados obtidos e constituem em contribuições do presente estudo à teoria da economia informal. Também são apresentados os aspectos diferenciadores dos produtores que realizam o abate em relação aos que não realizam o abate, mas que não constituem fatores determinantes da realização do abate pelos produtores rurais.
Para estabelecer a diferença entre uma característica diferenciadora e um determinante da informalidade, utiliza-se o critério da relação causal. Os fatores determinantes são aquelas variáveis (ou um conjunto de variáveis relacionadas) que levam o produtor a realizar o abate de ovinos em sua propriedade rural. Já um aspecto puramente diferenciador é aquele em que apresenta um comportamento diferente entre os produtores que não realizam o abate e os produtores que realizam o abate, mas que, no entanto, não permite o estabelecimento de uma relação de causa para o abate.
A partir da identificação dos fatores determinantes do abate de ovinos pelos produtores rurais são discutidas algumas oportunidades de desenvolvimento do setor produtivo, às quais são realizadas sugestões de temas relevantes como possíveis objetos de políticas públicas para o setor, encerrando o presente estudo.