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Study 4: Analysis of Bt11 field maize and sweet maize grown in North America

5 Food and feed safety assessment

5.2 Toxicological assessment

Além do conhecimento sobre os fatores que influenciam o grupo como um todo e sua evolução ao longo do tempo, a teoria do diálogo pede também que os aspectos relativos às outras duas dimensões, interpessoal e individual, sejam considerados.

Isaacs (1999a) compõe as questões importantes relativas à dimensão interpessoal de sua teoria a partir do trabalho de Kantor e Lehr (1976), cuja obra oferece referências para a compreensão dos processos familiares à partir da teoria sistêmica. Segundo os próprios autores, apesar de sua teoria se relacionar especificamente às famílias, que são coletividades com características únicas, pode ser aplicada em outros sistemas sociais.

Os aspectos da teoria de família de Kantor e Lehr (1976) abordados por Isaacs (1999a) referem-se: 1) aos papéis desempenhados pelos participantes de um grupo quando dentro do grupo; 2) às linguagens diferentes faladas pelos participantes de um grupo e; 3) às maneiras de organização do poder e das relações no grupo. Esses aspectos podem ser visualizados de forma organizada acima, no item 2 da figura 1.

Segundo Isaacs (1999a), em uma conversa cuja dinâmica parece aleatória, os participantes tendem a desempenhar papéis a partir de duas percepções: i) de como se inserem na conversa e ii) do que está faltando na conversa. Dentro desse contexto, a teoria de Kantor e Lehr (1976) reconhece quatro tipos de papéis desempenhados pelos participantes de um processo de grupo: eles podem ser movedores, seguidores, opositores ou espectadores10. Os movedores são aqueles que geralmente iniciam a conversa e são foco de atenção temporária. Os seguidores são os que concordam com os primeiros e, com isso, tornam-se mais próximos dele, formam alianças. Com relação ao esquema de Scharmer (2001) acima (figura 2), movedores e seguidores terão papel preponderante no primeiro campo.

Os opositores são aqueles que desafiam o que está sendo colocado, trazem novas perspectivas e podem ampliar a conversa. No esquema de Scharmer (Ibid..) opositores surgem primeiramente no momento de crise, em que a cortesia superficial presente no grupo será substituída por uma necessidade de se colocar o que se realmente pensa. Oposições e polarizações surgem e o nível de tensão pode subir. É o momento da crise que pode levar à uma transformação na forma de relacionar e agir do grupo, ou não, ao retrocesso à superficialidade anterior ou, finalmente, à deserção. Por fim, os espectadores são os participantes que se mantém afastados da conversa e não costumam tomar partido, podendo emitir opiniões gerais, mas que não permitem a formação de alianças. Segundo os autores, uma boa conversa provém da existência desses quatro perfis de forma balanceada (Ibid.). Cada um desses comportamentos gera, no entanto, percepções positivas e negativas pelos demais, que podem ser diferentes das intenções da pessoa que os pratica. Por exemplo, a postura de um movedor, de tomar iniciativa e falar de forma mais desinibida pode ser traduzida, por outro participante da conversa, como onipotência ou impaciência. A lealdade do seguidor pode ser interpretada como acomodação, a postura do opositor como crítica desnecessária e, por fim, a paciência do espectador, como falta de interesse. É importante que se ressalte que esses papéis não são das pessoas, mas dos momentos, e podem portanto variar ao longo de uma conversa ou convivência.

2.2.4.2.2. Linguagens.

Além dos quatro papéis desempenhados pelos participantes de um grupo, é importante também que se reconheçam as três diferentes dimensões de interação (KANTOR E LEHR,

10 Aqui se optou pela tradução dos nomes atribuídos pelos autores, respectivamente movers, followers, opposers

1976) possíveis de ocorrer dentro de um grupo, o que Isaacs (1999a) traduz como linguagens: a linguagem do sentimento, do significado e do poder.

A linguagem do sentimento é falada por aqueles cujas preocupações principais centram-se em como as pessoas estão se sentindo dentro do grupo e atentam-se não só aos conteúdos conversados, mas também na forma como são conversados; na linguagem do significado, o interesse se dá nas ideias, valores, teorias e filosofias subjacentes ao que está acontecendo ou sendo dito. Por fim, a linguagem do poder é proferida por aqueles centrados na ação.

Para o autor, é importante que se reconheçam essas três formas de linguagens e percebam suas ocorrências em um grupo. Caso contrário, a conversa poderá se desenvolver de forma confusa, com os participantes tendo dificuldade em se fazerem entender pelos demais. Ênfases diferentes, no sentimento, no significado e no poder, por diferentes atores podem impedir que o entendimento se estabeleça entre os participantes. Como o próprio autor coloca, para que haja comunicação, é necessário que todos falem a mesma língua.

2.2.4.2.3. Forma de organização do poder e das relações no grupo.

Kantor e Lehr (1976) descrevem em seu trabalho três ideais homeostáticos que, segundo eles, podem ser encontrados em diferentes sistemas familiares. São eles sistemas abertos, fechados e aleatórios. Tais sistemas se relacionam aos ideais de equilíbrio e desequilíbrio que as famílias possuem e com os quais mantém e alcançam seus propósitos e determinam os tipos de respostas às ocorrências do dia a dia. Cada um dos sistemas oferece um repertório próprio com o qual questões internas e externas são processadas e através do qual mudanças podem ocorrer para retroalimentar positivamente o ideal homeostático.

Famílias abertas são aquelas que valorizam a participação, as diferentes opiniões e cujos movimentos são determinados por consenso. Afirmam ao mesmo tempo a coesão coletiva e a individualidade, no entanto com os interesses coletivos à frente dos indivíduos. Estão abertas para o mundo exterior e às contribuições que pode trazer para a família, e seus planos de vida são evolucionários, ou seja, evoluem e se adaptam às condições encontradas.

Famílias fechadas valorizam a tradição, a disciplina e a autoridade. Seus espaços internos são claramente separados dos externos, como forma de manutenção da privacidade, de preservação do território, dos valores e autoproteção. Nesse tipo de família os interesses

individuais devem se submeter aos do grupo e o plano de vida é predeterminado pela tradição, como forma de destino.

Famílias aleatórias são aquelas que valorizam a individualidade e cujos padrões territoriais são agregados de estilos individuais, sem haver uma unidade aparente. Da mesma forma, não existe demarcação clara entre a unidade familiar e o mundo exterior. Nesse tipo de famílias os conflitos são comuns e são responsabilidade dos indivíduos resolvê-los ou não. Da mesma forma, compromissos são assumidos com a mesma facilidade com que são cancelados e o plano de vida é marcado pela espontaneidade.

Isaacs (1999a) estende as características desses conceitos, de formas de organização do poder e das relações do grupo, para qualquer tipo de coletividade. Assim, grupos quaisquer podem ser organizados de forma aberta, fechada ou aleatória. Para o autor, tal qual nas famílias, grupos abertos são aqueles que valorizam e respeitam os indivíduos e incentivam o aprendizado, o pluralismo e a colaboração, partindo do princípio que um senso de responsabilidade emergirá desse respeito. Um sistema aberto, como o próprio nome diz, está aberto à chegada de novos integrantes (e, portanto, opiniões) e à saída de outros.

Grupos fechados valorizam a tradição, a hierarquia, a formalidade, o coletivo, e colocam o indivíduo em segundo lugar. Possuem mais regras e há uma maior regulação da vida de seus indivíduos. Em grupos aleatórios, por sua vez, a cultura é individualista e não há muito comprometimento dos participantes com o grupo em si.

Tais quais os papéis desempenhados pelos participantes de grupo, descritos acima, os diferentes ideais homeostáticos possuem aspectos positivos e desenrolares que podem ser inesperados ou indesejados. Por exemplo, o sistema aberto, onde se preserva os indivíduos e valoriza a participação, pode gerar uma confusão na delimitação entre o público e o privado e ainda ficar eternamente preso ao que Isaacs (1999a) chama de “tirania do processo”, ou seja, como há uma grande valorização dos indivíduos e dos diferentes pontos de vista, decisões coletivas nunca são tomadas ou o são para depois não serem respeitadas. No caso do sistema fechado, se há uma grande estabilidade, por um lado, há uma grande dificuldade de se considerarem e de se responderem às mudanças emergentes, às inovações. Por fim, sistemas aleatórios, onde se valorizam a improvisação, a criatividade e a capacidade de inovação, pode ocorrer uma forma de aprisionamento pela anarquia.

Em processos em grupo, o conhecimento dessas formas de organização de poder é importante porque permite uma melhor compreensão da organização do próprio grupo. Também, a noção de que diferentes participantes do grupo possam estar acostumados a diferentes arranjos em suas famílias e locais de trabalho pode colaborar com o direcionamento do processo de formação do grupo para que ele ocorra de forma mais informada.