• No results found

Trade barrier effects on industry’s localization decisions

2. Theory and Empirical Evidence: the Economics of Trade Barriers

2.5. Further effects of trade barriers and empirical evidence from the defense market 16

2.5.3. Trade barrier effects on industry’s localization decisions

Pressupondo que o aluno somente torna-se um enfermeiro crítico a partir do momento em que atua como sujeito no processo de formação, precisamos entender como esse aluno constitui-se enquanto tal.

Na concepção de Homem adotada no currículo do Curso de Enfermagem da FAMEMA (1997) menciona-se que o mesmo está inserido numa determinada sociedade, a qual está estruturada em classes, de acordo com a apropriação dos meios de produção, e que este Homem tem capacidade para refletir sobre a realidade e não somente vivê-la. Destaca-se ainda que ele constrói uma concepção de mundo ao indagar sobre o que são as coisas, as idéias, os fatos, as situações, os valores e a si próprio, sendo essa visão estruturada da realidade aquela que vai orientar suas ações.

Ao enunciar esta concepção estamos buscando recuperar a capacidade do ser humano, quer na qualidade de estudante, professor, profissional de saúde, usuário ou comunidade, enfim, o cidadão, de ser sujeito do seu processo de vida e trabalho, construindo-se a partir daí a possibilidade do mesmo ser ativo na sua produção e reprodução social, ou seja, tendo consciência e autonomia para decidir sobre o seu destino, movido pelos seus desejos e interesses, articulado às necessidades sociais, portando um projeto constituído coletivamente, de forma que a sua prática tenha compromisso e responsabilidade com o usuário do sistema de saúde e que possa impulsionar processos de mudanças na realidade onde se situa.

O sujeito segundo Campos (2000, p.67) é

um ser biológico, com uma subjetividade complexa e mergulhado em um conjunto de relações sociais que alteram seus desejos, interesses e necessidades. Um Ser com um grau relativo e variável de autonomia para realizar desejos, interesses e necessidades, mediante processos de negociação-e-luta com o passado e o presente. Um Ser imerso na história e na sociedade, mas nem por isso despossuído de uma subjetividade singular e de capacidade para reagir ao seu contexto.

Ao considerarmos que os sujeitos são aqueles que portam um determinado projeto, construído coletivamente, buscamos compreender como se dá este processo.

Segundo Campos (2000) na constituição do sujeito individual, há planos e regiões existenciais nos quais podemos agir, interferindo no processo de construção de valores, no modo de pensar e de atuar de cada um. Com isto, estamos interferindo na subjetividade, na cultura, na ideologia e na práxis.

Na dimensão interna, na região particular estão os desejos e interesses do indivíduo, havendo também uma determinação biológica. Na região universal ou externa ao sujeito estão presentes as necessidades sociais, as Instituições determinadas pela cultura, o sistema econômico e jurídico, os valores, a ética e os saberes.

Campos (2000) destaca ainda que, na região intermediária ou também denominada de singular, onde há o contato entre o interno (imanente ao sujeito) e o externo (transcendência em relação ao sujeito), ocorrem sínteses entre o sujeito e seu contexto, podendo-se operar nesta região influenciando a produção de objetos e objetivos, ou seja, podendo constituir um compromisso e contratos frente a um determinado projeto construído coletivamente, por meio de negociações e luta.

Portanto, ao atuarmos na região intermediária por meio de ações reflexivas sobre o cotidiano dos sujeitos em ação, buscando compreender os processos de intervenção atrelados a determinados fins, estamos tentando articular/discutir/negociar seus interesses, desejos e vontades com as necessidades sociais para um determinado fim. Temos assim a recomposição dos determinantes de caráter universal, o contexto particular e os interesses exclusivos do sujeito. Isto pode criar um determinado compromisso dos sujeitos, mas este sujeito também precisa ter uma certa autonomia para atuar de forma criativa frente ao que foi negociado na elaboração dos contratos.

Dessa forma, além de ser portador de um determinado projeto que é construído nos espaços coletivos, outra questão importante na constituição dos sujeitos está relacionada à construção da autonomia.

Quando trabalhamos em um processo de educação de enfermeiros objetivando um posicionamento político com uma atitude crítica frente aos atos realizados enquanto profissional, estamos trabalhando na direção da construção da autonomia do profissional. A possibilidade de autonomia ocorre pela capacidade de elaboração da própria identidade, considerando a ampliação do pensamento crítico para a análise e pela capacidade de intervenção na sociedade, ou seja, pela capacidade de construir projetos coletivos de mudança social, a partir das próprias experiências vividas através das relações sociais que estabelece com os seres humanos nesta sociedade.

O indivíduo torna-se sujeito, superando sua condição de objeto à medida que conquista sua autonomia de pensamento crítico. O indivíduo passa a ser capaz de re-elaborar suas determinações externas em função do que define como sua vontade, considerando também os limites éticos.

Com isto, esperamos que sejam construídos compromissos e contratos para que o aluno e o profissional possam atuar com responsabilidade, ética, na perspectiva da construção de competências com qualidade política, além da qualidade formal.

Consideramos como competência com qualidade formal a concepção de Demo (2001, p.14), que consiste na capacidade de manejar meios e instrumentos, técnicas e procedimentos para enfrentar os desafios do desenvolvimento, estando em destaque o manejo e a produção do conhecimento, como capacidade de inovação permanente frente aos referidos desafios (aprender a aprender).

A competência com qualidade política (aprender a ser) diz respeito à capacidade “de se fazer e de fazer história, diante dos fins históricos da sociedade humana” (DEMO, 2001, p.14). Dessa forma, a participação torna-se condição básica para que seja concretizada uma ação pautada em valores e com um determinado fim, portanto, permeada por uma ideologia, que ressalta o valor ético-político.

Uma característica da qualidade é vir atrelada a uma dimensão de intensidade, sem se contrapor à quantidade, que inspira extensão. Segundo Demo (2001, p.11) a qualidade “tem a ver com profundidade, perfeição, principalmente com participação e criação. Está mais para o ser do que para o ter”. Está relacionada à ação humana uma vez que se liga à intensidade, no sentido de ter a marca do ser humano, por ser questão de vivência, consciência, participação, cultura e arte. Ou seja, podemos resumir no desafio de construir e participar.

A participação crítica se dá no momento em que construímos a consciência sobre o mundo, num movimento contínuo, contraditório, inscrevendo na história a marca dos seres humanos. À medida que exploramos a natureza, intervimos na sociedade, dando uma direcionalidade às ações realizadas, utilizando a qualidade formal com uma determinada qualidade política, humanizamos o mundo a partir de valores, crenças, cultura, ou seja, da subjetividade, que também é determinada pelas condições historicamente construídas pelos seres humanos na sociedade.

Dessa forma, o sujeito portador de competência com qualidade formal sem qualidade política “resvala para a implantação da agressão e do privilégio, pois perde a noção ética e serve a qualquer ideologia. Ideologia sem conhecimento apenas inculca a ignorância e dela vive, confundindo competência com fidelidade” (DEMO, 2001, p.14).

As ações dos sujeitos podem estar a serviço dos mais diversos projetos, construídos a partir dos desejos, interesses e necessidades dos mesmos, assim como dos processos de negociação, composição, rearticulação destes com as determinações presentes no plano externo/universal.

No PPP do Curso de Enfermagem da FAMEMA há o interesse de formar enfermeiros que defendam um projeto baseado na defesa da vida humana, no qual a capacidade de cuidar para a emancipação do outro, com autonomia, promovendo a oportunidade de escolha, está inscrita como qualidade política por meio da qualidade formal.

Ao promovermos um cuidado/prática de enfermagem para a emancipação, estamos construindo uma competência para desenvolver a capacidade de gerar e de gestar projetos com consciência, responsabilidade e compromisso com os mesmos, podendo influir nos cenários de inserção profissional, tendo autonomia com relação aos atos realizados e os destinos, ou seja, construindo a possibilidade de decidir sobre os rumos da vida.

No entanto, Morin (2001) destaca que esta autonomia é relativa, visto que não está fundada em uma liberdade absoluta, emancipada de qualquer dependência, mas uma autonomia que depende do meio em que o sujeito está inserido, sendo este biológico, cultural ou social. Portanto, a autonomia de uns significa a perda de liberdade e opções de outros, pois os sujeitos ao viverem em sociedade estabelecem relações com intersubjetividades, considerando a ética, o respeito ao outro.

A autonomia do profissional também está relacionada ao conhecimento para a tomada de decisão. Tendo acesso à informação e o desenvolvimento da capacidade de aprender a aprender, o aluno/profissional transforma a informação em conhecimento humanitário e a profissão através das relações intersubjetivas. Isto possibilita a ampliação da capacidade de análise e de decisão.

Quando realizamos atos pautados pela autonomia, estamos tratando também da redistribuição/conquista de poderes, ou seja, da possibilidade de se construir relações mais democráticas entre os sujeitos, tendo por base o consenso, no qual os interesses, desejos e necessidades sociais possam ser negociados para a constituição de um projeto coletivo.

Campos (2000) aponta que se faz necessária a construção da democracia nas instituições, as quais também fazem parte de uma reforma no âmbito da sociedade, criando espaços coletivos com poder compartilhado, nos quais os sujeitos tenham acesso à informação, onde de fato tenham a possibilidade de fazerem parte das discussões, negociando os conflitos e fazendo parte da tomada de decisões da instituição, nas quais possam projetar reformas estruturais e funcionais de caráter democrático.

Se os projetos podem estar a serviços dos mais diversos interesses, os processos educativos e de prestação de serviços tanto podem estar a serviço da transformação das práticas, como também da reprodução das mesmas, ou seja, estar a serviço da reprodução cultural dos interesses da classe socialmente dominante. “Funciona de tal maneira que representa os interesses econômicos e políticos das classes dominantes, não como arbitrários e historicamente contingentes, mas como elementos naturais e necessários da ordem social” (GIROUX, 1983, p.43).

Esta ordem se rompe à medida que os sujeitos se propõem a portar um projeto de (re)construção desta ordem, transformando as práticas, por meio da competência com qualidade formal e política.

Dessa forma, estamos tentando construir um PPP que forme profissionais críticos, que possam impulsionar a transformação das práticas em saúde, em especial as de Enfermagem, na perspectiva de uma prática com maior autonomia do enfermeiro e da equipe de enfermagem, com qualidade formal e política, para que se possa transformar os processos de trabalho e os modelos de atenção à saúde, considerando os princípios do SUS.

2.4.Contextualizando o processo de Revisão Curricular do