4 Results and Discussion
4.2 Total charge measured on different pulps made from Norway spruce
A conversão ao Reino de Deus é um ato de amor e justiça para com os pobres:
―Por isso o amor ao pobre começa por um movimento em direção a ele. Pode acontecer que a conversão se dê de modo imprevisto, motivada pelo olhar de algum pobre que conseguiu furar a barreira de proteção existente. Para a conversão acontecer, após alguém deixar-se atingir pelo olhar do pobre, é necessário que ele dê o primeiro passo de ir ao encontro desse pobre‖231.
230 Ibidem, pg. 224.
231 COMBLIN, José. O Caminho: um ensaio sobre o seguimento de Jesus São Paulo: Paulus Editora, 2005,
Para Comblin, existe uma barreira de proteção, ou seja, uma cegueira para o rico que é fator quase intransponível, cegueira esta que impede o amor de ser realizado entre as classes, sendo fator de injustiça, pois é ditado à classe mais abastada que o pobre é inimigo e pode lhe afetar com sua violência, mas isso termina quando a conversão acontece transpondo as barreiras, descobrindo que o pobre também é gente que sente, pensa e luta para sobreviver.
A conversão é um ato de amor e justiça, pois como o autor escreve: precisa sempre se encontrar com a necessidade do outro, e por isso, há sempre um processo e um caminho a perseguir. Taís como: a conversão da solidão do egoísmo para a vida comunitária, uma vida inserida em inúmeros laços sociais. A conversão para Comblin inclui uma mudança das estruturas do mundo, e assim, viver em comunidade na sua totalidade do significado. Pode-se afirmar com propriedade que o alvo da humanidade é a perfeição comunitária232. Comunidade que acolhe e anuncia o Reino, para isso, a justiça deve ser aplicada na sociedade. Ao aplicá-la a sociedade se forja como comunidade: Somente em comunidade é que poderemos executar a justiça, escutar e anunciar o dom e a graça de Deus – o chamado privilegiado para a superação de tudo o que rompe com a comunhão fraterna na sua essência, esse rompimento é a violência no seu sentido real que por falta de amor vai se tornando em opressão, injustiça, marginalização, discriminação, e outros valores, por ser ao mesmo tempo a ruptura com Deus – e lutar pela implantação dos valores do Reino anunciado por Jesus233, que é a justiça plena, como fraternidade, partilha, solidariedade e libertação dos oprimidos. Parece utopia, mas Comblin acredita que possa existir uma maneira denominada reforma social e isso somente poderá ser aplicado através do amor que sempre exige mudanças com relação ao próximo que sofre. O autor argumenta a respeito da Igreja ter um papel fundamental:
―Não se deve esconder que qualquer reforma social supõe uma redistribuição do produto nacional, particularmente do crescimento. É impossível corrigir a injustiça sem tocar nos privilégios dos mais ricos, sem impedir que o produto do crescimento caia sempre nas mesmas
232 BRUNNER, Emil. Justice and the Social Order. London: Lutterworth Press, 1949, pg. 45. 233GUTIÉRREZ, Gustavo. A Força Histórica dos Pobres, Petrópolis: Editora Vozes, pg.147.
mãos. Como conseguir pressionar de tal modo as classes privilegiadas que aceitem sacrificar parte dos seus privilégios e parte dos seus sonhos de riqueza ilimitada? Esse é o problema político que não incumbe à Igreja resolver. Mas o que, isto sim, incumbe a Igreja é insistir na necessidade de mudança‖234.
Parece ser impossível a realização dessa tarefa de redistribuição de privilégios. Condições técnicas para mudar, existem, o que falta é a vontade dos que detém o poder. Claro que não é assim tão fácil abandonar voluntariamente os próprios privilégios, faz-se necessário criar opções para que a justiça aconteça, para Comblin os articuladores dessa mudança tão esperada não virá dos poderosos e abastados, ele acredita nos pobres que ainda abrem espaços para os outros terem vida.
―Caminho semelhante, em relação aos desafios das mudanças sociais: não virão de cima (dos grandes grupos econômicos ou do Estado e suas instâncias, embora fragmentos destas últimas possam vir ocasionalmente em socorro). Devem ser, antes buscadas e construídas junto aos ―de baixo‖, pela via dos movimentos sociais, enquanto se mantiverem fieis à causa libertadora dos pobres e marginalizados‖235.
Ao se converter deve-se amar o encontro com o próximo e com suas necessidades praticando a justiça, pois quem ama não consegue deixar o ser humano em suas misérias, e sendo assim sempre teremos um processo ou um caminho pela frente. Assim como o texto acima: a conversão deve levar as pessoas da solidão do egoísmo para a vida comunitária, somente existe vida comunitária quando se aplica a solidariedade. A conversão deve levar as pessoas a uma vida inserida em inúmeros laços sociais sem barreiras econômicas. Segundo Jon Sobrino a conversão também é uma ação que nasce da justiça aos pobres e faz com que a conversão permaneça:
234 COMBLIN, José. Cristão Rumo ao Século XXI Nova caminhada de Libertação São Paulo: Paulus Editora,
1996, pg. 357.
235 CALADO, Alder Júlio Ferreira Em busca de uma chave de leitura do legado de José Comblin
http://www.slideshare.net/concilio50anos/em-busca-de-uma-chave-de-leitura-do-legado-de-jos-comblin acessado em 12.05.2012.
―A prática da Justiça que tende a recriar as maiorias pobres causa frequentemente o processo da própria conversão e de uma conversão radical. A solidariedade com o pobre, ainda que seja realidade para servi- lo, converte-se para os que buscam fazer-lhe justiça no serviço do pobre. Os pobres, na complexa realidade de serem pobres, de serem exigência da ruptura e – cristãmente – de serem sacramento do Senhor, seus rostos sofredores, evangelizam os que num primeiro momento querem servi-los. Desde a alteridade do pobre conseguem-se os impulsos efetivos e até afetivos e as categorias conceituais para ser, agir e saber-se de outra forma, isto é para a conversão, e para que esta se mantenha‖236.
Somente através do amor que estes valores são praticados e visualizados se tornando o princípio máximo da justiça e Tillich diz:
―O amor não faz mais do que a justiça exige, todavia, o amor é o princípio máximo de justiça. O amor reúne, a justiça preserva o que está para ser unido. Esta é a forma na qual e através da qual o amor realiza sua obra. A justiça em seu significado máximo é justiça criativa, e essa criatividade é a forma de reunião do amor‖237.
Tillich diz que a justiça criativa é a maneira de reunir amor, mas vai além dessa união, pois ela é a própria justiça de Deus que cria o direito, ele faz justiça a quem sofre violência e põe em ordem quem comete o mal.
Então, amor ao próximo é a maior força para a transformação pessoal e social, mas a realização deste amor deve-se traduzir pelos atos de não à violência.