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Todelt tilknytning Tilknytning til Manpower

4. Teoretisk rammeverk

6.2 En delt arbeidslivstilknytning

6.2.1 Todelt tilknytning Tilknytning til Manpower

No manual “Linguística Textual: uma apresentação introdutória” 23 (2004), Adamzik alerta que não é possível iniciar qualquer trabalho linguístico-textual sem apresentar o objeto de estudo, ou seja, sem definir o que é ‘texto’.

Embora a própria autora reconheça que essa seja uma tarefa difícil, visto que na Linguística Textual não há um conceito geral e único de texto, isso não é mais considerado

pode se dar em diferentes níveis (GIRARDELLI, 2007). Esses níveis de integração formam uma espécie de contínuo, que vai desde a simples colaboração entre as disciplinas até a fusão delas. Nesse contínuo, situam-se os conceitos de multi, pluri, inter e transdisciplinaridade. Embora as fronteiras entre esses conceitos não sejam uma unanimidade entre os pesquisadores e a definição deles possa variar de autor para autor, cabe aqui diferenciá-los uns dos outros (BICALHO; OLIVEIRA, 2011: 5; 16).

Na multidisciplinaridade, informações provenientes de várias disciplinas são usadas para estudar determinado objeto; entretanto, não há qualquer relação ou cooperação entre elas, ou seja, “é uma justaposição de disciplinas, cada uma cooperando dentro do seu saber para o estudo do elemento em questão” (FARIAS; SONAGLIO, 2013: 72). Já na pluridisciplinaridade, as disciplinas estabelecem algum tipo interação entre seus variados conhecimentos, mas essa relação acontece dentro de um “mesmo nível hierárquico”, isto é, não há uma coordenação “proveniente de um nível hierarquicamente superior” que organize essa troca (FARIAS; SONAGLIO, 2013: 73-74). A interdisciplinaridade representa um avanço nesse contínuo, pois há uma ação coordenada por um nível hierárquico superior que estabelece o diálogo entre os diversos conhecimentos originários de várias disciplinas; essa ação coordenada busca integrar os resultados para a solução de um problema, o estabelecimento de uma intervenção ou o entendimento de um objeto de interesse comum (FARIAS; SONAGLIO, 2013: 76). Por fim, a transdisciplinaridade supera a interdisciplinaridade porque não só promove um diálogo entre as disciplinas, como também situa essas relações em um sistema global, ou seja, a interação entre elas ocorre em um “contexto mais amplo e geral, gerando uma interpretação mais holística dos fatos e fenômenos” (FARIAS; SONAGLIO, 2013: 79); nesse caso, “não há preocupação em delimitar o que é seu objeto ou o que é de outra área inter-relacionada” (KRAUSZ, 2011), pois o objetivo é que todas possam contribuir com o seu saber de maneira integrada e inclusiva, sem sobreposições (FARIAS; SONAGLIO, 2013: 80; BICALHO; OLIVEIRA, 2011: 19).

22 [Sie kann dadurch] Einsichten in die Regelhaftigkeit von Textbildung (Textkonstitution) und Textverstehen

(Textrezeption) vermitteln und dazu beitragen, die eigene Textkompetenz zu verbessern, d. h. die Fähigkeit zu fördern, fremde Texte zu verstehen und eigene Texte zu produzieren.

um problema ou uma falha na disciplina. Atualmente, entende-se que uma definição única para o objeto de estudo seja inviável, uma vez que diferentes perspectivas e interesses de pesquisa levam naturalmente a uma grande variedade de definições de texto. Por sua vez, todas as definições possíveis não se anulam, mas convivem em relação de simultaneidade, já que cada estudo em Linguística Textual apresenta uma definição singular sobre o que é texto.

Sendo assim, a busca por um conceito único de texto não corresponde à realidade das pesquisas em Linguística Textual, de modo que todo trabalho com textos deve esclarecer previamente que a definição adotada é apenas uma dentre muitas possíveis. Em cada caso, essa definição se orienta tanto pelas características do objeto quanto pelos objetivos específicos da pesquisa, dos quais uma definição geral não daria conta.

A vantagem de uma definição mais precisa de texto é que ela permite a construção do conceito para um contexto específico de pesquisa e, com isso, o objeto estudado corresponde aos objetivos da mesma. Essa definição não pretende descrever o objeto em sua completude ou em outros contextos possíveis, mas elege um deles. Com isso, as definições mais recentes de texto contemplam apenas uma parte do fenômeno, ou uma característica relevante dele, e estabelecem critérios de definição que não estão dados previamente, mas são extraídos a partir da escolha de um contexto de pesquisa. Em resumo, uma definição concisa de texto é capaz de abordar apenas parcialmente suas características, de forma que os conceitos mais atuais de texto privilegiam certos aspectos em detrimento de outros ou mesmo optam por uma combinação deles.

Diante desse cenário, Adamzik (2004: 39) acredita que não haja exatamente o que se chama de definição, mas, sim, um posicionamento a respeito do que é texto, de acordo com determinado ponto de vista. Caso um estudo tenha a pretensão de abordar todas as características do texto e ainda explicá-las, isso não resultaria na adoção de um conceito, mas em uma descrição detalhada do fenômeno ‘texto’, o que não é o propósito deste trabalho.

Tendo em vista os objetivos desta pesquisa, optou-se por adotar um conceito integrativo para esclarecer o que se considera como texto. Trata-se menos de uma definição e mais de uma combinação de aspectos essenciais para a caracterização do fenômeno, ou seja, um conceito aberto que comporta diferentes orientações de pesquisa. Neste trabalho, serão considerados aspectos de duas importantes abordagens da Linguística Textual: abordagem estruturalista (sprachsystematisch ausgerichteter Ansatz) e abordagem comunicativa (kommunikationsorientierter Ansatz).

A abordagem estruturalista concebia o texto como uma sequência coerente de frases. Para essa abordagem, a frase estaria no patamar máximo da hierarquia da unidade linguística

textual, ou seja, seria a estrutura do texto. Essa ideia foi ampliada, de maneira que o texto passou a ser visto como o maior elemento de comunicação dentro da hierarquia linguística que contempla fonema, morfema, lexema, sintagma, frase e texto. De acordo com Brinker (2010: 14), “com isso está expressa a concepção de que, não só a formação de palavras e de orações, mas também a formação do texto (constituição do texto) é guiada por meio do sistema de regras de uma língua e está embasada em regras gerais ligadas a um sistema linguístico” 24. Texto passa a ser definido, então, como uma sequência complexa e coerente de signos linguísticos mais simples. Nesse conceito de texto, a coerência textual tem um papel central, pois uma sequência de elementos linguísticos menores só pode ser considerada texto se esses estiverem conectados de maneira que a mensagem faça sentido (embora a ideia de coerência nesse momento seja puramente gramatical).

Já a abordagem comunicativa traz uma perspectiva pragmática para o conceito de texto. Ela considera que textos fazem parte de uma situação comunicativa, ou seja, participam de um processo concreto de comunicação no qual emissor e receptor atuam de acordo com suas relações sociais e condições situacionais. Por isso, o texto não é visto como um objeto isolado e estático, mas como um instrumento da comunicação, o que confere a ele um caráter dinâmico de atividade linguística complexa, por meio da qual o emissor tenta estabelecer determinada relação comunicativa com o receptor. Essa concepção de texto está diretamente relacionada à ideia de função comunicativa porque é ela que faz com que um texto tenha sentido. Segundo essa abordagem, a função é importante para determinar o principal traço característico de um texto e o tipo de comunicação que o emissor pretende estabelecer com o receptor, podendo ser, por exemplo, informativa (referencial ou denotativa), apelativa (ou instrucional), injuntiva (de obrigação), declarativa e fática (ou de contato) (BRINKER, 2010: 98-112).

No conceito integrativo de texto, a junção das concepções de cada uma das abordagens restringe a ideia gramatical de texto e a subordina à ideia hierarquicamente superior de língua como instrumento de comunicação e das atividades humanas. Ou seja, o modelo textual estruturalista foi integrado à abordagem comunicativa e pragmática das pesquisas em Linguística Textual.

Segundo Brinker (2010: 16):

24 “Darin drückt sich die Auffassung aus, dass nicht nur die Wort- und Satzbildung, sondern auch die

Textbildung (die Textkonstitution) durch das Regelsystem der Sprache gesteuert wird und auf allgemeinen, sprachsystematisch zu erklärenden Gesetzmäßigkeiten gründet.“

Contudo, ficou claro que uma mera expansão da Linguística Textual, ligada a um sistema linguístico, para um componente comunicativo-pragmático pouco provavelmente levará a um modelo de descrição linguístico-textual adequado. Ao contrário, deve-se integrar o modelo textual orientado sistematicamente à língua à abordagem pragmática, ou seja, à abordagem teórica da ação. 25

Essa integração justifica-se pelo ao fato de que tanto os meios linguísticos (aspectos gramaticais) quanto o(s) tema(s) são escolhidos comunicativamente, ou seja, por meio da intenção comunicativa do emissor, e certos fatores são determinados situacionalmente, como enquadramento institucional, relação entre os participantes da comunicação e conhecimentos prévios do emissor e do receptor. Com isso, percebe-se que as concepções de texto provenientes da abordagem estruturalista e da abordagem comunicativa não são excludentes, mas complementares, e se relacionam estreitamente. Brinker (2010: 16) afirma que a análise linguística adequada de um texto é aquela que considera ambas as abordagens teóricas.

Tendo em vista o conceito integrativo, foi adotada a seguinte concepção de texto neste trabalho: “O termo ‘texto’ designa uma sequência limitada de signos linguísticos que é coerente em si mesma e que indica uma função comunicativa reconhecível como um todo” (BRINKER, 2010: 17) 26. Nesse caso, o texto é visto simultaneamente como uma unidade linguística e comunicativa, conforme também é afirmado nessa outra citação de Brinker (2010: 19-20):

Um ‘texto’ é, por conseguinte, tido como uma unidade linguística e ao mesmo tempo comunicativa, isto é, como uma sequência limitada, gramatical e tematicamente coerente de signos linguísticos que, como tal, desempenha uma função comunicativa reconhecível (função textual). 27

Para esta pesquisa, outras características serão incorporadas à definição integrativa de texto na tentativa de delimitar ainda mais o objeto de estudo. Sendo assim, neste trabalho de Linguística Textual, serão analisados apenas textos não literários escritos e produzidos por um único emissor, podendo ser multimodais. Brinker (2010: 18-19) justifica a restrição quanto ao número de emissores da mensagem argumentando que textos com dois ou mais emissores só

25 Es ist inzwischen aber deutlich geworden, dass eine bloß additive Erweiterung der sprachsystematisch

ausgerichteten Textlinguistik um eine kommunikative-pragmatische Komponente wohl kaum zu einem adäquaten textlinguistischen Beschreibungsmodell führen wird. Vielmehr sind die sprachsystematisch- orientierten Textmodelle in den pragmatischen bzw. handlungstheoretischen Forschungsansatz zu integrieren.

26 Der Terminus ‘Text’ bezeichnet eine begrenzte Folge von sprachlichen Zeichen, die in sich kohärent ist und

die als Ganzes eine erkennbare kommunikative Funktion signalisiert.

27Ein ‘Text’ ist demzufolge als eine sprachliche und zugleich kommunikative Einheit zu betrachten, d. h. als

eine begrenzte, grammatisch und thematisch zusammenhängende (kohärente) Folge von sprachlichen Zeichen, die als solche eine erkennbare kommunikative Funktion (Textfunktion) realisiert.

se tornam sequências linguísticas coerentes quando se considera a expressão dos outros participantes do ato comunicativo. Além disso, o conceito fundamental de função comunicativa para texto está relacionado primordialmente à existência de um único emissor; a inclusão de outro(s) emissor(es) seria problemática para essa definição (item 3.2.1.6. Função comunicativa).

A respeito da multimodalidade, Fix (2008: 31) acredita que o conceito de texto deve ser ampliado de puramente linguístico para multimodal, já que muitas vezes as produções textuais são constituídas tanto por elementos linguísticos quanto por outros tipos de signos. Tais signos também comportam significados e informações, podendo transmitir uma mensagem e complementar ou reforçar o sentido do signo linguístico. No caso dos textos escritos, esses elementos são fotos, desenhos, símbolos, gráficos, tabelas, cores e disposição tipográfica do texto. Segundo a autora, “não se pode ignorar os signos, uma vez que todos eles juntos oferecem sentido, dão algo a entender tanto na superfície textual quanto no co-texto e, por isso, devem ser reconhecidos” (FIX, 2008: 31) 28.

Atualmente, é muito comum que os textos apresentem signos diversos, já que existem muitos recursos gráficos para a criação de signos visuais que possibilitam o auxílio à mensagem linguística. Entretanto, esses signos não devem ser considerados ocorrências adjacentes ao texto ou menos importantes, uma vez que podem muitas vezes ter um papel fundamental na comunicação escrita.

28 Da alle diese Zeichen gemeinsam Sinn anbieten, da sie alle auf der Textoberfläche und in der Textumgebung