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3 Field work

3.1 Dovre

3.1.3 Topography

A formação continuada no BIA objetiva modificar os modos de pensar, de dizer e de agir, unindo os saberes e os fazeres e buscando incorporá-los aos princípios teórico- metodológicos apresentados na proposta, além de oportunizar aos professores

[...] formação continuada é pautada no processo de construção e reconstrução de práticas e concepções, para que o professor do Bloco possa desempenhar o seu papel como alfabetizador consciente da responsabilidade e da importância que envolvem este trabalho (DISTRITO FEDERAL, 2006, p. 17).

A formação do professor no Bloco está orientada pela perspectiva crítico-reflexiva, possibilitando aos docentes a construção da autonomia pessoal e pedagógica, que, segundo Nóvoa (1992 apud DISTRITO FEDERAL, 2006, p. 16), “não se constrói apenas por acumulação (de cursos, de conhecimentos ou de técnicas), mas sim por meio do trabalho de reflexividade sobre as práticas e da (re)construção permanente de uma identidade pessoal”.

Na proposta, busca-se levar em conta a aproximação da atuação do professor em sala de aula com os conhecimentos nos quais tal ação foi fundamentada, com orientação para o surgimento da articulação entre o fazer pedagógico (saberes gerados em sua prática) e os conhecimentos prévios de sua formação. Assim, pretende-se

[...] unir os saberes e os fazeres, incorporá-los aos princípios teóricos-metodológicos [...] do Currículo de Educação Básica das Escolas Públicas do Distrito Federal – 1ª a 4ª série, que define eixos de formação e competências a eles relacionados, e aos Parâmetros Curriculares Nacionais (1997), que sistematizam os objetivos de ensino da língua (DISTRITO FEDERAL, 2006, p. 18).

A SEDF dispõe de estrutura pedagógica e administrativa para oportunizar a formação continuada de professores, que é subsidiada pela EAPE e pelos CRAs. Dessa forma, o professor conta com três espaços distintos, mas integrados na proposta da capacitação continuada, conforme a Figura 4.

Figura 4 – Estrutura da formação continuada dos professores do BIA

A EAPE participa da estrutura de funcionamento da SEDF como uma diretoria da Subsecretaria de Educação Pública. Foi criada em 1997, atualmente tem a missão de promover a formação continuada dos profissionais da educação em consonância com as demandas da rede pública de ensino do DF, contribuindo para a educação de qualidade social e a valorização profissional dos educadores (DISTRITO FEDERAL, 2012).

Assim, os cursos de formação continuada visam a atender às necessidades de capacitação e atualização dos profissionais das carreiras do magistério público e assistência à educação. Os referidos cursos são realizados com base em propostas elaboradas pela própria EAPE, pelas DREs, por outras diretorias da SEDF, por escolas ou instituições parceiras. A política de capacitação docente busca a construção do processo pedagógico de forma coletiva por meio da descentralização das ações de aperfeiçoamento docente e da articulação entre a teoria e a prática.

Segundo Pereira (2008), tem-se registrado efetiva participação da EAPE em cursos de formação continuada para o BIA, dentre os quais se destacam: Alfabetização no BIA (2005, 2006, para professores das cidades de Ceilândia e Taguatinga); Avançando na Práxis Pedagógica” (2006, para os coordenadores de Ceilândia); Fórum de Coordenadores (direcionado aos coordenadores de Taguatinga); Formação de Formadores (que envolveu 1.300 professores das DREs situadas nas cidades de Brazlândia, Guará, Samambaia, Taguatinga e Ceilândia).

Em 2010, foi disponibilizado curso de formação Alfabetização no Ensino Fundamental de nove anos para professores alfabetizadores de todas as DREs. Nesse mesmo ano, ocorreu ainda a formação em Pró-Letramento, Alfabetização e Linguagem para todos os professores atuantes no BIA. Em 2011, continuaram disponibilizados os cursos de Pró-

EAPE CRA COORDENAÇÃO

Letramento, Alfabetização e Linguagem para todos os professores do DF atuantes no BIA23 (DISTRITO FEDERAL, 2012).

Na proposta em análise, o Centro de Referência para Alfabetização - CRA é estruturado como espaço pedagógico para produção e disseminação de conhecimentos, experiências e pesquisas vinculados a temáticas relevantes ao processo de alfabetização. São também disponibilizados momentos específicos para atendimento às instituições educacionais que atuam com o BIA.

O CRA tem como função principal “atender às demandas dos coordenadores pedagógicos e dos professores atuantes no Bloco” (DISTRITO FEDERAL, 2006, p. 19). Sua operacionalização deve ocorrer com base nas seguintes orientações:

 disponibilizar um professor-articulador com experiência docente para atuar como elo entre o CRA e as escolas;

 priorizar ações pedagógicas apara a implantação e a implementação do BIA, atuando como referência na consolidação dos princípios que sustentam a proposta e na disseminação de novas alternativas pedagógicas essenciais ao fortalecimento do trabalho individual e coletivos dos professores;

 atender a demandas de coordenadores e professores com ações planejadas coletivamente;

 oferecer suporte técnico/pedagógico para elaboração do projeto interventivo;  promover oficinas, palestras e encontros, partilhar experiências entre professores;  no processo de acompanhamento e avaliação da implantação e da implementação do

Bloco, devem-se registrar as discussões e as atividades pedagógicas relacionadas às práticas de alfabetização e letramento;

 promover a sensibilização da comunidade escolar quanto aos princípios e aos objetivos que acercam o BIA, como também promover e manter grupos de discussão e estudos permanentes sobre alfabetização e letramento (DISTRITO FEDERAL, 2006).

As ações desenvolvidas pelo CRA são coordenadas pelas DREs/NMPs e pela Diretoria de Educação Infantil e Ensino Fundamental/Gerência de Assistência Técnica às Séries Iniciais.

23Informações colhidas na Coordenação de Formação Continuada da SEDF/EAPE, a qual informou por meio de relatórios virtuais as propostas dos cursos ocorridos (2005; 2006; 2007; 2008; 2009; 2010,2011) ofertados para o BIA.

A Portaria n. 29/2006 define mudanças nas funções do professor-coordenador que primam pelo aprimoramento do processo ensino-aprendizagem com base na articulação dessa função com as metas estratégicas propostas pelo Bloco, dentre as quais vale destacar a participação, a elaboração e o acompanhamento da Proposta Pedagógica da escola em todas as suas fases, nuances e perspectivas que constam nos princípios metodológicos do BIA. Há ainda como maior desafio: “[...] mediar o processo de ressignificação e desconstrução das práticas tradicionais ainda hoje presentes em salas de aula” (DISTRITO FEDERAL, 2006, p. 22).

Uma das mudanças ocorridas na coordenação pedagógica dos professores foi a destinação de 15 horas semanais à formação continuada, ao planejamento e à avaliação, e ainda a possibilidade de, em tal momento, atender individualmente os discentes.

O art 6º. da Portaria n. 29/2006 define atribuições ao professor-coordenador, devendo este participar da elaboração, da implementação, do acompanhamento e da avaliação da Proposta Pedagógica da instituição educacional, cabendo a ele ainda:

 orientar e coordenar a participação dos professores em todas as fases de elaboração, execução, implementação e avaliação da proposta;

 articular ações pedagógicas entre professores, equipe gestora das escolas e DREs;  divulgar e incentivar a participação de professores em todas as ações pedagógicas

ocorridas em nível local, regional e central da rede pública de ensino, incluindo a formação continuada;

 divulgar e estimular usos de recursos tecnológicos;

 orientar professores ingressos na proposta (recém-nomeados/recém-contratados);  propor reflexão avaliativa e redimensionamento de ações pedagógicas;

 elaborar, com a equipe, relatórios das atividades desenvolvidas, propondo soluções para problemas detectados.

 planejar e orientar o desenvolvimento de estratégias de avaliação diagnóstica;  orientar, acompanhar e avaliar o projeto interventivo;

 estimular, organizar e acompanhar as estratégias de reagrupamento, oferecendo suporte técnico-pedagógico;

 planejar momentos de estudos relacionados ao aprimoramento das didáticas utilizadas pelos alfabetizadores;

 estimular a participação dos professores nas coordenações pedagógicas da escola, nos cursos e nas oficinas oferecidos pelo CRA/Núcleo de Monitoramento Pedagógico e EAPE (DISTRITO FEDERAL, 2010a).